sábado, 21 de abril de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 217

BARCO SAVEIRO VIROU-SE ENTRE O CASTELO DO QUEIJO E A ESTAÇÃO DE ZOOLOGIA MARÍTIMA DR. AUGUSTO NOBRE, DA FOZ DO DO DOURO


A 19/03/1939, pelas 14h00, entre o Castelo do Queijo e o Aquário da Foz, virou-se um barco saveiro, devido à nortada fresca que se fazia senti, possivelmente do centro piscatório da Afurada, que vinha de Matosinhos para a barra do Douro. O acidente foi observado de terra, por alguém que de imediato tratou de telefonar para a Capitania do porto de Leixões, cujo comandante ordenou a ida da lancha P3 da Corporação de Pilotos local em socorro dos náufragos, conduzida pelo cabo piloto Joel da Cunha Monteiro, acompanhado pelos pilotos Alfredo Pereira Franco, José Fernandes Amaro Júnior, Francisco de Campos Evangelista e a equipagem da lancha.
Quando chegaram ao local do sinistro, já os quatro náufragos tinham sido recolhidos por um bote do porto de Carreiros, dali perto, que os conduziu para terra, tendo o arrais sido salvo pela P3, que o trouxe para Leça da Palmeira, onde foi assistido.

Fonte: José Fernandes Amaro Júnior

(continua)

Rui Amaro

quarta-feira, 18 de abril de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 216

O NAVIO-MOTOR "MARIETJE BOHMER" DEMANDA A BARRA DO DOURO NA SUA VIAGEM INAUGURAL

A 16/02/1939 demandou a barra do Douro na sua viagem inaugural o navio-motor Holandês MARIETJE BOHMER (2), tipo "schuyter", conduzido pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, procedente de Swansea, consignado ao agente G. Leal & Ca., Lda, com um carregamento completo de carvão, indo amarrar no lugar do Sandeman, a dois ferros, cabos estabelecidos para terra e ancorote dos pilotos, ao lançante pela popa.


MARIETJE BOHMER (2) – imo 5613972/ 66m/ 928tb/12 nós; 02/1939 entregue pelo estaleiro A. Vuijk & Zonen, Capelle, a NV W, Bohmer's Scheepvaartbedrijf, Roterdão; 1942 requisitado pelos ocupantes Nazis e denominado EISSTROOM; 24/11/1943 torpedeado e afundado pelo submarino Norueguês HNMS ULA ao largo de Alesund.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior; U-Boat Net; Scheepvaart forum.
(continua)
Rui Amaro

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SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 215

TEMPORAL E CHEIA DE JANEIRO DE 1939

 
 Cheia do rio Douro, junto da Ribeira / colecção F. Cabral, Porto /.

 A barra do Douro e o porto de Leixões continuaram ontem, a não permitir qualquer movimento, devido à grande agitação do mar. No rio Douro, que se apresentava com maior volume de corrente de águas, os pilotos sob a direcção do cabo piloto Manuel de Oliveira Alegre, na margem direita, e do piloto mais antigo da corporação Júlio Pinto de Carvalho (Guerra), na margem esquerda, andaram desde madrugada procedendo ao reforço das amarrações de algumas embarcações ali fundeadas, e como medida necessária procederam também às amarrações dos vapores Inglês PETREL, Norueguês BRATLI, e Português CATALINA, cambando-os desde a Ribeira para melhores ancoradouros, ficando os dois primeiros no lugar do cais de Santo António do Vale da Piedade e o último no lugar do cais do Monchique. O lugre-motor ANA PRIMEIRO amarrou junto da lingueta do Bicalho.
O rio, cujo volume de água chegou a elevar-se acima do nível dos cais da Ribeira do Porto e de Gaia, atingiu também a rua de Miragaia, onde em alguns pontos subiu cerca de meio metro. A sua corrente arrastou de madrugada para o mar duas embarcações cujos proprietários ainda as não acusaram. Devido à sua impetuosidade o rio cortou parte do cabeço do Cabedelo, ficando agora a barra com mais largura no seu canal de acesso.
Pelas 15h15, frente ao lugar de Sobreiras amarisou, devido a dificuldades de o fazer noutros portos do país, o hidro-avião quadrimotor civil NORD MEER, de nacionalidade Germânica, ficando amarrado no lugar de Sampaio, Canidelo, margem esquerda. (Vide Episódio 153 do Blogue).
 
 
O quebra-rochas LICORNE operando à entrada da barra do Douro, vendo na imagem superior a lancha TAUREAU e na imagem inferior as crianças de famílias necessitadas da cidade do Porto na Colónia Balnear da Foz do Douro - CMP / imagem da Imprensa diária /.

A barra do Douro e o porto de Leixões continuaram ontem fechados à navegação devido à agitação marítima. No rio Douro a corrente leva mais impetuosidade, por isso de madrugada os lugres SANTA QUTÉRIA e PAÇOS DE BRANDÃO, fundeados no Quadro do Bacalhoeiros, Massarelos, garraram indo com as proas sobre o cais da margem direita. Os pilotos foram a bordo e procederam ao seu espiamento, desviando-os daquela complicada posição.
Em Leixões não foram tomadas as precauções adoptadas anteriormente para segurança dos vapores ali ancorados, por desnecessárias. O navio-motor de pesca Belga NELLY SUSANNE continua encalhado no mesmo local da Bacia.
No rio Douro, devido às fracas condições de fundeadouros estão em risco de serem arrastados pela corrente de água os quebra-rochas Franceses LICORNE e CAPRICORNE e a draga VERSAUX dos empreiteiros Franceses Oussud, que têm estado a operar nas obras da barra, fundeados no caneiro da ínsua do Ouro. Por esse motivo a autoridade marítima, cerca das 15h00, ordenou que as respectivas tripulações viessem para terra, servindo-se da lancha salva-vidas VISCONDE DE LANÇADA, da Foz do Douro, tendo como patrão Estevão Gonçalves, que com com grande custo aproximou-se das referidas embarcações, trazendo as tripulações para terra, desembarcndo-as no Ouro. Neste salvamento deu-se um caso digno de registo passado com o cão de bordo da draga, que vendo a retirada do pessoal, que dele se haviam esquecido, não hesitou, atirando-se àgua e nadando desesperadamente para terra, ante a admiração de curiosos sempre presentes nestas ocasiões.

 
Um dos quebra-rochas sem-afundado junto da restinga do Cabedelo da barra, a meia distancia entre a barra e a povoação de Lavadores / imagem da Imprensa diária /.

No dia seguinte, pelas 17h00 foram levados rio abaixo, saíndo a barra debaixo de forte maresia, rumo de sul, os quebra-rochas LICORNE e CAPRICORNE, a draga VERSAUX, e um batelão cábrea, que se encontravam fortemente amarradas e seguros com cabos de arame, correntes, e vários ancorotes, não podendo aguentar a violenta pressão da corrente do rio. O batelão-cábrea afundou-se por fora da barra, andando a draga e os dois quebra-rochas à deriva, ontem 19. Às 16h00 a corrente do Douro na Ribeira levava a velocidade de nove milhas, menos duas milhas e oitocentos metros do que no dia anterior: Às 18h10 na Régua o rio estava acima do nível de estiagem 14,50m, menos 40 centimtros do que na medição anterior. Um dos quebra-rochas foi afundar-se junto da resting do areal do Cabedelo, entre a barra e Lavadores, e na década de 50, ainda se vislumbrava a sua torre do pilão, fora das águas.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior
(continua)
Rui Amaro

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quarta-feira, 11 de abril de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 214


O AVISO DA MARINHA NACIONAL DE FRANÇA "YSER" VISITA A CIDADE DO PORTO
 
 
 YSER / Autor desconhecido - Photoship Co. UK /.


Parte da guarnição do YSER no rio Douro / mprensa diária /.

A 24/08/1939, logo manhã cedo, encontrava-se à barra o aviso da Marinha Nacional de França YSER. Há hora da maré subiu a bordo piloto José Fernandes Amaro Júnior, que de imediato o fez demandar a barra, indo amarrar no quadro dos navios de guerra, no lugar do Bicalho, Massarelos. Aquela elegante unidade naval vinha em visita de cortesia.
YSER – imo 6106239/ 83m/ 601td/ 20kn/ guarnição 107/ 4.000cv; 01/1917 entregue pelo Arsenal de Rochefort, Rochefort, à Marine Nationale Française; 27/1942 sabotado em Toulon e em1944 demolido para sucata em Cherbourg.
Fontes: José Fernandes Amaro Junior; Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

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sábado, 7 de abril de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 213



O VAPOR NORUEGUÊS "ALA" SOFRE UM INCIDENTE QUANDO DESCIA O RIO DE RUMO À BARRA

 
 O vapor Norueguês DOURO, gémeo do ALA, saindo a barra do Douro em 01/10/1929  /foto de autor desconhecido /.

Relato textual do piloto José Fernandes Amaro Júnior, respeitante ao seu serviço de saída do rio Douro do vapor Norueguês ALA.
A 31/12/1938, pelas 08h50, conduzindo eu rio abaixo o vapor Norueguês ALA, ao alcançar o lugar denominado de Dezoito Braças, ali diante da encosta da Arrábida, surgiu-me repentinamente densa névoa, que não me deu tempo a uma melhor orientação, entretanto o vapor desgovernou para estibordo e a margem norte apareceu.me pela proa, pelo que ao mesmo tempo que mandava largar os dois ferros, ordenava máquina toda a força à ré, não evitando mesmo assim, que a proa tocasse levemente nas pedras, sentindo-se uma pequena pancada. Passado o incidente e ainda no meio da persistente névoa, manobrei o ALA para o canal de navegação e rumei à barra, sempre sob nevoeiro cerrado, sem que ordenasse ao capitão para que mandasse sondar os tanques à proa, felizmente não havia indícios de água aberta, mesmo assim solicitei ao capitão a usual "carta de responsabilidade" que me foi negada.
Chegado à corporação elaborei a minha participação, que foi entregue ao piloto-mor Paulino Pereira Soares da Silva, que a fez seguir para a capitania do porto do Douro.
ALA - 66m/933tb; 06/1916 entregue por A/S Jarlso Vaerft, Tonsberg, a E. B. Aaby, Drammen; 10/1917 D/S A/S Ala, gestores E. B. Aaby, Cristiania; 1918 The Shipping Controller, mgrs. Emlyn Jones & Co., Londres; 1919 D/S A/S Ala, gestores E. B. Aaby, Cristiania; 1925 E. B. Aaby, Oslo; 03/1937 E. B. Aaby A/S, gestores E. B. Aaby, Oslo.
O ALA, que era um frequentador regular dos portos do Douro e Leixões, no tráfego de Inglaterra e França, juntamente com os vapores do seu armador DOURO, TEJO, SADO, FARO, MARS, TENTO e CRESCO, que eram mais conhecidos pelos “Marca A”, devido a ostentarem na pintura das chaminés aquela letra, quando com um carregamento completo de carvão, zarpara do porto de Port Talbot a 06/05/1941 de rumo ao porto de Swansea, a fim de se integrar, no dia seguinte, num comboio naval, mas devido ao facto da sua lotação da equipagem não se encontrar preenchida, ficou a aguardar por um próximo comboio. Porém devido a problemas técnicos, entretanto surgidos, a 10 seguiu isolado para o porto de Swansea. A 13 integrou-se num comboio com destino ao porto de Falmouth e a 16 abandonou o comboio e seguiu por sua conta e risco para o porto de Shoreham. Quando a 17 navegava a cerca de duas milhas daquele porto, surgiu nos ares uma esquadrilha de quatro aviões da “Luftwaffe”, que o atacaram a tiros de metralhadora. Os artilheiros de bordo ripostaram de imediato com as suas três metralhadoras antiaéreas. Mais tarde os aviões nazis regressaram e lançaram várias bombas sobre o ALA, acabando por ser atingido e danificado por duas delas, começando a querer submergir. A hospedeira de bordo, esposa do empregado de mesa, foi atingida por estilhaços quando procuravam refúgio. A tripulação composta por 16 elementos abandonou o vapor nos botes de bordo.
O ALA parecia continuar a resistir ao afundamento, pelo que o capitão e o seu imediato subiram a bordo, visto o vapor Norueguês BOTNE entrar em acção, tentando rebocá-lo para o porto mais próximo, auxiliado por um rebocador portuário. Os botes salva-vidas foram levados para terra por embarcações locais. A hospedeira acabou por falecer no hospital de Gosport. O ALA já em bom porto foi descarregado e sofreu reparações provisórias, no sentido de ser levado para o porto de Southampton, a fim de receber as reparações finais, todavia quando, já a reboque em rota para aquele porto, a 13 de Junho, ao largo de Selsey Bill, pouco antes da chegada, foi alvo de uma enorme explosão avante, que o fez submergir e segundo se apurou, o motivo da explosão fora devido às bombas, que o atingiram no ataque aéreo, tornarem-no num campo magnético, passando a ser um alvo fácil para atrair as minas. O imediato, que se encontrava na casa do leme, foi atingido por estruturas de cimento protectoras daquela dependência. Os náufragos, alguns bastante feridos, incluindo o capitão, imediato, e os dois maquinistas, todos salvos por um escoltador Inglês e pelo vapor Norueguês DOURO, seu gémeo e pertença do mesmo armador, que na ocasião navegavam nas imediações. O imediato não resistindo aos ferimentos, acabou por sucumbir no hospital.
Fontes: José Fernandes Amaro Junior; Lillesand Sjomannstorening; Norwegian Merchant Fleet 1939/1945; Lloyd's Register of Shipping.
(continua)
Rui Amaro

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 212

O VAPOR NORURGUÊS "INGA-I (2) SOFRE ACIDENTE NO RIO DOURO

A 15/11/1938, quando pelas 17h00 vinha rio abaixo, o vapor Noruegues INGA I (2), ao chegar ao lugar da Cruz, margem esquerda, avariou-se-lhe a máquina do leme, tendo desgovernado de proa para bombordo, pelo que o piloto Jaime da Silva Martins mandou largar os dois ferros de proa evitando o encalhe e avarias pesasdas em barcaças ali amarradas.
Entretanto suspendido os ferros, seguiu de rumo à barra e ao alcançar o lugar de Massarelos, voltou novamente a desgovernar indo embater nos lugres Portugueses que estavam amarrados à margem por leste do lugar do Lugan, INFANTE SAGRES 3º, DELÃES e OLIVEIRENSE, que se encontravam em fabricos para a próxima campamha do bacalhau. De imediato compareceram o rebocador NEIVA e a lancha ALTINA, que o levaram para o ancoradouro de Santo António do Vale da Piedade, a fim de reparar a avaria da máquina do leme.
 O vapor Norueguês INGA I (2) visto aqui como BA / Colecção M. Voss - Sjohistorie.NO.

INGA l  (2) – era o antigo vapor Norueguês BA construído na Holanda no ano de 1921, mais tarde adquirido pelo armador Johan Eliassen para preencher o lugar do anterior vapor do mesmo nome, naufragado a 30/03/1936 na barra do Douro; 77,5m /1.304tb/ 10nós; 12/1921 entregue pelo estaleiro Huiskens & van Dijk, Dordrecht, como MARVEL a A/S Nordsjoen, Kristiania; 06/1922 MARVEL, Belgium Star Shipping SA, Antwerp; 1924 BA, Rederi A/S BA, gestores Th. Brovig, Farsund/ 1936 BA, A/S D/S Inga I, gestores Johan Eliassen, Bergen; 07/1937 INGA I, A/S D/S Inga I, gestores Johan Eliassen, Bergen; 27/07/1941 foi torpedeado e afundado pelo submarino Alemão U-126, KorvettenKapitein Ernst Bauer, a 200 milhas a oeste do Cabo Finisterra, quando fazia parte do comboio OB69, que seguia dos portos de Tyne e Oban para o porto de Gibraltar, transportando carvão, perdendo a vida três dos dezanove homens da sua equipagem, dentre os quais o chefe de máquinas Bernhard Eliassen, que também tinha sido um dos náufragos do antigo INGA l, que se prdera na barra do Douro a 30/03/1936.
Fontes: José Fernandes Amaro Junior; Sjohistorie.NO.
 continua)
Rui Amaro

domingo, 1 de abril de 2012

ATENÇÃO

O AUTOR AGRADECE A TODOS OS QUE SE INTERESSARAM PELA SUA SAÚDE E VAI TENTAR REINICIAR O BLOGUE COM NOVAS INTERESSANTES POSTAGENS, APESAR DE AINDA MUITO DEBILITADO CONTINUAR OS TRATAMENTOS HOSPITALARES

(THE AUTHOR THANKS TO ALL OF YOU INTERESTED FOR ITS HEALTH AND WILL TRY TO RESTART THE BLOG WITH NEW INTERESTING POSTAGES, THOUGH STILL VERY WEAK CONTINUE HOSPITAL TREATMENTS)

SAUDAÇÕES MARÍTIMO-ENTUSIÁSTICAS

RUI AMARO