sábado, 1 de maio de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 58

OS VAPORES FRANCESES “PENTHIEVRE” E “PENERF” PELA PRIMEIRA VEZ NO RIO DOURO


A 04/02/1931, pelas 13h40, demandou a barra do Douro, pela primeira vez, o vapor Francês PENTHIEVRE consignado aos agentes Orey Antunes & Cia Lda, tendo sido conduzido pelo piloto José Jeremias dos Santos e foi amarrar no lugar dos Vanzelleres e no dia 5 saiu a barra dirigido pelo piloto Júlio Pinto de Carvalho acompanhado pelo praticante António Duarte. Aquele vapor servia o tráfego entre o porto de Nantes e os portos de Marrocos, passando a escalar os portos do Douro/Leixões, Lisboa, regularmente.

O PENTHIEVRE, 88m/2.382tb, foi construído em 1922 pelos Anciens Chantiers Dubigeon, Le Havre, por encomenda do armador Compagnie Nantaise de Navigation à Vapeur, Nantes, tendo sido vendido em 1937 à Compagnie Generale Transatlantique, Paris, conservando o mesmo nome. Em 02/03/1943 foi atacado e afundado pelas baterias de costa Britânicas, quando no estreito de Dover, entre Cap Gris Nez e Calais, navegava ao serviço do governo Francês de Vichy.

A 13/02/1931, pelas 10h45, entrou a barra do Douro, também pela primeira vez, o vapor Francês PENERF do mesmo armador e afecto ao mesmo tráfego do vapor PENTHIEVRE, tendo sido pilotado pelo piloto Pedro Reis da Luz, que o amarrou no lugar dos Vanzelleres. Deixou a barra do Douro a 14, conduzido pelo piloto Júlio Pinto de Carvalho.

O PENERF, 85m/2.151tb, foi construído pelo estaleiro Britânico Napier & Miller, Clyde, por encomenda do armador Compagnie Nantaise de Navigation à Vapeur, Nantes, tendo sido vendido à Compagnie Generale Transatlantique, Paris, conservando o mesmo nome. Em 14.04.1943, quando navegava a cinco milhas a Leste de Cap d’Antibes, ao serviço governo Francês de Vichy, foi torpedeado e afundado por um submarino aliado. Do afundamento pereceram vinte vidas.

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior e Miramar Ship Index.

(continua)

Rui Amaro

quarta-feira, 7 de abril de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 57


ENTRADA NEGADA AO VAPOR ALEMÃO “ARION” DEVIDO AO SEU CALADO DE ÁGUA E ALGUMA ONDULAÇÃO NA BARRA



O vapor Alemão ARION no porto de Bremen - (c) 100 Jahare DG Neptun, Bremen / colecção F. Cabral /.


A 29/01/1931, pelas 08h00, o piloto José Fernandes Amaro Júnior e o praticante António Duarte, frente ao lugar de Carreiros, saltaram da lancha de pilotar para bordo do vapor Alemão ARION, pertencente à companhia Neptun Dampfs. Ges., Bremen. Aquele vapor procedente de Bremen e Antuérpia, calava 17,9 pés e aguardava entrada na barra do Douro. Como aquele calado se tornasse duvidoso, devido à ondulação, que dificultava uma observação mais rigorosa, o cabo-piloto Alexandre Cardoso Meireles ordenou ao piloto para ir à bacia do porto de Leixões ratificar o calado de água. Confirmado 17,6 pés à proa e 17,9 à popa pelo cabo-piloto Paulino Pereira da Silva Soares, a bordo da lancha P3, o ARION saiu do porto de Leixões, indo dar fundo junto da barra à espera da preia-mar e do sinal de entrada, não deixando de assinalar para terra, através de toques da sua sirene, o seu calado de água máximo.

O piloto José Fernandes Amaro Júnior constatando, que a hora da maré já tinha passado e com os binóculos reparou no corso da vazante já perto da Meia Laranja, além de vislumbrar o piloto-mor Francisco Rodrigues Brandão a ausentar-se de junto da escala de marés do cais do Relógio a caminho da Corporação. Fácil foi concordar da impossibilidade de entrada e como tal deu conhecimento disso ao comandante e ao seu colega. Em face da situação suspendeu o ferro e foi fundear mais ao largo em franquia, marca do Norte ou seja farol da Boa Nova por terra do farol do Molhe Sul e a Leste, marca nova das Três Orelhas por Sul da marca do Anjo e assim permaneceram os dois pilotos a bordo até o vapor ter demandado a barra do Douro passados três dias, ou seja a 31 de Janeiro, pelas 12h40, indo amarrar no lugar do quadro da Alfândega, prolongado com outro vapor.

ARION, IMO 5518221, 90m/2.297tb; 09/1927 entregue pelo estaleiro Deschimag Werk AG Weser, Bremen, á DG Neptun, Bremen, que o colocou no serviço Ibérico; 1929 reconstruído; 1940 ao serviço da “Kriegsmarine”; 1940 entregue ao seu armador; 11/05/1945 bombardeado pela Força Aérea Aliada no rio Elba, sofrendo graves avarias; 1947 parcialmente recuperado; 1950 reparado e reconstruído como “combi ship” (motor e máquina a vapor);, tendo sido alongado para 96,7m/3.156tb, apresentando um novo perfil, retomando o serviço de Portugal e Espanha; 1957 motor removido; 1960 KARL RAGNAR, Lovisa Rederi (gestores A/B R. Nordstrom OY), Lovisa, Finlândia; 03/07/1961 chegava a Hamburgo para desmantelamento; Gémeo APOLLO.

Fontes: The Ships list, 100 Jahre DG Neptun - Bremen, Miramar Ship Index.

(continua)

Rui Amaro

domingo, 14 de março de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 56


O VAPOR FRANCÊS “ARZIK” ENTROU PELA PRIMEIRA VEZ NO RIO DOURO



A 16/01/1931, pelas 10h20, entrou pela primeira vez no rio Douro, conduzido pelo piloto Eurico Pereira Franco, o vapor Francês ARZIK, agenciado à firma Orey Antunes & Cia. Lda. sedeada na Avenida das Nações Aliadas, 59, Porto. Aquele vapor foi ancorar no lugar do Ramos Pinto, margem de Gaia, a dois ferros, cabos estabelecidos para terra e ancorote dos pilotos pela popa e a 17, após as operações comerciais, deixou a barra com destino a Nantes, conduzido pelo piloto Aires Pereira Franco.

ARZIK – 60m/707tb; 07/1917 entregue pelo estaleiro Meyer’s, Leeuwen, como LOVESTEIN a B. Samuelsen & Son, Noruega; 1919 MERWEDE, M. J. van der Eb, Holanda; 1922 ARZIK, Compagnie Nantaise de Navigation à Vapeur, Nantes; 1933 VINCI, M. Querci, France; 1935 ANTONIO LANDI, C. Landi, Itália; 1936 MONTEPONI, Monteponi Co., Italia; 29/07/1941 atacado e torpedeado por submarino a 20 mn a norte do cabo Camino, Sardenha.

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Miramar Ship índex.

(continua)

Rui Amaro

terça-feira, 9 de março de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 55



MOVIMENTO MARITIMO NA BARRA DO DOURO


KEPLER /Galeria de Arte de autor desconhecido - Calendário de DG Neptun, Bremen/.


A 12/01/1931 o candidato António Duarte foi nomeado praticante a piloto da barra dos portos do Douro e Leixões e a 23 apresentou-se fardado, tendo às 17h40 dirigido a largada do navio-motor Alemão KEPLER, amarrado no quadro da Alfandega, sob a orientação do piloto efectivo de escala João António da Fonseca.

Naquele dia, além do KEPLER, saíram também os seguintes vapores: Alemão LAHNECK, piloto Mário Francisco da Madalena; Inglês DARINO, piloto João Pinto de Carvalho; Estoniano LINDA, piloto Bento da Costa e entraram o Alemão APOLLO, piloto Francisco Soares de Melo e o Francês LA GARONNE, 100m/2.611tb, unidade da frota do armador Compagnie Nantaise de Navigation à Vapeur, Nantes, o qual com os seus companheiros PENTHIEVRE, PENCHATEAU, PENHIR, PENERF, VAUCLUSE e ARZIK, passou a escalar com assiduidade os portos do Douro e Leixões, nas suas viagens para os principais portos de Marrocos ou para os portos de Nantes e Bordéus. Aquele vapor foi construído em 1906 e demolido em 1934 e fora transferido para a frota do armador Compagnie Generale Transatantique, Paris, tendo ido amarrar no lugar dos Vanzelleres a dois ferros, cabos passados para terra e ancorote dos pilotos pela popa, conduzido pelo piloto Eurico Pereira Franco.

KEPLER, 76m/1.236tb/10 nós; 08/1925 entregue pelo estaleiro Deutsche Werke AG, Kiel, ao armador Dampfs. Ges. Neptun, Bremen; 1942 em Skarpsborg; 1943 SPERRBRECHER 177 – navio destruidor de minas, Kriegsmarine; 1945 em Wilhemshaven; 1946 em Swinemunde entregue à USSR; 1946 VENTA, Armada Soviética; 1947 KULOY, Armada Soviética; 1958 PKZ-146, pontão, Armada Soviética; 1965 desmantelado para sucata. Navios gémeos: GAUSS e OLBERS.

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Die Schiffe der DG Neptun – H.J. Abert

(continua)

Rui Amaro

segunda-feira, 8 de março de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 54


PILOTOS DE PREVENÇÃO A BORDO DE VAPORES ANCORADOS NA BACIA DO PORTO DE LEIXÕES DEVIDO AO MAU TEMPO



SIGNE carregando carvão em qualquer porto de Gales / Copyright - cortesia Danish Maritim Museum, Elsinore /.


A 02/01/1931, pelas 16h00, estando a soprar bastante vento de Sudoeste e grande maresia, foram requisitados para o porto de Leixões nove pilotos da estação da barra do Douro, Cantareira, a fim de irem ficar de prevenção a bordo dos seguintes vapores ancorados na Bacia: Ingleses CRESSADO, piloto Joel da Cunha Monteiro e OTTINGE, piloto Francisco Piedade; Dinamarqueses SIGNE, piloto Hermínio Gonçalves dos Reis e J. N. OLHSAM, piloto Júlio Pinto de Carvalho; Portugueses SHELL 15, piloto Aires Pereira Franco; SANTA IRENE, piloto Francisco Soares de Melo e o vapor pescador ALBERTOS, piloto José Fernandes Amaro Júnior; Norueguês SANTA CRUZ, piloto Eurico Pereira Franco e o Espanhol MARQUÊS DEL TURIA, piloto António Gonçalves dos Reis.

Os pilotos agregados à estação de Leça da Palmeira foram para bordo dos seguintes vapores, também ancorados na Bacia: Português MARIA AMÉLIA, piloto Júlio Pinto de Almeida; BENGUELA, piloto José Pinto Ribeiro; MALANGE, piloto Manuel Pinto da Costa; Inglês RUCKINGE, piloto Alfredo Pereira Franco. O Inglês PROCRIS e o Norueguês TEJO permaneceram na Bacia sem piloto embarcado.

Ao largo da costa avistavam-se os vapores Alemães ARION e TENERIFE, tendo chegado mais tarde o Alemão VESTA e o Norueguês BLANES. Os Alemães HERMES e OLDENBURG suspenderam e seguiram rumo do Sul para o porto de Lisboa, por instruções recebidas dos seus armadores. Dezanove daqueles vapores aguardavam melhoria de mar para entrarem na barra do Douro.

SIGNE – 76m/1.191tb/9nós; 05/1919 entregue por KJOBNJAVNS Flydedok, Copenhaga, para A/S D/S Torm (Torm Lines), Copenhaga; 1939 VOLTA, Merluzzo Italiano SA, Genova; 22/03/1943 Atacado e bombardeado por aeronave Aliada em Palermo, Sicilia.

Fonte: José Fernandes Amaro Júnior; Miramar Ship Index

(continua)

Rui Amaro

domingo, 7 de março de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 53



A TRAINEIRA ESPANHOLA “CONCEPCION” EM APUROS NA BARRA DO DOURO



A 13/12/1930, pelas 00h30, o piloto José Fernandes Amaro Júnior, que se encontrava de serviço, vinte e quatro horas, à estação de pilotos da Cantareira, quando já estava deitado, foi despertado pelos silvos aflitivos da sirene de qualquer embarcação em apuros, para os lados do cais do Relógio (Pilotos). De imediato, dirigiu-se para o local e deparou com uma traineira encalhada sobre a penedia da Eira, que tentava a todo custo safar-se.
Juntamente, com o contramestre da Corporação de Pilotos, João Piedade, meteu-se na caíque dos pilotos e à ginga dirigiram-se para a traineira, que era a Espanhola CONCEPCIÓN da praça de Vigo e fora apresada há alguns dias pela canhoneira NRP ZAIRE, quando fainava em águas territoriais portuguesas.
O mestre exibiu àquele piloto o documento relativo ao desembaraço da traineira, além do documento comprovativo do pagamento da multa aplicada pelo tribunal marítimo. De qualquer maneira, a Capitania foi desde logo alertada sobre a ocorrência.
Segundo o mestre informou, o encalhe deu-se devido a confusão com a bóia dos Arribadouros. Entretanto, parte da companha desembarcou. Às 05h30 a traineira desencalhou pelos seus próprios meios, recolheu os elementos da companha, que tinham vindo para terra e como estava dispensada de meter prático seguiu barra do Douro abaixo conduzida pelo seu mestre, rumando ao seu porto de armamento.
Fonte e desenho:: José Fernandes Amaro Júnior
(continua)
Rui Amaro