segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 317

 O NOVO NAVIO-MOTOR ALEMÃO “PORTO”

O n/m Alemão PORTO subindo o rio Douro, diante de Sobteiras / F. Cabral, Porto /.

10/05/1956 – O novo n/m Alemão PORTO demandou nesta data, pela primeira vez o rio Douro, pelas 13h30, conduzido pelo piloto Herminio Gonçalves dos Reis, indo amarrar no lugar do Ramos Pinto, margem de Gaia, a dois ferros, cabos estabelecidos para terra, e ancorote dos Pilotos pela popa, ao lançante para Noroeste.
PORTO – imo 5282902/ 71,2m/ 1.372tab/ 12,5 nós/ 4 passageiros; 21/04/1956 entregue pelos estaleiros Nobiskrug Werft, Rendsburg, à OPDR - Oldenburg Portugiesische Dampfschiffs Rhederei, Hamburg, que o empregou na linha de Portugal; 1971 PORTO, Souster Shipping Co., Ltd., Famagusta; 1972 PORTO, Souster Hellas Maritime, Famagusta; 1973 SAMOS FAITH, Souster Hellas Maritime, Famagusta; 1974 SAMOS FAITH, Dawn Shipping Enterprises, Ltd., Limassol; 1979 SAMOS FAITH, Nelapa Shipping Co., Ltd., Limassol; 18/01/1980 naufragou durante a viagem de Ravenna / Dammam, devido a explosão seguida de incendio na casa das máquinas. Navios gémeos: PASAJES, SEVILLA, SETÚBAL.
Visto a subir o rio Douro em 10/05/1956.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, OPDR.
(continua)
Rui Amaro

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SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 316



GRANDE PORTO SOB A AMEAÇA DE CICLONE

O salvadego PRAIA GRANDE em Amesterdão em 1969 / Autor desconhecido - foto transmitida por Nuno Bartolomeu, Almada /.

22/03/1956 – Desde do dia 16 até 21 a região do grande Porto tem estado sob a ameaça de uma enorme intempérie, com ventos de Sudoeste, Oeste e Noroeste, rondando de momentos a momentos, e muita chuva.
O rio Douro estava a subir, ligeiramente de nível das águas, estas já traziam alguma impetuosidade, sobretudo na barra, o que prejudicava uma boa navegação. Durante aqueles dias e em algumas abertas do mau tempo e mar, saíram a barra as seguintes embarcações: Salvadego Português PRAIA GRANDE conduzindo o batelão COSTA NOVA, n/m bacalhoeiro VILA DO CONDE, n/m Inglês MERCIAN, n/m Holandês WESTPOLDER, e entraram, já com alguma dificuldade os n/m Alemães SONECK e HUNDSECK, que foram atracar ao cais do Vinho do Porto, Gaia.
Entretanto, devido ao mar na barra estar a vir para cima, deixaram de entrar os seguintes navios: Holandês DA CAPO, e os Alemães OLBERS e OLDENBURG, este em 19 pés de água, entrando os três em Leixões, onde realizaram as suas operações comerciais na doca nº 1, e parece que acertaram, porque no dia seguinte formou-se uma grande cheia, que reteve no rio Douro por alguns dias SONECK e o HUNDSECK.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior.
(continua)
Rui Amaro  

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sábado, 7 de dezembro de 2013

SAUDAÇÕES FESTIVAS

(GREETINGS OF THE SEASON)

2013 / 2014

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O piloto Vasco Moraes subindo para bordo do n/m Holandês ORANJEBORG ao largo do porto de Leixões em condições de mar tempestuoso em 1955 apoiado pela lancha P10, na qual se vê o mestre Artur. O ORANJEBORG procedia da Irlanda do Norte com um carregamento completo de batata de semente em sacos, consignado aos agentes Garland, Laidley & Co., Ltd, do Porto.Foto do capitão do navio - minha colecção

BOAS FESTAS E FELIZ ANO NOVO

AUGURI DI BUON NATALE E FELICE ANNO NUOVO

MERRY CHRISTMAS AND HAPPY NEW YEAR

FELICES PASCUAS Y PROSPERO ANO NUEVO

JOYEUX NOEL ET MEILLEURS VOEUX DE NOUVEL ANNÉE

EIN PROHES WEINACHTSFEST UND EIN GUTS NEUES JAHR

RUI AMARO – PORTO – PORTUGAL

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 315

O NAVIO-MOTOR ALEMÃO “SONECK” SOFRE UM ENCALHE À SAIDA DA BARRA DO DOURO

O SONECK no Mar do Norte / DDG Hansa, Bremen /.

15/10/1957, pelas 15h00, o navio-motor Alemão SONECK, piloto Alberto da Costa, quando se encaminhava para sair a barra do Douro, logo a seguir à boia norte da Cantareira, ficou encalhado sobre um banco de areia, que há poucos dias ali se formara, o qual estava a causar dificuldades à navegação. Já alguns dias antes, também encalhara no mesmo local o navio-motor Alemão “VEGESACK” da DG Neptun, Bremen, safando-se pouco tempo depois, pelos seus próprios meios.
Dado o alarme, acorreu o material flutuante dos pilotos e seu pessoal, que estabeleceram um cabo de arame para o peoris do cais do Marégrafo. Entretanto, com o molinete de bordo a virar o referido cabo e a máquina do navio em toda força avante, no máximo da sua potência, o SONECK, antes da praia-mar acabou por se safar do banco de areia e seguiu para a barra, desaparecendo no meio do denso nevoeiro, que se acabara de formar, ficando fundeado por fora da barra, a aguardar melhores condições de visibilidade, a fim de demandar o porto de Leixões, o que só se concretizou no dia seguinte.
SONECK – imo 5205825/ 71,1m/ 1.299tb/ 12kn/ passageiros 4/ tripulantes 19; 06/11/1953 entregue por Atlas Werke AG, Bremen, à DDG Hansa, Bremen, para o seu serviço com a Península Ibérica, nomeadamente Portugal; 1962 LELO, Antonio d’Antuono Scotto, Nápoles; 1974 LELLO, Vittorio Paladini, Palermo; 1976 ITALO, Brunno di Ferrari, Génova; 1982 ITALO, Navi Alga SpA, Genova; 1983 BUSALEH, Jannabi Navigation, Sharjah, United Arab Emirates; 1985 LIBAN I, Allaban Trading Co., Mogadishu; 1988 AL HAMDOLILLAH, Age Intrade, Kingstown; 1998 LARRI A,  Allaban Trading Co., Mogadishu; 01/02/1998 arrived Gadani Beach for breaking up.
Fontes: Imprensa diária, Miramar ship Index.
(continua)
Rui Amaro

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sábado, 2 de novembro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 314

O ARRASTÃO BACALHOEIRO “JOÃO MARTINS” EM DIFICULDADES NA BARRA DO DOURO

O JOÃO MARTINS saindo a barra do Douro sob nortada fresca em 20/10/1868, precisamente no local onde se viu em apuros / Rui Amaro /.

Estou-me a recordar do arrastão bacalhoeiro Português JOÃO MARTINS, pertencente à SNAB – Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau, de Lisboa, procedente dos Grandes Bancos da Terra Nova e Gronelândia e acabado de chegar à barra em 17 pés de calado, trazendo no seu bojo cerca de 18.500 quintais de bacalhau frescal destinado à seca de Lavadores, capturado naqueles bancos de pesca do noroeste do Atlântico. Aquele arrastão comportava uma equipagem de cerca de 80 homens, cujos familiares vindos de vários centros piscatórios do país, desde Ancora até Fuzeta, com enorme ansiedade os aguardavam desde manhã cedo, como era costume à chegada dos navios bacalhoeiros, junto à praia das Pastoras e ao cais da Meia Laranja.
A 20/12/1955, pelas 17h00, aquela moderna e eficiente unidade de pesca, ao demandar a barra do Douro sob corrente de águas de cheia e ronhentas, algum mar, por vezes de vaga alterosa a quebrar, que já o vinha a fustigar desde os 500 metros para lá da boia da barra, correndo a ambos os bordos, bastante vento noroeste e céus a ameaçar chuva e tempestade, sob a orientação do piloto José Fernandes Amaro Júnior, meu pai, já muito perto da boca da barra viu-se envolvido por vários andaços de mar, que lhe galgavam o convés, fazendo-o riscar na vaga e derivar a estibordo para cima do fatídico Cabeço do cabedelo da barra, banco de areia a sul, e posicionando-se um pouco de través ao mar e prestes a encalhar. Felizmente, algum tempo depois, numa manobra de autêntica perícia daquele prático, o JOÃO MARTINS consegue regressar a um dos enfiamentos da barra, marca nova do Mato pelo farolim da Cantareira. Inexplicavelmente junto da boia da Ponta do Dente, no rebaixamento das vagas, á ré, pela rabada do navio, sentiram-se algumas pancadas secas no leito da barra, originando que voltasse a desgovernar, perigosamente a estibordo sobre a restinga do Cabedelo, o que fez temer o pior, todavia conseguindo, com alguma dificuldade, meter proa a bombordo, o navio apanhando gosto às águas de cima tomou a direcção da ponta do cais Velho, contudo aquele piloto ordenou leme a estibordo, aliviando logo de seguida e dando, por vezes, mais força na máquina para melhor governar, e lá prosseguiu para montante, sempre pela beirada do cais Velho e Meia Laranja sem mais percalços, aproveitando a ravessa sem que tivesse necessidade de largar qualquer dos ferros para contrariar os estoques de água ou as terríveis ronhentas.


O NUNO FILIPE acostado a uma prancha-cais da Gafanha da Nazaré / Autor Ricardo Graça Matias - facebook BACALHOEIROS DE PORTUGAL /

Aquele navio foi dar fundo e amarrar no lugar da Arrozeira, por vante do arrastão bacalhoeiro FERNANDES LABRADOR, propriedade do mesmo armador, que entrara de véspera também em 17 pés de água e conduzido pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, depois do piloto-mor ter ordenado a abertura da barra à navegação, após alguns dias de cheia, a qual desbastando as areias do Cabedelo, desassoreou e alargou bastante a barra, particularmente diante da Meia-Laranja e do Touro, ficando a restinga próximo das pedras denominadas Fogamanadas, e ainda bem que a barra alargou, caso contrário, o navio tinha mesmo encalhado, e uma tragédia tinha sido consumada.
Na ocasião, que o navio estava em dificuldades, aquele prático de 56 anos de idade e 30 de serviço activo sem qualquer incidente de maior no seu currículo, só rogava à Nossa Senhora da Lapa, padroeira dos pilotos da barra e dos mareantes da barra, cuja capela se situava junto à estação de pilotos, que intercedesse a Deus para que o auxiliasse a manobrar e conduzir o JOÃO MARTINS para montante. No entanto, segundo ele me relatou, caso não conseguisse entrar no canal de navegação ou fazer-se de novo ao mar, trataria de o encalhar o mais perto do enrocamento do cais Velho, a fim de haver hipóteses de salvamento de todos os elementos a bordo e mesmo posterior recuperação do próprio navio, porque do lado sul e à hora a que se deu o incidente, com a noite a aproximar-se e a maresia a crescer, aliado à força da corrente, a qual devido à proximidade da vazante aumentaria de intensidade, teria havido uma das maiores tragédias jamais lembrada na temível barra do Douro e ainda por cima na presença dos familiares da tripulação, e de mim próprio que não sabia que a bordo vinha o meu pai, e um parente mestre redes, da Murtosa.
Pouco antes passara a barra de entrada o navio-motor Português ÁFRICA OCIDENTAL, de 72m/1.266tb, pertencente à Sociedade Geral de Comércio, Industria e Transportes, de Lisboa, vindo em 15 pés de água, sob a orientação do piloto Hermínio Gonçalves dos Reis, que também fora envolvido em grande ondulação, riscando na vaga, vendo-se por vezes o seu hélice a trabalhar fora de água, contudo passando a barra sem dificuldades de maior, salvo uma ou outra guinada já dentro do rio, devido à forte corrente que se fazia sentir, indo amarrar no ancoradouro da CUF, no lugar do Monchique.
Alguns dias passados, após o JOÃO MARTINS, já em Lisboa, ter entrado em doca seca para limpeza do fundo e fabricos, foi detectado que o cadaste e o leme estavam bastante danificados, possivelmente devido às referidas pancadas. Só a mão de Deus deve ter estado ao leme daquele arrastão bacalhoeiro!
O JOÃO MARTINS foi uma das vitimas da grande cheia de 1961/62, o qual atracado ao cais de Gaia não conseguiu suportar a força arrasadora da corrente do rio Douro, que lhe provocou o rebentamento das amarrações que o ligavam aquele cais, garrando ao sabor das águas, com os motores a trabalhar, de madrugada, todo iluminado mas sem tripulação, e saindo a barra de popa arrastando pelo fundo os ferros lançados a prumo, juntamente com outros navios, até ter sido resgatado pela sua tripulação ao largo da barra, entrando de seguida em Leixões, aparentemente sem qualquer dano.
Quando o meu pai chegou a casa por volta das 8 horas da noite e ao contar a odisseia porque tinha passado a mim e à minha mãe, não conteve as lágrimas. Ele como prático da barra sabia muito bem o drama que poderia ter ocorrido naquela malfadada barra!
JOÃO MARTINS – Arrastão clássico lateral bacalhoeiro/ imo 5172377/ 71,1m/ 1.264tb/ __nós; 07/1952 entregue pelos acreditados ENVC – Estaleiros Navais de Viana do Castelo à SNAB – Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau, de Lisboa; 1982 NUNO FILIPE, António Conde & Cia., Lda., de Lisboa; 1990 RIO CABRIL, North Ladytee E.B. Marine Inc, Panamá, Bandeira de conveniência da Republica do Panamá; 2003 excluído do Lloyd’s Register of Shipping por dúvida de existência. Foi o último arrastão clássico lateral a ser construído para a frota bacalhoeira Portuguesa.
Fontes; José Fernandes Amaro Júnior; Miramar Ship Index.
Parte deste trabalho está inserido no meu livro A BARRA DA MORTE - A FOZ DO DOURO (Edições O PROGRESSO DA FOZ) ano 2006.
(Continua)
Rui Amaro

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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 313



O piloto-mor José Fernandes Tato recebendo das mãos do comandante Jaime Couceiro o diploma e a medalha de prata de Socorros a Náufragos, vendo-se na imagem da esquerda para a direita, além daquelas duas entidades, os pilotos Encarnação, Vasco Morais e Cândido

__/__/1958 – O Sr. capitão de mar-e-guerra Jaime Couceiro, director do Instituto de Socorros a Náufragos, deslocou-se ontem ao Porto, a fim de entregar a medalha de prata de Socorros a Náufragos à Corporação dos Pilotos do Douro e Leixões, com que este organismo foi recentemente agraciado pelo Ministério da Marinha.
A cerimónia, que se revestiu da maior singeleza e se efectuou, pelas 11 horas na sede da corporação, à Cantareira, na Foz do Douro, assistiram, além daquele ilustre oficial da Marinha, o sr. comandante Sousa Guimarães, em representação do sr. comandante Carlos Carreira, chefe do Departamento Marítimo do Norte, que se encontra ausente na capital; eng. Russo Belo, comandante dos Bombeiros Voluntários de Matosinhos-Leça; piloto-mor José Fernandes Tato; sota-piloto-mor Mário Francisco da Madalena e Francisco de Campos Evangelista; cabo-piloto Aires Pereira Franco, pilotos, motoristas e pessoal assalariado da corporação.
O sr. comandante Jaime Couceiro, depois de saudar a corporação, referiu-se à justiça prestada pelo sr Comodoro Quintanilha de Mendonça Dias, ministro da Marinha, condecorando a instituição, e agradeceu a colaboração que ela tem prestado ao departamento que dirige. Fez depois entrega ao piloto-mor da referida recompensa.
O piloto-mor José Fernandes Tato, depois de agradecer a presença do sr. comandante Jaime Couceiro e de saudar em termos altamente elogiosos o sr. ministro da Marinha, prometeu continuar a prestar a mesma colaboração ao Instituto de Socorros a Náufragos.
O caso é que mais das vezes quem se adiantava aos salva-vidas a remos do Douro, eram as lanchas de pilotar e o pessoal da corporação, e mesmo nos salva-vidas faziam parte da companha de voluntários, pilotos e seu pessoal auxiliar, e mais das vezes em situações de grande perigo.
Fonte e imagem: Jornal de Noticias.
Rui Amaro     

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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 312





RECORDANDO O INCÊNDIO DO NAVIO-MOTOR BACALHOEIRO “BISSAYA BARRETO” NO SEU ANCORADOURO DO RIO DOURO




Flagrantes do incêndio que destruiu o BISSAYA BARRETO no rio Douro / Jornal de Noticias /.
A 21/01/1950, quando o navio-motor bacalhoeiro de pesca à linha se encontrava amarrado no rio Douro, lugar de Santo António do Vale da Piedade, margem de Gaia, em fabricos para a campanha de 1950 aos Grandes Bancos da Terra Nova e Gronelândia  foi pasto das chamas, sobretudo à popa, possivelmente devido a algum curto-circuito da sua instalação electrica.
 Dado o alarme compareceram de imediato os BSB – Batalhão Sapadores Bombeiros do Porto e os Bombeiros Municipais de Gaia, com o seu material de ataque a incêndios, e também os rebocadores MARIALVA, MANOLITO e MERCÚRIO 2º, e uma vez que o navio estava a ser inundado e adornar  os pilotos da barra decidiram que o BISSAYA BARRETO fosse levado para um lugar de águas pouco profundas, e assim o rebocador MARIALVA coadjuvado pelos dois rebocadores fluviais, conduziram-no para o lugar de Sampaio da Afurada, onde o navio ficou assente num dos baixios, local onde os bombeiros continuaram a tentar extinguir as chamas, que já consumiam a habitabilidade, casa de navegação e casa da máquina, instalações essas que ficaram destruídas.
As duas corporações de bombeiros, somente a 22 cerca da 14h00 é que regressaram aos seus quarteis, abandonando assim, o BISSAYA BARRETO, após extinção das chamas, onde com as precauções necessárias se encontravam de prevenção prontos a acudir e debelar qualquer possível reatamento do fogo, que ali lavrara, com impetuosa e destruidora violência, durante mais de trinta e sete horas, tornando aquele excelente navio bacalhoeiro, sem duvida, uma das melhores e mais bem apetrechadas unidades de pesca à linha da nossa frota bacalhoeira, absolutamente inutilizada para continuar a navegar.
Desde que o incendio foi dado por extinto, a tripulação de bordo com o seu comandante, o capitão da Marinha Mercante, sr. Carlos Fernandes Parracho, ocupou-se, desde logo no arrolamento dos salvados e noutros convenientes e necessários serviços.
Os rebocadores MERCURIO 2º e MANOLITO retiraram-se também ontem de manhã, por se tornar já desnecessária a sua assistência ao BISSAYA BARRETO. Junto do navio sinistrado ficou apenas o rebocador MARIALVA, que se empregou, com as bombas de bordo e um estanca-rios a esgotar a água que havia inundado os porões e a casa da máquina. Em consequência de se encontrar mais aliviado daquele enorme peso de água – o BISSAYA BARRETO, que chegou a adornar a estibordo, com uma inclinação, aproximadamente, de 40 graus – ficou, no dia seguinte, quase na sua posição normal, embora ainda encalhado nos lodosos baixios do lugar de Sampaio, da Afurada. A maneira que daquele navio-motor se iam esgotando a água, foram também aparecendo os estragos produzidos pela violência do fogo – nomeadamente no madeiramento do costado e do convés; na casa da máquina e na respectiva maquinaria; no cavername; nas instalações frigoríficas e na ponte do comando e anexos.
De manhã esteve a bordo do BISSAYA BARRETO a fim de se inteirar da extensão dos estragos e inutilização daquele navio, o sr. Comandante Henrique Tenreiro, presidente da Junta Central da Casa dos Pescadores, e delegado do governo junto do Grémio dos Armadores dos Navios de Pesca do Bacalhau. Acompanhavam-no, além de outras entidades oficiais, e armadores do navio incendiado, o sr. Comandante João Pais, capitão do porto do Douro.
O BISSAYA BARRETO foi depois de ser posto a reflutuar rebocado para o ancoradouro de Santo António do Vale da Piedade, na margem esquerda do Douro, onde estava primitivamente. Ancoradouro esse, destinado aos navios da frota bacalhoeira e onde foi devidamente vistoriado pelos engenheiros-peritos, da Direcção Geral da Marinha Mercante.,

O PARAÍSO na carreira da Gafanha da Nazaré em face de acabamentos 1955 / Jornal de Noticias /



O PARAÍSO no dia do lançamento à água 1955 / autor desconhecido - MMI /. 

BISSAYA BARRETO (1) – imo 5615239/ um dos dois primeiros navios-motor em madeira do tipo CRCB-Renovação/ 51,50m/ 712,15tb/ cerca 10.500 quintais/ 2x Sulzer 500/550hp/ 10nós; 1943 entregue por Benjamim Bolais Mónica, carreira da Murraceira, Figueira da Foz, cuja continuidade foi empreendida em 09/1944 pelos Estaleiros Navais do Mondego Sarl. Na mesma data foi lançado à àgua o gémeo COMANDANTE TENREIRO (1), este naufragado nos Grandes Bancos a 20/06/1946, devido a colisão com um “icebergue”, os dois construidos para a Lusitânia – Companhia Portuguesa de Pesca, Lda, Figueira da Foz. Ambos os navios, embora registados naquele porto da foz do Mondego, descarregavam e hibernavam no rio Douro.
Segundo consta, o BISSAYA BARRETO, semi-destruído, esteve para ser reconstruido num dos estaleiros da Figueira da Foz, mas a proposta apresentada por um ex-autarca de Ilhavo e capitão da marinha mercante, fora irrecusável, e consumada a venda a 27/11/1951, sob o nome de SÃO MAGAYO, a reboque, deixa o rio Douro e entra em Leixões, indo no mesmo dia para a Gafanha da Nazaré, onde fora adquirido por um armador interessado no seu aproveitamento. A 04/1955, após cuidada reconstrução foi lançado á àgua pelos estaleiros dos irmãos Mónicas, Gafanha da Nazaré, com o nome de PARAISO para a Empresa de Pesca de Portugal, Lda, e alguns dias depois seguiu para Lisboa, a fim de marcar presença na usual cerimónia religiosa da Benção dos Bacalhoeiros, rumando de seguida para os pesqueiros da Terra Nova e Gronelância; 1956 RIO ANTUÃ, e mais tarde foi convertido em navio de pesca com redes de emalhar; 02/09/1973 náufraga devido a incêndio nos Grandes Bancos da Terra Nova, tendo a companha que se abrigou nos botes, sido resgatada pelos navios-motores CONCEIÇÃO VILARINHO e SENHORA DA BOA VIAGEM, passado cerca de seis horas, devido à distancia que separava aqueles navios da área do sinistro. 
Fontes: José Fernandes Amaro Junior, Lloyd’s Register of Shipping, Reimar. Blog Marinheiro Jimmy, Museu Maritimo de Ilhavo (navios), Jornal O Primeiro de Janeiro.
(continua)
Rui Amaro

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