sexta-feira, 4 de outubro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 313



O piloto-mor José Fernandes Tato recebendo das mãos do comandante Jaime Couceiro o diploma e a medalha de prata de Socorros a Náufragos, vendo-se na imagem da esquerda para a direita, além daquelas duas entidades, os pilotos Encarnação, Vasco Morais e Cândido

__/__/1958 – O Sr. capitão de mar-e-guerra Jaime Couceiro, director do Instituto de Socorros a Náufragos, deslocou-se ontem ao Porto, a fim de entregar a medalha de prata de Socorros a Náufragos à Corporação dos Pilotos do Douro e Leixões, com que este organismo foi recentemente agraciado pelo Ministério da Marinha.
A cerimónia, que se revestiu da maior singeleza e se efectuou, pelas 11 horas na sede da corporação, à Cantareira, na Foz do Douro, assistiram, além daquele ilustre oficial da Marinha, o sr. comandante Sousa Guimarães, em representação do sr. comandante Carlos Carreira, chefe do Departamento Marítimo do Norte, que se encontra ausente na capital; eng. Russo Belo, comandante dos Bombeiros Voluntários de Matosinhos-Leça; piloto-mor José Fernandes Tato; sota-piloto-mor Mário Francisco da Madalena e Francisco de Campos Evangelista; cabo-piloto Aires Pereira Franco, pilotos, motoristas e pessoal assalariado da corporação.
O sr. comandante Jaime Couceiro, depois de saudar a corporação, referiu-se à justiça prestada pelo sr Comodoro Quintanilha de Mendonça Dias, ministro da Marinha, condecorando a instituição, e agradeceu a colaboração que ela tem prestado ao departamento que dirige. Fez depois entrega ao piloto-mor da referida recompensa.
O piloto-mor José Fernandes Tato, depois de agradecer a presença do sr. comandante Jaime Couceiro e de saudar em termos altamente elogiosos o sr. ministro da Marinha, prometeu continuar a prestar a mesma colaboração ao Instituto de Socorros a Náufragos.
O caso é que mais das vezes quem se adiantava aos salva-vidas a remos do Douro, eram as lanchas de pilotar e o pessoal da corporação, e mesmo nos salva-vidas faziam parte da companha de voluntários, pilotos e seu pessoal auxiliar, e mais das vezes em situações de grande perigo.
Fonte e imagem: Jornal de Noticias.
Rui Amaro     

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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 312





RECORDANDO O INCÊNDIO DO NAVIO-MOTOR BACALHOEIRO “BISSAYA BARRETO” NO SEU ANCORADOURO DO RIO DOURO




Flagrantes do incêndio que destruiu o BISSAYA BARRETO no rio Douro / Jornal de Noticias /.
A 21/01/1950, quando o navio-motor bacalhoeiro de pesca à linha se encontrava amarrado no rio Douro, lugar de Santo António do Vale da Piedade, margem de Gaia, em fabricos para a campanha de 1950 aos Grandes Bancos da Terra Nova e Gronelândia  foi pasto das chamas, sobretudo à popa, possivelmente devido a algum curto-circuito da sua instalação electrica.
 Dado o alarme compareceram de imediato os BSB – Batalhão Sapadores Bombeiros do Porto e os Bombeiros Municipais de Gaia, com o seu material de ataque a incêndios, e também os rebocadores MARIALVA, MANOLITO e MERCÚRIO 2º, e uma vez que o navio estava a ser inundado e adornar  os pilotos da barra decidiram que o BISSAYA BARRETO fosse levado para um lugar de águas pouco profundas, e assim o rebocador MARIALVA coadjuvado pelos dois rebocadores fluviais, conduziram-no para o lugar de Sampaio da Afurada, onde o navio ficou assente num dos baixios, local onde os bombeiros continuaram a tentar extinguir as chamas, que já consumiam a habitabilidade, casa de navegação e casa da máquina, instalações essas que ficaram destruídas.
As duas corporações de bombeiros, somente a 22 cerca da 14h00 é que regressaram aos seus quarteis, abandonando assim, o BISSAYA BARRETO, após extinção das chamas, onde com as precauções necessárias se encontravam de prevenção prontos a acudir e debelar qualquer possível reatamento do fogo, que ali lavrara, com impetuosa e destruidora violência, durante mais de trinta e sete horas, tornando aquele excelente navio bacalhoeiro, sem duvida, uma das melhores e mais bem apetrechadas unidades de pesca à linha da nossa frota bacalhoeira, absolutamente inutilizada para continuar a navegar.
Desde que o incendio foi dado por extinto, a tripulação de bordo com o seu comandante, o capitão da Marinha Mercante, sr. Carlos Fernandes Parracho, ocupou-se, desde logo no arrolamento dos salvados e noutros convenientes e necessários serviços.
Os rebocadores MERCURIO 2º e MANOLITO retiraram-se também ontem de manhã, por se tornar já desnecessária a sua assistência ao BISSAYA BARRETO. Junto do navio sinistrado ficou apenas o rebocador MARIALVA, que se empregou, com as bombas de bordo e um estanca-rios a esgotar a água que havia inundado os porões e a casa da máquina. Em consequência de se encontrar mais aliviado daquele enorme peso de água – o BISSAYA BARRETO, que chegou a adornar a estibordo, com uma inclinação, aproximadamente, de 40 graus – ficou, no dia seguinte, quase na sua posição normal, embora ainda encalhado nos lodosos baixios do lugar de Sampaio, da Afurada. A maneira que daquele navio-motor se iam esgotando a água, foram também aparecendo os estragos produzidos pela violência do fogo – nomeadamente no madeiramento do costado e do convés; na casa da máquina e na respectiva maquinaria; no cavername; nas instalações frigoríficas e na ponte do comando e anexos.
De manhã esteve a bordo do BISSAYA BARRETO a fim de se inteirar da extensão dos estragos e inutilização daquele navio, o sr. Comandante Henrique Tenreiro, presidente da Junta Central da Casa dos Pescadores, e delegado do governo junto do Grémio dos Armadores dos Navios de Pesca do Bacalhau. Acompanhavam-no, além de outras entidades oficiais, e armadores do navio incendiado, o sr. Comandante João Pais, capitão do porto do Douro.
O BISSAYA BARRETO foi depois de ser posto a reflutuar rebocado para o ancoradouro de Santo António do Vale da Piedade, na margem esquerda do Douro, onde estava primitivamente. Ancoradouro esse, destinado aos navios da frota bacalhoeira e onde foi devidamente vistoriado pelos engenheiros-peritos, da Direcção Geral da Marinha Mercante.,

O PARAÍSO na carreira da Gafanha da Nazaré em face de acabamentos 1955 / Jornal de Noticias /



O PARAÍSO no dia do lançamento à água 1955 / autor desconhecido - MMI /. 

BISSAYA BARRETO (1) – imo 5615239/ um dos dois primeiros navios-motor em madeira do tipo CRCB-Renovação/ 51,50m/ 712,15tb/ cerca 10.500 quintais/ 2x Sulzer 500/550hp/ 10nós; 1943 entregue por Benjamim Bolais Mónica, carreira da Murraceira, Figueira da Foz, cuja continuidade foi empreendida em 09/1944 pelos Estaleiros Navais do Mondego Sarl. Na mesma data foi lançado à àgua o gémeo COMANDANTE TENREIRO (1), este naufragado nos Grandes Bancos a 20/06/1946, devido a colisão com um “icebergue”, os dois construidos para a Lusitânia – Companhia Portuguesa de Pesca, Lda, Figueira da Foz. Ambos os navios, embora registados naquele porto da foz do Mondego, descarregavam e hibernavam no rio Douro.
Segundo consta, o BISSAYA BARRETO, semi-destruído, esteve para ser reconstruido num dos estaleiros da Figueira da Foz, mas a proposta apresentada por um ex-autarca de Ilhavo e capitão da marinha mercante, fora irrecusável, e consumada a venda a 27/11/1951, sob o nome de SÃO MAGAYO, a reboque, deixa o rio Douro e entra em Leixões, indo no mesmo dia para a Gafanha da Nazaré, onde fora adquirido por um armador interessado no seu aproveitamento. A 04/1955, após cuidada reconstrução foi lançado á àgua pelos estaleiros dos irmãos Mónicas, Gafanha da Nazaré, com o nome de PARAISO para a Empresa de Pesca de Portugal, Lda, e alguns dias depois seguiu para Lisboa, a fim de marcar presença na usual cerimónia religiosa da Benção dos Bacalhoeiros, rumando de seguida para os pesqueiros da Terra Nova e Gronelância; 1956 RIO ANTUÃ, e mais tarde foi convertido em navio de pesca com redes de emalhar; 02/09/1973 náufraga devido a incêndio nos Grandes Bancos da Terra Nova, tendo a companha que se abrigou nos botes, sido resgatada pelos navios-motores CONCEIÇÃO VILARINHO e SENHORA DA BOA VIAGEM, passado cerca de seis horas, devido à distancia que separava aqueles navios da área do sinistro. 
Fontes: José Fernandes Amaro Junior, Lloyd’s Register of Shipping, Reimar. Blog Marinheiro Jimmy, Museu Maritimo de Ilhavo (navios), Jornal O Primeiro de Janeiro.
(continua)
Rui Amaro

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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 311

OS NAVIOS-MOTOR “IRAK” E “ROELF” EM DIFICULDADES QUANDO SE FAZIAM ÀBARRA DO DOURO

O n/m Alemão IRAK ao demandar o rio douro em 1958 /Rui Amaro/ 

O n/m Holandês ROELF no momento de acostagem ao cais de Gaia em 1959 / F. Cabral, Porto/

29/12/1956, pelas 08h00 pairavam ao largo da costa, aguardando piloto para demandar a barra do Douro, dois pequenos navios-motores, o Alemão IRAK, 46,5m/ 414tb e o Holandês ROELF, 47m/ 435tb, ambos transportando carga diversa. O primeiro procedente de Bremen, pertencendo à DDG Hansa, Bremen, agenciado por Burmester & Cia. Lda. e o segundo vindo de Amesterdão, fretado à K.N.S.M, Amesterdão, consignado a Jervell & Knudsen., Lda.
Em virtude da ondulação na barra estar a tornar-se perigosa e com o vento a soprar forte de sudoeste ameaçando temporal, aqueles navios foram pilotados pela lancha P1, a partir do porto de Leixões, saltando para bordo do IRAK, o piloto José Fernandes Amaro Júnior e para o ROELF, o piloto Alberto Feliciano Pereira Encarnação. Os dois pilotos vendo a bandeira vermelha no mastro do castelo da Foz, indicativo de barra franca, que fora içada, após consulta a todos os pilotos reunidos no cais do Marégrafo, imediatamente o IRAK ruma à barra seguido pelo ROELF, que tentam vencer a forte ventania de sudoeste e ondulação, já a ameaçar quebrar pela amura de estibordo dos dois navios, que eram de marcha fraca, pelo que começaram a desgovernar, criando dificuldade a uma boa navegação.
O IRAK, quando está no enfiamento da barra, começou a ficar envolvido pela maresia, que entretanto recrudesceu de intensidade e a derivar para sotavento, ficando numa situação melindrosa. Em face da situação, o seu capitão recusou-se demandar a barra, como seria óbvio. Então, o piloto José Fernandes Amaro Júnior manda desandar o navio de proa ao mar, o qual já tinha descaído para muito perto da costa, entre as pedras do Bezerro de Fora e do Gilreu e com muita dificuldade consegue desviar-se da costa e rumar ao largo.
O ROELF, cujo capitão, também se recusou passar a barra, suportou as mesmas dificuldades encontradas pelo IRAK, felizmente também conseguiu fazer-se ao largo. Ambos os navios receberam ordens dos seus agentes para seguirem para o porto de Leixões e foram atracar na doca nº 1 Sul, a fim de efectuarem as suas operações comerciais, e passado dois dias seguiram com destino aos portos de onde tinham chegado. Ambos os capitães entregaram aos respectivos pilotos um documento, apresentando as suas razões pela recusa de demandarem a barra do Douro, a fim de ser entregue ao piloto-mor José Fernandes Tato.
IRAK – imo 5317240, reconstruído dum antigo batelão da “Kriegsmarine” denominado MASA W. 8, 40,89m/305tb/ 8,5nós, que fora lançado à água em 1941 por Ewald Berninghaus Werft Koln Deutz, Koln, o qual se encontrava ancorado na Alemanha de posse da OMGUS – Office of Military Governament/USA, como reparação de guerra desde 1945. Em 1950, após o período de restrição à navegação mercante Alemã pelas nações Aliadas, foi adquirido pela DDG Hansa, Bremen, juntamente com o batelão MASA W. 6 a que aquele armador baptizou de IRAN, tendo-os colocado no serviço de Espanha e Portugal. Eram embarcações um pouco similares e alguns anos mais tarde foram completamente reconstruídos, ficando com melhor aspecto e funcionalidade. O IRAK foi alongado para 46,5m/414tb; Em 1960 foi vendido ao Kapt. Erich Hanisch (Blumenthal), Bremen, que lhe deu o nome de SEEBAR; 1966 SEEBEAR, F. Carron, Antwerp; 1966 SPYROS K, Spyros Kambouroglu, Salónica; 1973 PANGHITSA, E. Papaphillippou &Co., Salonica; 1975 PANGHITSA, T. Serelis & E. Bouris, Salonica; 1977 STAVROULA, Emmanuel Dagadakis, Salonica; 1977 BOLERO, Vaco Shipping Co, San Lorenzo, Honduras; 07/01/1978 naufragou perto de Kylos, Mar Negro Turco, em viagem de Varna para Beirut. O IRAK e o IRAN tinham a particularidade de à época serem os navios mais pequenos e os iniciadores do ressurgimento da enorme frota da importante companhia de navegação Alemã DDG. HANSA, que na década de 80 abriu falência.
ROELF – imo 6421997/ 47m/ 435tb/ 9 nós, 24/06/1938 entregue por J. J. Pattje & Zoon, Waterhuizen, como BART ao armador Bart J. Dekker, dois porões, um mastro central, tipo clássico de navio costeiro Holandês (schuyter) à época. Tipo de navio esse, que prevaleceu até à década de 70. A 16/05/1940, pouco antes de a Holanda ter sido ocupada pelas forças armadas invasoras hitelarianas, aquele navio Holandês escapou-se, assim como uma grande parte das unidades mercantes daquela país, para Inglaterra. No período de 1938/46 foi gerido pelos importantes armadores Holandeses Wagenborg e Gruno, excepto durante os anos de guerra, O BART foi um dos muitos navios Holandeses, que se refugiaram em portos Britânicos tendo servido o organismo Netherlands Shipping and Trading Committee e passando a ser gerido pela firma Freight Express Ltd, UK.
Juntamente com outros navios tomou parte na célebre retirada de Dunquerque “Operação Dynamo”, libertando para Inglaterra 430 militares do corpo expedicionário Britânico em França. Além desse feito, em 26/05/1940, ao serviço da “Royal Navy”, deixou Dover carregado de víveres, provisões e combustível para abastecimento da frota de pequenas embarcações, as quais transportando tropas aliadas, se dirigiam à costa francesa a fim de tomar parte no célebre desembarque da Normandia – “D-Day”.
Em 1946 foi adquirido por Vrachtvaart Mij. Gebr. Dekker, Rotterdam (gerido por Wagenborg), que lhe deu o nome de ROELF, tendo sido vendido em 1960 a R, Alberti & A, Capello, Trieste, recebendo o nome de ARCA; 1961 ARCA, Vicenzo Cavarreta, Trapani; A 17/01/1962 abriu água perto da ilha Unije, quando em viagem de Trieste para Lattakia com carga geral, rebocado pelo CHRISTINA MONTANARI, todavia afundou-se a uma milha ao largo de Mali Losinj, tendo em Agosto do mesmo ano sido posto a flutuar pela empresa Brodospas, que o levou a reboque para Rijeka e mais tarde para Split. Tomado de posse pela empresa salvadora, foi vendido em Janeiro de 1963 a Obalna Plovidba Vela Luka, Vela Luka, passando a chamar-se OSJAK, recuperado e reparado voltou a navegar. Em 1971 a razão social do armador foi alterada para Dalmatinska Plovidba, Vela Luka, mantendo o navio o mesmo nome, que conservou ao ser comprado em 1972 pela Compania Naviera Lemina S.A., Panamá. Em 1985 sob forte maresia afundou-se, ficando semi-submerso em Valona, Albânia, onde foi vendido a sucateiros em 1987.
Fontes: José Fernnandes Amaro Júnior; DDG Hansa; KNSM, Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

domingo, 1 de setembro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 310


O NAVIO-MOTOR ALEMÃO “ROLANDSECK” NO BANCO DO PORTO A, RIO DOURO


__/__/1956 – Quando na manhã de ontem, e enquanto rumava à barra com destino a Leixões e Hamburgo, por qualquer motivo, o navio-motor Alemão ROLANDSECK foi encalhar no banco de areia, denominado de Banhos, Porta Nova ou Porto A. Dado o alarme compareceu o rebocador fluvial JULIO LUIS que o auxilou nas manobras de desencalhe.
Verificando-se que tinha um cabo enroscado no hélice, e como tal sem poder de manobralidade foi levado pelo JÚLIO LUÍS para o primitivo ancoradouro, o cais de Gaia, a fim de ser retirado o referido cabo, tendo deixado o Douro na maré da tarde sem mais percalços.
ROLANDSECK – imo 7427879/ 71,1m/ 857tb/ 12m5kn/ oax 4; 25/02/1953 entregue pelo estaleiro Atlas Werke AG, Bremen, a Rolandseck Schiffahrts GmbH, Bremen, gestores DDG Hansa, Bremen; 1958 ROLANDSECK, DDG Hansa, Bremen; 15/12/1960 SAUERLAND, Bundesmarine, que o converteu em navio logistico; 1973 LAND, Poul Christensen, Nakskov, Dinamarca, 1.305tb; 1974 OURANIA P, Fimena Maritime Co., Ltd, Famagusta, Chipre; 21/03/1974 colidiu com o n/m Bulgaro VOLA, 10.859tb em Sfax, Tunisia, e foi varado numa praia; 1975 desmatelado no local. Gémeos: SCHWANECK, MARIAECK, SONECK.
Fontes: Imprensa diária; Miramar Ship Index.
Imagem: Imprensa Diária.
(continua)
Rui Amaro

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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 309


RECORDANDO O ENCALHE DO NAVIO-MOTOR INGLÊS “CROSBIAN” NO RIO DOURO






08/11/1956 – Cerca das 08h00 de ontem demandou a barra do Douro com alguma neblina, o navio-motor Inglês CROSBIAN, procedente de Liverpool via Lisboa com carga diversa, consignado aos agentes Wall & Cia., Lda., da praça do Porto.
A bordo do CROSBIAN vinha o piloto da barra Manuel Garcez Ferraz, assessorando a manobra de conducção do navio, homem experimentado e bem conhecedor, como todos os pilotos do Douro e Leixões.
No entanto devido à neblina, possivelmente, o navio foi encalhar num banco de areia diante ao lugar de Sobreiras, denominado de Arribadouros, segundo consta, porque o piloto se viu obrigado a desviar a rota um pouco para estibordo, por causa dum batelão que a reboque lhe apareceu pela proa.
Impossibilitado de se mover por ter encalhado no dito banco de areia, e apesar do auxílio do rebocador GUADIANA, que andava por perto em operações de assistência às dragagens, no reboque de batelões, não surtiu o efeito desejado. Entretanto vindo de Leixões surgiu o rebocador VANDOMA, mais potente, que também não conseguiu safar o CROSBIAN, o qual teve de aguardar pela preamar das 18h00, tendo entretanto alguma carga sido baldeada para o batelão DELMINDA, para aliviar o navio sinistrado.
Cerca da 18h00, em que a maré estava cheia, o CROSBIAN, com o auxilio dos rebocadores GUADIANA, da Direcção Geral dos Serviços Hidráulicos, e do VANDOMA, da APDL, conseguiu safar-se.
Os trabalhos decorreram sob a orientação do piloto-mor José Fernandes Tato, coadjuvado pelo cabo-piloto Aires Franco e pelo piloto Bento Costa.
O CROSBIAN seguiu depois normalmente rio acima, indo fundear no lugar de Oeste da Cábrea, Monchique, sem ter sofrido qualquer dano para além da perda de algumas horas.
O navio largou do Douro para Leixões passados três dias, a fim de completar as operações comerciais, rumando um dia mais tarde para Liverpool.
CROSBIAN – imo 5082405/ 82,9m/ 1.528tb/ 2 hélices/ 23 nós; 08/1947 entregue por William Gray & Co., Ltd., West Hartlepool, à Elerman Papayanni Co., Ltd, Liverpool; 1962 CROSBIAN, Mossgiel Steamship Co., Ltd., Glasgow; 1977 MABUHAY, Solid Shipping Lines, Cebu, Filipinas; 1978 MABUHAY, Davao Redwood Corp., Davao, Filipinas; 11/10/1980 chegava a Manila para desmatelamento.
Fontes: Miramar Ship Index; Imprensa diária.
As duas primeiras imagens são de autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto.
A terceira é do Jornal de Noticias.
(continua)                             
Rui Amaro

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domingo, 25 de agosto de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 308

RECORDANDO O ENCALHE DO NAVIO-MOTOR ALEMÃO “VEGESACK” NO RIO DOURO


O VEGESACK encalhado junto do banco dos Arribadouros, rio Douro, 1956 / Jornal de Noticias /

__/__/ 1956 - Aproveitando a marè da tarde de ontem, entrou pouco depois das 19h00 ns barra do Douro, o navio-motor Alemão VEGESACK, de cerca de 500 toneladas brutas, pertencente à DG Neptun, Bremen, e procedente daquele porto, com carga diversa, consignado ao representante do seu armador, W. Stuve & Cia., Lda., sedeado na Rua Mouzinho da Silveira, da cidade do Porto.
A demanda da barra fez-se normalmente, contudo, já depois de ultrapassado o cais do Marégrafo, na Cantareira, e quando o navio navegava em pleno canal, deteve-se encalhado num banco de areia imprevisto, formado recentemente junto do local conhecido pelos práticos da barra pela designação de Arribadouros.
Foram tomadas rapidamente todas as providências que o caso requeria, tendo ali comparecido os srs. José Fernandes Tato, Mário Francisco da Madalena e António Natalino Cordeiro, respectivamente piloto-mor, sota-piloto-mor e piloto de serviço à corporação.
Aguardada a enchente da maré, o navio era desencalhado pelos seus próprios meios às 21h30, seguindo rio acima e indo amarrar no lugar do Quadro da Alfandega, onde hoje ou amanhã será vistoriado.
Conhecida a notícia do encalhe, deslocaram-se à Foz do Douro, onde conferenciaram com o piloto-mor representantes da firma consignatária do VEGESACK.
O banco de areia formado no canal devido à pouca corrente do rio e ao forte infesto das enchentes, junto do lugar dos Arribadouros, de há dois meses aproximadamente a esta parte, vem aumentando gradualmente.
Por tal motivo, os pilotos da barra do Douro têm chamado a atenção de quem de direito para aquele facto, que dificulta a manobra dos navios que tenham de demandar a barra.


O VEGESACK ao demandar o porto de Leixões em 1954 / F. Cabral, Porto /.

VEGESACK – imo 5154997/ 64,2m/ 495tb/ 11nós; 12/1954 entregue por Fr Lurssen Werft GmbH KG, Vegesack, Bremen, a Fr Lurssen, Vegesack, Bremen, que o fretou a longo prazo à DG Neptun, Bremen, para o seu tráfego com a Peninsula Ibérica; 1960 HORNBALTIC, Fr Lurssen, Bremen; 1961 HORNBALTIC, Reederei Bruno Bischoff & Co. GmbH, Bremen; 1963 HORNBALTIC, Horn Linie, Hamburgo; 1972 DOMNA, T. Therapiotis & Anna Catsouris, Pireu; 1979 ASTERI, T. Therapiotis & Anna Catsouris, Pireu; 1989 KRIOS, Krios Shipping Co., Ltd, Pireu; 29/10/1990 colidiu com a muralha e submergiu em Stylis, posto a flutuar foi desmantelado em Eleusis.
Fontes: Jornal de Noticias, Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

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domingo, 18 de agosto de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 307


O BREM demandando o porto de Leixões na década de 50 /(c) Foto Mar, Leixões/.

O BREM na Bacia do porto de Leixões, ainda com fogo a bordo /O Comércio do Porto/. 

Após a extinção do incêndio, os bombeiros retiram-se de bordo /O Comércio do Porto /

O NAVIO-MOTOR HOLANDÊS “BREM” ENTROU EM LEIXÕES COM INCÊNDIO A BORDO

03/12/1952, cerca das 06h00 de ontem, entrou na bacia do porto de Leixões o navio-motor Holandês BREM com incendio a bordo.
Esta embarcação, de 428tb e com 9 homens de tripulação, sob o comando do Kaptein F. Stam, havia saído do Tejo pelas 18h00 de ante-ontem, com carga diversa, destinada ao porto do Douro.
Durante a viagem, cerca das 05h00, o oficial de quarto constatou que num dos porões, lavrava fogo, imediatamente o BREM tomou rumo de Leixões, tendo entretanto, enviado um rádio para a capitania do porto de Leixões, comunicando o sucedido e pedidndo que fosssem tomadas as prevenções usuais para estas causas.
Logo após ter entrado, as corporações dos B. V. de Matosinhos-Leça e B. V. de Leixões, fizeram-se transportar em lanchas e dirigiram-se para o navio sinistrado.
Montado o serviço e aberto o porão, iniciou-se o ataque ao incendio e cerca de uma hora depois, o incendio considerava-se extinto e logo depois, iniciava-se a descarga da mercadoria para barcaças.
Pelas 15h00, o BREM largou do seu ancoradouro da bacia e foi atracar na doca nº 1, a fim de completar a descarga.
Os prejuízos são bastante importantes, calculando-se que dois terços da carga estejam inutilizados.
No ataque ao incendio foram empregadas três agulhetas. Tendo também comparecido um dos rebocadores da APDL.
A bordo do navio, que acabou por não escalar o rio Douro, estiveram o eng. Russo Belo, 1º comandante dos B. V. de Matosinhos-Leça; Joel da Cunha Monteiro, sota-piloto-mór; tenente Silveira, patrão-mór, etc.
Os bombeiros retiraram de bordo cerca das 16h00.
As mercadorias eram constituídas por maquinaria, lâmpadas, vinhos, cortiça, queijo, etc.
O navio vinha consignado à firma Portuense Wall & Cª, Lda, agentes da Lusitania Lijn.
BREM – imo 5317288/ 428gt/ 9nós; 25/05/1939 entregue por Scheepswerf Foxhol, Foxhol, como FRAM a NV Motorschip Fram, Groningen; 1940 BREM, NV Hudig & Pieter’s Algemeen Scheepvaart Mij, Roterdão; WW2 BREM, devido à invasão da Holanda pelas forças militares da Alemanha, refugiou-se na Inglaterra e serviu as forças Aliadas; 1945 BREM, NV Hudig & Pieter’s Algemeen Scheepvaart Mij, Lusitania Lijn, Roterdão, que o empregou no tráfego Benelux/Portugal; 1957 SEEFALKE, Erich Hanisch, Bremen; 1964 SEEFALKE, Willis August Suhr, Hamburg; 1969 SEEFALKE, Stadtsparkasse Duisburg, Hamburg; 1973 arrived Gotenburgo para desmantelamento.
Fonte: jornal O Comércio do Porto; Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

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