domingo, 13 de novembro de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 202

O NOVO NAVIO-MOTOR "SECIL" DEMANDA A BARRA DO DOURO PELA PRIMEIRA VEZ

 O SECIL demanda a barra do Douro enfrentando águas de cheia em 01/1960 / Rui Amaro /.
 
 
Rabões da Empresa Carbonífera do Douro, do Pejão, em operações de transbordo de carvão para o SECIL, anos 50 / F. Cabral, Porto /.

A 22/12/1938, pelas 12h00, demandou a barra do Douro, pela primeira vez, o novo navio-motor português SECIL, que procedia de Setúbal com um carregamento completo de cimento ensacado, tendo sido conduzido pelo piloto Bento da Costa, que o foi amarrar na lingueta do Bicalho, Massarelos.
Após a descarga, passados dois dias, sob as ordens do piloto Tiburso, um nativo de Lourenço Marques, cambou para o lugar da Carbonífera, a fim de carregar carvão em pó extraído das minas do Pejão, transportado pela via fluvial do Douro, nas típicas embarcações pintadas de cor negra mais conhecidas por “rabões”, que como os “barcos rabelos” se movimentavam à vela, a remos ou a reboque do rebocador PEJÃO e anos mais tarde do FOJO, ex MERCÚRIO 2º, carvão esse destinado a ser consumido pelos fornos da fábrica da Secil, do Outão.

O SECIL demanda a barra do Douro debaixo de mar / autor desconhecido /.

Os sacos de cimento eram descarregados aos ombros de homens e o carvão era embarcado em cestos de vime à cabeça de homens e mulheres. O local de descarga do cimento era realizado, primitivamente na referida lingueta do Bicalho, mais tarde passou para o cais da Estiva, lugar do Terreiro, e no inicio da década de 60 foi transferido para o então recém construído cais privativo da Secil, situado junto das suas instalações, na encosta da Arrábida.    
SECIL – imo 5317082/ 47m/427tb, foi construído pelo estaleiro Holandês De Haan & Oerlemans, Heusden, em 11/02/1938 por encomenda da Secil-Companhia Geral de Cal e Cimento, Setúbal, tendo sido registado na capitania do porto de Setúbal a 09/05/1938. O novo navio do tipo Holandês "Schuyter" veio substituir o antigo vapor SECIL, 53m/573tb, construído em 1908 pelo estaleiro Eiderwerft, A.G., Tonning, para um armador Norueguês e adquirido em 1934 pela companhia cimenteira, que o vendeu em 1938 a Vieira & Labrincha, passando a ser o LAVI, tendo naufragado no mar do Açores sob temporal desfeito em 09/12/1938.
Na década de 50, o SECIL, quando em viagem do rio Douro para o Outão, Setúbal, levando um carregamento de carvão em pó, encalhou na costa de Peniche, devido a nevoeiro cerrado. Após várias tentativas, foi posto a flutuar pelos caça-minas NRP FAIAL e NRP TERCEIRA, que navegavam nas imediações, tendo seguido para o porto de Lisboa, onde entrou em doca seca, a fim de ser reparado dos danos sofridos. O salvadego português D. LUIS da A.G.P.L., de Lisboa, que acorrera ao local, não chegou a intervir. O SECIL foi vendido em Maio de 1967 ao armador Vieira & Pita, Lda., Faro, a fim de preencher o lugar deixado pelo navio-motor PONTA DE SAGRES, naufragado na costa de Marrocos em 02/01/1967, passando a chamar-se DAVID NUNES, o qual deixou de constar dos registos do Lloyd+s Regitsr of Shipping no ano de 1988.
Também na década de 50, o SECIL quando demandava a barra do Douro sob nevoeiro cochado conduzido pelo piloto Aristides Pereira Ramalheira, foi encalhar num banco de areia, diante do cais do Marégrafo, ao sul, no lugar das Serrazinas, safando-se mais tarde no pico da maré.


 
O DAVID NUNES ex SECIL demanda a barra do Douro em 20/11(1977 / Rui Amaro /.

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, Imprensa diária, Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on this Blog, which will be very much appreciated.

domingo, 6 de novembro de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 201

O VAPOR NORUEGUÊS "INGA I" (2) SOFRE DOIS PERCALÇOS QUANDO DESCIA O RIO DE RUMO À BARRA

 O vapor BA que mais tarde tomou o nome de INGA I (2) / foto de autor desconhecido - Lillesand Sjomannsforening /.
/.
A 15/11/1938, pelas 17h00, quando o vapor Norueguês INGA l, após ter manobrado junto do lugar do cais do Terreiro e depois de ter desandado, auxiliado pela lancha ALTINA, já seguia de rumo à barra, ao passar no lugar da Cruz, avariou-se-lhe a máquina do leme e acabou por desgovernar, perigosamente a bombordo. Em face da situação, o piloto Jaime da Silva Martins mandou largar os dois ferros, evitando que aquele vapor fosse encalhar nas pedras das Lobeiras de Gaia. Reparada a avaria, retomou a sua marcha para a barra.
Aquele vapor, ao passar diante do lugar de Massarelos, voltou a guinar a bombordo indo colidir com os lugres-motores bacalhoeiros INFANTE DE SAGRES 3º, DELÃES e OLIVEIRENSE, todos da praça do Porto, que se encontravam amarrados no lugar dos cais da Arrozeira e Lugan.
Dado o alarme, acorreram o rebocador NEIVA e a lancha ALTINA, que rebocaram o vapor INGA l para o lugar do cais de Santo António do Vale da Piedade, ficando aí amarrado e onde lhe foi feita a usual vistoria pela autoridade marítima local.
Do acidente, resultaram pequenas avarias nos três lugres e o desaparecimento do cozinheiro de um dos lugres, que talvez, na precipitação da fuga, caíra às águas do rio, sem que ninguém se tivesse apercebido.       
A 16, após vistoriado, o INGA 1, que entrara a barra a 04/11, procedente de S. João da Terra Nova com um carregamento de bacalhau seco, saiu a barra do Douro em lastro. Logo que o piloto Jaime da Silva Martins desembarcou, aquele vapor rumou ao porto de Setúbal, a fim de carregar sal para aquela colónia britânica.
INGA l – era o antigo vapor Norueguês BA construído na Holanda no ano de 1921, mais tarde adquirido pelo armador Johan Eliassen para preencher o lugar do anterior vapor do mesmo nome, naufragado a 30/03/1936 na barra do Douro; 77,5m /1.304tb/ 10nós; 12/1921 entregue pelo estaleiro Huiskens & van Dijk, Dordrecht, como MARVEL a A/S Nordsjoen, Kristiania; 06/1922 MARVEL, Belgium Star Shipping SA, Antwerp; 1924 BA, Rederi A/S BA, gestores Th. Brovig, Farsund/ 1936 BA, A/S D/S Inga I, gestores Johan Eliassen, Bergen; 07/1937 INGA I, A/S D/S Inga I, gestores Johan Eliassen, Bergen; 27/07/1941 foi torpedeado e afundado pelo submarino Alemão U-126, KorvettenKapitein Ernst Bauer, a 200 milhas a oeste do Cabo Finisterra, quando fazia parte do comboio OB69, que seguia dos portos de Tyne e Oban para o porto de Gibraltar, transportando carvão, perdendo a vida três dos dezanove homens da sua equipagem, dentre os quais o chefe de máquinas Bernhard Eliassen, que também tinha sido um dos náufragos do antigo INGA l, que se prdera na barra do Douro a 30/03/1936.
Fontes: José Fernandes Amaro Junior; Lillesand Sjormannsforening /.
Rui Amaro

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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 200

O PORTO DE LEIXÕES NOVAMENTE SOB OS EFEITOS DE TEMPORAL DESFEITO
 
O vapor de pesca ALTAIR varado junto da praia do Pescado e pela sua popa o vapor BROHOLM acabado do encalhar / foto do jornal O Comercio do Porto /.

13/04/1937, na manhã de ontem passou por Leixões um tufão que produziu grandes prejuízos, um vapor encalhado e outros em perigo de naufragar, dentre os quais o NRP BARTOLOMEU DIAS, que esteve na iminência de encalhar, tudo isto dentro do porto de Leixões.
O temporal que mais uma vez assolou o porto de Leixões, começou sentir-se mais acentuadamente ao princípio da noite de anteontem Domingo. O vento soprava do quadrante sudoeste, aumentando de momento a momento a sua intensidade. O mar agitou-se muito, por tal motivo tornou-se perigosa a situação das embarcações ancoradas na Bacia. Como medida preventiva o capitão do porto de Leixões, Comandante Carlos Rodrigues Coelho, ordenou que fossem reforçadas as amarrações das embarcações ali surtas, ordenando que algumas procurassem fundear nos ancoradouros mais abrigados, nomeadamente traineiras e fragatas que se encontravam ancoradas a meio da Bacia.
O paquete Inglês HILARY, da Companhia Booth Line, de Liverpool, que havia chegado no Domingo, procedente daquele porto, para receber passageiros e carga para o Amazonas, mais propriamente para os portos de Belém do Pará, Manaus e Iquitos teve de suportar durante bastante tempo o forte temporal. O comandante do HILARY vendo a segurança do seu vapor muito ameaçada, dada as grandes dimensões do paquete e o atravancamento do porto, tomou a decisão aconselhada pela sua larga experiência de homem do mar e com longa pratica do porto de Leixões, mandando pôr as caldeiras em pressão para o que desse e viesse.
O temporal longe de abrandar redobrava de violência cada vez mais, não permitindo sequer que mesmo dentro do porto, desembarcasse o piloto, empregados da agência consignatária Garland, Laidley, Roberto Spratley da Silva, Aurélio Ramos, etc., mestre-estivador António Lourenço, chefe-conferente José Soares, estivadores, conferentes e autoridades, que no exercício das suas funções se encontravam a bordo.
Pelas 22h30, o comandante do HILARY vendo que a tempestade ameaçava agravar-se, e aconselhado pelo piloto da barra Mário Francisco da Madalena, suspendeu ferros, saindo para o mar de rumo a Lisboa, porto regular de escala, levando todo aquele pessoal a bordo. Como as manobras de saída eram de certo risco, o rebocador MARS 2º, da companhia, conduzido pelo mestre Marcelino Justino e tendo como maquinista Firmino Neves, manteve-se junto, até o paquete da linha Pará/Manaus cruzar os molhes, fazendo-se ao largo, sob maresia desfeita, e foi uma decisão acertada do piloto da barra e do comandante, pois se o paquete permanecesse dentro do porto, e com o temporal a crescer, talvez se viesse a assistir a um grande desastre, a juntar aos outros navios ainda encalhados, aquando do ciclone de 27 de Janeiro passado e à carcaça do paquete ORANIA, semi-afundado, o que dava a entender haver interesses para que não fosse salvo ou demolido para "lhesrender mais alguns cobres".
Aqueles funcionários da casa de navegação Garland, Laidley, no inicio da década de 60, quando o autor do Blogue entrou ao serviço daquela firma, contavam-lhe, que passaram uma viagem tormentosa, com o mar a saltar aos tombadilhos superiores, mesmo à entrada da barra do Tejo.
Entretanto, cerca da meia-noite o temporal aumentou demasiadamente, soprando o vento com velocidade de autentico ciclone, pelo que algumas embarcações estiveram em risco de partir as amarras e soçobrarem, apitando as sereias em aflitivos pedidos de socorro, pelo que o salva-vidas CARVALHO ARAÚJO, em rigorosa e continua prevenção, acorria pressuroso ajudando a mudar de ancoradouro uns e reforçando as amarras de outros num labor constante e exaustivo. Uma dessas embarcações, o iate-motor Português JOÃO JOSÉ 1º, chegou a garrar descaindo, perigosamente sobre uma fragata que esteve quase a afundar-se.
O aviso de 1ª classe NRP BARTOLOMEU DIAS que veio a Leixões, pelo motivo da visita do Chefe de Estado, General Carmona, à cidade do Porto, chegou a correr sério risco de encalhar, pois devido á forte ventania e mar a partir dentro da área portuária, garrou sendo impelido na direcção do lugar do Senhor do Padrão, junto ao molhe Sul. Valeu-lhe o facto de a bordo, a guarnição estar a postos na eminência de qualquer eventualidade, prontamente as possantes máquinas entraram em acção, e ao cabo de algumas manobras habilmente dirigidas pelo prático Francisco Soares de Mello, aquela magnifica e moderna unidade da armada nacional, estava de novo em bom fundeadouro.
O balanço do temporal no porto de Leixões não podia deixar de incluir pelo menos mais um acidente marítimo, e de facto mais um vapor de carga lá ficou encalhado, e isto dentro de um "porto de abrigo", que de abrigo só tinha o nome, ali quase junto do vapor de pesca ALTAIR, que o vendaval da noite de 27 de Janeiro passado, arremessou sobre as penedias da praia do Pescado, a poucas centenas de metros da carcaça do paquete ORANIA, que emerge ainda das águas à entrada do porto e continuará sabe se lá até quando.
O vapor naufragado desta vez é de nacionalidade Dinamarquesa, o BROHOLM que entrara Domingo pelas 17h00 procedente de Lisboa com destino ao rio Douro, a fim de receber carregamento de vinho em cascos e caixas, e caixas de ardósias com destino a Copenhaga. Trazia estivados no convés uma grande quantidade de fardos de cortiça tendo fundeado a nordeste na bacia, a fim de se abrigar do mau tempo, por a barra do Douro estar encerrada.
Como o mau tempo se estivesse a deteriorar e o navio a ir de garra, pela manhã o piloto José Fernandes Tato resolveu mudar de fundeadouro para o que reclamou o auxílio do rebocador MARS 2º. Eram 08h30 quando se procedeu à manobra, e suspensos os ferros, e no momento em que o MARS 2º o auxiliava a manobrar, umas rajadas mais violentas de vento batendo-lhe fortemente num dos bordos, pois o vento mudara bruscamente do quadrante sudoeste para oés-noroeste impeliu-o sobre as pedras da praia do Pescado, onde acabou por encalhar, e deve ter ficado preso nos rochedos a meia-nau, porque momentos depois outra rajada de vento fazia-o rodar sobre o seu eixo mudando-lhe a proa para o lado onde estava a popa, a praia do Pescado, de Matosinhos. Do rebocador foi-lhe passado uma forte amarreta sendo feitas várias tentativas para o retirar daquela situação, o que não foi conseguido por rebentarem os cabos. O BROHOLM, que além dos fardos de cortiça trazia muita carga diversa tinha a bordo 28 homens da tripulação, dos quais 16 foram retirados para terra pelo salva-vidas CARVALHO ARAÚJO. Compareceram também os Bombeiros Voluntários de Matosinhos e Leça e os Voluntários de Leixões com o seu material de socorros a náufragos, cujos bons serviços felizmente não chegaram a ser necessários. A bordo permaneceram o capitão A. Henriksen e alguns oficiais e marinheiros. Ao princípio da tarde foi feito a bordo a vistoria da praxe pela autoridade marítima e seguradora, verificando-se que o vapor havia sofrido alguns rombos, tendo água nos porões nºs 2 e 3 e achando-se ainda totalmente inundadas a casa das máquinas e as caldeiras, assim como todas as divisões e compartimentos situados abaixo da linha de flutuação. Na preia-mar verificou-se ainda que a água já tinha alguns pés à popa e avante denunciando claramente achar-se o barco assente e preso nas pedras. Embora sejam mínimas as esperanças de salvar o vapor pelo motivo dos grandes rombos sofridos e ainda da sua critica posição deve ser tentada a sua retirada do local depois de descarregadas por completo as mercadorias. Para esse efeito, vem já a caminho de Leixões o salvadego Dinamarquês GEIR.
Não obstante o mau tempo, foi avultado o número de pessoas que se dirigiu a Leixões para observar o vapor e presenciar os trabalhos de salvamento e da tripulação.
Resta acrescentar que BROHOLM tempos mais tarde foi posto a reflutuar, e voltou ao serviço comercial.

O paquete HILARY largando do Tejo (note-se que o autor do quadro, certamente desconhecia que o porto de Lisboa sempre foi em Portugal e não no Brasil, olhando às cores da bandeira hasteada no mastro de vante / quadro de autor desconhecido - calendário da Booth Line de 1951 /.

HILARY – imo 1162350 – Aquele que foi um dos mais emblemáticos paquetes a escalar o porto de Leixões, antes e no pós-guerra fora construído em 1931 pelos estaleiros Cammel Laird & Co., Ltd., Birkenhead, apresentava, ao contrário da maioria dos navios do seu tempo, as antigas linhas tradicionais, que sempre lhe deram um aspecto agradável e elegante. As suas principais características eram muito aproximadas às do velho HILDEBRAND, que iria substituir na famosa linha do Norte do Brasil e Amazonas – “1.000 miles up the Amazon” – , embora com lotação para menor número de passageiros, que totalizava acomodação para 330 passageiros de 1ª e 3ª classes. O seu comprimento f.f. era de 135m e deslocava 7.403tb, atingindo uma velocidade de 14 nós. Tinha alguma tripulação de nacionalidade Portuguesa, sobretudo na área de cabine e messe. Como todos os vapores da Booth Line, no porto de Leixões era mais identificado como “Pará e Manaus”. Embora o seu destino final fosse o porto fluvial de Manaus, muita da carga destinava-se aos portos fluviais de Letícia, na Colômbia e Iquitos, no Peru. Aquela carga era baldeada naquele porto Brasileiro para navios fluviais da própria companhia, que também recebiam carga de exportação para a Europa e Estados Unidos. 
A sua actividade calma de navio de passageiros foi interrompida durante o período da guerra de 1939/45, durante a qual desempenhou importantes missões recordadas num quadro patente no seu salão principal. Requisitado pelo Almirantado em Dezembro de 1940, foi primeiramente utilizado no serviço de vigilância marítima e em Maio de 1941 interceptou o petroleiro Italiano RECCO, 350 milhas a Norte dos Açores, contudo a tripulação Italiana sabotou o seu vapor, Também interceptou e capturou o vapor Italiano GIANNA M e uma tripulação de presa levou-o para o porto de Belfast. A partir de Abril de 1942 como transporte naval de infantaria, tomou parte activa nas operações de desembarque aliadas na Europa, sendo navio chefe das forças navais, que participaram nos desembarques da Sicília e Anzio. Em Maio de 1942, em pleno Atlântico Norte, foi perseguido e torpedeado por dois submarinos Alemães, felizmente o torpedo, que o atingiu a meia-nau não detonou e em Junho de 1944 comandou uma das forças navais na invasão da Normandia – “D-Day” –, tendo sido atingido por uma bomba perdida, que lhe causou uma pequena avaria. Regressou ao porto de Liverpool, após a rendição da Alemanha Nazi e, depois de sofrer beneficiações, retomou o seu lugar na linha do Norte do Brasil e Amazonas.
Com a entrada ao serviço do novo paquete HILDEBRAND e mais tarde do HUBERT, falou-se muito na sua retirada do serviço o que não chegou a concretizar-se. Partiu então para os estaleiros de Anvers, onde foi submetido a demoradas reparações, que incluíram melhoramentos nas instalações destinadas aos passageiros, cujo número foi reduzido para 230, e, quando reentrou em actividade apresentava uma particularidade na Booth Line, a cor preta do casco tinha sido substituída pela branca, o que lhe dava um aspecto muito deslumbrante.
Retomou as actividades em Abril de 1956 com alteração da rota, pois passou a incluir escalas em Port of Spain, Trindade e Tobago, nas Caraíbas, onde embarcava emigrantes nativos para Liverpool, os quais na sua escala em Leixões, espalhavam-se pela vila de Matosinhos e pela cidade do Porto, dando um certo colorido a ambas as urbes. Foi, posteriormente fretado à Elder Dempster Line, realizando algumas viagens à costa ocidental de África, até que a perda do HILDEBRAND em 25/09/1957, próximo de Cascais, o levou de novo a sulcar águas Portuguesas e Brasileiras, acabando algum tempo depois por amarrar no porto de Liverpool, de onde largou em Setembro de 1959 para o Inverkeithing na Escócia, onde foi demolido pelos sucateiros T.W.Ward Ltd., após 28 anos de intensa actividade.
O NRP BARTOLOMEU DIAS surto no rio Douro, lugar do Sandeman, margem de Gaia, em 24/05/1952, a fim de em conjunto com NRP TEJO prestarem honras militares ao Chefe de Estado, General Craveiro Lopes, que se deslocara à região do Grande Porto para inaugurar várias obras públicas de grande vulto.  O NRP BARTOLOMEU DIAS com os seus 103,20m foi o vaso de guerra de maior porte que alguma vez demandara o porto do Douro / foto de F. Cabral, Porto /.

NRP BARTOLOMEU DIAS – Aviso de 1ª classe/ imo 6109586/ cff 103,20m/ boca 13,07m/ pontal 6,17m/ Deslocamento máximo 2.478tons/ raio de acção 8.000 milhas à velocidade 10nós/ duas caldeiras aqui-tubulares/ potência de máquina 8.000SHP/ 2 hélices/ armamento 4 canhões de 120mm, 2 de 76mm as., 8 de 20mm aa, 4 morteiros, 2 lança-bombas e, eventualmente, 40 minas, com calhas de lançamento/ capacidade de combustível (nafta), 600tons - velocidade máxima 21nós/ guarnição 13 oficiais e 202 sargentos e praças/ Identificação uma faixa branca; Construído para a Armada Portuguesa, nos estaleiros Britânicos Hawthorn Leslie & co., Ltd., de Newcastle-upon-Tyne, em 1935, foi encomendado juntamente com o gémeo NRP AFONSO DE ALBUQUERQUE, sendo ministro da Marinha, o vice-almirante Magalhães Correia; Ambos sofreram modificações e modernização de artilharia, durante o conflito de 1939/40. Mais recentemente, foram modernizados o NRP AFONSO DE ALBUQUERQUE nos Estaleiros Parry & Son, e NRP BARTOLOMEU DIAS, no Estaleiro Naval da C.U.F; Inicialmente, possuiu um hidroavião para reconhecimento e bombardeamento; A seguir à Segundo Guerra Mundial, foi equiparado a fragata, recebendo o prefixo F471 no seu número de amura; 1967 foi transformado em navio depósito e rwbaptizado de NRP SÃO CRISTOVÃO; 1978 abatido ao efectivo.

 O vapor BROHOLM /(c) cortesia Danish Maritime Museum, Elsinore /.


BROHOLM – imo 5606329/ 82m/ 1.350tb/ 11nós; 01/12/1925 entregue por Fredrikstad Mekaniske Verksted A/S, Fredrikstad, à DFDS – Det Forenede D/S A/S, Copenhaga; 1937 BROHOLM, 90m/ 1.544tb; 1937 BROHOLM, alongado para 90m/1.544tb; 1941 HINDOO, requisitado pela US Maritime Comission, Nova Iorque; 09/09/1944 em viagem de Nova Iorque/ Guantanamo Bay/ Cartagena em comboio afundou-se após colisão com o n/m AUSTRALIA STAR na posição 11,00N/77,57W. Todos a bordo foram salvos.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, Jornal O Comércio do Porto, Booth Line, DFDS, Danish Maritime Museum-Elsinore, Marinha de Guerra Portuguesa.
(continua)
Rui Amaro
               
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sábado, 29 de outubro de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 199

O "HMS STRONGHOLD" SAIU A BARRA SOB AGITAÇÃO MARITIMA PERIGOSA, CUJO COMANDANTE DESOBEDECEU AS ORDENS DO PILOTO-MOR E DO PILOTO
 
 
O HMS STRONGHOLD (H-50) na barra do Douro / Imprensa diária /.

A 15/03/1938, pelas 15h00, o HMS STRONGHOLD, 84,1m / 1.075td, contratorpedeiro da Armada Real Britânica, que se encontrava de visita oficial de quatro dias à cidade do Porto e devido à prolongada agitação marítima na barra ficara retido mais alguns dias, no lugar do Bicalho, Massarelos.
Naquele dia, apesar das condições de mar terem melhorado um pouco, na hora da maré alguns vapores desciam o rio, precedidos daquele vaso de guerra, contudo devido à maresia ter-se tornado ameaçadora, o piloto-mor Francisco Rodrigues Brandão fez içar no mastro do pontal da Cantareira o galhardete da letra N, indicativo de barra encerrada, pelo que aqueles vapores retrocederam e seguiram para os seus locais de amarração. No entanto, o comandante do HMS STRONGHOLD, tendo receio de manobrar proa a montante, insistiu com o piloto João Pinto de Carvalho para se fazer à barra e apesar dos sinais de apito do piloto-mor avisando o seu subalterno para que não se fizesse à barra e do espanto de muitos curiosos, que exprimiam os mais dispares comentários, o HMS STRONGHOLD saiu mesmo sob ondulação perigosa, suportando mar quanto baste, indo desembarcar aquele piloto junto ao porto de Leixões.
O piloto João Pinto de Carvalho só não abandonou a ponte de comando e até o próprio navio, para que não viesse a surgir qualquer incidente bastante desagradável, devido ao comandante não ter conhecimento das dificuldades da barra, e por lei podia-o ter feito, dado que o comandante havia desobedecido às suas ordens.
HMS STRONGHOLD (H-50) – imo 6108050/ 84,1m/ 1.075td/ 36nós/ 2 hélices; 02/07/1919 entregue pelo estaleiro Scott Shipbuilding and Enginering Co., Greenock, ao Almirantado – Royal Navy – sob o programa de emergência de 1917. Pouco tempo depois da sua entrada ao serviço foi equipado com uma catapulta para treinos experimentais de aeronaves "Folland".
O HMS STRONGHOLD explodiu e afundou-se a 02/03/1942, em combate com uma força naval Japonesa, constituída pelo cruzador MAYA e mais dois contratorpedeiros, em pleno oceano Indico, a sul de Java, quando dava fuga a um comboio mercante Aliado, que se escapou acompanhado pelo HMSA YARRA, aviso da Armada Australiana, de rumo a Fremantle, o qual acabou por ser destroçado dois dias depois. Os sobreviventes foram recolhidos a bordo daquele cruzador. Um outro grupo abandonado em pleno mar foi encontrado por um pequeno vapor Holandês, apresado pelos Japoneses e quando este procedia ao seu resgate, foi o mesmo suspenso por ordem do comandante do MAYA, tendo os sobreviventes sido transferidos para aquele cruzador. O vapor Holandês teve ordem para seguir para Bali, tendo sido sabotado perto da costa pela sua tripulação. Os poucos marinheiros Australianos do HMSA YARRA foram encontrados, alguns dias depois, por um submarino Holandês, que os levou para a ilha de Ceilão. Da equipagem do vaso de guerra Britânico pereceram no combate nove oficiais e sessenta e um sargentos e praças e no campo de prisioneiros de guerra faleceram mais cinco.


Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, Miramar Ship Index, Naval History Home Page.
(continua)
Rui Amaro

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domingo, 2 de outubro de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 198

BARRA DO DOURO REABERTA À NAVEGAÇÃO APÓS OS ÚLTIMOS TEMPORAIS
 

O vapor SECIL (1) no estuário do Sado, finais da década de 30, / Companhia Secil - colecção F.Cabral, Porto /.

A 10/02/1937, após os temporais e cheia no rio, é que o piloto-mor Francisco Rodrigues Brandão se decidiu pela reabertura da barra ao movimento marítimo, sob certos condicionalismos, se bem que alguns navios fizeram a sua operações comerciais na bacia do porto de Leixões ou seguiram viagem para outros portos por impossibilidade de demandarem os portos do Douro e o de Leixões.
A10/02/1937 cruzaram a barra de saída os vapores Alemães AQUILES e SIRIUS; vapor Norueguês STROMBOLI; Checoslovaco PETER; vapores Portugueses SECIL e OURÉM; vapores de pesca por arrasto FAFE e ESTRELA DO MAR.
A 11/02/1937 demandaram a barra, alguns vindos de Leixões, onde estiveram ancorados durante o mau tempo, Vapores Ingleses DARINO, CRESSADO, ESTRELLANO, LISBON, PALMELLA, todos os cinco da Ellerman Pappayanni Lines, de Liverpool; vapor Holandês THESEUS; vapor Finlandês EVA; vapor Norueguês DOURO; Portugueses: petroleiro PENTEOLA; vapor de pesca por arrasto SANTA FÉ; n/m NEREIDA e a canhoneira NRP DIU.
A 12/02/1937 passou a barra de saída o petroleiro Português PENTEOLA, e fizeram-se à barra os vapores Ingleses FENDRIS, LAVEROCK, SEAMEW e LILEBURN; vapores Noruegueses EIKA, SILJA, FULTON e NORVIKEN; vapores Estonianos TAAT e MINA; vapor Letão MARIEVALDIS; vapor Alemão LAHNECK; vapor Sueco TORKAL.
A 13/02/1937 largou o lugre-motor Português ANTONINHO 1º, e subiram o rio o vapor Dinamarquês GRANDANA; vapor Sueco EXCELSIOR; vapor Italiano SIVIGLIANO; vapor Português ZÉ MANÉL; arrastão-motor Belga JOYCE FRANS; iate-motor Português IRENE DORATY e a lancha rebocador Portuguesa ESPREITA 1º.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior
(continua)
Rui Amaro

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ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on this Blog, which will be very much appreciated.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 197

DESCOMUNAL CICLONE FUSTIGA O PORTO DE LEIXÕES CAUSANDO ACIDENTES MARÍTIMOS DE PREJUÍZOS DE DEZENAS DE MILHAR DE CONTOS


 
A Bacia do porto de Leixões no auge do ciclone, vendo-se à direita o INGRIA em dificuldades junto ao cais Oeste do porto de Serviço  / jornal O Comércio do Porto /. 


 O INGRIA já encalhado / jornal O Comércio do Porto /

 O ASHANTI já encalhado / Colecção H. Ventura, Matosinhos /.


Quatro imagens dos efeitos do violento ciclone / jornal O Comércio do Porto /. 
 
O INGRIA encalhado junto à rampa do Pescado, Matosinhos, onde se encontra uma traineira que parta ali foi arremessada pelo maresia em fúria / jornal O Comércio do Porto /.

Leixões, 27 / 01 / 1937
O descomunal ciclone de ontem deixou por todo o país um rastro impressionante de catástrofes.
No porto de Leixões, o vento e o mar enfurecidos destruíram embarcações, danificaram molhes e puseram em perigo centenas de vidas. Os sinais do tufão e das bátegas de chuva ficaram patentes por toda a região Norte. Na província as inundações assumiram proporções invulgares. No estrangeiro, o dia passado foi também excepcionalmente sinistro.
Em consequência do violento ciclone que passou sobre Leixões, na manhã de ontem, afundaram-se dentro do porto de abrigo, dois iates, um lugre, quatro fragatas, dois vapores de pesca, dez traineiras e numerosas barcaças, além de pequenas embarcações. Um navio de carga de grande porte encalhado e quatro vapores em perigo iminente de soçobrarem – momentos de angústia – prejuízos de dezenas de milhar de contos.

O dia de ontem foi verdadeiramente trágico para o porto de abrigo de Leixões. Até ás 19h30, o balanço da tragédia acusava nada mais nada menos do que dois iates, um lugre, quatro fragatas, um vapor de pesca Belga e três traineiras afundadas, um navio de carga encalhado, e talvez irremediavelmente perdido, quatro vapores, um Inglês e três Portugueses em eminente perigo de soçobrarem.
Não há memória dizem os mais velhos lobos-do-mar que assistiram ao desastre de uma autentica catástrofe de tão vasta importância. O laborioso povo de Matosinhos e Leça da Palmeira viveu, pois horas de grande aflição assistindo à luta desesperada dos homens contra a fúria dos elementos e às vagas alterosas do mar dentro da bacia portuária, dominando profundamente pela emoção, vendo-se impotente para socorrer tantos dos seus filhos a braços com a morte.
O temeroso ciclone que passou sobre Leixões às primeiras horas da manhã, devastou na sua passagem, árvores, chaminés, beirais, etc. Mas nada disto podia prender a atenção da população mais do que as noticias alarmantes logo postas em circulação sobre os acontecimentos no porto de Leixões, onde alguns navios e vapores se perderam, estando em perigo muitas vidas.
A romaria para Leixões começou muito cedo, pois não obstante a tempestade que continuava impetuosa e ameaçadora. Da cidade do Porto, que também sofreu os efeitos da inclemência, seguiram para lá numerosos curiosos em automóveis, circulando os carros eléctricos completos.

Em razão do mau tempo que desde há dias está assolando o litoral, a capitania do porto de Leixões tomou as determinações usuais estando içado o sinal de prevenção. As amarras de todas as embarcações fundeadas na Bacia foram reforçadas, mantendo-se ali pronto a acudir a qualquer emergência dia e noite o salva-vidas CARVALHO ARAÚJO e os pilotos da barra encontravam-se a bordo dos navios para qualquer eventualidade.
O mar embora agitado não fazia antever perigo iminente para as embarcações ali surtas. Na madrugada de ontem, porém cerca das 03h30 começou a soprar forte ventania de sudoeste, prenúncio certo de tempestade, pelo que se redobraram as precauções desenhando-se imediatamente grande azáfama entre os pilotos da barra e pessoal da capitania que se multiplicavam com a maior solicitude para acorrer a todos os pontos de onde os reclamavam. Ao mesmo tempo ouviam-se os primeiros silvos das sirenes de bordo em aflitivos pedidos de socorro. Era o navio-motor Norueguês INGRIA, que ia de garra, descaindo perigosamente sobre embarcações próximas. O salva-vidas CARVALHO ARAÚJO e as lanchas de pilotos foram em seu socorro, auxiliando a sua tripulação a reforçar as amarras, conseguindo-se por essa vez evitar o perigo.
Não havia decorrido nem se quer uma hora, e de novo os alarmantes pedidos de socorro, silvos estridentes repetidos, anunciavam que outros perigos ameaçavam as embarcações fundeadas na Bacia. Desta vez eram o navio-motor ASHANTI, Inglês, vapores SILVA GOUVEIA, ALFERRAREDE e o petroleiro PENTEOLA, todos os três Portugueses, que impelidos pelo vento e pelas voltas de mar que entravam pelo porto dentro, começavam a ir de garra sujeitos a encalhar ou colidir com outras embarcações, por mais que os experimentados pilotos embarcados tentassem as manobras mais inverosímeis para o evitar.
O navio-motor Norueguês INGRIA, apesar de lhe terem reforçado as amarras também não conseguia aguentar-se. Em socorro dos navios em perigo foram então o salva-vidas CARVALHO ARAUJO e o rebocador MARS 2º, o único que por sorte se encontrava surto no porto de Leixões.
O navio-motor ASHANTI, já com uma importante avaria na máquina, foi impelido na direcção do molhe Norte onde esteve prestes a naufragar. Valeu-lhe o rebocador MARS 2º, estabelecendo um forte cabo de reboque retirando-o "in extremis" da zona rochosa. O vapor SILVA GOUVEIA que chegou a sofrer um acentuado desvio para fora do seu ancoradouro, esteve ameaçado de ir sobre o molhe Norte, mas lá conseguiu aguentar-se.

Enquanto na Bacia as embarcações de socorro, rebocador MARS 2º, salva-vidas CARVALHO ARAÚJO, lanchas de pilotos P1 e P3, acudiam às emergências mais aflitivas dos barcos ali fundeados, desencadeava-se nova e medonha tempestade, que às primeiras horas da manhã deveria atingir o auge sob a forma de um violento furacão e todo o seu cortejo de desastres. A ventania cada vez mais forte tornava as vagas por vezes alterosas que desabavam com horrível fragor sobre os molhes e cais e entravam pela Bacia dentro, inundando por completo as imediações do cais do Marégrafo e do porto de serviço, pelo que não havia qualquer ancoradouro seguro, e tudo isto passava-se dentro do porto, a que qualificavam de "porto de abrigo". A ter direito a essa denominação faltava-lhe a extensão em quebra-mar elevado, ai para cerca de oitocentos metros para sudoeste do molhe Norte, o que sossegaria as águas na Bacia.
Note-se que naquela época ainda não existia qualquer doca, iniciava-se a construção da doca nº 1, ali na foz do rio Leça, mas também pouco valeria, porque as amarrações estabelecidas para os cais rebentariam devido à forte ressaca.
A chuva fustigada pelo vento desaparecia por momentos para dar lugar a violentas saraivadas. E para que o quadro fosse completo, os raios riscavam os céus amiúde, e os espaçados trovões ribombavam fragorosamente abalando a terra e os espíritos mais resolutos.
As famílias dos pobres tripulantes das traineiras temendo pela sorte dos seus, corriam em alta gritaria soltando exclamações de dor como se assistissem aos últimos momentos daqueles que sobre as águas lutavam ainda embora muitos deles sem esperança de salvação.
Pelas 06h00, quando o temporal se fazia sentir com extrema violência, o INGRIA garrou novamente, ficando a vogar sobre as águas livremente, e inteiramente ao sabor do movimento da ondulação e da ressaca. Ouviram-se então apitos reclamando imediato socorro, e tanto o MARS 2º como o CARVALHO ARAUJO aproximaram-se o mais possível num esforço supremo para evitarem o que então já era inevitável. Devido à brusca derivação do INGRIA, afundaram-se dentro de poucos minutos quatro fragatas, a MONDEGO, de ferro, pertencente à Empresa de Transportes Fluviais, Lda, (Garland, Laidley & Co. Ltd.), da praça do Porto, com carregamento de toros de madeira do Amazonas e farinha de mandioca ensacada, baldeada de um vapor da Booth Line, mercadoria essa consignada à firma Marques Pinto, Lda., do Porto, foi a primeira a soçobrar. A bordo encontravam-se o seu arrais, António Dias Moreira, e os tripulantes Deolindo Pinto Ferreira e Manuel Alves Paulo Barqueiro. Os dois primeiros conseguiram salvar-se a nado, tendo o último desaparecido. Era casado e residia na Rua dos Pelames, 18, da cidade do Porto. A fragata MONDEGO era uma das fragatas de maior porte com as suas 350 tb. Crê-se que foi a popa do INGRIA que provocou o afundamento. A seguir soçobrou a fragata VENUS, pertencente à firma Portuense A. J. Gonçalves de Moraes, Lda, e com ela se perdeu um carregamento de ferro recebido de bordo do vapor SILVA GOUVEIA. A fragata foi cortada a meio, sendo engolida pelas águas em fúria em poucos segundos, logo a seguir afundava-se a fragata SENHORA DO PILAR propriedade da firma José Joaquim Gouveia, do Porto, estava carregada, também com ferro vindo pelo SILVA GOUVEIA, e quase ao mesmo tempo afundava-se a fragata MINA pertencente a Companhia de Navegação Costeira, da praça de Lisboa, com um carregamento de arroz proveniente de Setúbal, que também fora abalroada pelo INGRIA. Todas estas fragatas estavam fundeadas junto do lugre-motor HORISONTE, que mais tarde também acabara por se afundar no enrocamento a leste da pedra do Salgueiros, junto do cais Oeste do porto de Serviço.

Pelas 07h00 registava-se o afundamento do lugre-motor HORISONTE, da praça de Lisboa e do iate CISNE, da praça da Figueira da Foz, carregado de bidões de carbonilo que deveria seguir para a Figueira da Foz, e do iate-motor HARMONIA LIGEIRO também da mesma praça. As tripulações destes navios foram salvas pela lancha salva-vidas CARVALHO ARAUJO, que a muito custo, devido à forte ressaca, pode traze-las para terra. Os Bombeiros Voluntários de Matosinhos e Leça chegaram a ter pronto um foguetão para estabelecer um cabo de vaivém entre o iate CISNE e terra por se achar em perigo iminente a sua tripulação que acendera fogachos a bordo, indicando deste modo a sua critica situação. Nas proximidades do INGRIA encontravam-se diversas traineiras com as suas tripulações de quarto a bordo. Logo que foi notado o perigo, estas aproveitando a circunstância de terem as caldeiras acesas puseram-se à distância, indo algumas delas procurar abrigo mais seguro à rebessa do molhe Sul, local onde o vento de sudoeste não se fazia sentir tão violentamente.

O temporal sempre violento e medonho continuava ás primeiras horas da manhã, a fazer sentir os seus efeitos. O INGRIA, à mercê das ondas e do vendaval, com os dois hélices bloqueados, foi após a primeira série de desastres embater violentamente com a proa no cais Oeste do porto de Serviço, ficando bastante amolgada, a norte da Bacia onde o mar continuava a açoitar com enorme braveza, desfazendo-se contra o seu costado, em altas voltas de mar que por vezes subiam até grande altura, mesmo ao convés.
Eram 08h00, e em face de novo perigo, mais uma vez as sirenes de bordo soltaram os seus gemidos de angústia, implorando imediato socorro. Aquele enorme navio com água a inundar-lhe os porões, desgovernado estava em risco iminente de naufragar. A bordo os tripulantes em número de 28 e o piloto da barra, andavam em grande azáfama procurando ainda conseguir fazer alguma coisa na tentativa vã de evitar o desastre. Como a vida daqueles homens corria perigo foi ordenada a retirada de bordo de todo o pessoal, o que se verificou cerca das 16h00 com o auxilio dos prestabilíssimos Bombeiros Voluntários de Matosinhos - Leça e também os Voluntários de Leixões, contudo antes dos tripulantes abandonaram o seu navio inundaram por ordem superior os cinco porões, a fim de obterem a estabilização do navio, obrigando-o a pousar no fundo e evitando assim que o casco se pudesse deslocar á deriva e viesse a causar mais desastres.
O INGRIA era um navio moderno, dos melhores da frota mercante Norueguesa. Deslocava 4.366tb, 120m de comprimento fora a fora, e foi construído pelos famosos estaleiros Burmester & Wain, de Copenhaga, em 1931 para o armador Norueguês Jacob Kjod. Tinha estivada nos seus cinco porões 2.608 tons de carga geral, da qual faziam parte uma partida de automóveis destinados a importadores da cidade do Porto, e ainda um grande número de aparelhos receptores de rádio importados directamente dos EUA pela Emissora Nacional.
O capitão Frederik Ditlefsen, o seu imediato, o 2º piloto, e o prático Alfredo Pereira Franco, permaneceram a bordo até mais tarde, tendo abandonado o navio ao princípio da noite. O INGRIA que sofreu enormes avarias, foi espiado á noite com cabos de arame e viradores de 18 polegadas, um dos quais apenas tinha resistido, quando antes da meia-noite foram revistas as amarrações, e mesmo assim, não obstante ter os seus porões inundados, e o mar já não estar tão encapelado, o INGRIA cerca da meia-noite deslocando-se ao sabor das ondas, afastou-se mais de 30 metros do cais.

Durante o vendaval da manhã afundaram-se ou encalharam as traineiras SÃO JORGE, SÃO PEDRO e ALENTEJANO, assim como arrastão Belga INDEPENDENCE, da praça de Ostende, que devido ao mau tempo procurara abrigo no porto de Leixões, encalhara junto da praia do Pescado, sendo as respectivas tripulações salvas pelo salva-vidas CARVALHO ARAÚJO, embarcação esta que prestou os mais relevantes serviços num trabalho incessante desde as primeiras horas da madrugada até ao inicio da noite de ontem, se bem que cerca das 18h00 sofrera uma importante avaria, ficando impossibilitado de prestar mais socorros enquanto a mesma não fosse reparada, e como se trata de enrodilhamento de cabos na hélice, terá de ser executada com o auxilio de um mergulhador, que não será possível levar a cabo enquanto o mau tempo prevalecer. A sua tripulação era composta pelo patrão António Crista e o motorista Aristides Muleta da Silva, que evidenciaram grande sangue-frio nos salvamentos heroicamente realizados.
Ao principio da noite naufragaram mais embarcações, junto do molhe Sul, que foram as traineiras ALIANÇA, SANTA CRUZ, NUN' ALVARES PEREIRA, SANTO ANTONIO DO MONTE, RIO DOURO e MERI, e ainda o vapor de pesca do Cabo Branco ALTAIR, este da praça de Lisboa.

Devido ainda à forte agitação das águas dentro do porto e ao vento violentíssimo perderam as amarras o navio-motor Inglês ASHANTI, que transportava carvão, e os vapores Portugueses SILVA GOUVEIA e ALFERRAREDE, da Sociedade Geral, de Lisboa, e ainda o petroleiro PENTEOLA, propriedade da Companhia Shell, de Lisboa.
O ASHANTI que conservava a tripulação a bordo até á tarde, oferecia por vezes grave risco para a segurança dos outros navios por ir de garra por diversas vezes, sendo-lhe prestado auxilio pelo rebocador MARS 2º, contudo ao escurecer rebentaram-se-lhe as amarras e foi ao sabor das ondas, acabando por encalhar.
Ao princípio da noite um pedido SOS de bordo de um vapor de nacionalidade Holandesa, que deu os sinais de código P.F.E.N., e informava encontrar-se próximo das Berlengas em critica situação. Pouco tempo depois deixava de emitir os pedidos de socorro, o que pode fazer supor que naufragara, consoante a opinião dos homens do mar, dos mais calejados.
Devido ao violento embate do INGRIA contra o cais Oeste do porto de Serviço, este fendeu na extensão de 80 metros, ameaçando ruir. Aquele navio que ficou com roda de proa torcida, sofreu ainda um rombo de mais de 3 metros.
E o mau tempo continuava. Cerca das 13h00 passou ao largo de Leixões um novo furacão, que ainda se fez sentir com certa violência. Nessa ocasião desabou uma fortíssima saraivada, caindo pedras de grande tamanho, que originaram uma enorme quantidade de vidros partidos.
Durante a noite as traineiras, que ainda tinham tripulações a bordo, pediam insistentemente socorro acendendo fogachos no convés e fazendo ouvir as suas sirenes.
O vapor SILVA GOUVEIA cerca das 17h00 informava para terra, possuir apenas carvão bastante para manter as caldeiras acesas até às 18h00, acabando por ser abastecido com 3 toneladas pelo salva-vidas CARVALHO ARAUJO.

No torreão do castelo de Leça, torre de vigia Corporação de Pilotos, o sota-piloto-mor e os seus subalternos estavam atentos à situação, e na capitania, o Comandante Rodrigues Coelho deu logo todas as ordens prioritárias e o Senhor Conde de Vilas Boas, Comandante Adjunto, deixou imediatamente a sua residência na Avenida da Boavista, a fim de se inteirar da situação. Não faltava o mais modesto funcionário, pois o momento era de sério perigo. Encapelara-se o mar. A gerbes pirotécnicas em branco cegavam, confundiam-se com o céu.
A tragédia começou logo à 07h45, dia enublado e ameaçador de borrasca, com o iate CISNE, carregado de sal. A água sorveu-o num volver de olhos. Centenas de contos perdidos em poucos segundos. A seguir foi o iate HARMONIA LIGEIRO, com carga completa de cimento ensacado. Já em Leixões a população clamava por socorro para os náufragos, e os Bombeiros Voluntários de Matosinhos – Leça e os Voluntários de Leixões, foram dos primeiros a comparecer na sua força máxima.
Meia hora mais tarde o INGRIA, sob a orientação do piloto Alfredo Pereira Franco, um experimentado prático nato, embarcado desde véspera, cumprindo ordens de terra, e olhando ao porte do seu navio, assistido pelo rebocador MARS 2º manobrava para abandonar o porto, e fazer-se ao largo, como em tantas outras ocasiões de borrasca, com outros navios, assim procedera, só que por infelicidade as amarras do lugre HORISONTE pegaram-se nos hélices, ficando o INGRIA sem se poder movimentar pelos seus próprios meios, pelo que foi de garra, indo embater com a fragata MINA, que de imediato submergiu. O INGRIA seguindo o seu triste calvário acabou por ir embater com o cais Oeste do porto de serviço, derrubando-o e sofrendo graves avarias à proa e à popa.
A manhã começara com o INGRIA, e quase simultaneamente desaparece o lugre HORISONTE. A carga de cimento, não se sabe se por efeito de explosão da máquina ou por qualquer combustão incendiou-se, desconhecendo o perigo, o pessoal deixou-se ficar por perto. Muitos olhos ficaram inflamados pelo que muitos dos atingidos deslocaram ao Hospital de Matosinhos. O conhecido jornalista Daniel Felgueiras também foi vitima dos rolos negros do querosene. Os Voluntários de Matosinhos – Leça, duma dedicação que não é demais exaltar, cuidaram dele e de muitos outros atingidos desveladamente.

Na refrega, também garrara e acabara por encalhar junto à foz do rio Leça, a fragata TÂMEGA, gémea da MONDEGO e pertença do mesmo armador.

O pescador ALTAIR, pelas 18h00, estando a debater-se com a borrasca e mar, hélice avariada, amarras rebentadas, acaba por ir sem governo, encalhando, ao sul, na praia do Senhor do Padrão, sendo toda a tripulação e o piloto António Duarte resgatados pelo salva-vidas CARVALHO ARAÚJO.

Durante toda tragédia encontravam-se no porto de Leixões os seguintes navios, uns para operações comerciais, outros arribados do mau tempo:
Portugueses – vapor ALFERRAREDE, piloto Júlio Pinto de Carvalho; vapor SILVA GOUVEIA, Joaquim Alves Matias; petroleiro PENTEOLA, João Pinto de Carvalho; vapor de pesca MACHADO, Aristides Pereira Ramalheira; vapor de pesca ALTAIR, António Duarte; n/m NEREIDA, Francisco Campos Evangelista; lugre motor HORISONTE, sem piloto; lugre HARMONIA LIGEIRO, sem piloto; iate CISNE, sem piloto; fragatas TAMEGA, MONDEGO, MINA, VENUS e SENHORA DO PILAR, sem piloto; quebra-rocha Francês SYKORNE, sem piloto; n/m Alemão OLBERS, ?? ; Ingleses – n/m LOANDA, José Fernandes Tato; n/m ASHANTI, ?? ; vapor Finlandês EVA, Mário Francisco da Madalena; Noruegueses – GRANA, Bento da Costa; INGRIA, Alfredo Pereira Franco.
A maior parte das embarcações naufragadas foram postas a flutuar tempos depois.

O temporal fez grandes estragos por toda a costa, e o rio Douro levava uma grande cheia. A escala da Régua marcava 14 metros acima do nível das águas.
No porto comercial do Douro, os pilotos e seu pessoal andavam em grande azáfama, reforçando as amarras dos navios ali surtos, que eram os seguintes:
Vapores Portugueses SECIL e OUREM, vapores de pesca FAFE e ESTRELA DO MAR, canhoneira NRP ZAIRE; vapores Alemães SIRIUS e AQUILES e o Checoslovaco PETER, e ainda alguns lugres bacalhoeiros.
Sob as ordens do piloto Manuel de Oliveira Alegre, que fazia as vezes de cabo-piloto, os seus colegas Eurico Pereira Franco, José Jeremias dos Santos, José Fernandes Amaro Júnior, Francisco Piedade, Aires Pereira Franco, Francisco Soares de Melo, Joel da Cunha Monteiro e o praticante António Natalino Cordeiro.
O piloto Joel da Cunha Monteiro foi para bordo da canhoneira NRP ZAIRE amarrada no Quadro do Navios de Guerra, em Massarelos, onde permaneceu três dias.

INGRIA-120m/ 4.366tb/ 11,5 nós, construído pelo estaleiro Burmeister & Wain's Maskin – og Skibsbyggeri A/S, Copenhaga, para o armador A/S Inger, gestor Jacob Kjode A/S, Bergen, tendo sido entregue em 08/1931. Navio-motor de linhas bastante avançadas para a sua época, gémeo do CYPRIA, que resistiu à guerra.
Em plena guerra, 24/02/1943, o INGRIA, inserido num comboio naval ON-166, efectuava a viagem do porto de Loch Ewe, Hull, para Nova Iorque em lastro, quando pelas 05h15 foi torpedeado pelo submarino Alemão U600, entre o porão nº 4 e a casa da máquina, a estibordo. De imediato, toda a tripulação abandonou o navio nas lanchas salva-vidas, fazendo-se ao largo e logo a seguir foi o INGRIA, que teimosamente não submergia, atingido por novo torpedo, desta vez lançado pelo submarino U628, tendo acabado por se afundar nas coordenadas 45.12N-39.17W, mais tarde, todos os 37 sobreviventes, incluindo o cozinheiro e o despenseiro, ambos de nacionalidade Portuguesa, foram recolhidos pela corveta canadiana HMCS ROSTHERN (K169) e levados para o porto de S. João da Terra Nova. Daquele comboio foram afundados mais sete navios.
O CYPRIA, do armador A/S D/S Hassel, gestores A/S Rederiet Odfjell, Bergen, gémeo do INGRIA, também usual visitante do porto de Leixões resistiu ao conflito mundial, navegando por todo o mundo e apesar de atacado e atingido por submarinos inimigos, sempre lhes conseguiu escapar. Terminada a guerra retomou o serviço Marselha/Nova Iorque da Fabre Line, Marselha, com escala pelos portos de Lisboa e Leixões, juntamente com o navio-motor Norueguês ESTRELLA, também este resistente ao ataque dos submarinos Germânicos. Todos aqueles três navios Noruegueses estavam fretados sob contrato "Long Time Charter" ao armador Cyprien Fabre (Fabre Line), Marselha.


Fotos dos efeitos funestos do ciclone / jornal O Comércio do Porto /.


 
Em cima: A fragata TÂMEGA encalhada junto à foz do rio Leça, onde se vislumbra já a construção da futura doca nº 1. Em baixo: uma traineira compltamete destruida. / jornal O Comercio do Porto /. 
 
O arrastão Belga INDÉPENDENCE encalhado junto da rampa do pescado, Matosimhos / jornal O Comércio do Porto /.
 
 O INGRIA entre o cais oeste do porto de Serviço e o molhe Norte / jornal O Comércio do Porto /.


Uma traineira afundada junto às escadaria do cais do Marégrafo / jornal O Comércio do Porto /.


 
 
Duas imagens do ASHANTI já encalhado / imagem de cima - colecção H. Ventura, Matosinhos; imagem debaixo - jornal O Comércio do Porto /.

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, Jornal "O Comercio do Porto", Lloyd´s Register of Shipping, UBoat-Net, Norwegian Merchant Fleet 1939 – 1945.
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on this Blog, which will be very much appreciated.