quinta-feira, 8 de setembro de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 195

O NAVIO-MOTOR ALEMÃO "GAUSS" DESVIOU-SE DA SUA ROTA PARA SOCORRER UM BARCO FANÉQUEIRO DO CENTRO PISCATÓRIO DA AFURADA EM DIFICULDADES NAS 45 BRAÇAS, REBOCANDO-O ATÉ À BARRA DO DOURO

 GAUSS / autor desconhecido /.

A 15/10/1936, pelas 10h30, ao mar de Espinho, nas 45 braças encontrava-se em dificuldades, com a verga da vela partida, um barco fanéqueiro pertencente ao centro piscatório da Afurada, sob forte nortada, que o impossibilitava de navegar para norte. Felizmente navegava nas imediações, de rumo ao porto de Bremen, caturrando contra a vaga, o navio-motor Alemão GAUSS, que avistando aquele barco de pesca, no qual se encontravam seis homens, com pendão ao alto, sinal de pedido de socorro, desviou-se do seu rumo e foi ao encontro daquela embarcação, conduzindo-a a reboque até à porta da barra do Douro, após o que retomou a sua navegação para norte, tendo o batel fanéqueiro entrado a barra e rumando à força de remos para a Afurada.
Como se sabe o GAUSS encalhara a 11/05/1932 à entrada da barra do Douro, e desse triste acidente naufragaram os salva-vidas locais PORTO e CARVALHO ARAÚJO, quando abenegadamente tentavam resgatar os seus camaradas daquele navio mercante, em que de 17 corajosos heróis do mar se perderam 6 valiosas vidas.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on this Blog, which will be very much appreciated.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 194

O PILOTO ABANDONA A PONTE DE COMANDO DO VAPOR NORUEGUÊS "DOURO" POR MOTIVO DE DESOBEDIÊNCIA DO SEU CAPITÃO QUE ORIGINA UM PERCALÇO QUANDO DE SAÍDA RUMAVA Á BARRA
O vapor DOURO saindo da barra do Douro em 01/10/1929 / Foto de A. Teixeira da Costa /.

A 14/10/1936, pelas 18h00, quando o vapor Norueguês DOURO descia o rio, de rumo à barra, já perto da penedia das Lobeiras de Sobreiras, o piloto-mor Francisco Rodrigues Brandão recebeu instruções do capitão do porto, no sentido de negar a saída daquele vapor. De imediato, foi içada no mastro dos pilotos a bandeira da letra “N” e a lancha P4 foi ao seu encontro, a fim de avisar o piloto do que se estava a passar.
O piloto Júlio Pinto de Carvalho transmitiu ao capitão as instruções recebidas e ordenou para largar o ferro de bombordo no sentido de desandar o vapor, a fim de regressar ao ancoradouro. Dado que o capitão desobedeceu às suas ordens, aquele piloto abandonou a ponte do comando, não sem que lhe fizesse ver das consequências que viria a sofrer. Entretanto o DOURO sob a direcção do seu capitão dirigiu-se para a barra e perto da Meia Laranja, indo fora do canal, guinou a estibordo e largou os dois ferros para não embater no enrocamento do cais. Em face da situação o piloto retomou o comando e manobrando proa acima, regressou ao ancoradouro do lugar da Arrozeira, onde ficou amarrado. Resolvido o problema com a autoridade marítima, o DOURO deixou a barra no dia seguinte, sob a direcção do piloto José Fernandes Amaro Júnior.
DOURO - 65m/928tb, entregue a 08/1921 pelo estaleiro A/S Jarlso Vaerft, Tonsberg, como PEIK, ao armador Hans H. Torgersen & Co. A/S. Tonsberg, 1923 DOURO, E. B. Aaby’s Rederi A/S. (Standard Line), Oslo, passando a ser um visitante regular dos portos Portugueses, particularmente o Douro/Leixões., onde era conhecido, juntamente com outras unidades do seu armador, pelos “marca A”, e vinha consignado, conforme os tráfegos a que estava afecto, aos agentes de navegação Kendall, Pinto Basto & Ca, Lda., J. Pinto de Vasconcelos, Lda, e ao Garland, Laidley & Co., Ltd., da praça do Porto,
A 07/05/1942 largara de Reykjavik com destino a Hull, transportando peixe congelado e a 9 foi atacado por um avião bombardeiro da "Luftwaffe" nas coordenadas 60.41N 12.58W, tendo sido atingido a meia-nau por 4 bombas, por trás da chaminé, que o fez alquebrar e afundar-se em dois minutos. Como os botes salva-vidas foram destruídos, a tripulação não atingida saltou para a água, conseguindo subir para duas jangadas. Durante a tarde foram localizados por uma aeronave da "RAF", que lhes comunicou que o auxílio viria rápido. Algumas horas depois foram recolhidos pelo vapor de pesca Islandês GYLLIR, que os levou para Reykjavik, onde 2 dos 11 tripulantes salvos encontravam-se feridos, pelo que receberam tratamento hospitalar. No naufrágio pereceram 10 homens, incluindo o capitão.

 O vapor DOURO do pós-guerra no porto de Leixões na década 50 /(c) Foto Mar, Leixões /.

No pós-guerra, vários navios foram construídos para compensar as perdas durante a guerra, entre os quais se contava o vapor DOURO, 72m/1.150tb, lançado ao mar em 1948 pelo estaleiro James Lamont & Co., Greenock., passando a escalar Leixões, fretado à Union Maritime Industrielle, Rouen. Em 1957 foi vendido à Navegação Savónia, Rio de Janeiro, tomando o nome de CERES, sendo seu 1º engenheiro de máquinas, Joaquim Vilela, natural da Foz do Douro e tio do autor do blogue.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior; War Sailors-com; Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

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domingo, 4 de setembro de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 193

O MODERNO NAVIO-MOTOR FRUTEIRO DINAMARQUÊS "TUNIS" DEMANDA A BARRA DO DOURO PELA PRIMEIRA VEZ

O TUNIS em 1936 / DFDS 1866-1941 /.

A 23/09/1936, pelas 10h00, vindo do sul apareceu à vista, navegando a cerca de duas milhas da costa, o navio-motor fruteiro Dinamarquês TUNIS, que procedia de vários portos do Mediterrâneo, onde carregara citrinos e laranjas, além de bastante cortiça em fardos.
Dado que o seu agente consignatário Kendall, Pinto Basto & Cia, Lda tinha bastante interesse, que aquele navio entrasse, a fim de iniciar as operações de carga no sentido de as terminar para sair na maré da manhã do dia seguinte, o piloto-mor Francisco Rodrigues Brandão, sabendo que aquela moderna unidade da marinha mercante Dinamarquesa, de linhas bastantes avançadas para a época, aliás próprio da construção naval dos países Escandinavos e o seu pouco calado, aliado à sua boa marcha e leme, e tendo em conta das boas condições da barra, decide-se pela sua entrada sem demora. O corso da vazante já passara, junto do cais do Marégrafo, há pouco mais de uma hora.
A lancha P4 já saíra para o mar, conduzida pelo cabo-piloto Alexandre Cardoso Meireles, que foi ao encontro daquele navio, tendo-o abordado a sul da praia de Lavadores. Para bordo subiu o piloto José Fernandes Amaro Júnior, que de imediato transmite para terra o calado de água de 14,5 pés, através de toques da sirene do navio. Com a bandeira vermelha, sinal convencional de barra franca, içada nos mastros do castelo da Foz e do cais do Marégrafo e a toda a força avante o TUNIS faz-se à barra do Douro de rumo a nordeste, safo do banco da Barra e dos destroços do INGA l, até alcançar a bóia da ponta do Dente, onde fez o enfiamento da marca das Três Orelhas pela marca nova do Anjo, sempre sem reduzir a sua marcha, a fim do navio governar e vencer a corrente do rio, que já levava alguma impetuosidade, formando o usual escarcéu, mostrando aquele navio ser de bom andamento e sobretudo leme, não criando qualquer dificuldade e obedecendo sempre à manobra e assim prosseguiu até chegar junto do lugar da Ínsua do Ouro, abrandando o andamento, a fim de entregar a declaração de sanidade à baleeira da Sanidade Marítima. Retomando a marcha para montante até alcançar o lugar das escadas da Alfândega, onde largou o ferro de estibordo e pouco depois o de bombordo e de imediato a lancha da amarração, que entretanto já passara o cabo de arame ao ancorote dos pilotos, foi largá-lo pela popa ao lançante pelo sudoeste. A seguir a lancha foi passar cabos por cima do pião de barcas para terra, onde já se encontrava um seu tripulante, que os encabeçou nos peorizes. O TUNIS deixou o rio Douro no dia seguinte pelas 13h00 rumando a Antuérpia e Copenhaga.
 
 
O TUNIS no pós-guerra / DFDS /

 TUNIS - navio fruteiro/ Imo 5370840/ 87m/ 1.648tb/ 12,5nós/ 12 passageiros; 15/01/1936 entregue pelo estaleiro A/S Helsingors Jernskibs-og-Maskinbsggeri, Helsingor, à Det Forened D/S A/S (DFDS), Copenhaga; 04/1940 imobilzado em Nova Iorque devido à Dinamarca ter sido invadida e tomada pela Alemanha Nazi; 06/06/1941 entregue à US Maritime Commission por ordem executiva dos seus armadores Det Forened D/S A/S (DFDS), Copenhaga; 21/07/1941 AQUILA, registo do Panamá e fretado à Marine Operating Co., Inc. 11/08/1941 adquirido pela US Navy em Nova Iorque; 24/10/1941 USS AQUILA (AK-47); 09/10/1945 abatido ao efectivo da US Navy, em Norfolk, VA, e entregue ao US Maritime Commission, tendo sido fretado pela Alcoa Steamship Co., em Portsmouth, VA, recebendo o nome de BONANZA; 25/06/1946 devolvido aos seus primitivos armadores a DFDS, de Copenhaga, e recebendo o seu antigo nome de TUNIS; 1966 MARIA-T, V. H. Eleftheriades, Pireu; 1972 MATHIOS, Rigas O. Boris et all,??; 08/1978 chegava ao Pireu para desmantelamento em sucata.

O MAROCCO em operações comerciais algures num porto do Mediterrâneo Oriental / DFDS 1866-1941 /.

O TUNIS juntamente com o seu gémeo MAROCCO, e mais outros dois com ligeiras diferenças, denominados ALGIER e SICILIEN foram colocados pela DFDS ao serviço da linha do Mediterrâneo incluindo portos da Grécia, Turquia, Siria, Libano, Israel/Palestina e Egipto, e veio ao rio Douro carregar vinho em pipas, conservas, ardósias, resinas e cortiça em fardos, esta na sua maior parte estivada no convés como "barda". Os vapores daquele armador eram mais conhecidos nas ribeiras de Gaia e Porto como “vapores das pipas”, devido à grande quantidade de pipas de vinho, que embarcavam no rio Douro.
No pós-guerra, mais propriamente em 1946 regressou ao serviço do seu armador, retomando a linha do Mediterrâneo com escalas eventuais nos principais portos Portugueses, a fim de reforçar a frota da linha de Portugal, só terminando com a vinda dos novos navios-motor fruteiros da série RHODOS e BYGHOLM entre os anos de 48/50, passando então a servir o tráfego da Dinamarca/Inglaterra.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior; DFDS 1866-1941; US Navy Navsource; Lloyd´s Shipping Register.
(continua)
Rui Amaro

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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 192

O "RMS ORDUNA" - PAQUETE INGLÊS DA MALA REAL DO PACIFICO VEIO A LEIXÕES DESEMBARCAR PASSAGEIROS DESTINADOS A VIGO


 
Cartão postal da PSNCo.

A 22/07/1936, pelas 21h00, fundeou por fora do porto de Leixões, devido ao seu excessivo porte, o paquete Inglês ORDUNA, a fim de desembarcar 31 passageiros, o que deveria ter sido realizado no porto de Vigo, tendo sido impedidos de o fazer devido à situação de guerra civil, que se desenrolava em Espanha. Aquele paquete, que procedia de Liverpool, após o desembarque dos passageiros, suspendeu o ferro a 23, pelas 02h00, rumando a Valparaiso, escalando as ilhas Bermudas e o canal do Panamá.
O ORDUNA, 175m/15.507tb, 2 mastros, 1 chaminé, 3 hélices, 14 nós, 1.120 passageiros acomodados em três classes, foi construído pelo estaleiro Harland & Wolff, de Belfast, por encomenda da Pacific Steam Navigation Co. (Mala Real do Pacifico). Quando do assentamento da quilha foi-lhe dado o nome de ORMEDA, no entanto foi lançado ao mar em 02/10/1913 ostentando o nome de ORDUNA. Em 19/02/1914 iniciou a sua viagem inaugural a Valparaiso via Rio de Janeiro e Montevideu e em Outubro do mesmo ano foi fretado pela Cunard Line, Liverpool, para o seu serviço de Liverpool para Nova Iorque, contudo devido à situação de guerra, foi requisitado para o transporte de tropas. A 28/06/1915, a vinte milhas de Smalls, foi perseguido por um submarino Alemão, mas manobrou de maneira a evitar ser atingido pelo ataque. Doze dias mais tarde, a 09/07/1915 falhou um torpedo, quando navegava a 30 milhas a sul de Queenstown, Irlanda. Em Junho de 1918 afundou um submarino Alemão a tiro de metralhadora e em Dezembro do mesmo ano abalroou o vapor Inglês KONAKRY da Elder Dempster Lines, que submergiu ao largo de Galley Head, Irlanda. Em 31/12/1919 foi devolvido ao seu armador, retomando o tráfego Liverpool, Rio de Janeiro, Montevideu e Valparaiso em 01/04/1920. Em 28/05/1921 fretado pela Royal Mail Steam Packet Co. (Mala Real Inglesa), que o comprou em 1923, passou a ligar os portos de Hamburgo, Southampton e Nova Iorque. No Outono de 1922 voltou ao tráfego da costa leste da América do Sul. Reconstruído e convertidas as máquinas para queima de óleos pesados, além da sua capacidade de passageiros ter sido reduzida para 903, regressou à frota do seu primitivo armador. A 07/04/1927 foi colocado na rota de Liverpool para Valparaiso via Rio de Janeiro e Montevideu, linha regular do seu armador. Em 1930 foi transferido para linha Liverpool, Valparaiso via o canal do Panamá e assim permaneceu até 1940. Em Julho daquele ano saiu de Liverpool para Lisboa, a fim de repatriar cidadãos Franceses, após a queda da França e nessa viagem navegou, completamente iluminado durante a noite, sob salvo-conduto internacional. Em Fevereiro de 1941 foi requisitado pelo governo Britânico para o transporte de tropas. Após a libertação de Madagáscar, transportou o governador e o seu séquito, afecto ao governo Francês de Vichy, desde Tamatave até Durban e na sua viagem para Inglaterra levou 500 oficiais e praças da armada de França, que se foram juntar às forças militares da França livre. Quando da queda da Abissínia realizou o transporte da Divisão Oeste Africana de Berbera para Durban e mais tarde, várias viagens, transportou tropas Norte-americanas desde o porto de Oran para o de Nápoles, já na fase final da invasão da Itália. Em Agosto de 1945 foi navio-chefe das forças de invasão para reocupação da Malásia e após a rendição do Japão, transportou 1.700 prisioneiros de guerra de Rangoon para Liverpool e também transportou tropas para as Índias Orientais, Indochina e Japão e em Outubro de 1946 repatriou as últimas tropas Britânicas estacionadas nos territórios Franceses do norte de África. Completou a sua última tarefa de transporte de tropas, rumando de Liverpool para Singapura e regressou em Novembro de 1950. Após 10 anos consecutivos no transporte de tropas, sem grande espaço para reparações ou manutenções e com os seus 36 anos de vida encontrava-se num estado lastimoso para ser utilizado como navio de passageiros. Em 1951, após uma vida de intensa actividade, foi vendido para sucata, tendo chegado ao Dalmuir, Escócia, onde foi desmantelado.

Um dos gémeos RMS ORCOMA e ORBITA fundeado na bacia do porto de Leixões / colecção J. Modesto, Leixões /.


Entre 1904 e 1920 a Pacific Steam Navigation Co. (Mala Real do Pacifico), vindos de Liverpool, La Pallice, Corunha e Vigo, fazia escalar no porto de Leixões os seus paquetes ORCOMA e ORBITA no seu serviço de carga e passageiros para portos da costa leste e oeste da América do Sul via Estreito de Magalhães com escala por Lisboa, Recife, Salvador, Rio de Janeiro, Montevideo, Buenos Aires, Port Stanley, Punta Arenas, Coronel, Talcachuano e Valparaiso e Guayquil. Aqueles paquetes vinham comsignados aos agentes Kendall, Pinto Basto & Cia, Lda, hoje Pinto Basto Navegação SA.
O pai do autor do blogue chegou a possuir uma miniatura de parede do RMS ORBITA e um seu irmão, metalúrgico de profissão, emigrou para o Rio de Janeiro naquele mesmo vapor, embarcando no porto de Leixões.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior, The Ship's List - Ship Description, Sea Breezes e Lloyd's Register of Shipping.
(continua)
Rui Amaro

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 191

OS CINCO CONTRA-TORPEDEIROS DA CLASSE "NRP VOUGA" DEMANDARAM A BARRA DO DOURO
 
O NRP DOURO com os caracteres identificadores que usou antes da entrada de Portugal para a OTAN / Imprensa diária /.

Os cinco contra-torpedeiros da classe NRP VOUGA amarrados de braço dado em Massarelos

A 23/06/1936, pelas 15h00, vindos do Tejo, demandaram a barra do Douro os contra-torpedeiros NRP 's LIMA, DOURO, VOUGA, TEJO e DÃO, popularmente conhecidos pelos "Galgos do Mar", que vieream de visita por ocasião das festas da cidade, o São João do Porto, e para a cerimónia de entrega da bandeira nacional oferecida por uma comissão de senhoras desta cidade ao NRP DOURO, marcando presença naquela cerimónia o ministro da Marinha.
Acontecimento pouco vulgar, tanto no histórico da flotilha de contra-torpedeiros da classe NRP VOUGA, como no porto comercial do Douro, em que toda a flotilha constituída pelos cinco contra-torpedeiros estiveram surtos no rio Douro. De inicio aquelas unidades navais de cerca de 100m ff , estiveram amarrados em fila indiana, mas a 24, dia de São João do Porto, foram posicionados de braço dado, para que se realizasse um baile promovido pela dita comissão de senhoras. A 01/07 cruzaram a barra com destino ao porto de Setúbal, após terem sido franqueados a um enorme número de visitantes durante a sua permanência no quadro dos navios de guerra, em Massarelos.
Segundo relato da Revista da Armada num dos seus números, sobre esta classe de navios, foi esta a única ocasião em que toda a flotilha se encontrou reunida fora das instalações da Base Naval de Lisboa, e em que cidade do Porto teve o maior número de navios de guerra, particularmente de algum porte ancorados no seu porto.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior

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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 190

RECORDANDO O NAUFRÁGIO DO VAPOR NORUEGUÊS "INGA I" (1) NA BARRA DO DOURO

 
INGA I (1) / Lillesand Sjomannsforening /.
A 30/03/1936, manhã cedo, o vapor Norueguês INGA l apareceu à vista da barra do Douro. O mar estava um pouco agitado e aquele vapor carvoeiro fundeou ao largo da costa, aguardando a maré e o prático da barra, juntamente com outros seis vapores, que também se destinavam ao rio Douro.
O piloto-mor Francisco Rodrigues Brandão, como o mar na barra, antes da maré, não permitisse a saída da lancha de pilotar P4, ordenou aos pilotos de serviço, que seguissem para Leça da Palmeira, a fim de embarcarem na lancha de pilotar P1 no porto de Leixões, a qual os conduziria para bordo daqueles vapores, que continuavam fundeados ao largo da barra. Os referidos pilotos assim procederam e embarcaram nos respectivos vapores por ordem de escala de serviço e posicionamento dos mesmos. O piloto Francisco Soares de Melo subiu a bordo do INGA l, a fim de dirigir as manobras de entrada da barra e subida do rio até ao seu ancoradouro.
Às 16h35 foi içado nos mastros do cais do Marégrafo e do castelo da Foz o sinal de galhardetes convencional do calado de água dos aludidos vapores, que começaram a aproximar-se da entrada da barra. Depois de terem entrado os vapores Noruegueses DOURO, CRESCO, GRANA e o pequeno petroleiro Português SHELL 15, coube a vez ao INGA l, que começou por fazer o conveniente mas embaraçoso enfiamento ao canal da barra. Entretanto ao aproximar-se da bóia da barra, junto das pedras da Ponta do Dente, e apanhando um estoque de água ou ronhenta originado pelas águas de cheia de cima e alguma ondulação, desgovernou a bombordo e foi embater nessa penedia pelo lado de oeste, acabando por sofrer um rombo. O INGA l, atravessado à vaga, que crescia de momento a momento e à corrente do rio, foi levado por esta até a uma distância de cerca de 400 metros para oés-sudoeste do farolim de Felgueiras, sem de nada lhe valerem os dois ferros lançados à água, acabando por se deter encalhado num banco de areia submerso, formado por uma anterior cheia, um pouco a norte do local onde sete anos antes, tragicamente naufragara o vapor Alemão DEISTER.
A tripulação do INGA l, vendo a situação critica em que se encontrava, tratou de preparar as baleeiras salva-vidas, ao mesmo tempo que se munia dos coletes de salvamento. Enquanto se desenrolava toda esta actividade com visível nervosismo, o piloto Francisco Soares de Melo pedia socorro por meio de toques lúgubres da sirene de bordo, originando grande alarme, pelo que correu célere a noticia pela cidade do Porto e arrabaldes, tendo acorrido para a Foz do Douro, de todos os pontos, milhares de curiosos alarmados, servindo-se de todos os meios de transporte. Ao longo dos cais e do areal do Cabedelo, a multidão cheia de inquietação e ansiedade, tomava as suas posições, a fim de assistir aos trabalhos de salvamento dos náufragos do vapor sinistrado.
 
A imagem mostra o Inga I encalhado, a sua tripulação no pátio do Hotel Boa Vista, Foz do Douro, e a lancha salva-vidas Carvalho Araújo entrando a barra, já com os náufragos a bordo. /(c) Gravura de noticia do diário O Comércio do Porto de 01-04-1936/.

Para a barra seguiram a lancha de pilotar P4 e os rebocadores MARS 2º, VOUGA 1º, TRITÃO, NEIVA e LUSITÂNIA. Aproximaram-se, também as lanchas salva-vidas a remos da Foz e da Afurada, que chegaram a dirigir-se para as imediações do naufrágio, sem qualquer sucesso. Momentos depois saíram do porto de Leixões, a toda a velocidade, o salva-vidas motor CARVALHO ARAÚJO e a lancha de pilotar P1 daquele porto. Por terra compareceram as corporações dos bombeiros voluntários do Porto, Portuenses, Matosinhos e Leça, Leixões e ainda o Batalhão de Sapadores Bombeiros, todas elas com o seu pessoal e o material de socorros a náufragos.
O momento era impressionante, havia em toda a multidão uma emoção profunda, que se justificava plenamente, atendendo à tragédia do DEISTER, que se desenrolara um pouco a sul do baixio onde o vapor INGA l se encontrava encalhado e na mais critica situação. Os Bombeiros Voluntários do Porto sob o comando do capitão Miranda, instalados no molhe de Felgueiras, prepararam um foguetão, que lançaram pelas 18h10 em direcção ao vapor, a fim de se estabelecer um cabo de vaivém no sentido de resgatar a sua tripulação, o qual não conseguiu atingir o alvo devido à grande distância a percorrer.
A sirene de bordo continuava a fazer-se ouvir, denunciando a gravidade da situação e de bordo os tripulantes vendo, que o foguetão não atingira o seu vapor e que as embarcações de resgate não se podiam aproximar, lançaram por meio de uma pipa uma espia ao mar, com o intuito de ser recolhida por qualquer das embarcações, que pairavam por perto e que a levaria aos bombeiros em terra. Não conseguiram, porém o seu intento, pois a corrente das águas fizera mudar de direcção a referida pipa, para lugar onde não poderia ser recolhida. A situação começou-se a tornar demasiado aflitiva e para mais com o aproximar da noite.
O salva-vidas motor CARVALHO ARAÚJO tripulado pelos bravos homens do mar António Rodrigues Crista, patrão; Aristides Molêta da Silva, motorista; Jaime Serafim Bessa, António Francisco da Silva e Ricardo Rodrigues da Costa, marinheiros, começou por fazer algumas evoluções de aproximação ao vapor, procurando manobrar no sentido de o poder abordar mas em vão, acabando por se colocar em segurança, contudo não desistindo.
A multidão silenciosa, fixa os seus olhos no pequeno barco, que em plenas vagas de mar, teimosamente luta para atingir o vapor INGA l. Há momentos parecendo submergir mas em breve endireita-se, como triunfante numa luta titânica e na ocasião certa investe contra a maresia, por terra do vapor que estava posicionado de proa a sul, portanto atravessado à barra e à ondulação, que o envolve de borda a borda e consegue atracar por bombordo. Pelos milhares de espectadores passou uma sensação de alívio e de singular admiração pelos bravos e indómitos homens do salva-vidas CARVALHO ARAÚJO.
Havia, porém, outra grande dificuldade a vencer. A situação do salva-vidas ainda não se encontrava, completamente resolvida, porque estava atracado ao vapor naufragado, recolhendo os náufragos e as vagas eram bastante alterosas, ocasionando por vezes correrem ao longo do costado de bombordo, elevando aquela embarcação no seu cume. O patrão António Rodrigues Crista, firme ao leme, logo após ter resgatado toda a tripulação e o piloto da barra, faz-se à barra riscando, perigosamente nos enormes vagalhões que o elevam no ar para de pronto desaparecer no vau dos mesmos e logo a seguir reaparecer. Vagalhões, que lhe criam bastante perigo, contudo desta vez não o conseguem fazer naufragar, como aquando do trágico encalhe do GAUSS.
Ao entrar a barra, triunfante da sua luta com os elementos, que desta vez não o conseguiram derrotar, a multidão emocionada, acenava milhares de lenços e batia palmas de contentamento e de admiração pelos bravos marítimos. Foi um espectáculo empolgante e grandioso. Os tripulantes do salva-vidas CARVALHO ARAÚJO olhavam a multidão com aquela simplicidade e rudeza, que lhes são peculiares. Para eles foi, somente um serviço feito com certa felicidade, o qual lhes dera imensa satisfação por terem podido salvar aquelas dezassete vidas, seus companheiros das ríspidas artes marinheiras.
Aquela lancha salva-vidas, sempre ovacionada pela multidão em terra, foi atracar às escadas dos pilotos, no cais do Marégrafo, onde já se encontravam José Gomes de Almeida e o seu sócio Carlos Gonçalves Guimarães da firma Almeida & Guimarães, Lda. da rua do Infante D. Henrique, l5, na cidade do Porto, à qual vinha consignado o vapor sinistrado e a respectiva carga de carvão. Desembarcaram ali os náufragos, alguns dos quais traziam sacos com as suas roupas, outros nada traziam, porque não tiveram tempo de salvar os seus haveres. O último a saltar para terra foi o capitão do INGA l, Cdt. Georges Bugge, embora um pouco extenuado, teve palavras de exaltação e simpatia para a tripulação do salva-vidas, a quem acentuou que todos os seus subordinados e o piloto local, lhe deviam a vida. Entretanto, apareceu junto das escadas uma camioneta da P.S.P., que transportou os tripulantes do INGA l para o hotel da Boavista, situado junto do castelo da Foz, onde ficaram hospedados, aguardando a evolução dos acontecimentos. Os tripulantes do salva-vidas CARVALHO ARAÚJO, acompanhados pelo seu arrojado patrão António Crista, dirigiram-se para a Capitania do porto de Leixões, a fim de se apresentarem ao capitão do porto, para prestarem conta dos acontecimentos. A notícia do salvamento dos tripulantes e do piloto da barra, espalhada pelos cartazes do jornal “O Comércio do Porto” causou na população a mais agradável sensação.
No hotel da Boavista, à esplanada do Castelo, a tripulação do vapor INGA l, através do imediato Strandberg, um rapaz alto e robusto, cheio de vida e de bom humor, que acolhera com um sorriso franco o repórter daquele jornal, relatara que toda a tripulação estava satisfeita com os socorros rápidos, que lhes tinham sido prestados, pelo que jamais deixariam de o esquecer, o que os destemidos tripulantes do salva-vidas CARVALHO ARAÚJO fizeram por eles. A sua bravura impressionara-os profundamente, pois foram uns grandes camaradas. O capitão do vapor, que fora expedir telegramas, ao chegar ao hotel, manifestou também a sua grande admiração pelos bravos homens do salva-vidas.
O vapor INGA l procedia do porto carbonífero de Barry Dock transportando 1.500 toneladas de carvão para o porto comercial do Douro e da respectiva lista de tripulantes, além do capitão e do imediato, acima referidos, constava também o segundo piloto Rorsnes, chefe de máquinas B. Eliassen, segundo maquinista C. Foss e os restantes tripulantes, telegrafista, contra-mestre, marinheiros, fogueiros, cozinheiro e despenseiro, cujos nomes eram F. Isaksen, O. Icvalvik, M. Borge, O. Kristiansen, H. Michaelsen, G. Anderson, N. Lerso, H. Markussen, O. Icleiveland, A. Asse e K. Frisvold, os quais foram visitados pelo cônsul da Noruega no hotel da Boavista, a fim de se inteirar da sua situação.
A 01/06/1936, na sede da Associação Comercial do Porto, ao edifício da Bolsa, os cinco elementos da companha do salva-vidas CARVALHO ARAÚJO foram homenageados e condecorados pelo ministro da Noruega em Portugal, com os diplomas de louvor e sobretudo as medalhas da Acção Generosa, em prata, a qual na frente e em relevo mostrava a figura do Rei Haakon X, da Noruega e no verso o nome de cada um dos condecorados e a data em que praticaram a acção altruísta. Também a Associação Comercial do Porto, pela mão do seu presidente António Calem, concedeu aos quatro tripulantes o subsídio de 300$00 e ao patrão António Crista coube a quantia de 500$00. 
 
Esboço de um mapa da barra do Douro de 22-01-1937, apresentando os enfiamentos e os calados de água permitidos, da autoria do piloto da barra José Fernandes Amaro Júnior para seu próprio uso e no qual se nota o banco de areias estendido desde o Cabeço até à penedia do Bezerro de Fora. Em baixo, à esquerda, estão assinalados os destroços do vapor norueguês Inga I naufragado em 30-03-1936 e que prevaleceram no local poe cerca de um ano.

INGA l (1), Imo 5604378/ 72m/ 1.183tb/ 9,5nós; 07/1918 entregue por Moss Vaerft & Dokk, Moss, a A/S Hellesoes Rederi, gestores T. Hellesoe, Bergen; 04/1919 INGA I, A/S Hellesoes Rederi II, gestores T. Hellesoe, Bergen; 09/1920 INGA I, A/S D/S Inga I, gestores Joahn Eliassen, Bergen.
O vapor INGA I manteve-se encalhado durante bastantes meses, apesar de ter suportado alguns temporais. A 05/11/1936 foi solicitada a sua destruição, a fim de evitar futuras consequências, sobretudo aquela de dificultar o movimento da barra, A 05/05/1937, depois dos trabalhos interrompidos por várias vezes, finalmente foram retomados os trabalhos da sua destruição. Em face da perda do seu vapor, o armador Johan Eliassen adquiriu o antigo vapor norueguês BA, usual frequentador da barra do Douro, que passou a denominar-se INGA I (2), o qual continuou afecto ao tráfego dos portos do Douro e Leixões.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Jornal "O Comércio do Porto"; Lillesand Sjomannsforening; Lloyd´s Register of Shipping.
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
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terça-feira, 16 de agosto de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 189

MAIS UMA VEZ A BARRA DO DOURO E O PORTO DE LEIXÕES ENCERRADOS Á NAVEGAÇÃO DEVIDO AO TEMPORAL
 
À esquerda vê-se o IRENE DORATY, e à direita em cima está o PÊRO DE ALENQUER, e finalmente em baixo aparece o WALTER LEONHARDT já posicionado no meio do rio.

A 17/02/1936, voltou o temporal. A barra do Douro e o porto de Leixões estiveram encerrados à navegação, devido à forte agitação maritima e corrente de águas do monte. O rio apresentava-se com bastante água com tendência a aumentar o seu nível, sendo tomadas as necessárias precauções para precaver a eventualidade de uma nova cheia.
Os pilotos da barra, coadjuvados pelo seu pessoal assalariado, andavam pelas margens a reforçar as amarrações dos muitos navios surtos no rio Douro. No porto de Leixões, motivado pelo temporal, garraram alguns vapores fundeados na bacia, dos quais se destacavam o Alemão ATTIKA, Português IBO e o Norueguês FAGERSTRAND, que tiveram de procurar ancoradouros mais abrigados. O salva-vidas CARVALHO ARAÚJO passou todo o dia a recolher as tripulações das várias embarcações em perigo, sobretudo laitas e traineiras, que a cada momento pediam socorro. Todos os vapores fundeados na bacia mantinham-se de fogo aceso e com pilotos da barra a bordo para acorrer a qualquer emergência.
A 19/02/1936, devido ao crescimento das águas de cheia no rio Douro, que iam com uma forte corrente descontrolada, os cabos que sustinham o WALTER LEONHARDT, fortemente amarrado no lugar do cais das Pedras, rebentaram e aquele vapor foi parar ao meio do rio, onde se deteve. Ao cabo de algum tempo começou a descair para o lado sul e a sua tripulação orientada pelo piloto Manuel de Oliveira Alegre, fê-lo encostar um pouco mais próximo da margem esquerda e amarrá-lo no lugar da Arrozeira, onde permaneceu a salvo.
No lugar do cais do Monchique encontrava-se o vapor Português PERO DE ALENQUER, que com o crescer das águas descaiu sobre a margem, nada lhe valendo as amarras reforçadas, causando danos num pião de barcas, e o palhabote a motor Português IRENE DORATY amarrado junto da lingueta do cais das Pedras/Paixão, Massarelos, garrou ficando encostado à margem.
No mesmo dia a situação começou a degradar-se, devido à impetuosidade da corrente, pelo que o serviço das autoridades responsáveis redobraram, procurando-se fazer face a qualquer perigo eventual e como tal algumas tripulações abandonaram as suas embarcações, entre as quais a do WALTER LEONHARDT, que vieram para terra pelo cabo de vaivém, incluindo o piloto da barra. Os navios surtos no rio Douro encontravam-se intensamente iluminados, incidindo ainda sobre os mesmos a luz forte de alguns projectores colocados à distância pelas várias corporações de bombeiros. Os pilotos da barra e o seu pessoal continuavam a tarefa de vigiar e reforçar os navios durante a madrugada, esta ou aquela amarração, que parecia ceder à forte corrente.
O vapor Estoniano MARTA amarrado no lugar do Gás, ao Ouro, devido a ter-se partido alguns cabos de proa garrou, indo embater contra a traineira BOA ESPERANÇA, que sofreu algumas avarias e ficou com a popa sobre alguns lugres, ali ancorados.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior
Imagens: Jornal "O Comercio do Porto".
(cotinua)
Rui Amaro

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