quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 318

CHEIA NO RIO DOURO

O HUNDSECK aguentando uma cheia no rio Douro, lugar do cais do Monchique, Porto, em 04/1960 / foto Rui Amaro /.

A 21/03/1956 foi recebido um telegrama da Régua, que na margem daquela localidade o nível das águas de cheia estavam de manhã em 05m, e às 19h00 já subiram para 05,52m; a 22 pelas 18h00 as águas já se encontravam a 06,30m com tendência para descer; a 23 voltaram a subir, pelo que às 11h00 foram para 05,56m, e continuavam a subir de nível, pelo que às 15h00 já iam 07,50m e às 19h00 já andavam em 08,36m, e sempre com tendência a a vir para cima. A 24 pelas 09h00 a escala marcava 12,45m, e às 14h00 baixavam para 11,46m; a 25 desciam para 10,60m com tendência a baixar, e nos dias seguintes foram descendo razoavelmente. Durante esse tempo haviam ventos frescos com rajadas violentas de Sudoeste e Oeste com chuva intensa e bastante mar. No Porto a Ribeira e Miragaia estiverem debaixo de água, assim como as margens de V. N. de Gaia, e como assim o novo cais do Vinho do Porto (cais de Gaia), ao qual estava atracado o n/m Alemão HUNDSECK, que se aguentou firme.
A 28, o piloto-mor, apesar de ainda haver impetuosidade nas águas de cheia, e mar de andaço com alguns lisos, o piloto-mor José Fernandes Tato, após consulta com os pilotos, decidiu abrir a barra á navegação, e assim saiu o n/ m Alemão HUNDSECK, assessorado pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, que disse que nunca conduzira navio algum com tanta velocidade, porque o navio ao sabor da corrente e a meia força deixava de governar, então ordenou força toda avante e lá cruzou a barra num liso de mar, indo desembarcar para a lancha P10 junto do farol do Esporão de Leixões. Entrou o vapor Norueguês GALATEA, que foi atracar ao cais do Terreiro, a dois ferros, a fim de carregar sucata, e ainda o n/m Português CORUCHE, que foi amarrar junto do lugar das escadas da Alfandega, a dois ferros, cabos estabelecidos para terra e a ancorote dos pilotos ao lançante para sudoeste, ambos ficaram com amarrações reforçadas, devido à previsão de nova cheia, pois na Régua o nível das águas recomeçou a subir de nível.
Navios que suportaram a cheia, sem grandes complicações, porque os pilotos trataram do reforço das suas amarrações: No lugar da Carbonífera: Iates-motor MARIA CLOTILDE, TEÓFILO, SADINO, EDUARDO XISTO, lanchão-motor GAVIÃO DOS MARES, e ainda as fragatas CANTANHEDE e GIBRALTINA; lugar do cais do Cavaco: n/m SECIL GRANDE; lugar do cais das Pedras, Massarelos: lugre-motor bacalhoeiro CONDESTÁVEL; quadro dos bacalhoeiros, Massarelos: Lugre ANA MARIA, lugre-motor AVIZ, rebocador MARIALVA, iate de recreio Alemão KARLENA, este não aguentou a força das águas e acabou por submergir; quadro dos navios de guerra, Massarelos: NRP CORVINA.
Com a cheia, que os tripeiros apelidam de “engenheiro da Régua”, a barra alargou imenso, estando agora as pedras denominadas Fogamanadas e Perlongas, em pleno rio, pelo que há grande regozijo nos mareantes e nos pilotos da barra, que agora podem conduzir as embarcações mais confortavelmente.
Entretanto a 18/04/1956 nova cheia se avizinhava, pois na Régua as águas já estavam a inundar as margens e a corrente já vinha com bastante impetuosidade, pelo que nesse dia não houve movimento marítimo na barra do Douro, contudo a 20 saiu o n/m Português SECIL com destino a Setúbal, voltando a barra a ser encerrada.
HUNDSECK (3) – imo 5156828/ 57,2m/ 777tb/ 10 nós/ tripulantes 12/ passageiros 1; 11/1951 entregue por A.G. Weser Werk Seebeck, Bremerhaven, como DIONE à Cie de Transports Cotmar SA, Puerto Cortez, Honduras, gestores Cie de Transports Cotmar, Basileia; 1952 DIONE, Cie de Transports Cotmar, Bremen; 1955 HUNDSECK, DDG Hansa, Bremen; 1967 BALTIQUE, Emeraude Maritime SA, Nantes; 1969 BALTIQUE, Lybian Coast Shipping Line, Tripoli, Libia; 1975 KUMKALE, Ali Meraloglu, Istanbul; 1996 KUMKALE, Meraloglu Denizeilik ve TLS, Istanbul; 2007 KUMKALE, Akas Denizeilik ve Turizm Sanayl TLS, Istanbul; 2008 KUMKALE, Necip Meraloglu ve Ortaklari, Istanbul; 2010 excluído do LR por dúvida de existência. Navios-gémeos: DORIDE/ROSENECK (2); ACASTE/BRUNNECK (2).
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, DDG Hansa, Bremen, Miramar Ship Index.
(continua)

Rui Amaro

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 317

 O NOVO NAVIO-MOTOR ALEMÃO “PORTO”

O n/m Alemão PORTO subindo o rio Douro, diante de Sobteiras / F. Cabral, Porto /.

10/05/1956 – O novo n/m Alemão PORTO demandou nesta data, pela primeira vez o rio Douro, pelas 13h30, conduzido pelo piloto Herminio Gonçalves dos Reis, indo amarrar no lugar do Ramos Pinto, margem de Gaia, a dois ferros, cabos estabelecidos para terra, e ancorote dos Pilotos pela popa, ao lançante para Noroeste.
PORTO – imo 5282902/ 71,2m/ 1.372tab/ 12,5 nós/ 4 passageiros; 21/04/1956 entregue pelos estaleiros Nobiskrug Werft, Rendsburg, à OPDR - Oldenburg Portugiesische Dampfschiffs Rhederei, Hamburg, que o empregou na linha de Portugal; 1971 PORTO, Souster Shipping Co., Ltd., Famagusta; 1972 PORTO, Souster Hellas Maritime, Famagusta; 1973 SAMOS FAITH, Souster Hellas Maritime, Famagusta; 1974 SAMOS FAITH, Dawn Shipping Enterprises, Ltd., Limassol; 1979 SAMOS FAITH, Nelapa Shipping Co., Ltd., Limassol; 18/01/1980 naufragou durante a viagem de Ravenna / Dammam, devido a explosão seguida de incendio na casa das máquinas. Navios gémeos: PASAJES, SEVILLA, SETÚBAL.
Visto a subir o rio Douro em 10/05/1956.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, OPDR.
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s) em NAVIOS Á VISTA
, o que muito se agradece.

ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on NAVIOS Á VISTA, which will be very much appreciated.

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 316



GRANDE PORTO SOB A AMEAÇA DE CICLONE

O salvadego PRAIA GRANDE em Amesterdão em 1969 / Autor desconhecido - foto transmitida por Nuno Bartolomeu, Almada /.

22/03/1956 – Desde do dia 16 até 21 a região do grande Porto tem estado sob a ameaça de uma enorme intempérie, com ventos de Sudoeste, Oeste e Noroeste, rondando de momentos a momentos, e muita chuva.
O rio Douro estava a subir, ligeiramente de nível das águas, estas já traziam alguma impetuosidade, sobretudo na barra, o que prejudicava uma boa navegação. Durante aqueles dias e em algumas abertas do mau tempo e mar, saíram a barra as seguintes embarcações: Salvadego Português PRAIA GRANDE conduzindo o batelão COSTA NOVA, n/m bacalhoeiro VILA DO CONDE, n/m Inglês MERCIAN, n/m Holandês WESTPOLDER, e entraram, já com alguma dificuldade os n/m Alemães SONECK e HUNDSECK, que foram atracar ao cais do Vinho do Porto, Gaia.
Entretanto, devido ao mar na barra estar a vir para cima, deixaram de entrar os seguintes navios: Holandês DA CAPO, e os Alemães OLBERS e OLDENBURG, este em 19 pés de água, entrando os três em Leixões, onde realizaram as suas operações comerciais na doca nº 1, e parece que acertaram, porque no dia seguinte formou-se uma grande cheia, que reteve no rio Douro por alguns dias SONECK e o HUNDSECK.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior.
(continua)
Rui Amaro  

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sábado, 7 de dezembro de 2013

SAUDAÇÕES FESTIVAS

(GREETINGS OF THE SEASON)

2013 / 2014

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O piloto Vasco Moraes subindo para bordo do n/m Holandês ORANJEBORG ao largo do porto de Leixões em condições de mar tempestuoso em 1955 apoiado pela lancha P10, na qual se vê o mestre Artur. O ORANJEBORG procedia da Irlanda do Norte com um carregamento completo de batata de semente em sacos, consignado aos agentes Garland, Laidley & Co., Ltd, do Porto.Foto do capitão do navio - minha colecção

BOAS FESTAS E FELIZ ANO NOVO

AUGURI DI BUON NATALE E FELICE ANNO NUOVO

MERRY CHRISTMAS AND HAPPY NEW YEAR

FELICES PASCUAS Y PROSPERO ANO NUEVO

JOYEUX NOEL ET MEILLEURS VOEUX DE NOUVEL ANNÉE

EIN PROHES WEINACHTSFEST UND EIN GUTS NEUES JAHR

RUI AMARO – PORTO – PORTUGAL

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 315

O NAVIO-MOTOR ALEMÃO “SONECK” SOFRE UM ENCALHE À SAIDA DA BARRA DO DOURO

O SONECK no Mar do Norte / DDG Hansa, Bremen /.

15/10/1957, pelas 15h00, o navio-motor Alemão SONECK, piloto Alberto da Costa, quando se encaminhava para sair a barra do Douro, logo a seguir à boia norte da Cantareira, ficou encalhado sobre um banco de areia, que há poucos dias ali se formara, o qual estava a causar dificuldades à navegação. Já alguns dias antes, também encalhara no mesmo local o navio-motor Alemão “VEGESACK” da DG Neptun, Bremen, safando-se pouco tempo depois, pelos seus próprios meios.
Dado o alarme, acorreu o material flutuante dos pilotos e seu pessoal, que estabeleceram um cabo de arame para o peoris do cais do Marégrafo. Entretanto, com o molinete de bordo a virar o referido cabo e a máquina do navio em toda força avante, no máximo da sua potência, o SONECK, antes da praia-mar acabou por se safar do banco de areia e seguiu para a barra, desaparecendo no meio do denso nevoeiro, que se acabara de formar, ficando fundeado por fora da barra, a aguardar melhores condições de visibilidade, a fim de demandar o porto de Leixões, o que só se concretizou no dia seguinte.
SONECK – imo 5205825/ 71,1m/ 1.299tb/ 12kn/ passageiros 4/ tripulantes 19; 06/11/1953 entregue por Atlas Werke AG, Bremen, à DDG Hansa, Bremen, para o seu serviço com a Península Ibérica, nomeadamente Portugal; 1962 LELO, Antonio d’Antuono Scotto, Nápoles; 1974 LELLO, Vittorio Paladini, Palermo; 1976 ITALO, Brunno di Ferrari, Génova; 1982 ITALO, Navi Alga SpA, Genova; 1983 BUSALEH, Jannabi Navigation, Sharjah, United Arab Emirates; 1985 LIBAN I, Allaban Trading Co., Mogadishu; 1988 AL HAMDOLILLAH, Age Intrade, Kingstown; 1998 LARRI A,  Allaban Trading Co., Mogadishu; 01/02/1998 arrived Gadani Beach for breaking up.
Fontes: Imprensa diária, Miramar ship Index.
(continua)
Rui Amaro

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sábado, 2 de novembro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 314

O ARRASTÃO BACALHOEIRO “JOÃO MARTINS” EM DIFICULDADES NA BARRA DO DOURO

O JOÃO MARTINS saindo a barra do Douro sob nortada fresca em 20/10/1868, precisamente no local onde se viu em apuros / Rui Amaro /.

Estou-me a recordar do arrastão bacalhoeiro Português JOÃO MARTINS, pertencente à SNAB – Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau, de Lisboa, procedente dos Grandes Bancos da Terra Nova e Gronelândia e acabado de chegar à barra em 17 pés de calado, trazendo no seu bojo cerca de 18.500 quintais de bacalhau frescal destinado à seca de Lavadores, capturado naqueles bancos de pesca do noroeste do Atlântico. Aquele arrastão comportava uma equipagem de cerca de 80 homens, cujos familiares vindos de vários centros piscatórios do país, desde Ancora até Fuzeta, com enorme ansiedade os aguardavam desde manhã cedo, como era costume à chegada dos navios bacalhoeiros, junto à praia das Pastoras e ao cais da Meia Laranja.
A 20/12/1955, pelas 17h00, aquela moderna e eficiente unidade de pesca, ao demandar a barra do Douro sob corrente de águas de cheia e ronhentas, algum mar, por vezes de vaga alterosa a quebrar, que já o vinha a fustigar desde os 500 metros para lá da boia da barra, correndo a ambos os bordos, bastante vento noroeste e céus a ameaçar chuva e tempestade, sob a orientação do piloto José Fernandes Amaro Júnior, meu pai, já muito perto da boca da barra viu-se envolvido por vários andaços de mar, que lhe galgavam o convés, fazendo-o riscar na vaga e derivar a estibordo para cima do fatídico Cabeço do cabedelo da barra, banco de areia a sul, e posicionando-se um pouco de través ao mar e prestes a encalhar. Felizmente, algum tempo depois, numa manobra de autêntica perícia daquele prático, o JOÃO MARTINS consegue regressar a um dos enfiamentos da barra, marca nova do Mato pelo farolim da Cantareira. Inexplicavelmente junto da boia da Ponta do Dente, no rebaixamento das vagas, á ré, pela rabada do navio, sentiram-se algumas pancadas secas no leito da barra, originando que voltasse a desgovernar, perigosamente a estibordo sobre a restinga do Cabedelo, o que fez temer o pior, todavia conseguindo, com alguma dificuldade, meter proa a bombordo, o navio apanhando gosto às águas de cima tomou a direcção da ponta do cais Velho, contudo aquele piloto ordenou leme a estibordo, aliviando logo de seguida e dando, por vezes, mais força na máquina para melhor governar, e lá prosseguiu para montante, sempre pela beirada do cais Velho e Meia Laranja sem mais percalços, aproveitando a ravessa sem que tivesse necessidade de largar qualquer dos ferros para contrariar os estoques de água ou as terríveis ronhentas.


O NUNO FILIPE acostado a uma prancha-cais da Gafanha da Nazaré / Autor Ricardo Graça Matias - facebook BACALHOEIROS DE PORTUGAL /

Aquele navio foi dar fundo e amarrar no lugar da Arrozeira, por vante do arrastão bacalhoeiro FERNANDES LABRADOR, propriedade do mesmo armador, que entrara de véspera também em 17 pés de água e conduzido pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, depois do piloto-mor ter ordenado a abertura da barra à navegação, após alguns dias de cheia, a qual desbastando as areias do Cabedelo, desassoreou e alargou bastante a barra, particularmente diante da Meia-Laranja e do Touro, ficando a restinga próximo das pedras denominadas Fogamanadas, e ainda bem que a barra alargou, caso contrário, o navio tinha mesmo encalhado, e uma tragédia tinha sido consumada.
Na ocasião, que o navio estava em dificuldades, aquele prático de 56 anos de idade e 30 de serviço activo sem qualquer incidente de maior no seu currículo, só rogava à Nossa Senhora da Lapa, padroeira dos pilotos da barra e dos mareantes da barra, cuja capela se situava junto à estação de pilotos, que intercedesse a Deus para que o auxiliasse a manobrar e conduzir o JOÃO MARTINS para montante. No entanto, segundo ele me relatou, caso não conseguisse entrar no canal de navegação ou fazer-se de novo ao mar, trataria de o encalhar o mais perto do enrocamento do cais Velho, a fim de haver hipóteses de salvamento de todos os elementos a bordo e mesmo posterior recuperação do próprio navio, porque do lado sul e à hora a que se deu o incidente, com a noite a aproximar-se e a maresia a crescer, aliado à força da corrente, a qual devido à proximidade da vazante aumentaria de intensidade, teria havido uma das maiores tragédias jamais lembrada na temível barra do Douro e ainda por cima na presença dos familiares da tripulação, e de mim próprio que não sabia que a bordo vinha o meu pai, e um parente mestre redes, da Murtosa.
Pouco antes passara a barra de entrada o navio-motor Português ÁFRICA OCIDENTAL, de 72m/1.266tb, pertencente à Sociedade Geral de Comércio, Industria e Transportes, de Lisboa, vindo em 15 pés de água, sob a orientação do piloto Hermínio Gonçalves dos Reis, que também fora envolvido em grande ondulação, riscando na vaga, vendo-se por vezes o seu hélice a trabalhar fora de água, contudo passando a barra sem dificuldades de maior, salvo uma ou outra guinada já dentro do rio, devido à forte corrente que se fazia sentir, indo amarrar no ancoradouro da CUF, no lugar do Monchique.
Alguns dias passados, após o JOÃO MARTINS, já em Lisboa, ter entrado em doca seca para limpeza do fundo e fabricos, foi detectado que o cadaste e o leme estavam bastante danificados, possivelmente devido às referidas pancadas. Só a mão de Deus deve ter estado ao leme daquele arrastão bacalhoeiro!
O JOÃO MARTINS foi uma das vitimas da grande cheia de 1961/62, o qual atracado ao cais de Gaia não conseguiu suportar a força arrasadora da corrente do rio Douro, que lhe provocou o rebentamento das amarrações que o ligavam aquele cais, garrando ao sabor das águas, com os motores a trabalhar, de madrugada, todo iluminado mas sem tripulação, e saindo a barra de popa arrastando pelo fundo os ferros lançados a prumo, juntamente com outros navios, até ter sido resgatado pela sua tripulação ao largo da barra, entrando de seguida em Leixões, aparentemente sem qualquer dano.
Quando o meu pai chegou a casa por volta das 8 horas da noite e ao contar a odisseia porque tinha passado a mim e à minha mãe, não conteve as lágrimas. Ele como prático da barra sabia muito bem o drama que poderia ter ocorrido naquela malfadada barra!
JOÃO MARTINS – Arrastão clássico lateral bacalhoeiro/ imo 5172377/ 71,1m/ 1.264tb/ __nós; 07/1952 entregue pelos acreditados ENVC – Estaleiros Navais de Viana do Castelo à SNAB – Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau, de Lisboa; 1982 NUNO FILIPE, António Conde & Cia., Lda., de Lisboa; 1990 RIO CABRIL, North Ladytee E.B. Marine Inc, Panamá, Bandeira de conveniência da Republica do Panamá; 2003 excluído do Lloyd’s Register of Shipping por dúvida de existência. Foi o último arrastão clássico lateral a ser construído para a frota bacalhoeira Portuguesa.
Fontes; José Fernandes Amaro Júnior; Miramar Ship Index.
Parte deste trabalho está inserido no meu livro A BARRA DA MORTE - A FOZ DO DOURO (Edições O PROGRESSO DA FOZ) ano 2006.
(Continua)
Rui Amaro

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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 313



O piloto-mor José Fernandes Tato recebendo das mãos do comandante Jaime Couceiro o diploma e a medalha de prata de Socorros a Náufragos, vendo-se na imagem da esquerda para a direita, além daquelas duas entidades, os pilotos Encarnação, Vasco Morais e Cândido

__/__/1958 – O Sr. capitão de mar-e-guerra Jaime Couceiro, director do Instituto de Socorros a Náufragos, deslocou-se ontem ao Porto, a fim de entregar a medalha de prata de Socorros a Náufragos à Corporação dos Pilotos do Douro e Leixões, com que este organismo foi recentemente agraciado pelo Ministério da Marinha.
A cerimónia, que se revestiu da maior singeleza e se efectuou, pelas 11 horas na sede da corporação, à Cantareira, na Foz do Douro, assistiram, além daquele ilustre oficial da Marinha, o sr. comandante Sousa Guimarães, em representação do sr. comandante Carlos Carreira, chefe do Departamento Marítimo do Norte, que se encontra ausente na capital; eng. Russo Belo, comandante dos Bombeiros Voluntários de Matosinhos-Leça; piloto-mor José Fernandes Tato; sota-piloto-mor Mário Francisco da Madalena e Francisco de Campos Evangelista; cabo-piloto Aires Pereira Franco, pilotos, motoristas e pessoal assalariado da corporação.
O sr. comandante Jaime Couceiro, depois de saudar a corporação, referiu-se à justiça prestada pelo sr Comodoro Quintanilha de Mendonça Dias, ministro da Marinha, condecorando a instituição, e agradeceu a colaboração que ela tem prestado ao departamento que dirige. Fez depois entrega ao piloto-mor da referida recompensa.
O piloto-mor José Fernandes Tato, depois de agradecer a presença do sr. comandante Jaime Couceiro e de saudar em termos altamente elogiosos o sr. ministro da Marinha, prometeu continuar a prestar a mesma colaboração ao Instituto de Socorros a Náufragos.
O caso é que mais das vezes quem se adiantava aos salva-vidas a remos do Douro, eram as lanchas de pilotar e o pessoal da corporação, e mesmo nos salva-vidas faziam parte da companha de voluntários, pilotos e seu pessoal auxiliar, e mais das vezes em situações de grande perigo.
Fonte e imagem: Jornal de Noticias.
Rui Amaro     

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