quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 205

O NAVIO-MOTOR ALEMÃO "LATONA" SOFRE UM INCIDENTE À ENTRADA DA BARRA
 
 O LATONA na doca nº 1 do porto de Leixões, década de 50 / F. Cabral, Porto /.

A 29/11/1937, pelas 11h15, demandava a barra do Douro, já com os ferros descativados, para o que desse viesse, ou seja prontos a largar, o navio-motor Alemão LATONA, com o rebocador NEIVA pegado à proa, e ao alcançar o lugar da Pedra do Touro, frente á Estação de Socorros a Náufragos, devido às águas da serra, desgovernou perigosamente a bombordo, pelo que o piloto José Fernandes Amaro Júnior ordenou ao mestre do NEIVA, que puxasse para estibordo. Dado que essa manobra não estava a resultar, aquele prático mandou largar o ferro de estibordo, a fim de evitar o encalhe nas pedras, e para não surgir mais percalços, devido à forte corrente e ronhenta, o ferro foi deixado por mão, de seguida rumou rio acima, indo amarrar no lugar das Escadas da Alfândega, a um ferro e cabos estabelecidos para terra, com ancorote dos pilotos pela popa, lançado para o meio do rio.
LATONA – 76,15m/1.026tb; 06/1937 entregue pelo estaleiro Schiffsbau Ges. Unterweser AG, Wesermunde, à Dampfs. Ges. Neptun, Bremen; 1940 convertido pela “Kriegsmarine” em navio lazareto; 1941 NAUTIC, navio escola da “Kriegsmarine”; 08/05/1945 ancorado em Kiel; 1948 reentregue Dampfs. Ges. Neptun, Bremen; 1962 chegava a Lubeck para desmantelamento em sucata. Navios gémeos CERES, JASON, LUNA, MINOS, NAJADE, THALIA e URANUS.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Dampfs. Ges. Neptun, Bremen.
(continua)
Rui Amaro

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 204

O REBOCADOR DE PILOTAGEM "COMAMDANTE AFONSO DE CARVALHO" REALIZA O SEU PRIMEIRO SERVIÇO DE REBOCAGEM

 
O COMANDANTE AFONSO DE CARVALHO em experiências de máquina diante do estaleiro do Ouro, onde foi construído


A 19/03/1939 largou da bóia ao norte, seu ancoradouro na bacia do porto de Leixões, onde se encontrava desde 03/02/1939, com destino ao rio Douro, o novo rebocador de pilotagem COMANDANTE AFONSO DE CARVALHO, a fim de conduzir a fragata PORTUGAL para o porto de Leixões. Neste seu primeiro serviço de rebocagem local, que efectuou, foi capitaneado pelo cabo-piloto Joel da Cunha Monteiro, coadjuvado pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior e pelo seu mestre António Crista, ex patrão do salva-vidas CARVALHO ARAÚJO.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior
Imagem: Corporação de Pilotos
(continua)
Rui Amaro

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

SAUDAÇÕES FESTIVAS


2011 / 2012
Catraia dos pilotos dos finais do século XIX que se empregava nas amarrações dos navios surtos no rio Douro, os quais largavam as suas amarras à proa, cabos estabelecidos para terra e ancorote da Corporação de Pilotos espiado pela popa. Note-se à proa um ancorote que após ser amarrado ou emanilhado a um cabo de arame era largado ao lançante para o meio do rio, a fim de segurar o navio de popa. Estas embarcações a remos tinham uma equipagem de dez a quinze homens eventuais / desenho de Rui Amaro /.  

 O PILOTO PRÁTICO DO DOURO E LEIXÕES


BOAS FESTAS E FELIZ ANO NOVO


FELICES PASCUAS Y PROSPERO ANO NUEVO


JOYEUX NOEL ET MEILLEURS VOUEX DE NOUVEL ANNÉE


MERRY CHRISTMAS AND HAPPY NEW YEAR


EIN PROPER WEINACHTSFEST UND EIN GUT NEUE JAHR


AUGURI DI BUON NATALE ET FELICE ANNO NUOVO

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 203

RECORDANDO A CERIMÓNIA DO BOTA-ABAIXO DO REBOCADOR DOS PILOTOS "COMANDANTE AFONSO DE CARVALHO"

 
O Rebocador COMANDANTE AFONSO DE CARVALHO da Corporação de Pilotos da Barra do Douro e do Porto Artificial de Leixões amarrado à bóia na Bacia do porto de Leixões em 1938 / (c) Foto da referida Corporação /.

A 19/11/1938, os pilotos da barra do Douro e porto artificial de Leixões e seu pessoal auxiliar viram-se rodeados de pessoas de alta representação social, que com eles comungaram na alegria, que sentiam por verem a missão da sua corporação facilitada pelo facto de haver sido dotada com uma moderníssima e bem apetrechada unidade, um rebocador, que lhes viria a facilitar as suas lides de abordagem no embarque e desembarque das embarcações, que necessitam de escalar os portos do Douro e Leixões, sobretudo em ocasiões de mau tempo.
Às 14h00, nos estaleiros de António Gomes Martins, vulgo Estaleiros do Ouro, sedeado na freguesia de Lordelo do Ouro, na cidade do Porto, a cerimonia do «bota-abaixo» daquela embarcação, cuja construção, como fora noticiado, terminara há dias. Ali compareceram os srs. comadantes Afonso de Carvalho, chefe do Departamento Maritimo; capitão-tenente João Vaz Monteiro, comandante da canhoneira NRP DIU; primeiro-tenente Andrade e Silva, comandante da canhoneira NRP ZAIRE; primeiro-tenente engenheiro naval Carneiro Geraldes, primeiro-tenente António Bernardino Moreira, patrão-mór; segundos-tenentes Sousa e Brandão, do Departamento Maritimo; coronel Lauro Moreira, inspector dos incêndios, de Matosinhos; capitães Manuel Cruz, comandante da Guarda-fiscal; Eduardo Romero, presidente da Associação dos Armadores de Navegação; Gonçalo Guilhomil, delegado do Instituto de Socorros a Náufragos, etc.
De Lisboa, como representação da respectiva Corporação de Pilotos, estavam presentes os srs. José Almeida Florêncio, piloto-mór; Augusto António Martins, sota-piloto-mór; Joaquim Santos e José Pedro, pilotos. Um piquete dos B. V. de Matosinhos-Leça, fazia a guarda de honra.
A nova embarcação que foi baptizada com o nome de COMANDANTE AFONSO DE CARVALHO, estava na carreira, embandeirada em arco. A meio do rio via-se fundeada a canhoneira NRP ZAIRE, que pouco antes, vinda do mar, demandara a barra, após o seu serviço de fiscalização das pescas.
Pouco depois das 14h00 o sr. Paulino Soares, piloto-mór, convidou a esposa do sr. Comandante Afonso de Carvalho a proceder á cerimónia do baptismo, e minutos decorridos a nova embarcação de pilotagem deslizava na carreira e entrava nas águas do Douro, entre grandes manifestações de regozijo. Após aquela cerimónia, os convidados seguiram para a sede da Corporação de Pilotos, na Cantareira, onde ia realizar-se a homenagem, aos Srs. comandantes Afonso de Carvalho e A. Coucêlo. No gabinete da direcção, o sota-piloto-mór José Fernandes Tato, em nome da corporação dos pilotos, saudou as entidades presentes e os colegas de Lisboa, após o que pôs em evidência a importância que para a corporação local tinha a embarcação que havia sido lançada à água.
Mais adiante, aludiu á vida dos elementos da corporação, para fazer também referências à situação da sua Caixa de Pensões.
Em riscos de não poder cumprir os seus objectivos, foi o snr. comandante Coucêlo - disse - quem solucionou o problema a contento de todos. Lembrou a necessidade de ser criada uma Caixa de Reformas, e terminou por convidar a Sra. de Afonso de Carvalho a descerrar os retratos de seu marido e do snr. comandante Coucêlo, cerimónia que foi coroada por uma prolongada salva de palmas.

O sr. comandante Afonso de Carvalho corta o cabo que sustinha a nova embarcação dos pilotos / jornal O Século /.

O sr. comandante Afonso de Carvalho agradeceu, a seguir, a homenagem,  e manifestou a sua satisfação por ver melhorada
A situação da Corporação dos Pilotos, cuja missão enalteceu. Elogiou também, a Corporação dos Pilotos de Lisboa, com a qual viveu três anos, e, por fim, apresentou as suas despedidas, visto ter sido nomeado para comandar o aviso de 1ª classe NRP AFONSO DE ALBUQUERQUE, cargo que, então iria ocupar dentro de dias.
Por último, usou da palavra o sr. comandante do porto de Leixões.
Seguiu-se um «copo de água», durante o qual, brindaram, o sota-piloto-mor José Fernandes Tato, comandante Afonso de Carvalho e comandante A. Coucêlo, após o que os convidados foram visitar o nova casa da consulta, que acabara de ser construída no cais do Marégrafo, destinada a simplificar as operações de pilotagem, pois entre outros serviços que lhe eram destinados, servirá para estabelecer a comunicação rádio-telefónica com o rebocador COMADANTE AFONSO DE CARVALHO.
À noite, realizou-se na Foz do Douro, um jantar de confraternização dos pilotos, oferecido pela casa construtora do novo rebocador de pilotagem portuária.
Estiveram presentes, o patrão-mor do porto do Douro; o segundo tenente António Bernardino Moreira; piloto-mór de Lisboa, sr. José de Almeida Florêncio; sota-piloto-mór de Lisboa, Augusto Martins; José Pinto de Almeida, e Francisco Rodrigues Brandão, pilotos-mór reformados, ambos da corporação do Douro e Leixões; Paulino de Sousa Soares,  piloto-mór do Douro e Leixões; António ds Silva Pereira, sota-piloto-mór de Leixões; José Fernandes Tato, sota-piloto-mór do Douro, além de muitas outras pessoas, e como não poderia deixar de ser, todos os pilotos da barra dos portos do Douro e Leixões e os representantes dos seus colegas da barra do Tejo. Aos brindes, falaram vários oradores, que se referiram ao significado daquela festa e salientaram o espírito de solidariedade que deve unir todos os pilotos.
Foram saudados, o governo, e os srs. Presidentes da República e do Conselho de Ministros, Portugal e a Imprensa.


COMANDANTE AFONSO DE CARVALHO, 24,35m/ 93,05tb, construído em madeira pelos Estaleiros do Ouro, António Gomes Martins & Fos., Lda., que serviu muito pouco ou mesmo nada as tarefas de pilotagem. No entanto, entre outros, a 15/02/1941 colaborou no desencalhe do paquete Brasileiro CUYABÁ, 125m/6.489tb, na Bacia do porto de Leixões e em algumas tarefas de rebocagem do tráfego local, tendo sido vendido em 1941 para a SAPEC, Setúbal, a fim de fazer face à difícil situação financeira da corporação, motivada pela falha de navegação, sobretudo estrangeira devido às consequências da guerra.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Jornal O Século; Lloyd's Register of Shipping.
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato, a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
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domingo, 13 de novembro de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 202

O NOVO NAVIO-MOTOR "SECIL" DEMANDA A BARRA DO DOURO PELA PRIMEIRA VEZ

 O SECIL demanda a barra do Douro enfrentando águas de cheia em 01/1960 / Rui Amaro /.
 
 
Rabões da Empresa Carbonífera do Douro, do Pejão, em operações de transbordo de carvão para o SECIL, anos 50 / F. Cabral, Porto /.

A 22/12/1938, pelas 12h00, demandou a barra do Douro, pela primeira vez, o novo navio-motor português SECIL, que procedia de Setúbal com um carregamento completo de cimento ensacado, tendo sido conduzido pelo piloto Bento da Costa, que o foi amarrar na lingueta do Bicalho, Massarelos.
Após a descarga, passados dois dias, sob as ordens do piloto Tiburso, um nativo de Lourenço Marques, cambou para o lugar da Carbonífera, a fim de carregar carvão em pó extraído das minas do Pejão, transportado pela via fluvial do Douro, nas típicas embarcações pintadas de cor negra mais conhecidas por “rabões”, que como os “barcos rabelos” se movimentavam à vela, a remos ou a reboque do rebocador PEJÃO e anos mais tarde do FOJO, ex MERCÚRIO 2º, carvão esse destinado a ser consumido pelos fornos da fábrica da Secil, do Outão.

O SECIL demanda a barra do Douro debaixo de mar / autor desconhecido /.

Os sacos de cimento eram descarregados aos ombros de homens e o carvão era embarcado em cestos de vime à cabeça de homens e mulheres. O local de descarga do cimento era realizado, primitivamente na referida lingueta do Bicalho, mais tarde passou para o cais da Estiva, lugar do Terreiro, e no inicio da década de 60 foi transferido para o então recém construído cais privativo da Secil, situado junto das suas instalações, na encosta da Arrábida.    
SECIL – imo 5317082/ 47m/427tb, foi construído pelo estaleiro Holandês De Haan & Oerlemans, Heusden, em 11/02/1938 por encomenda da Secil-Companhia Geral de Cal e Cimento, Setúbal, tendo sido registado na capitania do porto de Setúbal a 09/05/1938. O novo navio do tipo Holandês "Schuyter" veio substituir o antigo vapor SECIL, 53m/573tb, construído em 1908 pelo estaleiro Eiderwerft, A.G., Tonning, para um armador Norueguês e adquirido em 1934 pela companhia cimenteira, que o vendeu em 1938 a Vieira & Labrincha, passando a ser o LAVI, tendo naufragado no mar do Açores sob temporal desfeito em 09/12/1938.
Na década de 50, o SECIL, quando em viagem do rio Douro para o Outão, Setúbal, levando um carregamento de carvão em pó, encalhou na costa de Peniche, devido a nevoeiro cerrado. Após várias tentativas, foi posto a flutuar pelos caça-minas NRP FAIAL e NRP TERCEIRA, que navegavam nas imediações, tendo seguido para o porto de Lisboa, onde entrou em doca seca, a fim de ser reparado dos danos sofridos. O salvadego português D. LUIS da A.G.P.L., de Lisboa, que acorrera ao local, não chegou a intervir. O SECIL foi vendido em Maio de 1967 ao armador Vieira & Pita, Lda., Faro, a fim de preencher o lugar deixado pelo navio-motor PONTA DE SAGRES, naufragado na costa de Marrocos em 02/01/1967, passando a chamar-se DAVID NUNES, o qual deixou de constar dos registos do Lloyd+s Regitsr of Shipping no ano de 1988.
Também na década de 50, o SECIL quando demandava a barra do Douro sob nevoeiro cochado conduzido pelo piloto Aristides Pereira Ramalheira, foi encalhar num banco de areia, diante do cais do Marégrafo, ao sul, no lugar das Serrazinas, safando-se mais tarde no pico da maré.


 
O DAVID NUNES ex SECIL demanda a barra do Douro em 20/11(1977 / Rui Amaro /.

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, Imprensa diária, Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

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domingo, 6 de novembro de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 201

O VAPOR NORUEGUÊS "INGA I" (2) SOFRE DOIS PERCALÇOS QUANDO DESCIA O RIO DE RUMO À BARRA

 O vapor BA que mais tarde tomou o nome de INGA I (2) / foto de autor desconhecido - Lillesand Sjomannsforening /.
/.
A 15/11/1938, pelas 17h00, quando o vapor Norueguês INGA l, após ter manobrado junto do lugar do cais do Terreiro e depois de ter desandado, auxiliado pela lancha ALTINA, já seguia de rumo à barra, ao passar no lugar da Cruz, avariou-se-lhe a máquina do leme e acabou por desgovernar, perigosamente a bombordo. Em face da situação, o piloto Jaime da Silva Martins mandou largar os dois ferros, evitando que aquele vapor fosse encalhar nas pedras das Lobeiras de Gaia. Reparada a avaria, retomou a sua marcha para a barra.
Aquele vapor, ao passar diante do lugar de Massarelos, voltou a guinar a bombordo indo colidir com os lugres-motores bacalhoeiros INFANTE DE SAGRES 3º, DELÃES e OLIVEIRENSE, todos da praça do Porto, que se encontravam amarrados no lugar dos cais da Arrozeira e Lugan.
Dado o alarme, acorreram o rebocador NEIVA e a lancha ALTINA, que rebocaram o vapor INGA l para o lugar do cais de Santo António do Vale da Piedade, ficando aí amarrado e onde lhe foi feita a usual vistoria pela autoridade marítima local.
Do acidente, resultaram pequenas avarias nos três lugres e o desaparecimento do cozinheiro de um dos lugres, que talvez, na precipitação da fuga, caíra às águas do rio, sem que ninguém se tivesse apercebido.       
A 16, após vistoriado, o INGA 1, que entrara a barra a 04/11, procedente de S. João da Terra Nova com um carregamento de bacalhau seco, saiu a barra do Douro em lastro. Logo que o piloto Jaime da Silva Martins desembarcou, aquele vapor rumou ao porto de Setúbal, a fim de carregar sal para aquela colónia britânica.
INGA l – era o antigo vapor Norueguês BA construído na Holanda no ano de 1921, mais tarde adquirido pelo armador Johan Eliassen para preencher o lugar do anterior vapor do mesmo nome, naufragado a 30/03/1936 na barra do Douro; 77,5m /1.304tb/ 10nós; 12/1921 entregue pelo estaleiro Huiskens & van Dijk, Dordrecht, como MARVEL a A/S Nordsjoen, Kristiania; 06/1922 MARVEL, Belgium Star Shipping SA, Antwerp; 1924 BA, Rederi A/S BA, gestores Th. Brovig, Farsund/ 1936 BA, A/S D/S Inga I, gestores Johan Eliassen, Bergen; 07/1937 INGA I, A/S D/S Inga I, gestores Johan Eliassen, Bergen; 27/07/1941 foi torpedeado e afundado pelo submarino Alemão U-126, KorvettenKapitein Ernst Bauer, a 200 milhas a oeste do Cabo Finisterra, quando fazia parte do comboio OB69, que seguia dos portos de Tyne e Oban para o porto de Gibraltar, transportando carvão, perdendo a vida três dos dezanove homens da sua equipagem, dentre os quais o chefe de máquinas Bernhard Eliassen, que também tinha sido um dos náufragos do antigo INGA l, que se prdera na barra do Douro a 30/03/1936.
Fontes: José Fernandes Amaro Junior; Lillesand Sjormannsforening /.
Rui Amaro

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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 200

O PORTO DE LEIXÕES NOVAMENTE SOB OS EFEITOS DE TEMPORAL DESFEITO
 
O vapor de pesca ALTAIR varado junto da praia do Pescado e pela sua popa o vapor BROHOLM acabado do encalhar / foto do jornal O Comercio do Porto /.

13/04/1937, na manhã de ontem passou por Leixões um tufão que produziu grandes prejuízos, um vapor encalhado e outros em perigo de naufragar, dentre os quais o NRP BARTOLOMEU DIAS, que esteve na iminência de encalhar, tudo isto dentro do porto de Leixões.
O temporal que mais uma vez assolou o porto de Leixões, começou sentir-se mais acentuadamente ao princípio da noite de anteontem Domingo. O vento soprava do quadrante sudoeste, aumentando de momento a momento a sua intensidade. O mar agitou-se muito, por tal motivo tornou-se perigosa a situação das embarcações ancoradas na Bacia. Como medida preventiva o capitão do porto de Leixões, Comandante Carlos Rodrigues Coelho, ordenou que fossem reforçadas as amarrações das embarcações ali surtas, ordenando que algumas procurassem fundear nos ancoradouros mais abrigados, nomeadamente traineiras e fragatas que se encontravam ancoradas a meio da Bacia.
O paquete Inglês HILARY, da Companhia Booth Line, de Liverpool, que havia chegado no Domingo, procedente daquele porto, para receber passageiros e carga para o Amazonas, mais propriamente para os portos de Belém do Pará, Manaus e Iquitos teve de suportar durante bastante tempo o forte temporal. O comandante do HILARY vendo a segurança do seu vapor muito ameaçada, dada as grandes dimensões do paquete e o atravancamento do porto, tomou a decisão aconselhada pela sua larga experiência de homem do mar e com longa pratica do porto de Leixões, mandando pôr as caldeiras em pressão para o que desse e viesse.
O temporal longe de abrandar redobrava de violência cada vez mais, não permitindo sequer que mesmo dentro do porto, desembarcasse o piloto, empregados da agência consignatária Garland, Laidley, Roberto Spratley da Silva, Aurélio Ramos, etc., mestre-estivador António Lourenço, chefe-conferente José Soares, estivadores, conferentes e autoridades, que no exercício das suas funções se encontravam a bordo.
Pelas 22h30, o comandante do HILARY vendo que a tempestade ameaçava agravar-se, e aconselhado pelo piloto da barra Mário Francisco da Madalena, suspendeu ferros, saindo para o mar de rumo a Lisboa, porto regular de escala, levando todo aquele pessoal a bordo. Como as manobras de saída eram de certo risco, o rebocador MARS 2º, da companhia, conduzido pelo mestre Marcelino Justino e tendo como maquinista Firmino Neves, manteve-se junto, até o paquete da linha Pará/Manaus cruzar os molhes, fazendo-se ao largo, sob maresia desfeita, e foi uma decisão acertada do piloto da barra e do comandante, pois se o paquete permanecesse dentro do porto, e com o temporal a crescer, talvez se viesse a assistir a um grande desastre, a juntar aos outros navios ainda encalhados, aquando do ciclone de 27 de Janeiro passado e à carcaça do paquete ORANIA, semi-afundado, o que dava a entender haver interesses para que não fosse salvo ou demolido para "lhesrender mais alguns cobres".
Aqueles funcionários da casa de navegação Garland, Laidley, no inicio da década de 60, quando o autor do Blogue entrou ao serviço daquela firma, contavam-lhe, que passaram uma viagem tormentosa, com o mar a saltar aos tombadilhos superiores, mesmo à entrada da barra do Tejo.
Entretanto, cerca da meia-noite o temporal aumentou demasiadamente, soprando o vento com velocidade de autentico ciclone, pelo que algumas embarcações estiveram em risco de partir as amarras e soçobrarem, apitando as sereias em aflitivos pedidos de socorro, pelo que o salva-vidas CARVALHO ARAÚJO, em rigorosa e continua prevenção, acorria pressuroso ajudando a mudar de ancoradouro uns e reforçando as amarras de outros num labor constante e exaustivo. Uma dessas embarcações, o iate-motor Português JOÃO JOSÉ 1º, chegou a garrar descaindo, perigosamente sobre uma fragata que esteve quase a afundar-se.
O aviso de 1ª classe NRP BARTOLOMEU DIAS que veio a Leixões, pelo motivo da visita do Chefe de Estado, General Carmona, à cidade do Porto, chegou a correr sério risco de encalhar, pois devido á forte ventania e mar a partir dentro da área portuária, garrou sendo impelido na direcção do lugar do Senhor do Padrão, junto ao molhe Sul. Valeu-lhe o facto de a bordo, a guarnição estar a postos na eminência de qualquer eventualidade, prontamente as possantes máquinas entraram em acção, e ao cabo de algumas manobras habilmente dirigidas pelo prático Francisco Soares de Mello, aquela magnifica e moderna unidade da armada nacional, estava de novo em bom fundeadouro.
O balanço do temporal no porto de Leixões não podia deixar de incluir pelo menos mais um acidente marítimo, e de facto mais um vapor de carga lá ficou encalhado, e isto dentro de um "porto de abrigo", que de abrigo só tinha o nome, ali quase junto do vapor de pesca ALTAIR, que o vendaval da noite de 27 de Janeiro passado, arremessou sobre as penedias da praia do Pescado, a poucas centenas de metros da carcaça do paquete ORANIA, que emerge ainda das águas à entrada do porto e continuará sabe se lá até quando.
O vapor naufragado desta vez é de nacionalidade Dinamarquesa, o BROHOLM que entrara Domingo pelas 17h00 procedente de Lisboa com destino ao rio Douro, a fim de receber carregamento de vinho em cascos e caixas, e caixas de ardósias com destino a Copenhaga. Trazia estivados no convés uma grande quantidade de fardos de cortiça tendo fundeado a nordeste na bacia, a fim de se abrigar do mau tempo, por a barra do Douro estar encerrada.
Como o mau tempo se estivesse a deteriorar e o navio a ir de garra, pela manhã o piloto José Fernandes Tato resolveu mudar de fundeadouro para o que reclamou o auxílio do rebocador MARS 2º. Eram 08h30 quando se procedeu à manobra, e suspensos os ferros, e no momento em que o MARS 2º o auxiliava a manobrar, umas rajadas mais violentas de vento batendo-lhe fortemente num dos bordos, pois o vento mudara bruscamente do quadrante sudoeste para oés-noroeste impeliu-o sobre as pedras da praia do Pescado, onde acabou por encalhar, e deve ter ficado preso nos rochedos a meia-nau, porque momentos depois outra rajada de vento fazia-o rodar sobre o seu eixo mudando-lhe a proa para o lado onde estava a popa, a praia do Pescado, de Matosinhos. Do rebocador foi-lhe passado uma forte amarreta sendo feitas várias tentativas para o retirar daquela situação, o que não foi conseguido por rebentarem os cabos. O BROHOLM, que além dos fardos de cortiça trazia muita carga diversa tinha a bordo 28 homens da tripulação, dos quais 16 foram retirados para terra pelo salva-vidas CARVALHO ARAÚJO. Compareceram também os Bombeiros Voluntários de Matosinhos e Leça e os Voluntários de Leixões com o seu material de socorros a náufragos, cujos bons serviços felizmente não chegaram a ser necessários. A bordo permaneceram o capitão A. Henriksen e alguns oficiais e marinheiros. Ao princípio da tarde foi feito a bordo a vistoria da praxe pela autoridade marítima e seguradora, verificando-se que o vapor havia sofrido alguns rombos, tendo água nos porões nºs 2 e 3 e achando-se ainda totalmente inundadas a casa das máquinas e as caldeiras, assim como todas as divisões e compartimentos situados abaixo da linha de flutuação. Na preia-mar verificou-se ainda que a água já tinha alguns pés à popa e avante denunciando claramente achar-se o barco assente e preso nas pedras. Embora sejam mínimas as esperanças de salvar o vapor pelo motivo dos grandes rombos sofridos e ainda da sua critica posição deve ser tentada a sua retirada do local depois de descarregadas por completo as mercadorias. Para esse efeito, vem já a caminho de Leixões o salvadego Dinamarquês GEIR.
Não obstante o mau tempo, foi avultado o número de pessoas que se dirigiu a Leixões para observar o vapor e presenciar os trabalhos de salvamento e da tripulação.
Resta acrescentar que BROHOLM tempos mais tarde foi posto a reflutuar, e voltou ao serviço comercial.

O paquete HILARY largando do Tejo (note-se que o autor do quadro, certamente desconhecia que o porto de Lisboa sempre foi em Portugal e não no Brasil, olhando às cores da bandeira hasteada no mastro de vante / quadro de autor desconhecido - calendário da Booth Line de 1951 /.

HILARY – imo 1162350 – Aquele que foi um dos mais emblemáticos paquetes a escalar o porto de Leixões, antes e no pós-guerra fora construído em 1931 pelos estaleiros Cammel Laird & Co., Ltd., Birkenhead, apresentava, ao contrário da maioria dos navios do seu tempo, as antigas linhas tradicionais, que sempre lhe deram um aspecto agradável e elegante. As suas principais características eram muito aproximadas às do velho HILDEBRAND, que iria substituir na famosa linha do Norte do Brasil e Amazonas – “1.000 miles up the Amazon” – , embora com lotação para menor número de passageiros, que totalizava acomodação para 330 passageiros de 1ª e 3ª classes. O seu comprimento f.f. era de 135m e deslocava 7.403tb, atingindo uma velocidade de 14 nós. Tinha alguma tripulação de nacionalidade Portuguesa, sobretudo na área de cabine e messe. Como todos os vapores da Booth Line, no porto de Leixões era mais identificado como “Pará e Manaus”. Embora o seu destino final fosse o porto fluvial de Manaus, muita da carga destinava-se aos portos fluviais de Letícia, na Colômbia e Iquitos, no Peru. Aquela carga era baldeada naquele porto Brasileiro para navios fluviais da própria companhia, que também recebiam carga de exportação para a Europa e Estados Unidos. 
A sua actividade calma de navio de passageiros foi interrompida durante o período da guerra de 1939/45, durante a qual desempenhou importantes missões recordadas num quadro patente no seu salão principal. Requisitado pelo Almirantado em Dezembro de 1940, foi primeiramente utilizado no serviço de vigilância marítima e em Maio de 1941 interceptou o petroleiro Italiano RECCO, 350 milhas a Norte dos Açores, contudo a tripulação Italiana sabotou o seu vapor, Também interceptou e capturou o vapor Italiano GIANNA M e uma tripulação de presa levou-o para o porto de Belfast. A partir de Abril de 1942 como transporte naval de infantaria, tomou parte activa nas operações de desembarque aliadas na Europa, sendo navio chefe das forças navais, que participaram nos desembarques da Sicília e Anzio. Em Maio de 1942, em pleno Atlântico Norte, foi perseguido e torpedeado por dois submarinos Alemães, felizmente o torpedo, que o atingiu a meia-nau não detonou e em Junho de 1944 comandou uma das forças navais na invasão da Normandia – “D-Day” –, tendo sido atingido por uma bomba perdida, que lhe causou uma pequena avaria. Regressou ao porto de Liverpool, após a rendição da Alemanha Nazi e, depois de sofrer beneficiações, retomou o seu lugar na linha do Norte do Brasil e Amazonas.
Com a entrada ao serviço do novo paquete HILDEBRAND e mais tarde do HUBERT, falou-se muito na sua retirada do serviço o que não chegou a concretizar-se. Partiu então para os estaleiros de Anvers, onde foi submetido a demoradas reparações, que incluíram melhoramentos nas instalações destinadas aos passageiros, cujo número foi reduzido para 230, e, quando reentrou em actividade apresentava uma particularidade na Booth Line, a cor preta do casco tinha sido substituída pela branca, o que lhe dava um aspecto muito deslumbrante.
Retomou as actividades em Abril de 1956 com alteração da rota, pois passou a incluir escalas em Port of Spain, Trindade e Tobago, nas Caraíbas, onde embarcava emigrantes nativos para Liverpool, os quais na sua escala em Leixões, espalhavam-se pela vila de Matosinhos e pela cidade do Porto, dando um certo colorido a ambas as urbes. Foi, posteriormente fretado à Elder Dempster Line, realizando algumas viagens à costa ocidental de África, até que a perda do HILDEBRAND em 25/09/1957, próximo de Cascais, o levou de novo a sulcar águas Portuguesas e Brasileiras, acabando algum tempo depois por amarrar no porto de Liverpool, de onde largou em Setembro de 1959 para o Inverkeithing na Escócia, onde foi demolido pelos sucateiros T.W.Ward Ltd., após 28 anos de intensa actividade.
O NRP BARTOLOMEU DIAS surto no rio Douro, lugar do Sandeman, margem de Gaia, em 24/05/1952, a fim de em conjunto com NRP TEJO prestarem honras militares ao Chefe de Estado, General Craveiro Lopes, que se deslocara à região do Grande Porto para inaugurar várias obras públicas de grande vulto.  O NRP BARTOLOMEU DIAS com os seus 103,20m foi o vaso de guerra de maior porte que alguma vez demandara o porto do Douro / foto de F. Cabral, Porto /.

NRP BARTOLOMEU DIAS – Aviso de 1ª classe/ imo 6109586/ cff 103,20m/ boca 13,07m/ pontal 6,17m/ Deslocamento máximo 2.478tons/ raio de acção 8.000 milhas à velocidade 10nós/ duas caldeiras aqui-tubulares/ potência de máquina 8.000SHP/ 2 hélices/ armamento 4 canhões de 120mm, 2 de 76mm as., 8 de 20mm aa, 4 morteiros, 2 lança-bombas e, eventualmente, 40 minas, com calhas de lançamento/ capacidade de combustível (nafta), 600tons - velocidade máxima 21nós/ guarnição 13 oficiais e 202 sargentos e praças/ Identificação uma faixa branca; Construído para a Armada Portuguesa, nos estaleiros Britânicos Hawthorn Leslie & co., Ltd., de Newcastle-upon-Tyne, em 1935, foi encomendado juntamente com o gémeo NRP AFONSO DE ALBUQUERQUE, sendo ministro da Marinha, o vice-almirante Magalhães Correia; Ambos sofreram modificações e modernização de artilharia, durante o conflito de 1939/40. Mais recentemente, foram modernizados o NRP AFONSO DE ALBUQUERQUE nos Estaleiros Parry & Son, e NRP BARTOLOMEU DIAS, no Estaleiro Naval da C.U.F; Inicialmente, possuiu um hidroavião para reconhecimento e bombardeamento; A seguir à Segundo Guerra Mundial, foi equiparado a fragata, recebendo o prefixo F471 no seu número de amura; 1967 foi transformado em navio depósito e rwbaptizado de NRP SÃO CRISTOVÃO; 1978 abatido ao efectivo.

 O vapor BROHOLM /(c) cortesia Danish Maritime Museum, Elsinore /.


BROHOLM – imo 5606329/ 82m/ 1.350tb/ 11nós; 01/12/1925 entregue por Fredrikstad Mekaniske Verksted A/S, Fredrikstad, à DFDS – Det Forenede D/S A/S, Copenhaga; 1937 BROHOLM, 90m/ 1.544tb; 1937 BROHOLM, alongado para 90m/1.544tb; 1941 HINDOO, requisitado pela US Maritime Comission, Nova Iorque; 09/09/1944 em viagem de Nova Iorque/ Guantanamo Bay/ Cartagena em comboio afundou-se após colisão com o n/m AUSTRALIA STAR na posição 11,00N/77,57W. Todos a bordo foram salvos.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, Jornal O Comércio do Porto, Booth Line, DFDS, Danish Maritime Museum-Elsinore, Marinha de Guerra Portuguesa.
(continua)
Rui Amaro
               
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