sexta-feira, 2 de setembro de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 192

O "RMS ORDUNA" - PAQUETE INGLÊS DA MALA REAL DO PACIFICO VEIO A LEIXÕES DESEMBARCAR PASSAGEIROS DESTINADOS A VIGO


 
Cartão postal da PSNCo.

A 22/07/1936, pelas 21h00, fundeou por fora do porto de Leixões, devido ao seu excessivo porte, o paquete Inglês ORDUNA, a fim de desembarcar 31 passageiros, o que deveria ter sido realizado no porto de Vigo, tendo sido impedidos de o fazer devido à situação de guerra civil, que se desenrolava em Espanha. Aquele paquete, que procedia de Liverpool, após o desembarque dos passageiros, suspendeu o ferro a 23, pelas 02h00, rumando a Valparaiso, escalando as ilhas Bermudas e o canal do Panamá.
O ORDUNA, 175m/15.507tb, 2 mastros, 1 chaminé, 3 hélices, 14 nós, 1.120 passageiros acomodados em três classes, foi construído pelo estaleiro Harland & Wolff, de Belfast, por encomenda da Pacific Steam Navigation Co. (Mala Real do Pacifico). Quando do assentamento da quilha foi-lhe dado o nome de ORMEDA, no entanto foi lançado ao mar em 02/10/1913 ostentando o nome de ORDUNA. Em 19/02/1914 iniciou a sua viagem inaugural a Valparaiso via Rio de Janeiro e Montevideu e em Outubro do mesmo ano foi fretado pela Cunard Line, Liverpool, para o seu serviço de Liverpool para Nova Iorque, contudo devido à situação de guerra, foi requisitado para o transporte de tropas. A 28/06/1915, a vinte milhas de Smalls, foi perseguido por um submarino Alemão, mas manobrou de maneira a evitar ser atingido pelo ataque. Doze dias mais tarde, a 09/07/1915 falhou um torpedo, quando navegava a 30 milhas a sul de Queenstown, Irlanda. Em Junho de 1918 afundou um submarino Alemão a tiro de metralhadora e em Dezembro do mesmo ano abalroou o vapor Inglês KONAKRY da Elder Dempster Lines, que submergiu ao largo de Galley Head, Irlanda. Em 31/12/1919 foi devolvido ao seu armador, retomando o tráfego Liverpool, Rio de Janeiro, Montevideu e Valparaiso em 01/04/1920. Em 28/05/1921 fretado pela Royal Mail Steam Packet Co. (Mala Real Inglesa), que o comprou em 1923, passou a ligar os portos de Hamburgo, Southampton e Nova Iorque. No Outono de 1922 voltou ao tráfego da costa leste da América do Sul. Reconstruído e convertidas as máquinas para queima de óleos pesados, além da sua capacidade de passageiros ter sido reduzida para 903, regressou à frota do seu primitivo armador. A 07/04/1927 foi colocado na rota de Liverpool para Valparaiso via Rio de Janeiro e Montevideu, linha regular do seu armador. Em 1930 foi transferido para linha Liverpool, Valparaiso via o canal do Panamá e assim permaneceu até 1940. Em Julho daquele ano saiu de Liverpool para Lisboa, a fim de repatriar cidadãos Franceses, após a queda da França e nessa viagem navegou, completamente iluminado durante a noite, sob salvo-conduto internacional. Em Fevereiro de 1941 foi requisitado pelo governo Britânico para o transporte de tropas. Após a libertação de Madagáscar, transportou o governador e o seu séquito, afecto ao governo Francês de Vichy, desde Tamatave até Durban e na sua viagem para Inglaterra levou 500 oficiais e praças da armada de França, que se foram juntar às forças militares da França livre. Quando da queda da Abissínia realizou o transporte da Divisão Oeste Africana de Berbera para Durban e mais tarde, várias viagens, transportou tropas Norte-americanas desde o porto de Oran para o de Nápoles, já na fase final da invasão da Itália. Em Agosto de 1945 foi navio-chefe das forças de invasão para reocupação da Malásia e após a rendição do Japão, transportou 1.700 prisioneiros de guerra de Rangoon para Liverpool e também transportou tropas para as Índias Orientais, Indochina e Japão e em Outubro de 1946 repatriou as últimas tropas Britânicas estacionadas nos territórios Franceses do norte de África. Completou a sua última tarefa de transporte de tropas, rumando de Liverpool para Singapura e regressou em Novembro de 1950. Após 10 anos consecutivos no transporte de tropas, sem grande espaço para reparações ou manutenções e com os seus 36 anos de vida encontrava-se num estado lastimoso para ser utilizado como navio de passageiros. Em 1951, após uma vida de intensa actividade, foi vendido para sucata, tendo chegado ao Dalmuir, Escócia, onde foi desmantelado.

Um dos gémeos RMS ORCOMA e ORBITA fundeado na bacia do porto de Leixões / colecção J. Modesto, Leixões /.


Entre 1904 e 1920 a Pacific Steam Navigation Co. (Mala Real do Pacifico), vindos de Liverpool, La Pallice, Corunha e Vigo, fazia escalar no porto de Leixões os seus paquetes ORCOMA e ORBITA no seu serviço de carga e passageiros para portos da costa leste e oeste da América do Sul via Estreito de Magalhães com escala por Lisboa, Recife, Salvador, Rio de Janeiro, Montevideo, Buenos Aires, Port Stanley, Punta Arenas, Coronel, Talcachuano e Valparaiso e Guayquil. Aqueles paquetes vinham comsignados aos agentes Kendall, Pinto Basto & Cia, Lda, hoje Pinto Basto Navegação SA.
O pai do autor do blogue chegou a possuir uma miniatura de parede do RMS ORBITA e um seu irmão, metalúrgico de profissão, emigrou para o Rio de Janeiro naquele mesmo vapor, embarcando no porto de Leixões.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior, The Ship's List - Ship Description, Sea Breezes e Lloyd's Register of Shipping.
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on this Blog, which will be very much appreciated.





quinta-feira, 1 de setembro de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 191

OS CINCO CONTRA-TORPEDEIROS DA CLASSE "NRP VOUGA" DEMANDARAM A BARRA DO DOURO
 
O NRP DOURO com os caracteres identificadores que usou antes da entrada de Portugal para a OTAN / Imprensa diária /.

Os cinco contra-torpedeiros da classe NRP VOUGA amarrados de braço dado em Massarelos

A 23/06/1936, pelas 15h00, vindos do Tejo, demandaram a barra do Douro os contra-torpedeiros NRP 's LIMA, DOURO, VOUGA, TEJO e DÃO, popularmente conhecidos pelos "Galgos do Mar", que vieream de visita por ocasião das festas da cidade, o São João do Porto, e para a cerimónia de entrega da bandeira nacional oferecida por uma comissão de senhoras desta cidade ao NRP DOURO, marcando presença naquela cerimónia o ministro da Marinha.
Acontecimento pouco vulgar, tanto no histórico da flotilha de contra-torpedeiros da classe NRP VOUGA, como no porto comercial do Douro, em que toda a flotilha constituída pelos cinco contra-torpedeiros estiveram surtos no rio Douro. De inicio aquelas unidades navais de cerca de 100m ff , estiveram amarrados em fila indiana, mas a 24, dia de São João do Porto, foram posicionados de braço dado, para que se realizasse um baile promovido pela dita comissão de senhoras. A 01/07 cruzaram a barra com destino ao porto de Setúbal, após terem sido franqueados a um enorme número de visitantes durante a sua permanência no quadro dos navios de guerra, em Massarelos.
Segundo relato da Revista da Armada num dos seus números, sobre esta classe de navios, foi esta a única ocasião em que toda a flotilha se encontrou reunida fora das instalações da Base Naval de Lisboa, e em que cidade do Porto teve o maior número de navios de guerra, particularmente de algum porte ancorados no seu porto.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior

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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 190

RECORDANDO O NAUFRÁGIO DO VAPOR NORUEGUÊS "INGA I" (1) NA BARRA DO DOURO

 
INGA I (1) / Lillesand Sjomannsforening /.
A 30/03/1936, manhã cedo, o vapor Norueguês INGA l apareceu à vista da barra do Douro. O mar estava um pouco agitado e aquele vapor carvoeiro fundeou ao largo da costa, aguardando a maré e o prático da barra, juntamente com outros seis vapores, que também se destinavam ao rio Douro.
O piloto-mor Francisco Rodrigues Brandão, como o mar na barra, antes da maré, não permitisse a saída da lancha de pilotar P4, ordenou aos pilotos de serviço, que seguissem para Leça da Palmeira, a fim de embarcarem na lancha de pilotar P1 no porto de Leixões, a qual os conduziria para bordo daqueles vapores, que continuavam fundeados ao largo da barra. Os referidos pilotos assim procederam e embarcaram nos respectivos vapores por ordem de escala de serviço e posicionamento dos mesmos. O piloto Francisco Soares de Melo subiu a bordo do INGA l, a fim de dirigir as manobras de entrada da barra e subida do rio até ao seu ancoradouro.
Às 16h35 foi içado nos mastros do cais do Marégrafo e do castelo da Foz o sinal de galhardetes convencional do calado de água dos aludidos vapores, que começaram a aproximar-se da entrada da barra. Depois de terem entrado os vapores Noruegueses DOURO, CRESCO, GRANA e o pequeno petroleiro Português SHELL 15, coube a vez ao INGA l, que começou por fazer o conveniente mas embaraçoso enfiamento ao canal da barra. Entretanto ao aproximar-se da bóia da barra, junto das pedras da Ponta do Dente, e apanhando um estoque de água ou ronhenta originado pelas águas de cheia de cima e alguma ondulação, desgovernou a bombordo e foi embater nessa penedia pelo lado de oeste, acabando por sofrer um rombo. O INGA l, atravessado à vaga, que crescia de momento a momento e à corrente do rio, foi levado por esta até a uma distância de cerca de 400 metros para oés-sudoeste do farolim de Felgueiras, sem de nada lhe valerem os dois ferros lançados à água, acabando por se deter encalhado num banco de areia submerso, formado por uma anterior cheia, um pouco a norte do local onde sete anos antes, tragicamente naufragara o vapor Alemão DEISTER.
A tripulação do INGA l, vendo a situação critica em que se encontrava, tratou de preparar as baleeiras salva-vidas, ao mesmo tempo que se munia dos coletes de salvamento. Enquanto se desenrolava toda esta actividade com visível nervosismo, o piloto Francisco Soares de Melo pedia socorro por meio de toques lúgubres da sirene de bordo, originando grande alarme, pelo que correu célere a noticia pela cidade do Porto e arrabaldes, tendo acorrido para a Foz do Douro, de todos os pontos, milhares de curiosos alarmados, servindo-se de todos os meios de transporte. Ao longo dos cais e do areal do Cabedelo, a multidão cheia de inquietação e ansiedade, tomava as suas posições, a fim de assistir aos trabalhos de salvamento dos náufragos do vapor sinistrado.
 
A imagem mostra o Inga I encalhado, a sua tripulação no pátio do Hotel Boa Vista, Foz do Douro, e a lancha salva-vidas Carvalho Araújo entrando a barra, já com os náufragos a bordo. /(c) Gravura de noticia do diário O Comércio do Porto de 01-04-1936/.

Para a barra seguiram a lancha de pilotar P4 e os rebocadores MARS 2º, VOUGA 1º, TRITÃO, NEIVA e LUSITÂNIA. Aproximaram-se, também as lanchas salva-vidas a remos da Foz e da Afurada, que chegaram a dirigir-se para as imediações do naufrágio, sem qualquer sucesso. Momentos depois saíram do porto de Leixões, a toda a velocidade, o salva-vidas motor CARVALHO ARAÚJO e a lancha de pilotar P1 daquele porto. Por terra compareceram as corporações dos bombeiros voluntários do Porto, Portuenses, Matosinhos e Leça, Leixões e ainda o Batalhão de Sapadores Bombeiros, todas elas com o seu pessoal e o material de socorros a náufragos.
O momento era impressionante, havia em toda a multidão uma emoção profunda, que se justificava plenamente, atendendo à tragédia do DEISTER, que se desenrolara um pouco a sul do baixio onde o vapor INGA l se encontrava encalhado e na mais critica situação. Os Bombeiros Voluntários do Porto sob o comando do capitão Miranda, instalados no molhe de Felgueiras, prepararam um foguetão, que lançaram pelas 18h10 em direcção ao vapor, a fim de se estabelecer um cabo de vaivém no sentido de resgatar a sua tripulação, o qual não conseguiu atingir o alvo devido à grande distância a percorrer.
A sirene de bordo continuava a fazer-se ouvir, denunciando a gravidade da situação e de bordo os tripulantes vendo, que o foguetão não atingira o seu vapor e que as embarcações de resgate não se podiam aproximar, lançaram por meio de uma pipa uma espia ao mar, com o intuito de ser recolhida por qualquer das embarcações, que pairavam por perto e que a levaria aos bombeiros em terra. Não conseguiram, porém o seu intento, pois a corrente das águas fizera mudar de direcção a referida pipa, para lugar onde não poderia ser recolhida. A situação começou-se a tornar demasiado aflitiva e para mais com o aproximar da noite.
O salva-vidas motor CARVALHO ARAÚJO tripulado pelos bravos homens do mar António Rodrigues Crista, patrão; Aristides Molêta da Silva, motorista; Jaime Serafim Bessa, António Francisco da Silva e Ricardo Rodrigues da Costa, marinheiros, começou por fazer algumas evoluções de aproximação ao vapor, procurando manobrar no sentido de o poder abordar mas em vão, acabando por se colocar em segurança, contudo não desistindo.
A multidão silenciosa, fixa os seus olhos no pequeno barco, que em plenas vagas de mar, teimosamente luta para atingir o vapor INGA l. Há momentos parecendo submergir mas em breve endireita-se, como triunfante numa luta titânica e na ocasião certa investe contra a maresia, por terra do vapor que estava posicionado de proa a sul, portanto atravessado à barra e à ondulação, que o envolve de borda a borda e consegue atracar por bombordo. Pelos milhares de espectadores passou uma sensação de alívio e de singular admiração pelos bravos e indómitos homens do salva-vidas CARVALHO ARAÚJO.
Havia, porém, outra grande dificuldade a vencer. A situação do salva-vidas ainda não se encontrava, completamente resolvida, porque estava atracado ao vapor naufragado, recolhendo os náufragos e as vagas eram bastante alterosas, ocasionando por vezes correrem ao longo do costado de bombordo, elevando aquela embarcação no seu cume. O patrão António Rodrigues Crista, firme ao leme, logo após ter resgatado toda a tripulação e o piloto da barra, faz-se à barra riscando, perigosamente nos enormes vagalhões que o elevam no ar para de pronto desaparecer no vau dos mesmos e logo a seguir reaparecer. Vagalhões, que lhe criam bastante perigo, contudo desta vez não o conseguem fazer naufragar, como aquando do trágico encalhe do GAUSS.
Ao entrar a barra, triunfante da sua luta com os elementos, que desta vez não o conseguiram derrotar, a multidão emocionada, acenava milhares de lenços e batia palmas de contentamento e de admiração pelos bravos marítimos. Foi um espectáculo empolgante e grandioso. Os tripulantes do salva-vidas CARVALHO ARAÚJO olhavam a multidão com aquela simplicidade e rudeza, que lhes são peculiares. Para eles foi, somente um serviço feito com certa felicidade, o qual lhes dera imensa satisfação por terem podido salvar aquelas dezassete vidas, seus companheiros das ríspidas artes marinheiras.
Aquela lancha salva-vidas, sempre ovacionada pela multidão em terra, foi atracar às escadas dos pilotos, no cais do Marégrafo, onde já se encontravam José Gomes de Almeida e o seu sócio Carlos Gonçalves Guimarães da firma Almeida & Guimarães, Lda. da rua do Infante D. Henrique, l5, na cidade do Porto, à qual vinha consignado o vapor sinistrado e a respectiva carga de carvão. Desembarcaram ali os náufragos, alguns dos quais traziam sacos com as suas roupas, outros nada traziam, porque não tiveram tempo de salvar os seus haveres. O último a saltar para terra foi o capitão do INGA l, Cdt. Georges Bugge, embora um pouco extenuado, teve palavras de exaltação e simpatia para a tripulação do salva-vidas, a quem acentuou que todos os seus subordinados e o piloto local, lhe deviam a vida. Entretanto, apareceu junto das escadas uma camioneta da P.S.P., que transportou os tripulantes do INGA l para o hotel da Boavista, situado junto do castelo da Foz, onde ficaram hospedados, aguardando a evolução dos acontecimentos. Os tripulantes do salva-vidas CARVALHO ARAÚJO, acompanhados pelo seu arrojado patrão António Crista, dirigiram-se para a Capitania do porto de Leixões, a fim de se apresentarem ao capitão do porto, para prestarem conta dos acontecimentos. A notícia do salvamento dos tripulantes e do piloto da barra, espalhada pelos cartazes do jornal “O Comércio do Porto” causou na população a mais agradável sensação.
No hotel da Boavista, à esplanada do Castelo, a tripulação do vapor INGA l, através do imediato Strandberg, um rapaz alto e robusto, cheio de vida e de bom humor, que acolhera com um sorriso franco o repórter daquele jornal, relatara que toda a tripulação estava satisfeita com os socorros rápidos, que lhes tinham sido prestados, pelo que jamais deixariam de o esquecer, o que os destemidos tripulantes do salva-vidas CARVALHO ARAÚJO fizeram por eles. A sua bravura impressionara-os profundamente, pois foram uns grandes camaradas. O capitão do vapor, que fora expedir telegramas, ao chegar ao hotel, manifestou também a sua grande admiração pelos bravos homens do salva-vidas.
O vapor INGA l procedia do porto carbonífero de Barry Dock transportando 1.500 toneladas de carvão para o porto comercial do Douro e da respectiva lista de tripulantes, além do capitão e do imediato, acima referidos, constava também o segundo piloto Rorsnes, chefe de máquinas B. Eliassen, segundo maquinista C. Foss e os restantes tripulantes, telegrafista, contra-mestre, marinheiros, fogueiros, cozinheiro e despenseiro, cujos nomes eram F. Isaksen, O. Icvalvik, M. Borge, O. Kristiansen, H. Michaelsen, G. Anderson, N. Lerso, H. Markussen, O. Icleiveland, A. Asse e K. Frisvold, os quais foram visitados pelo cônsul da Noruega no hotel da Boavista, a fim de se inteirar da sua situação.
A 01/06/1936, na sede da Associação Comercial do Porto, ao edifício da Bolsa, os cinco elementos da companha do salva-vidas CARVALHO ARAÚJO foram homenageados e condecorados pelo ministro da Noruega em Portugal, com os diplomas de louvor e sobretudo as medalhas da Acção Generosa, em prata, a qual na frente e em relevo mostrava a figura do Rei Haakon X, da Noruega e no verso o nome de cada um dos condecorados e a data em que praticaram a acção altruísta. Também a Associação Comercial do Porto, pela mão do seu presidente António Calem, concedeu aos quatro tripulantes o subsídio de 300$00 e ao patrão António Crista coube a quantia de 500$00. 
 
Esboço de um mapa da barra do Douro de 22-01-1937, apresentando os enfiamentos e os calados de água permitidos, da autoria do piloto da barra José Fernandes Amaro Júnior para seu próprio uso e no qual se nota o banco de areias estendido desde o Cabeço até à penedia do Bezerro de Fora. Em baixo, à esquerda, estão assinalados os destroços do vapor norueguês Inga I naufragado em 30-03-1936 e que prevaleceram no local poe cerca de um ano.

INGA l (1), Imo 5604378/ 72m/ 1.183tb/ 9,5nós; 07/1918 entregue por Moss Vaerft & Dokk, Moss, a A/S Hellesoes Rederi, gestores T. Hellesoe, Bergen; 04/1919 INGA I, A/S Hellesoes Rederi II, gestores T. Hellesoe, Bergen; 09/1920 INGA I, A/S D/S Inga I, gestores Joahn Eliassen, Bergen.
O vapor INGA I manteve-se encalhado durante bastantes meses, apesar de ter suportado alguns temporais. A 05/11/1936 foi solicitada a sua destruição, a fim de evitar futuras consequências, sobretudo aquela de dificultar o movimento da barra, A 05/05/1937, depois dos trabalhos interrompidos por várias vezes, finalmente foram retomados os trabalhos da sua destruição. Em face da perda do seu vapor, o armador Johan Eliassen adquiriu o antigo vapor norueguês BA, usual frequentador da barra do Douro, que passou a denominar-se INGA I (2), o qual continuou afecto ao tráfego dos portos do Douro e Leixões.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Jornal "O Comércio do Porto"; Lillesand Sjomannsforening; Lloyd´s Register of Shipping.
(continua)
Rui Amaro

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terça-feira, 16 de agosto de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 189

MAIS UMA VEZ A BARRA DO DOURO E O PORTO DE LEIXÕES ENCERRADOS Á NAVEGAÇÃO DEVIDO AO TEMPORAL
 
À esquerda vê-se o IRENE DORATY, e à direita em cima está o PÊRO DE ALENQUER, e finalmente em baixo aparece o WALTER LEONHARDT já posicionado no meio do rio.

A 17/02/1936, voltou o temporal. A barra do Douro e o porto de Leixões estiveram encerrados à navegação, devido à forte agitação maritima e corrente de águas do monte. O rio apresentava-se com bastante água com tendência a aumentar o seu nível, sendo tomadas as necessárias precauções para precaver a eventualidade de uma nova cheia.
Os pilotos da barra, coadjuvados pelo seu pessoal assalariado, andavam pelas margens a reforçar as amarrações dos muitos navios surtos no rio Douro. No porto de Leixões, motivado pelo temporal, garraram alguns vapores fundeados na bacia, dos quais se destacavam o Alemão ATTIKA, Português IBO e o Norueguês FAGERSTRAND, que tiveram de procurar ancoradouros mais abrigados. O salva-vidas CARVALHO ARAÚJO passou todo o dia a recolher as tripulações das várias embarcações em perigo, sobretudo laitas e traineiras, que a cada momento pediam socorro. Todos os vapores fundeados na bacia mantinham-se de fogo aceso e com pilotos da barra a bordo para acorrer a qualquer emergência.
A 19/02/1936, devido ao crescimento das águas de cheia no rio Douro, que iam com uma forte corrente descontrolada, os cabos que sustinham o WALTER LEONHARDT, fortemente amarrado no lugar do cais das Pedras, rebentaram e aquele vapor foi parar ao meio do rio, onde se deteve. Ao cabo de algum tempo começou a descair para o lado sul e a sua tripulação orientada pelo piloto Manuel de Oliveira Alegre, fê-lo encostar um pouco mais próximo da margem esquerda e amarrá-lo no lugar da Arrozeira, onde permaneceu a salvo.
No lugar do cais do Monchique encontrava-se o vapor Português PERO DE ALENQUER, que com o crescer das águas descaiu sobre a margem, nada lhe valendo as amarras reforçadas, causando danos num pião de barcas, e o palhabote a motor Português IRENE DORATY amarrado junto da lingueta do cais das Pedras/Paixão, Massarelos, garrou ficando encostado à margem.
No mesmo dia a situação começou a degradar-se, devido à impetuosidade da corrente, pelo que o serviço das autoridades responsáveis redobraram, procurando-se fazer face a qualquer perigo eventual e como tal algumas tripulações abandonaram as suas embarcações, entre as quais a do WALTER LEONHARDT, que vieram para terra pelo cabo de vaivém, incluindo o piloto da barra. Os navios surtos no rio Douro encontravam-se intensamente iluminados, incidindo ainda sobre os mesmos a luz forte de alguns projectores colocados à distância pelas várias corporações de bombeiros. Os pilotos da barra e o seu pessoal continuavam a tarefa de vigiar e reforçar os navios durante a madrugada, esta ou aquela amarração, que parecia ceder à forte corrente.
O vapor Estoniano MARTA amarrado no lugar do Gás, ao Ouro, devido a ter-se partido alguns cabos de proa garrou, indo embater contra a traineira BOA ESPERANÇA, que sofreu algumas avarias e ficou com a popa sobre alguns lugres, ali ancorados.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior
Imagens: Jornal "O Comercio do Porto".
(cotinua)
Rui Amaro

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BAVAPRRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 188

O VAPOR ALEMÃO "WALTER LEONHARDT" SOFRE UM INCIDENTE QUANDO SEGUIA RIO ACIMA A CAMINHO DO SEU ANCORADOURO



A 13/02/1936, pelas 09h00, quando o vapor Alemão WALTER LEONHARDT, piloto Manuel de Oliveira Alegre, depois de ter demandado a barra do Douro, seguia a caminho do seu ancoradouro, ao passar diante da lingueta do Bicalho, devido a um forte estoque de água, formado pela corrente de águas de cheia, fê-lo ir de guinada para bombordo embater com o vapor português SECIL, ali amarrado na descarga de cimento ensacado e correndo o risco de ir encalhar sobre as pedras da margem norte.

  
O SECIL(1) no estuário do Sado, diante do Outão, década de 30 / foto da Secil - colecção F. Cabbral, Porto /.

Acorreram os rebocadores VOUGA 1º, AGUILA e DEODATO, que passaram cabos de reboque àquele vapor, conduzindo-o de popa para jusante até atingirem o ancoradouro do Gás, ao Ouro, ficando aí amarrado a aguardar melhores condições de navegabilidade, a fim de seguir para o ancoradouro dos Vanzelleres, o qual lhe era destinado.
Este incidente, que devido às circunstâncias do local poderia ter sido de consequências mais graves, fez juntar muitos curiosos, que à sua maneira comentavam o sucedido e davam sugestões para se retirar o WALTER LEONHARDT da sua posição critica, o qual transportava carvão e pertencia ao armador Leonhardt & Blumberg, Hamburgo.
WALTER LEONHARDT - Imo 5602231/ 80m/ 1.305tb/ 9 nós/ 04/1904 entregue por Neptun Werft AG, Rostock, como GUSTAV BOLDT, a August Cords, Rostock; 1916 HANS CORDS, August Cords, Rostock; 1918 CHRISTEN SALLING, Gustav Salling, Flensburg; 1929 WALTER LEONHARDT, Leonhardt & Blumberg, Hamburg; 1936 NORD, Schulte & Bruns, Emden; 1938 Hermann Schulte, Schulte & Bruns, Emden; 23/09/1944 torpedeado e afundado por aeronave Aliada ao largo de Borkum.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior; Miramar Ship Index 
Imagem: Quadro de autor não identificado.

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 187

O ENCALHE DOS VAPORES INGLESES "ESTRELLANO" E "SEAMEW" NO ESTUÁRIO DO DOURO

A posição em que ficaram os vapores sinistrados, após o encalhe: à esquerda o ESTRELLANO e à direita o SEAMEW / jornal O Comércio do Porto /
  
Desde o dia 18/01/1936, que não havia movimento de navegação na barra do Douro, devido à situação de cheia e sobretudo maresia. A 05/02/1936, dia ameaçador de neblina, entre alguns navios, que entravam a barra e outros que iam de saída, estavam os vapores Ingleses SEAMEW e ESTRELLANO com calados de água não superior a 16 pés, que carregados com carga diversa, se destinavam ao porto de Londres.
Eram 13h45, quando ambos os vapores desandaram proa abaixo, iniciando a sua navegação. Primeiro o SEAMEW, piloto Joel da Cunha Monteiro, logo seguido do ESTRELLANO, piloto Mário Francisco da Madalena. Próximo do lugar do Ouro, um dos pontos do rio bastante arenoso e de pouca altura de água, aquele segundo vapor adiantou-se na sua marcha, todavia perdendo o primeiro de vista devido a uma enorme parede de nevoeiro cerrado, que entretanto se formara, impondo por tal motivo o máximo cuidado na navegação mas que desorientou os respectivos pilotos.
De súbito, aqueles vapores, que assinalavam a sua presença com os usuais toques das suas sirenes, estancaram, sem que antes não tivessem deixado de colidir ligeiramente. Ambos estavam encalhados. O SEAMEW a sul do canal, próximo de São Paio da Afurada, aproado a sul e o ESTRELLANO diante do Ouro, aproado a norte.
Supõe-se, dada a posição dos dois vapores, que o motivo do encalhe, aliado ao denso nevoeiro, tivesse sido devido ao grande número de barcaças afundadas pela cheia naquele área, e batendo nelas, os tenham feito desgovernar. Essas barcaças facilitando a concentração de areias, tornavam-se elementos de sério perigo para uma boa navegação.
Dado o alarme, acorreram ao local os pilotos da barra com o seu material flutuante, espiando com ancorotes os dois vapores, a fim de não serem arrastados mais para sul pela forte corrente da cheia na força da vazante, e também compareceram os rebocadores MARS 2º, VOUGA 1º, NEIVA, LUSITÂNIA e o RECORD, que não chegaram a prestar os seus serviços por desnecessários, visto os dois vapores não correrem perigo imediato.
Os respectivos agentes consignatários fizeram seguir para junto daqueles vapores algumas barcaças e pessoal de estiva, para na eventualidade de ser necessário aliviar alguma carga, o que se julga não chegou a ser necessário. No dia seguinte os dois vapores safaram~se pelos seus próprios meios e seguiram viagem, sem mais percalços.

 SEAMEW / Autor desconhecido - Photoship co., UK /.

SEAMEW, 76m/1.332tb, construído em 1915 pelo estaleiro Ailsa Shipbuilding Co.Ltd., Ayr, pertencia à General Steam Navigation Co., Ltd, Londres, tendo sido vendido a Verano Steamship Co., Ltd (F. V. Andlaw), armadores Gibraltinos, que lhe alteraram o nome para CAVEROCK. Em 1947 foi adquirido por Saorstat and Continental Steamship, Dublin, tendo sido registado como CITY OF ANTWERP, e ainda no mesmo ano foi denominado CARRICKMINES, contudo em 1953 foi desmantelado para sucata em Dublin.
ESTRELLANO, 82m/1.983tb, da Ellerman Papayanni Lines Ltd, Liverpool, foi construído pelo estaleiro Hall, Russell & Co., Aberdeen, que como o SEAMEW escalava os portos Portugueses com regularidade, não resistiu à conflagração mundial, tendo sido torpedeado em 02/1941 pelo submarino Alemão U-37 a 160 milhas para Sudoeste do Cabo de S. Vicente, para onde rumou, a fim de se juntar ao comboio naval HG53, quando se encontrava em viagem de Douro/Leixões para Liverpool com um carregamento de 2.000 toneladas de carga diversa, incluindo 1.110 toneladas de conservas de peixe. No seu afundamento, pereceram cinco dos seus vinte e cinco tripulantes, falecendo um outro a bordo do HMS DEPTFORD (L-53), navio salvador. Além do ESTRELLANO foram torpedeados pelo U-37 os vapores da meama nacionalidade COURLAND e BRANDENBURG, que seguiam no mesmo comboio naval.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior, U-boatNet, Photoship.co-UK, Miramar Ship Indez.
(Rui Amaro)

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domingo, 31 de julho de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 186

NOVA CHEIA NO RIO DOURO E SOBRESSALTOS PARA AS POPULAÇÕES RIBEIRINHAS E ACIDENTES COM NAVIOS
 
 
O SILVA GOUVEIA que garrou vendo-se por estibordo o VESTA e pela popa o ALFERRAREDE, e mais a jusante o SEBOU, suportando as águas de cheia do rio Douro   

No dia 20/01/1936, pelas 04h30, a população da beira-rio foi alarmada com os toques de pedido de socorro lançado por algumas embarcações surtas nas ribeiras do Porto e Gaia. Aconteceu, que o vapor Inglês ESTRELLANO amarrado no lugar do Jones, margem de Gaia, bastante exposto à forte corrente, acabou por arrancar os peorízes, que lhe prendiam os grossos cabos da amarração e levado pela corrente, sempre com os ferros de proa e o ancorote de popa no fundo, atravessou o rio e foi abalroar o vapor da mesma bandeira BACKWORTH, que estava amarrado junto do cais do Terreiro, com um carregamento de bacalhau. O pânico foi grande, porque entre aquele vapor e o cais haviam muitas barcaças carregadas e atracados encontravam-se os rebocadores RECORD, AGUILA e MARIAZINHA, que correram perigo de serem despedaçados e afundados, tendo sido impelidos contra a muralha. A presença dos responsáveis da capitania e as corporações de bombeiros não se fizeram esperar e os pilotos da barra trataram de regularizar a situação. Às 08h00, a fim de auxiliar a retirar o ESTRELLANO da crítica situação foi chamado o salvadego Dinamarquês VALKYRIEN, que por um acaso se encontrava surto no rio Douro, pegando à proa e arriando-o para jusante ao sabor da corrente, mais propriamente para o lugar do cais do Cavaco, ancoradouro mais seguro, assim como o rebocador VOUGA 1º pegou no BACKWORTH, levando-o de popa para o lugar de Santo António do Vale da Piedade, o mesmo fazendo em relação aos vapores Dinamarquês VARING e Inglês DARINO, sendo reforçadas as amarrações de todos ao vapores e navios desde as Ribeiras do Porto e Gaia até aos lugares dos cais da Arrozeira e do Ouro.
Na Ribeira do Porto estavam os vapores Portugueses IBO, OUREM, lugre-motor AMIZADE 1º e o iate-motor ALENTEJO 1º, este acabou por soçobrar. Na margem de Gaia encontravam-se amarrados os vapores Ingleses SEAMEW, BRINKBURN, MAUD LLEWLLYN; Noruegueses GALATEA e BALDER. No quadro da Alfandega estavam os Alemães VESTA, SEBOU e GUNTHER RUSS; portugueses SILVA GOUVEIA e ALFERRAREDE e o Norueguês AUD.

O ALENTEJO 1º após naufragar, estando por fora o AMIZADE 1º, uma fragata e mais a jusante o IBO. Na margem de Gaia, distingue-se o BRINKBURN.
 
O SILVA GOUVEIA, que estava amarrado por terra do VESTA, garrou e foi sobre este, valendo-lhe os ferros do ALFERRAREDE, amarrado pela sua popa, que o aguentaram. Na prancha do Peixe, a Massarelos, viam-se os pescadores ALBATROZ, MACHADO e CABO DE SÃO VICENTE. e pela popa estavam alguns lugres bacalhoeiros. Desde o lugar de Santo António do Vale da Piedade até à lingueta do Lugan, encontravam-se os vapores Portugueses MIRA TERRA e CORTE REAL; Dinamarqueses ENERGI e VARING; Ingleses BACKWORTH, ESTRELLANO e DARINO.
O iate-motor ALENTEJO 1º teve no seu longo “curriculum” quatro afundamentos. Como ALENTEJO na cheia do rio Douro de 1936, alguns anos mais tarde afundou-se na ria de Aveiro. Após a guerra de 1939/45 foi adquirido por um armador do Porto, que o registou como TEÓFILO e devido a cheias do rio Douro, afundou-se por duas vezes, uma no cais do Terreiro e outra no lugar de Massarelos e na cheia de 1961/62 não resistindo à forte corrente foi barra fora, tendo sido resgatado ao largo da costa, completamente desalvorado, tendo sido levado para o porto de Leixões.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior
Imagens: imprensa diária
(continua)
Rui Amaro

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