quinta-feira, 4 de agosto de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BAVAPRRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 188

O VAPOR ALEMÃO "WALTER LEONHARDT" SOFRE UM INCIDENTE QUANDO SEGUIA RIO ACIMA A CAMINHO DO SEU ANCORADOURO



A 13/02/1936, pelas 09h00, quando o vapor Alemão WALTER LEONHARDT, piloto Manuel de Oliveira Alegre, depois de ter demandado a barra do Douro, seguia a caminho do seu ancoradouro, ao passar diante da lingueta do Bicalho, devido a um forte estoque de água, formado pela corrente de águas de cheia, fê-lo ir de guinada para bombordo embater com o vapor português SECIL, ali amarrado na descarga de cimento ensacado e correndo o risco de ir encalhar sobre as pedras da margem norte.

  
O SECIL(1) no estuário do Sado, diante do Outão, década de 30 / foto da Secil - colecção F. Cabbral, Porto /.

Acorreram os rebocadores VOUGA 1º, AGUILA e DEODATO, que passaram cabos de reboque àquele vapor, conduzindo-o de popa para jusante até atingirem o ancoradouro do Gás, ao Ouro, ficando aí amarrado a aguardar melhores condições de navegabilidade, a fim de seguir para o ancoradouro dos Vanzelleres, o qual lhe era destinado.
Este incidente, que devido às circunstâncias do local poderia ter sido de consequências mais graves, fez juntar muitos curiosos, que à sua maneira comentavam o sucedido e davam sugestões para se retirar o WALTER LEONHARDT da sua posição critica, o qual transportava carvão e pertencia ao armador Leonhardt & Blumberg, Hamburgo.
WALTER LEONHARDT - Imo 5602231/ 80m/ 1.305tb/ 9 nós/ 04/1904 entregue por Neptun Werft AG, Rostock, como GUSTAV BOLDT, a August Cords, Rostock; 1916 HANS CORDS, August Cords, Rostock; 1918 CHRISTEN SALLING, Gustav Salling, Flensburg; 1929 WALTER LEONHARDT, Leonhardt & Blumberg, Hamburg; 1936 NORD, Schulte & Bruns, Emden; 1938 Hermann Schulte, Schulte & Bruns, Emden; 23/09/1944 torpedeado e afundado por aeronave Aliada ao largo de Borkum.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior; Miramar Ship Index 
Imagem: Quadro de autor não identificado.

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
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terça-feira, 2 de agosto de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 187

O ENCALHE DOS VAPORES INGLESES "ESTRELLANO" E "SEAMEW" NO ESTUÁRIO DO DOURO

A posição em que ficaram os vapores sinistrados, após o encalhe: à esquerda o ESTRELLANO e à direita o SEAMEW / jornal O Comércio do Porto /
  
Desde o dia 18/01/1936, que não havia movimento de navegação na barra do Douro, devido à situação de cheia e sobretudo maresia. A 05/02/1936, dia ameaçador de neblina, entre alguns navios, que entravam a barra e outros que iam de saída, estavam os vapores Ingleses SEAMEW e ESTRELLANO com calados de água não superior a 16 pés, que carregados com carga diversa, se destinavam ao porto de Londres.
Eram 13h45, quando ambos os vapores desandaram proa abaixo, iniciando a sua navegação. Primeiro o SEAMEW, piloto Joel da Cunha Monteiro, logo seguido do ESTRELLANO, piloto Mário Francisco da Madalena. Próximo do lugar do Ouro, um dos pontos do rio bastante arenoso e de pouca altura de água, aquele segundo vapor adiantou-se na sua marcha, todavia perdendo o primeiro de vista devido a uma enorme parede de nevoeiro cerrado, que entretanto se formara, impondo por tal motivo o máximo cuidado na navegação mas que desorientou os respectivos pilotos.
De súbito, aqueles vapores, que assinalavam a sua presença com os usuais toques das suas sirenes, estancaram, sem que antes não tivessem deixado de colidir ligeiramente. Ambos estavam encalhados. O SEAMEW a sul do canal, próximo de São Paio da Afurada, aproado a sul e o ESTRELLANO diante do Ouro, aproado a norte.
Supõe-se, dada a posição dos dois vapores, que o motivo do encalhe, aliado ao denso nevoeiro, tivesse sido devido ao grande número de barcaças afundadas pela cheia naquele área, e batendo nelas, os tenham feito desgovernar. Essas barcaças facilitando a concentração de areias, tornavam-se elementos de sério perigo para uma boa navegação.
Dado o alarme, acorreram ao local os pilotos da barra com o seu material flutuante, espiando com ancorotes os dois vapores, a fim de não serem arrastados mais para sul pela forte corrente da cheia na força da vazante, e também compareceram os rebocadores MARS 2º, VOUGA 1º, NEIVA, LUSITÂNIA e o RECORD, que não chegaram a prestar os seus serviços por desnecessários, visto os dois vapores não correrem perigo imediato.
Os respectivos agentes consignatários fizeram seguir para junto daqueles vapores algumas barcaças e pessoal de estiva, para na eventualidade de ser necessário aliviar alguma carga, o que se julga não chegou a ser necessário. No dia seguinte os dois vapores safaram~se pelos seus próprios meios e seguiram viagem, sem mais percalços.

 SEAMEW / Autor desconhecido - Photoship co., UK /.

SEAMEW, 76m/1.332tb, construído em 1915 pelo estaleiro Ailsa Shipbuilding Co.Ltd., Ayr, pertencia à General Steam Navigation Co., Ltd, Londres, tendo sido vendido a Verano Steamship Co., Ltd (F. V. Andlaw), armadores Gibraltinos, que lhe alteraram o nome para CAVEROCK. Em 1947 foi adquirido por Saorstat and Continental Steamship, Dublin, tendo sido registado como CITY OF ANTWERP, e ainda no mesmo ano foi denominado CARRICKMINES, contudo em 1953 foi desmantelado para sucata em Dublin.
ESTRELLANO, 82m/1.983tb, da Ellerman Papayanni Lines Ltd, Liverpool, foi construído pelo estaleiro Hall, Russell & Co., Aberdeen, que como o SEAMEW escalava os portos Portugueses com regularidade, não resistiu à conflagração mundial, tendo sido torpedeado em 02/1941 pelo submarino Alemão U-37 a 160 milhas para Sudoeste do Cabo de S. Vicente, para onde rumou, a fim de se juntar ao comboio naval HG53, quando se encontrava em viagem de Douro/Leixões para Liverpool com um carregamento de 2.000 toneladas de carga diversa, incluindo 1.110 toneladas de conservas de peixe. No seu afundamento, pereceram cinco dos seus vinte e cinco tripulantes, falecendo um outro a bordo do HMS DEPTFORD (L-53), navio salvador. Além do ESTRELLANO foram torpedeados pelo U-37 os vapores da meama nacionalidade COURLAND e BRANDENBURG, que seguiam no mesmo comboio naval.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior, U-boatNet, Photoship.co-UK, Miramar Ship Indez.
(Rui Amaro)

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domingo, 31 de julho de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 186

NOVA CHEIA NO RIO DOURO E SOBRESSALTOS PARA AS POPULAÇÕES RIBEIRINHAS E ACIDENTES COM NAVIOS
 
 
O SILVA GOUVEIA que garrou vendo-se por estibordo o VESTA e pela popa o ALFERRAREDE, e mais a jusante o SEBOU, suportando as águas de cheia do rio Douro   

No dia 20/01/1936, pelas 04h30, a população da beira-rio foi alarmada com os toques de pedido de socorro lançado por algumas embarcações surtas nas ribeiras do Porto e Gaia. Aconteceu, que o vapor Inglês ESTRELLANO amarrado no lugar do Jones, margem de Gaia, bastante exposto à forte corrente, acabou por arrancar os peorízes, que lhe prendiam os grossos cabos da amarração e levado pela corrente, sempre com os ferros de proa e o ancorote de popa no fundo, atravessou o rio e foi abalroar o vapor da mesma bandeira BACKWORTH, que estava amarrado junto do cais do Terreiro, com um carregamento de bacalhau. O pânico foi grande, porque entre aquele vapor e o cais haviam muitas barcaças carregadas e atracados encontravam-se os rebocadores RECORD, AGUILA e MARIAZINHA, que correram perigo de serem despedaçados e afundados, tendo sido impelidos contra a muralha. A presença dos responsáveis da capitania e as corporações de bombeiros não se fizeram esperar e os pilotos da barra trataram de regularizar a situação. Às 08h00, a fim de auxiliar a retirar o ESTRELLANO da crítica situação foi chamado o salvadego Dinamarquês VALKYRIEN, que por um acaso se encontrava surto no rio Douro, pegando à proa e arriando-o para jusante ao sabor da corrente, mais propriamente para o lugar do cais do Cavaco, ancoradouro mais seguro, assim como o rebocador VOUGA 1º pegou no BACKWORTH, levando-o de popa para o lugar de Santo António do Vale da Piedade, o mesmo fazendo em relação aos vapores Dinamarquês VARING e Inglês DARINO, sendo reforçadas as amarrações de todos ao vapores e navios desde as Ribeiras do Porto e Gaia até aos lugares dos cais da Arrozeira e do Ouro.
Na Ribeira do Porto estavam os vapores Portugueses IBO, OUREM, lugre-motor AMIZADE 1º e o iate-motor ALENTEJO 1º, este acabou por soçobrar. Na margem de Gaia encontravam-se amarrados os vapores Ingleses SEAMEW, BRINKBURN, MAUD LLEWLLYN; Noruegueses GALATEA e BALDER. No quadro da Alfandega estavam os Alemães VESTA, SEBOU e GUNTHER RUSS; portugueses SILVA GOUVEIA e ALFERRAREDE e o Norueguês AUD.

O ALENTEJO 1º após naufragar, estando por fora o AMIZADE 1º, uma fragata e mais a jusante o IBO. Na margem de Gaia, distingue-se o BRINKBURN.
 
O SILVA GOUVEIA, que estava amarrado por terra do VESTA, garrou e foi sobre este, valendo-lhe os ferros do ALFERRAREDE, amarrado pela sua popa, que o aguentaram. Na prancha do Peixe, a Massarelos, viam-se os pescadores ALBATROZ, MACHADO e CABO DE SÃO VICENTE. e pela popa estavam alguns lugres bacalhoeiros. Desde o lugar de Santo António do Vale da Piedade até à lingueta do Lugan, encontravam-se os vapores Portugueses MIRA TERRA e CORTE REAL; Dinamarqueses ENERGI e VARING; Ingleses BACKWORTH, ESTRELLANO e DARINO.
O iate-motor ALENTEJO 1º teve no seu longo “curriculum” quatro afundamentos. Como ALENTEJO na cheia do rio Douro de 1936, alguns anos mais tarde afundou-se na ria de Aveiro. Após a guerra de 1939/45 foi adquirido por um armador do Porto, que o registou como TEÓFILO e devido a cheias do rio Douro, afundou-se por duas vezes, uma no cais do Terreiro e outra no lugar de Massarelos e na cheia de 1961/62 não resistindo à forte corrente foi barra fora, tendo sido resgatado ao largo da costa, completamente desalvorado, tendo sido levado para o porto de Leixões.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior
Imagens: imprensa diária
(continua)
Rui Amaro

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domingo, 10 de julho de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 185

BARRA ABERTA Á RESTANTE NAVEGAÇÃO

No dia 08/01/1936, passaram a barra os navios, que o não puderam fazer no primeiro dia de movimento na barra, após a cheia e como tal começou por sair o vapor Norueguês OPHIR, piloto Manuel de Oliveira Alegre. É de salientar o arrojo do seu capitão, que sozinho permaneceu a bordo durante a cheia. Entraram os seguintes navios: vapores Alemães KLIO, piloto Francisco Luís Gonçalves; BELLONA, piloto António Gonçalves dos Reis; STAHLECK, piloto José Fernandes Amaro Júnior; AUGUST SCHULTZ, piloto Pedro Reis da Luz; PORTO, piloto Bento da Costa; ROBERT RUSS, piloto Eurico Pereira Franco; Inglês SEAMEW, piloto João Pinto de Carvalho; OTTERBURN, piloto Aristides Pereira Ramalheira; BACKWORTH, piloto Manuel de Oliveira Alegre; Noruegueses TEJO, piloto Mário Francisco da Madalena; BRAVO 1, piloto Júlio Pinto de Carvalho; Portugueses PERO DE ALENQUER, piloto Elísio da Silva Pereira; VILA FRANCA, piloto Aires Pereira Franco e o lugre Dinamarquês ALBERT, piloto José Fernandes Tato. Por falta de pilotos, ficaram ao largo os vapores Noruegueses AUD e o HAVBRIS; Dinamarquês EMANUEL; Estoniano MINA e o Alemão VESTA, que só puderam entrar no dia 12, devido às condições da barra se terem deteriorado.
No dia 12, passaram a barra os cinco vapores, que permaneciam ancorados ao largo, desde o dia 8, e outros, que entretanto apareceram à vista. Saiu o vapor de pesca Português ESTRELA DO NORTE, piloto Joel da Cunha Monteiro e entraram os seguintes: Noruegueses AUD, piloto Eurico Pereira Franco; GALATEA, piloto Pedro Reis da Luz: BALDER, piloto Francisco Luís Gonçalves; ALA, piloto Manuel de Oliveira Alegre; HAVBRIS, piloto José Fernandes Amaro Júnior; Dinamarqueses ENERGI, piloto João Pinto de Carvalho; EMANUEL, piloto Mário Francisco da Madalena; Portugueses SECIL, piloto Hermínio Gonçalves dos Reis; COSTEIRO, piloto Francisco Soares de Melo; ZÉ MANÉL, piloto Carlos de Sousa Lopes e o lugre ROSITA, piloto José Fernandes Tato; Estoniano MINA, piloto Aristides Pereira Ramalheira; Alemão ACHILES, piloto José Fernandes Amaro Júnior e o lugre Inglês da praça de S. João da Terra Nova BASTIAN, piloto Joel da Cunha Monteiro. Também no dia 12, o rebocador Dinamarquês VALKYRIEN conseguiu safar o vapor Inglês MAUD LLEWELLYN, que se encontrava encalhado no lugar de São Paio da Afurada, devido à cheia, desde o dia 29/12/1935.


 Salvadego Dinamarquês VALKYRIEN / (c) cortesia Museu Marítimo da Dinamarca, Elsinore /.


No dia 13, saíram os vapores Alemães SEVILLA, piloto Francisco Piedade; AJAX, piloto João António da Fonseca e Norueguês TEJO, piloto Mário Francisco da Madalena e fizeram-se à barra os seguintes: Vapores Portugueses CORTE REAL, piloto Aires Pereira Franco; SILVA GOUVEIA, piloto Joel da Cunha Monteiro; vapor de pesca SANTA FÉ, piloto Hermínio Gonçalves dos Reis; iate-motor ALENTEJO 1º, piloto António Gonçalves dos Reis; lugre-motor AMIZADE 1º, piloto António Duarte; vapor Inglês ESTRELLANO, piloto José Fernandes Amaro Júnior e o vapor Norueguês KOMET, piloto Delfim Duarte. Estes navios já seguiram rio acima com alguma dificuldade, porque no rio já se notava mais corrente, devido a haver tendências de nova cheia. Visto a situação começar a deteriorar-se, o piloto-mor Francisco Rodrigues Brandão fez içar nos dois mastros da barra, o sinal indicativo de porto fechado a toda e qualquer navegação.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior
(continua)
Rui Amaro


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domingo, 3 de julho de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 184

O PILOTO-MOR AUTORIZOU A ABERTURA DA BARRA À NAVEGAÇÃO

 Vapor de pesca por arrasto ESTRELA DO MAR / desenho de José Fernandes Amaro Júnior, 1935 /.

Desde o dia 20/12/1935, que não havia movimento de navegação na barra do Douro, devido à força da corrente de cheia e à maresia. A 07/01/1936, como as condições no rio e barra tivessem melhorado embora com alguma corrente forte de cheia e após sondagens do canal de navegabilidade, o piloto-mor Francisco Rodrigues Brandão autorizou a abertura da barra à navegação, pelo que deixaram o porto comercial do Douro o vapor Inglês CRESSADO, piloto Hermínio Gonçalves dos Reis e o vapor de pesca Português ESTRELA DO MAR, piloto Joel da Cunha Monteiro. De entrada, passaram a barra, sem qualquer percalço, os seguintes unidades: navio-tanque Português SHELL 15, piloto Francisco Soares de Melo; vapores Portugueses PÁDUA, piloto Mário Francisco da Madalena; COSTEIRO SEGUNDO, piloto Elísio da Silva Pereira; OUREM, piloto Pedro Reis da Luz; Espanhol MARI CARMEN, piloto João Pinto de Carvalho; Vapor de pesca ESTRELA DO NORTE, piloto Aristides Pereira Ramalheira; Holandês AJAX, piloto Eurico Pereira Franco; Norueguês DOURO, piloto António Gonçalves dos Reis; Alemão SEVILLA, piloto José Fernandes Amaro Júnior e ainda o salvadego Dinamarquês VALKYRIEN, piloto Francisco Luís Gonçalves, que veio ao rio Douro tentar safar o MAUD LLEWELLYN. Fora da barra, ficaram a aguardar entrada para o outro dia, os seguintes vapores: Noruegueses AUD e BRAVO 1; Alemães AUGUST SCHULTZ, STAHLECK, BELLONA, KLIO e JOHNES E. RUSS; Ingleses SEAMEW e OTTERBURN; Norueguês HAVBRIS e o estoniano MINA.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior
(continua)
Rui Amaro

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SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 183

CHEIA NO RIO DOURO PROVOCA ACIDENTES
   
O NRP DIU tendo a máquina a trabalhar de marcha avante e amarrações reforçadas, a fim de aguentar as águas de cheia que o rio Douro levava em 12/1935, vendo-se também os vapores CRESSADO e SILVA GOUVEIA suportando a forte corrente. No cais da Arrozeira distinguem-se dois lugres fortemente amarrados, dos quais o segundo é o ADAMASTOR/ foto de autor desconhecido - colecção Francisco Cabral /.

A 24/1/1935, véspera de Natal, começou a formar-se um grande temporal de sudoeste, acompanhado de muita chuva, que perdurou nos dias seguintes. O rio Douro aumentava de volume das águas a níveis preocupantes, ao ponto de inundar as zonas ribeirinhas, com uma forte corrente a desenvolver-se e ancorados encontravam-se os seguintes navios, que mais se expunham ao perigo de rebentarem as suas amarras: lugre Português GEORGINA, no Sandeman; vapores Portugueses CATALINA, no Faria, e SILVA GOUVEIA, no quadro da Alfândega; vapor Norueguês OPHIR, no Jones; Ingleses CRESSADO, no quadro da Alfândega e o MAUD LLEWELLYN, no cais das Pedras.

 O MAUD LLEWELLYN enclhado junto de São Paio da Afurada, depois deter rebentado as amarras e ter sido levado pela forte corrente de cheia / foto de autor desconhecido - colecção Francisco Cabral /.

No dia 28, o nível das águas na Régua subira aos 14 metros e por precaução o capitão do porto ordenou que as tripulações daqueles navios se retirassem para terra. Às 17h00 desembarcaram através do cabo de vaivém a equipagem do MAUD LLEWELLYN, e o OPHIR é abandonado pelos seus tripulantes, salvo o capitão, que se recusou a sair e como tal permaneceu a bordo, contudo estando com a máquina a trabalhar de marcha avante para aliviar as retesadas amarras. Dois dias antes, os pilotos tinham mandado colocar duas "paixões" ou seja dois ancorotes espetados no pavimento da estrada, a fim reforçarem a amarração daquele navio com novos cabos. A tripulação do CATALINA veio para terra no bote de serviço. Os bombeiros municipais lançaram dois foguetões para bordo do CRESSADO e a sua tripulação foi desembarcada pela cesta-calção. Pelas 21h00, o comandante do NRP DIU, amarrado no quadro dos vasos de guerra, ao Bicalho, requisitou dois pilotos, tendo seguido para bordo os pilotos Manuel de Oliveira Alegre e Bento da Costa. No dia 29, pela 01h30 rebentaram-se as amarrações do MAUD LLEWELLYN, que foi de guinada ao sul, descaindo e quebrando as amarrações dos lugres Portugueses MARIA CARLOTA, ADAMASTOR, ANDORINHA e CLARA, pelo que estes navios foram sobre o cais da Arrozeira onde se aguentaram, mas a fragata FRAZ, da praça de Lisboa foi levada pela forte corrente, indo-se deter junto da pedra do Escorregadinho, Lavadores. Quanto ao MAUD LLEWELLYN, também foi rio abaixo até encalhar no lugar de São Paio da Afurada, diante da Fábrica do Açúcar. Ainda no dia 29, foi a vez do lugre ANDORINHA ir parar à Afurada e o lugre MARIA CARLOTA guinou ao norte, atravessando o rio foi abalroar o NRP DIU, e após ter sido libertado daquela canhoneira, foi sobre o lugre INFANTE, ficando atravessado na sua proa. Então, saltaram a bordo alguns tripulantes, que arriando as amarras fizeram com que os dois lugres ficassem libertos, contudo acabaram por encalhar na margem.

 Pormenores da cheia de 01/1935 junto do porto comercial do Douro, vendo-se o lugre-motor GEORGINA na margem de Gaia e o vapor Inglês CRESSADO junto do quadro da Alfandega / O Comercio do Porto /.

 Durante a noite, nos ancoradouros da Ribeira, Porta Nova e Vanzelleres, rebentaram as amarrações de vários piões de barcaças e estas foram rio abaixo, desaparecendo no mar revolto da barra, sem que antes não tivessem deixado de colidir com outras embarcações ancoradas junto das margens.
1935 ficaria lembrado como o ano das sete cheias.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior
(continua)
Rui Amaro


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segunda-feira, 27 de junho de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 182

ACIDENTE NA BARRA COM A TRAINEIRA ESPANHOLA "MARUJO"

A 14/12/1935 a traineira Espanhola MARUJO, que ao princípio da noite anterior, havia encalhado na penedia da Eira, à Cantareira, acabou por se safar pelos próprios meios e com o auxílio da subida da maré de enchente, cerca das 04h00. Após verificada a não existência de rombos ou de outras avarias, meteu piloto e saiu a barra, rumando a Marin, seu porto de armamento, sem mais percalços.
Aos camaradas, que após o encalhe, por falta de recursos para se hospedarem, andaram a vaguear pelas ruas da Foz, foi-lhes oferecido para pernoitar a estação de socorros a náufragos e a estação de pilotos da barra, tendo optado pela última, por se situar mais perto so local onde se encontrava a traineira acidentada. Aquele oferecimento deixou-os muito sensibilizados, ao ponto de na ocasião da largada terem dado alguns vivas, além de tocarem a sirene de bordo, repetidamente como prova do seu muito obrigado pela hospitalidade que lhes fora dispensada.
A traineira MARUJO, com mais outras três, NUEVO ARAGUAYO, TERCERO e OSCARCITO REAL, fora apresada pelo NRP DIU, canhoneira da fiscalização das pescas, por se encontrar a pescar em águas territoriais portuguesas, ao largo da costa de Viana do Castelo e com os faróis apagados, tendo o seu mestre e os seus colegas sido julgados pelo tribunal marítimo, que lhes aplicou multas que variavam entre 3.300$00 e 5.200$00. As quatro traineiras, enquanto detidas, estiveram amarradas no lugar do Bicalho com uma praça da NRP DIU embarcada, e após o pagamento das respectivas multas trataram de abandonar o rio Douro, sem a orientação de pilotos, tendo sido nessa ocasião que se deu o acidente.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior