quinta-feira, 7 de novembro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 315

O NAVIO-MOTOR ALEMÃO “SONECK” SOFRE UM ENCALHE À SAIDA DA BARRA DO DOURO

O SONECK no Mar do Norte / DDG Hansa, Bremen /.

15/10/1957, pelas 15h00, o navio-motor Alemão SONECK, piloto Alberto da Costa, quando se encaminhava para sair a barra do Douro, logo a seguir à boia norte da Cantareira, ficou encalhado sobre um banco de areia, que há poucos dias ali se formara, o qual estava a causar dificuldades à navegação. Já alguns dias antes, também encalhara no mesmo local o navio-motor Alemão “VEGESACK” da DG Neptun, Bremen, safando-se pouco tempo depois, pelos seus próprios meios.
Dado o alarme, acorreu o material flutuante dos pilotos e seu pessoal, que estabeleceram um cabo de arame para o peoris do cais do Marégrafo. Entretanto, com o molinete de bordo a virar o referido cabo e a máquina do navio em toda força avante, no máximo da sua potência, o SONECK, antes da praia-mar acabou por se safar do banco de areia e seguiu para a barra, desaparecendo no meio do denso nevoeiro, que se acabara de formar, ficando fundeado por fora da barra, a aguardar melhores condições de visibilidade, a fim de demandar o porto de Leixões, o que só se concretizou no dia seguinte.
SONECK – imo 5205825/ 71,1m/ 1.299tb/ 12kn/ passageiros 4/ tripulantes 19; 06/11/1953 entregue por Atlas Werke AG, Bremen, à DDG Hansa, Bremen, para o seu serviço com a Península Ibérica, nomeadamente Portugal; 1962 LELO, Antonio d’Antuono Scotto, Nápoles; 1974 LELLO, Vittorio Paladini, Palermo; 1976 ITALO, Brunno di Ferrari, Génova; 1982 ITALO, Navi Alga SpA, Genova; 1983 BUSALEH, Jannabi Navigation, Sharjah, United Arab Emirates; 1985 LIBAN I, Allaban Trading Co., Mogadishu; 1988 AL HAMDOLILLAH, Age Intrade, Kingstown; 1998 LARRI A,  Allaban Trading Co., Mogadishu; 01/02/1998 arrived Gadani Beach for breaking up.
Fontes: Imprensa diária, Miramar ship Index.
(continua)
Rui Amaro

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sábado, 2 de novembro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 314

O ARRASTÃO BACALHOEIRO “JOÃO MARTINS” EM DIFICULDADES NA BARRA DO DOURO

O JOÃO MARTINS saindo a barra do Douro sob nortada fresca em 20/10/1868, precisamente no local onde se viu em apuros / Rui Amaro /.

Estou-me a recordar do arrastão bacalhoeiro Português JOÃO MARTINS, pertencente à SNAB – Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau, de Lisboa, procedente dos Grandes Bancos da Terra Nova e Gronelândia e acabado de chegar à barra em 17 pés de calado, trazendo no seu bojo cerca de 18.500 quintais de bacalhau frescal destinado à seca de Lavadores, capturado naqueles bancos de pesca do noroeste do Atlântico. Aquele arrastão comportava uma equipagem de cerca de 80 homens, cujos familiares vindos de vários centros piscatórios do país, desde Ancora até Fuzeta, com enorme ansiedade os aguardavam desde manhã cedo, como era costume à chegada dos navios bacalhoeiros, junto à praia das Pastoras e ao cais da Meia Laranja.
A 20/12/1955, pelas 17h00, aquela moderna e eficiente unidade de pesca, ao demandar a barra do Douro sob corrente de águas de cheia e ronhentas, algum mar, por vezes de vaga alterosa a quebrar, que já o vinha a fustigar desde os 500 metros para lá da boia da barra, correndo a ambos os bordos, bastante vento noroeste e céus a ameaçar chuva e tempestade, sob a orientação do piloto José Fernandes Amaro Júnior, meu pai, já muito perto da boca da barra viu-se envolvido por vários andaços de mar, que lhe galgavam o convés, fazendo-o riscar na vaga e derivar a estibordo para cima do fatídico Cabeço do cabedelo da barra, banco de areia a sul, e posicionando-se um pouco de través ao mar e prestes a encalhar. Felizmente, algum tempo depois, numa manobra de autêntica perícia daquele prático, o JOÃO MARTINS consegue regressar a um dos enfiamentos da barra, marca nova do Mato pelo farolim da Cantareira. Inexplicavelmente junto da boia da Ponta do Dente, no rebaixamento das vagas, á ré, pela rabada do navio, sentiram-se algumas pancadas secas no leito da barra, originando que voltasse a desgovernar, perigosamente a estibordo sobre a restinga do Cabedelo, o que fez temer o pior, todavia conseguindo, com alguma dificuldade, meter proa a bombordo, o navio apanhando gosto às águas de cima tomou a direcção da ponta do cais Velho, contudo aquele piloto ordenou leme a estibordo, aliviando logo de seguida e dando, por vezes, mais força na máquina para melhor governar, e lá prosseguiu para montante, sempre pela beirada do cais Velho e Meia Laranja sem mais percalços, aproveitando a ravessa sem que tivesse necessidade de largar qualquer dos ferros para contrariar os estoques de água ou as terríveis ronhentas.


O NUNO FILIPE acostado a uma prancha-cais da Gafanha da Nazaré / Autor Ricardo Graça Matias - facebook BACALHOEIROS DE PORTUGAL /

Aquele navio foi dar fundo e amarrar no lugar da Arrozeira, por vante do arrastão bacalhoeiro FERNANDES LABRADOR, propriedade do mesmo armador, que entrara de véspera também em 17 pés de água e conduzido pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, depois do piloto-mor ter ordenado a abertura da barra à navegação, após alguns dias de cheia, a qual desbastando as areias do Cabedelo, desassoreou e alargou bastante a barra, particularmente diante da Meia-Laranja e do Touro, ficando a restinga próximo das pedras denominadas Fogamanadas, e ainda bem que a barra alargou, caso contrário, o navio tinha mesmo encalhado, e uma tragédia tinha sido consumada.
Na ocasião, que o navio estava em dificuldades, aquele prático de 56 anos de idade e 30 de serviço activo sem qualquer incidente de maior no seu currículo, só rogava à Nossa Senhora da Lapa, padroeira dos pilotos da barra e dos mareantes da barra, cuja capela se situava junto à estação de pilotos, que intercedesse a Deus para que o auxiliasse a manobrar e conduzir o JOÃO MARTINS para montante. No entanto, segundo ele me relatou, caso não conseguisse entrar no canal de navegação ou fazer-se de novo ao mar, trataria de o encalhar o mais perto do enrocamento do cais Velho, a fim de haver hipóteses de salvamento de todos os elementos a bordo e mesmo posterior recuperação do próprio navio, porque do lado sul e à hora a que se deu o incidente, com a noite a aproximar-se e a maresia a crescer, aliado à força da corrente, a qual devido à proximidade da vazante aumentaria de intensidade, teria havido uma das maiores tragédias jamais lembrada na temível barra do Douro e ainda por cima na presença dos familiares da tripulação, e de mim próprio que não sabia que a bordo vinha o meu pai, e um parente mestre redes, da Murtosa.
Pouco antes passara a barra de entrada o navio-motor Português ÁFRICA OCIDENTAL, de 72m/1.266tb, pertencente à Sociedade Geral de Comércio, Industria e Transportes, de Lisboa, vindo em 15 pés de água, sob a orientação do piloto Hermínio Gonçalves dos Reis, que também fora envolvido em grande ondulação, riscando na vaga, vendo-se por vezes o seu hélice a trabalhar fora de água, contudo passando a barra sem dificuldades de maior, salvo uma ou outra guinada já dentro do rio, devido à forte corrente que se fazia sentir, indo amarrar no ancoradouro da CUF, no lugar do Monchique.
Alguns dias passados, após o JOÃO MARTINS, já em Lisboa, ter entrado em doca seca para limpeza do fundo e fabricos, foi detectado que o cadaste e o leme estavam bastante danificados, possivelmente devido às referidas pancadas. Só a mão de Deus deve ter estado ao leme daquele arrastão bacalhoeiro!
O JOÃO MARTINS foi uma das vitimas da grande cheia de 1961/62, o qual atracado ao cais de Gaia não conseguiu suportar a força arrasadora da corrente do rio Douro, que lhe provocou o rebentamento das amarrações que o ligavam aquele cais, garrando ao sabor das águas, com os motores a trabalhar, de madrugada, todo iluminado mas sem tripulação, e saindo a barra de popa arrastando pelo fundo os ferros lançados a prumo, juntamente com outros navios, até ter sido resgatado pela sua tripulação ao largo da barra, entrando de seguida em Leixões, aparentemente sem qualquer dano.
Quando o meu pai chegou a casa por volta das 8 horas da noite e ao contar a odisseia porque tinha passado a mim e à minha mãe, não conteve as lágrimas. Ele como prático da barra sabia muito bem o drama que poderia ter ocorrido naquela malfadada barra!
JOÃO MARTINS – Arrastão clássico lateral bacalhoeiro/ imo 5172377/ 71,1m/ 1.264tb/ __nós; 07/1952 entregue pelos acreditados ENVC – Estaleiros Navais de Viana do Castelo à SNAB – Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau, de Lisboa; 1982 NUNO FILIPE, António Conde & Cia., Lda., de Lisboa; 1990 RIO CABRIL, North Ladytee E.B. Marine Inc, Panamá, Bandeira de conveniência da Republica do Panamá; 2003 excluído do Lloyd’s Register of Shipping por dúvida de existência. Foi o último arrastão clássico lateral a ser construído para a frota bacalhoeira Portuguesa.
Fontes; José Fernandes Amaro Júnior; Miramar Ship Index.
Parte deste trabalho está inserido no meu livro A BARRA DA MORTE - A FOZ DO DOURO (Edições O PROGRESSO DA FOZ) ano 2006.
(Continua)
Rui Amaro

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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 313



O piloto-mor José Fernandes Tato recebendo das mãos do comandante Jaime Couceiro o diploma e a medalha de prata de Socorros a Náufragos, vendo-se na imagem da esquerda para a direita, além daquelas duas entidades, os pilotos Encarnação, Vasco Morais e Cândido

__/__/1958 – O Sr. capitão de mar-e-guerra Jaime Couceiro, director do Instituto de Socorros a Náufragos, deslocou-se ontem ao Porto, a fim de entregar a medalha de prata de Socorros a Náufragos à Corporação dos Pilotos do Douro e Leixões, com que este organismo foi recentemente agraciado pelo Ministério da Marinha.
A cerimónia, que se revestiu da maior singeleza e se efectuou, pelas 11 horas na sede da corporação, à Cantareira, na Foz do Douro, assistiram, além daquele ilustre oficial da Marinha, o sr. comandante Sousa Guimarães, em representação do sr. comandante Carlos Carreira, chefe do Departamento Marítimo do Norte, que se encontra ausente na capital; eng. Russo Belo, comandante dos Bombeiros Voluntários de Matosinhos-Leça; piloto-mor José Fernandes Tato; sota-piloto-mor Mário Francisco da Madalena e Francisco de Campos Evangelista; cabo-piloto Aires Pereira Franco, pilotos, motoristas e pessoal assalariado da corporação.
O sr. comandante Jaime Couceiro, depois de saudar a corporação, referiu-se à justiça prestada pelo sr Comodoro Quintanilha de Mendonça Dias, ministro da Marinha, condecorando a instituição, e agradeceu a colaboração que ela tem prestado ao departamento que dirige. Fez depois entrega ao piloto-mor da referida recompensa.
O piloto-mor José Fernandes Tato, depois de agradecer a presença do sr. comandante Jaime Couceiro e de saudar em termos altamente elogiosos o sr. ministro da Marinha, prometeu continuar a prestar a mesma colaboração ao Instituto de Socorros a Náufragos.
O caso é que mais das vezes quem se adiantava aos salva-vidas a remos do Douro, eram as lanchas de pilotar e o pessoal da corporação, e mesmo nos salva-vidas faziam parte da companha de voluntários, pilotos e seu pessoal auxiliar, e mais das vezes em situações de grande perigo.
Fonte e imagem: Jornal de Noticias.
Rui Amaro     

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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 312





RECORDANDO O INCÊNDIO DO NAVIO-MOTOR BACALHOEIRO “BISSAYA BARRETO” NO SEU ANCORADOURO DO RIO DOURO




Flagrantes do incêndio que destruiu o BISSAYA BARRETO no rio Douro / Jornal de Noticias /.
A 21/01/1950, quando o navio-motor bacalhoeiro de pesca à linha se encontrava amarrado no rio Douro, lugar de Santo António do Vale da Piedade, margem de Gaia, em fabricos para a campanha de 1950 aos Grandes Bancos da Terra Nova e Gronelândia  foi pasto das chamas, sobretudo à popa, possivelmente devido a algum curto-circuito da sua instalação electrica.
 Dado o alarme compareceram de imediato os BSB – Batalhão Sapadores Bombeiros do Porto e os Bombeiros Municipais de Gaia, com o seu material de ataque a incêndios, e também os rebocadores MARIALVA, MANOLITO e MERCÚRIO 2º, e uma vez que o navio estava a ser inundado e adornar  os pilotos da barra decidiram que o BISSAYA BARRETO fosse levado para um lugar de águas pouco profundas, e assim o rebocador MARIALVA coadjuvado pelos dois rebocadores fluviais, conduziram-no para o lugar de Sampaio da Afurada, onde o navio ficou assente num dos baixios, local onde os bombeiros continuaram a tentar extinguir as chamas, que já consumiam a habitabilidade, casa de navegação e casa da máquina, instalações essas que ficaram destruídas.
As duas corporações de bombeiros, somente a 22 cerca da 14h00 é que regressaram aos seus quarteis, abandonando assim, o BISSAYA BARRETO, após extinção das chamas, onde com as precauções necessárias se encontravam de prevenção prontos a acudir e debelar qualquer possível reatamento do fogo, que ali lavrara, com impetuosa e destruidora violência, durante mais de trinta e sete horas, tornando aquele excelente navio bacalhoeiro, sem duvida, uma das melhores e mais bem apetrechadas unidades de pesca à linha da nossa frota bacalhoeira, absolutamente inutilizada para continuar a navegar.
Desde que o incendio foi dado por extinto, a tripulação de bordo com o seu comandante, o capitão da Marinha Mercante, sr. Carlos Fernandes Parracho, ocupou-se, desde logo no arrolamento dos salvados e noutros convenientes e necessários serviços.
Os rebocadores MERCURIO 2º e MANOLITO retiraram-se também ontem de manhã, por se tornar já desnecessária a sua assistência ao BISSAYA BARRETO. Junto do navio sinistrado ficou apenas o rebocador MARIALVA, que se empregou, com as bombas de bordo e um estanca-rios a esgotar a água que havia inundado os porões e a casa da máquina. Em consequência de se encontrar mais aliviado daquele enorme peso de água – o BISSAYA BARRETO, que chegou a adornar a estibordo, com uma inclinação, aproximadamente, de 40 graus – ficou, no dia seguinte, quase na sua posição normal, embora ainda encalhado nos lodosos baixios do lugar de Sampaio, da Afurada. A maneira que daquele navio-motor se iam esgotando a água, foram também aparecendo os estragos produzidos pela violência do fogo – nomeadamente no madeiramento do costado e do convés; na casa da máquina e na respectiva maquinaria; no cavername; nas instalações frigoríficas e na ponte do comando e anexos.
De manhã esteve a bordo do BISSAYA BARRETO a fim de se inteirar da extensão dos estragos e inutilização daquele navio, o sr. Comandante Henrique Tenreiro, presidente da Junta Central da Casa dos Pescadores, e delegado do governo junto do Grémio dos Armadores dos Navios de Pesca do Bacalhau. Acompanhavam-no, além de outras entidades oficiais, e armadores do navio incendiado, o sr. Comandante João Pais, capitão do porto do Douro.
O BISSAYA BARRETO foi depois de ser posto a reflutuar rebocado para o ancoradouro de Santo António do Vale da Piedade, na margem esquerda do Douro, onde estava primitivamente. Ancoradouro esse, destinado aos navios da frota bacalhoeira e onde foi devidamente vistoriado pelos engenheiros-peritos, da Direcção Geral da Marinha Mercante.,

O PARAÍSO na carreira da Gafanha da Nazaré em face de acabamentos 1955 / Jornal de Noticias /



O PARAÍSO no dia do lançamento à água 1955 / autor desconhecido - MMI /. 

BISSAYA BARRETO (1) – imo 5615239/ um dos dois primeiros navios-motor em madeira do tipo CRCB-Renovação/ 51,50m/ 712,15tb/ cerca 10.500 quintais/ 2x Sulzer 500/550hp/ 10nós; 1943 entregue por Benjamim Bolais Mónica, carreira da Murraceira, Figueira da Foz, cuja continuidade foi empreendida em 09/1944 pelos Estaleiros Navais do Mondego Sarl. Na mesma data foi lançado à àgua o gémeo COMANDANTE TENREIRO (1), este naufragado nos Grandes Bancos a 20/06/1946, devido a colisão com um “icebergue”, os dois construidos para a Lusitânia – Companhia Portuguesa de Pesca, Lda, Figueira da Foz. Ambos os navios, embora registados naquele porto da foz do Mondego, descarregavam e hibernavam no rio Douro.
Segundo consta, o BISSAYA BARRETO, semi-destruído, esteve para ser reconstruido num dos estaleiros da Figueira da Foz, mas a proposta apresentada por um ex-autarca de Ilhavo e capitão da marinha mercante, fora irrecusável, e consumada a venda a 27/11/1951, sob o nome de SÃO MAGAYO, a reboque, deixa o rio Douro e entra em Leixões, indo no mesmo dia para a Gafanha da Nazaré, onde fora adquirido por um armador interessado no seu aproveitamento. A 04/1955, após cuidada reconstrução foi lançado á àgua pelos estaleiros dos irmãos Mónicas, Gafanha da Nazaré, com o nome de PARAISO para a Empresa de Pesca de Portugal, Lda, e alguns dias depois seguiu para Lisboa, a fim de marcar presença na usual cerimónia religiosa da Benção dos Bacalhoeiros, rumando de seguida para os pesqueiros da Terra Nova e Gronelância; 1956 RIO ANTUÃ, e mais tarde foi convertido em navio de pesca com redes de emalhar; 02/09/1973 náufraga devido a incêndio nos Grandes Bancos da Terra Nova, tendo a companha que se abrigou nos botes, sido resgatada pelos navios-motores CONCEIÇÃO VILARINHO e SENHORA DA BOA VIAGEM, passado cerca de seis horas, devido à distancia que separava aqueles navios da área do sinistro. 
Fontes: José Fernandes Amaro Junior, Lloyd’s Register of Shipping, Reimar. Blog Marinheiro Jimmy, Museu Maritimo de Ilhavo (navios), Jornal O Primeiro de Janeiro.
(continua)
Rui Amaro

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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 311

OS NAVIOS-MOTOR “IRAK” E “ROELF” EM DIFICULDADES QUANDO SE FAZIAM ÀBARRA DO DOURO

O n/m Alemão IRAK ao demandar o rio douro em 1958 /Rui Amaro/ 

O n/m Holandês ROELF no momento de acostagem ao cais de Gaia em 1959 / F. Cabral, Porto/

29/12/1956, pelas 08h00 pairavam ao largo da costa, aguardando piloto para demandar a barra do Douro, dois pequenos navios-motores, o Alemão IRAK, 46,5m/ 414tb e o Holandês ROELF, 47m/ 435tb, ambos transportando carga diversa. O primeiro procedente de Bremen, pertencendo à DDG Hansa, Bremen, agenciado por Burmester & Cia. Lda. e o segundo vindo de Amesterdão, fretado à K.N.S.M, Amesterdão, consignado a Jervell & Knudsen., Lda.
Em virtude da ondulação na barra estar a tornar-se perigosa e com o vento a soprar forte de sudoeste ameaçando temporal, aqueles navios foram pilotados pela lancha P1, a partir do porto de Leixões, saltando para bordo do IRAK, o piloto José Fernandes Amaro Júnior e para o ROELF, o piloto Alberto Feliciano Pereira Encarnação. Os dois pilotos vendo a bandeira vermelha no mastro do castelo da Foz, indicativo de barra franca, que fora içada, após consulta a todos os pilotos reunidos no cais do Marégrafo, imediatamente o IRAK ruma à barra seguido pelo ROELF, que tentam vencer a forte ventania de sudoeste e ondulação, já a ameaçar quebrar pela amura de estibordo dos dois navios, que eram de marcha fraca, pelo que começaram a desgovernar, criando dificuldade a uma boa navegação.
O IRAK, quando está no enfiamento da barra, começou a ficar envolvido pela maresia, que entretanto recrudesceu de intensidade e a derivar para sotavento, ficando numa situação melindrosa. Em face da situação, o seu capitão recusou-se demandar a barra, como seria óbvio. Então, o piloto José Fernandes Amaro Júnior manda desandar o navio de proa ao mar, o qual já tinha descaído para muito perto da costa, entre as pedras do Bezerro de Fora e do Gilreu e com muita dificuldade consegue desviar-se da costa e rumar ao largo.
O ROELF, cujo capitão, também se recusou passar a barra, suportou as mesmas dificuldades encontradas pelo IRAK, felizmente também conseguiu fazer-se ao largo. Ambos os navios receberam ordens dos seus agentes para seguirem para o porto de Leixões e foram atracar na doca nº 1 Sul, a fim de efectuarem as suas operações comerciais, e passado dois dias seguiram com destino aos portos de onde tinham chegado. Ambos os capitães entregaram aos respectivos pilotos um documento, apresentando as suas razões pela recusa de demandarem a barra do Douro, a fim de ser entregue ao piloto-mor José Fernandes Tato.
IRAK – imo 5317240, reconstruído dum antigo batelão da “Kriegsmarine” denominado MASA W. 8, 40,89m/305tb/ 8,5nós, que fora lançado à água em 1941 por Ewald Berninghaus Werft Koln Deutz, Koln, o qual se encontrava ancorado na Alemanha de posse da OMGUS – Office of Military Governament/USA, como reparação de guerra desde 1945. Em 1950, após o período de restrição à navegação mercante Alemã pelas nações Aliadas, foi adquirido pela DDG Hansa, Bremen, juntamente com o batelão MASA W. 6 a que aquele armador baptizou de IRAN, tendo-os colocado no serviço de Espanha e Portugal. Eram embarcações um pouco similares e alguns anos mais tarde foram completamente reconstruídos, ficando com melhor aspecto e funcionalidade. O IRAK foi alongado para 46,5m/414tb; Em 1960 foi vendido ao Kapt. Erich Hanisch (Blumenthal), Bremen, que lhe deu o nome de SEEBAR; 1966 SEEBEAR, F. Carron, Antwerp; 1966 SPYROS K, Spyros Kambouroglu, Salónica; 1973 PANGHITSA, E. Papaphillippou &Co., Salonica; 1975 PANGHITSA, T. Serelis & E. Bouris, Salonica; 1977 STAVROULA, Emmanuel Dagadakis, Salonica; 1977 BOLERO, Vaco Shipping Co, San Lorenzo, Honduras; 07/01/1978 naufragou perto de Kylos, Mar Negro Turco, em viagem de Varna para Beirut. O IRAK e o IRAN tinham a particularidade de à época serem os navios mais pequenos e os iniciadores do ressurgimento da enorme frota da importante companhia de navegação Alemã DDG. HANSA, que na década de 80 abriu falência.
ROELF – imo 6421997/ 47m/ 435tb/ 9 nós, 24/06/1938 entregue por J. J. Pattje & Zoon, Waterhuizen, como BART ao armador Bart J. Dekker, dois porões, um mastro central, tipo clássico de navio costeiro Holandês (schuyter) à época. Tipo de navio esse, que prevaleceu até à década de 70. A 16/05/1940, pouco antes de a Holanda ter sido ocupada pelas forças armadas invasoras hitelarianas, aquele navio Holandês escapou-se, assim como uma grande parte das unidades mercantes daquela país, para Inglaterra. No período de 1938/46 foi gerido pelos importantes armadores Holandeses Wagenborg e Gruno, excepto durante os anos de guerra, O BART foi um dos muitos navios Holandeses, que se refugiaram em portos Britânicos tendo servido o organismo Netherlands Shipping and Trading Committee e passando a ser gerido pela firma Freight Express Ltd, UK.
Juntamente com outros navios tomou parte na célebre retirada de Dunquerque “Operação Dynamo”, libertando para Inglaterra 430 militares do corpo expedicionário Britânico em França. Além desse feito, em 26/05/1940, ao serviço da “Royal Navy”, deixou Dover carregado de víveres, provisões e combustível para abastecimento da frota de pequenas embarcações, as quais transportando tropas aliadas, se dirigiam à costa francesa a fim de tomar parte no célebre desembarque da Normandia – “D-Day”.
Em 1946 foi adquirido por Vrachtvaart Mij. Gebr. Dekker, Rotterdam (gerido por Wagenborg), que lhe deu o nome de ROELF, tendo sido vendido em 1960 a R, Alberti & A, Capello, Trieste, recebendo o nome de ARCA; 1961 ARCA, Vicenzo Cavarreta, Trapani; A 17/01/1962 abriu água perto da ilha Unije, quando em viagem de Trieste para Lattakia com carga geral, rebocado pelo CHRISTINA MONTANARI, todavia afundou-se a uma milha ao largo de Mali Losinj, tendo em Agosto do mesmo ano sido posto a flutuar pela empresa Brodospas, que o levou a reboque para Rijeka e mais tarde para Split. Tomado de posse pela empresa salvadora, foi vendido em Janeiro de 1963 a Obalna Plovidba Vela Luka, Vela Luka, passando a chamar-se OSJAK, recuperado e reparado voltou a navegar. Em 1971 a razão social do armador foi alterada para Dalmatinska Plovidba, Vela Luka, mantendo o navio o mesmo nome, que conservou ao ser comprado em 1972 pela Compania Naviera Lemina S.A., Panamá. Em 1985 sob forte maresia afundou-se, ficando semi-submerso em Valona, Albânia, onde foi vendido a sucateiros em 1987.
Fontes: José Fernnandes Amaro Júnior; DDG Hansa; KNSM, Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

domingo, 1 de setembro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 310


O NAVIO-MOTOR ALEMÃO “ROLANDSECK” NO BANCO DO PORTO A, RIO DOURO


__/__/1956 – Quando na manhã de ontem, e enquanto rumava à barra com destino a Leixões e Hamburgo, por qualquer motivo, o navio-motor Alemão ROLANDSECK foi encalhar no banco de areia, denominado de Banhos, Porta Nova ou Porto A. Dado o alarme compareceu o rebocador fluvial JULIO LUIS que o auxilou nas manobras de desencalhe.
Verificando-se que tinha um cabo enroscado no hélice, e como tal sem poder de manobralidade foi levado pelo JÚLIO LUÍS para o primitivo ancoradouro, o cais de Gaia, a fim de ser retirado o referido cabo, tendo deixado o Douro na maré da tarde sem mais percalços.
ROLANDSECK – imo 7427879/ 71,1m/ 857tb/ 12m5kn/ oax 4; 25/02/1953 entregue pelo estaleiro Atlas Werke AG, Bremen, a Rolandseck Schiffahrts GmbH, Bremen, gestores DDG Hansa, Bremen; 1958 ROLANDSECK, DDG Hansa, Bremen; 15/12/1960 SAUERLAND, Bundesmarine, que o converteu em navio logistico; 1973 LAND, Poul Christensen, Nakskov, Dinamarca, 1.305tb; 1974 OURANIA P, Fimena Maritime Co., Ltd, Famagusta, Chipre; 21/03/1974 colidiu com o n/m Bulgaro VOLA, 10.859tb em Sfax, Tunisia, e foi varado numa praia; 1975 desmatelado no local. Gémeos: SCHWANECK, MARIAECK, SONECK.
Fontes: Imprensa diária; Miramar Ship Index.
Imagem: Imprensa Diária.
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s) em NAVIOS Á VISTA, o que muito se agradece.

ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on NAVIOS Á VISTA, which will be very much appreciated.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 309


RECORDANDO O ENCALHE DO NAVIO-MOTOR INGLÊS “CROSBIAN” NO RIO DOURO






08/11/1956 – Cerca das 08h00 de ontem demandou a barra do Douro com alguma neblina, o navio-motor Inglês CROSBIAN, procedente de Liverpool via Lisboa com carga diversa, consignado aos agentes Wall & Cia., Lda., da praça do Porto.
A bordo do CROSBIAN vinha o piloto da barra Manuel Garcez Ferraz, assessorando a manobra de conducção do navio, homem experimentado e bem conhecedor, como todos os pilotos do Douro e Leixões.
No entanto devido à neblina, possivelmente, o navio foi encalhar num banco de areia diante ao lugar de Sobreiras, denominado de Arribadouros, segundo consta, porque o piloto se viu obrigado a desviar a rota um pouco para estibordo, por causa dum batelão que a reboque lhe apareceu pela proa.
Impossibilitado de se mover por ter encalhado no dito banco de areia, e apesar do auxílio do rebocador GUADIANA, que andava por perto em operações de assistência às dragagens, no reboque de batelões, não surtiu o efeito desejado. Entretanto vindo de Leixões surgiu o rebocador VANDOMA, mais potente, que também não conseguiu safar o CROSBIAN, o qual teve de aguardar pela preamar das 18h00, tendo entretanto alguma carga sido baldeada para o batelão DELMINDA, para aliviar o navio sinistrado.
Cerca da 18h00, em que a maré estava cheia, o CROSBIAN, com o auxilio dos rebocadores GUADIANA, da Direcção Geral dos Serviços Hidráulicos, e do VANDOMA, da APDL, conseguiu safar-se.
Os trabalhos decorreram sob a orientação do piloto-mor José Fernandes Tato, coadjuvado pelo cabo-piloto Aires Franco e pelo piloto Bento Costa.
O CROSBIAN seguiu depois normalmente rio acima, indo fundear no lugar de Oeste da Cábrea, Monchique, sem ter sofrido qualquer dano para além da perda de algumas horas.
O navio largou do Douro para Leixões passados três dias, a fim de completar as operações comerciais, rumando um dia mais tarde para Liverpool.
CROSBIAN – imo 5082405/ 82,9m/ 1.528tb/ 2 hélices/ 23 nós; 08/1947 entregue por William Gray & Co., Ltd., West Hartlepool, à Elerman Papayanni Co., Ltd, Liverpool; 1962 CROSBIAN, Mossgiel Steamship Co., Ltd., Glasgow; 1977 MABUHAY, Solid Shipping Lines, Cebu, Filipinas; 1978 MABUHAY, Davao Redwood Corp., Davao, Filipinas; 11/10/1980 chegava a Manila para desmatelamento.
Fontes: Miramar Ship Index; Imprensa diária.
As duas primeiras imagens são de autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto.
A terceira é do Jornal de Noticias.
(continua)                             
Rui Amaro

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