quarta-feira, 4 de setembro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 311

OS NAVIOS-MOTOR “IRAK” E “ROELF” EM DIFICULDADES QUANDO SE FAZIAM ÀBARRA DO DOURO

O n/m Alemão IRAK ao demandar o rio douro em 1958 /Rui Amaro/ 

O n/m Holandês ROELF no momento de acostagem ao cais de Gaia em 1959 / F. Cabral, Porto/

29/12/1956, pelas 08h00 pairavam ao largo da costa, aguardando piloto para demandar a barra do Douro, dois pequenos navios-motores, o Alemão IRAK, 46,5m/ 414tb e o Holandês ROELF, 47m/ 435tb, ambos transportando carga diversa. O primeiro procedente de Bremen, pertencendo à DDG Hansa, Bremen, agenciado por Burmester & Cia. Lda. e o segundo vindo de Amesterdão, fretado à K.N.S.M, Amesterdão, consignado a Jervell & Knudsen., Lda.
Em virtude da ondulação na barra estar a tornar-se perigosa e com o vento a soprar forte de sudoeste ameaçando temporal, aqueles navios foram pilotados pela lancha P1, a partir do porto de Leixões, saltando para bordo do IRAK, o piloto José Fernandes Amaro Júnior e para o ROELF, o piloto Alberto Feliciano Pereira Encarnação. Os dois pilotos vendo a bandeira vermelha no mastro do castelo da Foz, indicativo de barra franca, que fora içada, após consulta a todos os pilotos reunidos no cais do Marégrafo, imediatamente o IRAK ruma à barra seguido pelo ROELF, que tentam vencer a forte ventania de sudoeste e ondulação, já a ameaçar quebrar pela amura de estibordo dos dois navios, que eram de marcha fraca, pelo que começaram a desgovernar, criando dificuldade a uma boa navegação.
O IRAK, quando está no enfiamento da barra, começou a ficar envolvido pela maresia, que entretanto recrudesceu de intensidade e a derivar para sotavento, ficando numa situação melindrosa. Em face da situação, o seu capitão recusou-se demandar a barra, como seria óbvio. Então, o piloto José Fernandes Amaro Júnior manda desandar o navio de proa ao mar, o qual já tinha descaído para muito perto da costa, entre as pedras do Bezerro de Fora e do Gilreu e com muita dificuldade consegue desviar-se da costa e rumar ao largo.
O ROELF, cujo capitão, também se recusou passar a barra, suportou as mesmas dificuldades encontradas pelo IRAK, felizmente também conseguiu fazer-se ao largo. Ambos os navios receberam ordens dos seus agentes para seguirem para o porto de Leixões e foram atracar na doca nº 1 Sul, a fim de efectuarem as suas operações comerciais, e passado dois dias seguiram com destino aos portos de onde tinham chegado. Ambos os capitães entregaram aos respectivos pilotos um documento, apresentando as suas razões pela recusa de demandarem a barra do Douro, a fim de ser entregue ao piloto-mor José Fernandes Tato.
IRAK – imo 5317240, reconstruído dum antigo batelão da “Kriegsmarine” denominado MASA W. 8, 40,89m/305tb/ 8,5nós, que fora lançado à água em 1941 por Ewald Berninghaus Werft Koln Deutz, Koln, o qual se encontrava ancorado na Alemanha de posse da OMGUS – Office of Military Governament/USA, como reparação de guerra desde 1945. Em 1950, após o período de restrição à navegação mercante Alemã pelas nações Aliadas, foi adquirido pela DDG Hansa, Bremen, juntamente com o batelão MASA W. 6 a que aquele armador baptizou de IRAN, tendo-os colocado no serviço de Espanha e Portugal. Eram embarcações um pouco similares e alguns anos mais tarde foram completamente reconstruídos, ficando com melhor aspecto e funcionalidade. O IRAK foi alongado para 46,5m/414tb; Em 1960 foi vendido ao Kapt. Erich Hanisch (Blumenthal), Bremen, que lhe deu o nome de SEEBAR; 1966 SEEBEAR, F. Carron, Antwerp; 1966 SPYROS K, Spyros Kambouroglu, Salónica; 1973 PANGHITSA, E. Papaphillippou &Co., Salonica; 1975 PANGHITSA, T. Serelis & E. Bouris, Salonica; 1977 STAVROULA, Emmanuel Dagadakis, Salonica; 1977 BOLERO, Vaco Shipping Co, San Lorenzo, Honduras; 07/01/1978 naufragou perto de Kylos, Mar Negro Turco, em viagem de Varna para Beirut. O IRAK e o IRAN tinham a particularidade de à época serem os navios mais pequenos e os iniciadores do ressurgimento da enorme frota da importante companhia de navegação Alemã DDG. HANSA, que na década de 80 abriu falência.
ROELF – imo 6421997/ 47m/ 435tb/ 9 nós, 24/06/1938 entregue por J. J. Pattje & Zoon, Waterhuizen, como BART ao armador Bart J. Dekker, dois porões, um mastro central, tipo clássico de navio costeiro Holandês (schuyter) à época. Tipo de navio esse, que prevaleceu até à década de 70. A 16/05/1940, pouco antes de a Holanda ter sido ocupada pelas forças armadas invasoras hitelarianas, aquele navio Holandês escapou-se, assim como uma grande parte das unidades mercantes daquela país, para Inglaterra. No período de 1938/46 foi gerido pelos importantes armadores Holandeses Wagenborg e Gruno, excepto durante os anos de guerra, O BART foi um dos muitos navios Holandeses, que se refugiaram em portos Britânicos tendo servido o organismo Netherlands Shipping and Trading Committee e passando a ser gerido pela firma Freight Express Ltd, UK.
Juntamente com outros navios tomou parte na célebre retirada de Dunquerque “Operação Dynamo”, libertando para Inglaterra 430 militares do corpo expedicionário Britânico em França. Além desse feito, em 26/05/1940, ao serviço da “Royal Navy”, deixou Dover carregado de víveres, provisões e combustível para abastecimento da frota de pequenas embarcações, as quais transportando tropas aliadas, se dirigiam à costa francesa a fim de tomar parte no célebre desembarque da Normandia – “D-Day”.
Em 1946 foi adquirido por Vrachtvaart Mij. Gebr. Dekker, Rotterdam (gerido por Wagenborg), que lhe deu o nome de ROELF, tendo sido vendido em 1960 a R, Alberti & A, Capello, Trieste, recebendo o nome de ARCA; 1961 ARCA, Vicenzo Cavarreta, Trapani; A 17/01/1962 abriu água perto da ilha Unije, quando em viagem de Trieste para Lattakia com carga geral, rebocado pelo CHRISTINA MONTANARI, todavia afundou-se a uma milha ao largo de Mali Losinj, tendo em Agosto do mesmo ano sido posto a flutuar pela empresa Brodospas, que o levou a reboque para Rijeka e mais tarde para Split. Tomado de posse pela empresa salvadora, foi vendido em Janeiro de 1963 a Obalna Plovidba Vela Luka, Vela Luka, passando a chamar-se OSJAK, recuperado e reparado voltou a navegar. Em 1971 a razão social do armador foi alterada para Dalmatinska Plovidba, Vela Luka, mantendo o navio o mesmo nome, que conservou ao ser comprado em 1972 pela Compania Naviera Lemina S.A., Panamá. Em 1985 sob forte maresia afundou-se, ficando semi-submerso em Valona, Albânia, onde foi vendido a sucateiros em 1987.
Fontes: José Fernnandes Amaro Júnior; DDG Hansa; KNSM, Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

domingo, 1 de setembro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 310


O NAVIO-MOTOR ALEMÃO “ROLANDSECK” NO BANCO DO PORTO A, RIO DOURO


__/__/1956 – Quando na manhã de ontem, e enquanto rumava à barra com destino a Leixões e Hamburgo, por qualquer motivo, o navio-motor Alemão ROLANDSECK foi encalhar no banco de areia, denominado de Banhos, Porta Nova ou Porto A. Dado o alarme compareceu o rebocador fluvial JULIO LUIS que o auxilou nas manobras de desencalhe.
Verificando-se que tinha um cabo enroscado no hélice, e como tal sem poder de manobralidade foi levado pelo JÚLIO LUÍS para o primitivo ancoradouro, o cais de Gaia, a fim de ser retirado o referido cabo, tendo deixado o Douro na maré da tarde sem mais percalços.
ROLANDSECK – imo 7427879/ 71,1m/ 857tb/ 12m5kn/ oax 4; 25/02/1953 entregue pelo estaleiro Atlas Werke AG, Bremen, a Rolandseck Schiffahrts GmbH, Bremen, gestores DDG Hansa, Bremen; 1958 ROLANDSECK, DDG Hansa, Bremen; 15/12/1960 SAUERLAND, Bundesmarine, que o converteu em navio logistico; 1973 LAND, Poul Christensen, Nakskov, Dinamarca, 1.305tb; 1974 OURANIA P, Fimena Maritime Co., Ltd, Famagusta, Chipre; 21/03/1974 colidiu com o n/m Bulgaro VOLA, 10.859tb em Sfax, Tunisia, e foi varado numa praia; 1975 desmatelado no local. Gémeos: SCHWANECK, MARIAECK, SONECK.
Fontes: Imprensa diária; Miramar Ship Index.
Imagem: Imprensa Diária.
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s) em NAVIOS Á VISTA, o que muito se agradece.

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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 309


RECORDANDO O ENCALHE DO NAVIO-MOTOR INGLÊS “CROSBIAN” NO RIO DOURO






08/11/1956 – Cerca das 08h00 de ontem demandou a barra do Douro com alguma neblina, o navio-motor Inglês CROSBIAN, procedente de Liverpool via Lisboa com carga diversa, consignado aos agentes Wall & Cia., Lda., da praça do Porto.
A bordo do CROSBIAN vinha o piloto da barra Manuel Garcez Ferraz, assessorando a manobra de conducção do navio, homem experimentado e bem conhecedor, como todos os pilotos do Douro e Leixões.
No entanto devido à neblina, possivelmente, o navio foi encalhar num banco de areia diante ao lugar de Sobreiras, denominado de Arribadouros, segundo consta, porque o piloto se viu obrigado a desviar a rota um pouco para estibordo, por causa dum batelão que a reboque lhe apareceu pela proa.
Impossibilitado de se mover por ter encalhado no dito banco de areia, e apesar do auxílio do rebocador GUADIANA, que andava por perto em operações de assistência às dragagens, no reboque de batelões, não surtiu o efeito desejado. Entretanto vindo de Leixões surgiu o rebocador VANDOMA, mais potente, que também não conseguiu safar o CROSBIAN, o qual teve de aguardar pela preamar das 18h00, tendo entretanto alguma carga sido baldeada para o batelão DELMINDA, para aliviar o navio sinistrado.
Cerca da 18h00, em que a maré estava cheia, o CROSBIAN, com o auxilio dos rebocadores GUADIANA, da Direcção Geral dos Serviços Hidráulicos, e do VANDOMA, da APDL, conseguiu safar-se.
Os trabalhos decorreram sob a orientação do piloto-mor José Fernandes Tato, coadjuvado pelo cabo-piloto Aires Franco e pelo piloto Bento Costa.
O CROSBIAN seguiu depois normalmente rio acima, indo fundear no lugar de Oeste da Cábrea, Monchique, sem ter sofrido qualquer dano para além da perda de algumas horas.
O navio largou do Douro para Leixões passados três dias, a fim de completar as operações comerciais, rumando um dia mais tarde para Liverpool.
CROSBIAN – imo 5082405/ 82,9m/ 1.528tb/ 2 hélices/ 23 nós; 08/1947 entregue por William Gray & Co., Ltd., West Hartlepool, à Elerman Papayanni Co., Ltd, Liverpool; 1962 CROSBIAN, Mossgiel Steamship Co., Ltd., Glasgow; 1977 MABUHAY, Solid Shipping Lines, Cebu, Filipinas; 1978 MABUHAY, Davao Redwood Corp., Davao, Filipinas; 11/10/1980 chegava a Manila para desmatelamento.
Fontes: Miramar Ship Index; Imprensa diária.
As duas primeiras imagens são de autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto.
A terceira é do Jornal de Noticias.
(continua)                             
Rui Amaro

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domingo, 25 de agosto de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 308

RECORDANDO O ENCALHE DO NAVIO-MOTOR ALEMÃO “VEGESACK” NO RIO DOURO


O VEGESACK encalhado junto do banco dos Arribadouros, rio Douro, 1956 / Jornal de Noticias /

__/__/ 1956 - Aproveitando a marè da tarde de ontem, entrou pouco depois das 19h00 ns barra do Douro, o navio-motor Alemão VEGESACK, de cerca de 500 toneladas brutas, pertencente à DG Neptun, Bremen, e procedente daquele porto, com carga diversa, consignado ao representante do seu armador, W. Stuve & Cia., Lda., sedeado na Rua Mouzinho da Silveira, da cidade do Porto.
A demanda da barra fez-se normalmente, contudo, já depois de ultrapassado o cais do Marégrafo, na Cantareira, e quando o navio navegava em pleno canal, deteve-se encalhado num banco de areia imprevisto, formado recentemente junto do local conhecido pelos práticos da barra pela designação de Arribadouros.
Foram tomadas rapidamente todas as providências que o caso requeria, tendo ali comparecido os srs. José Fernandes Tato, Mário Francisco da Madalena e António Natalino Cordeiro, respectivamente piloto-mor, sota-piloto-mor e piloto de serviço à corporação.
Aguardada a enchente da maré, o navio era desencalhado pelos seus próprios meios às 21h30, seguindo rio acima e indo amarrar no lugar do Quadro da Alfandega, onde hoje ou amanhã será vistoriado.
Conhecida a notícia do encalhe, deslocaram-se à Foz do Douro, onde conferenciaram com o piloto-mor representantes da firma consignatária do VEGESACK.
O banco de areia formado no canal devido à pouca corrente do rio e ao forte infesto das enchentes, junto do lugar dos Arribadouros, de há dois meses aproximadamente a esta parte, vem aumentando gradualmente.
Por tal motivo, os pilotos da barra do Douro têm chamado a atenção de quem de direito para aquele facto, que dificulta a manobra dos navios que tenham de demandar a barra.


O VEGESACK ao demandar o porto de Leixões em 1954 / F. Cabral, Porto /.

VEGESACK – imo 5154997/ 64,2m/ 495tb/ 11nós; 12/1954 entregue por Fr Lurssen Werft GmbH KG, Vegesack, Bremen, a Fr Lurssen, Vegesack, Bremen, que o fretou a longo prazo à DG Neptun, Bremen, para o seu tráfego com a Peninsula Ibérica; 1960 HORNBALTIC, Fr Lurssen, Bremen; 1961 HORNBALTIC, Reederei Bruno Bischoff & Co. GmbH, Bremen; 1963 HORNBALTIC, Horn Linie, Hamburgo; 1972 DOMNA, T. Therapiotis & Anna Catsouris, Pireu; 1979 ASTERI, T. Therapiotis & Anna Catsouris, Pireu; 1989 KRIOS, Krios Shipping Co., Ltd, Pireu; 29/10/1990 colidiu com a muralha e submergiu em Stylis, posto a flutuar foi desmantelado em Eleusis.
Fontes: Jornal de Noticias, Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

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domingo, 18 de agosto de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 307


O BREM demandando o porto de Leixões na década de 50 /(c) Foto Mar, Leixões/.

O BREM na Bacia do porto de Leixões, ainda com fogo a bordo /O Comércio do Porto/. 

Após a extinção do incêndio, os bombeiros retiram-se de bordo /O Comércio do Porto /

O NAVIO-MOTOR HOLANDÊS “BREM” ENTROU EM LEIXÕES COM INCÊNDIO A BORDO

03/12/1952, cerca das 06h00 de ontem, entrou na bacia do porto de Leixões o navio-motor Holandês BREM com incendio a bordo.
Esta embarcação, de 428tb e com 9 homens de tripulação, sob o comando do Kaptein F. Stam, havia saído do Tejo pelas 18h00 de ante-ontem, com carga diversa, destinada ao porto do Douro.
Durante a viagem, cerca das 05h00, o oficial de quarto constatou que num dos porões, lavrava fogo, imediatamente o BREM tomou rumo de Leixões, tendo entretanto, enviado um rádio para a capitania do porto de Leixões, comunicando o sucedido e pedidndo que fosssem tomadas as prevenções usuais para estas causas.
Logo após ter entrado, as corporações dos B. V. de Matosinhos-Leça e B. V. de Leixões, fizeram-se transportar em lanchas e dirigiram-se para o navio sinistrado.
Montado o serviço e aberto o porão, iniciou-se o ataque ao incendio e cerca de uma hora depois, o incendio considerava-se extinto e logo depois, iniciava-se a descarga da mercadoria para barcaças.
Pelas 15h00, o BREM largou do seu ancoradouro da bacia e foi atracar na doca nº 1, a fim de completar a descarga.
Os prejuízos são bastante importantes, calculando-se que dois terços da carga estejam inutilizados.
No ataque ao incendio foram empregadas três agulhetas. Tendo também comparecido um dos rebocadores da APDL.
A bordo do navio, que acabou por não escalar o rio Douro, estiveram o eng. Russo Belo, 1º comandante dos B. V. de Matosinhos-Leça; Joel da Cunha Monteiro, sota-piloto-mór; tenente Silveira, patrão-mór, etc.
Os bombeiros retiraram de bordo cerca das 16h00.
As mercadorias eram constituídas por maquinaria, lâmpadas, vinhos, cortiça, queijo, etc.
O navio vinha consignado à firma Portuense Wall & Cª, Lda, agentes da Lusitania Lijn.
BREM – imo 5317288/ 428gt/ 9nós; 25/05/1939 entregue por Scheepswerf Foxhol, Foxhol, como FRAM a NV Motorschip Fram, Groningen; 1940 BREM, NV Hudig & Pieter’s Algemeen Scheepvaart Mij, Roterdão; WW2 BREM, devido à invasão da Holanda pelas forças militares da Alemanha, refugiou-se na Inglaterra e serviu as forças Aliadas; 1945 BREM, NV Hudig & Pieter’s Algemeen Scheepvaart Mij, Lusitania Lijn, Roterdão, que o empregou no tráfego Benelux/Portugal; 1957 SEEFALKE, Erich Hanisch, Bremen; 1964 SEEFALKE, Willis August Suhr, Hamburg; 1969 SEEFALKE, Stadtsparkasse Duisburg, Hamburg; 1973 arrived Gotenburgo para desmantelamento.
Fonte: jornal O Comércio do Porto; Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 306

RECORDANDO O ENCALHE DO NAVIO-MOTOR “COLARES” NA BARRA DO DOURO

 O COLARES saindo a barra do Douro em 17/08/1965 /Rui Amaro/.

Várias imagens do COLARES encalhado na barra do Douro e do seu desencalhe em 04/02/1954  / Imprensa diária da cidade do Porto /. 

TRANSFRIO demandando o porto de Leixões em 1967 /Rui Amaro/.

Este meu relato do encalhe do navio-motor COLARES na barra do Douro é baseado no meu testemunho visual, assim como na consulta da minha colecção de recortes de notícias dos jornais diários, sobre acidentes marítimos.
O COLARES surgiu a duas milhas diante da Foz do Douro, cerca das 07h45 de 04/02/1954, manhã ameaçadora de chuva e vento bonançoso do quadrante sul. Em face da fraca ondulação e do pouco calado de água do navio não ser motivo impeditivo para a sua entrada, apesar da preia-mar já ter passado há cinquenta minutos, pois a corrente da vazante já levava alguma intensidade provocando alguma vaga de escarcéu, mas atendendo que aquela moderna unidade mercante era de boa marcha e excelente governo, além do seu agente ter necessidade que as operações de descarga se iniciassem pela manhã, o piloto-mor José Fernandes Tato ordenou, e muito bem, que o navio fosse pilotado e que a bandeira vermelha, sinal de barra franca, fosse içada nos mastros do cais do Marégrafo e do castelo da Foz, a fim do COLARES, conduzido pelo piloto da barra Jaime Martins da Silva e capitaneado pelo Cdte Eugénio Noé Rodrigues, dois experimentados veteranos nas andanças da barra, demandasse o rio Douro.
O COLARES, que se fez à barra pelo enfiamento da marca das Três Orelhas pelo farolim da Cantareira, com a máquina em meia força avante e os dois ferros descativados, ou seja prontos a largar, passa agora junto da bóia da Ponta do Dente, mas, devido à forte corrente, deriva para estibordo e o piloto da barra ordena ao comandante e ao timoneiro, leme a bombordo, para não ir embater ou mesmo encalhar na restinga do Cabedelo, e aproveita para se aproximar da margem norte, onde a corrente da vazante não é tão violenta.
Entretanto, por alturas da Forcada, o navio desgovernou para bombordo e em tal situação carregou-se leme a estibordo e mais força na máquina para suster a estocada e tentar levar o navio ao canal. Logo a seguir, volta a guinar, perigosamente para bombordo e de novo o timoneiro gira a roda do leme para estibordo e o oficial ao telégrafo dá sinal para toda força avante na máquina, a fim de o navio ganhar governabilidade e afastar-se das pedras, mas, devido a um segundo estoque de água e escarcéu, o navio continua, teimosamente a seguir para bombordo e, num derradeiro recurso, o piloto da barra manda largar o ferro de estibordo e máquina a toda força à ré, para tentar retomar o curso normal.
Infelizmente aquele recurso não resultou. Às 08h15, o Colares embatia de proa, estrondosamente no enrocamento do cais Velho, a pouco mais de 50 metros para jusante da pedra do Touro, e ficou encalhado de proa com a máquina a trabalhar à ré no máximo da sua potência, na vã tentativa de se safar, mas a proa encontrava-se bem assente nas pedras, parecendo querer galgar o cais. Certamente que as ordens e procedimentos de manobra na ponte de comando do navio foram assim.
O piloto da barra Jaime Martins da Silva executou a manobra de acesso ao rio em condições adversas, que entretanto, se foram deteriorando, mas com grande experiência e muita perícia, lamentavelmente não foi bem sucedido.
Dado o alarme, compareceram de imediato no local o piloto-mor José Fernandes Tato, que desde logo tomou as previdências que o caso requeria, com o auxílio das lanchas dos pilotos e do rebocador VANDOMA, da APDL, entretanto vindo do porto de Leixões, que estabeleceu a amarreta ao COLARES, procurando safá-lo. Essa tentativa não resultou e, como a maré continuava a baixar, é decidido tentar o desencalhe na preia-mar das 18h00, depois de aliviar a carga dos porões de vante para o de ré e para barcaças do armador trazidas do ancoradouro do lugar do cais do Monchique, pelo rebocador fluvial MERCÚRIO 2º.
Entretanto, avisados do sinistro, compareceram no local as corporações dos Bombeiros Voluntários Portuenses, do Porto, de Leixões e de Matosinhos-Leça, e ainda o salva-vidas a remos VISCONDE DE LANÇADA, do lugar da Cantareira, com material apropriado, que não chegou, felizmente, a ser utilizado por não existir qualquer situação de perigo. Os Bombeiros Portuenses ainda chegaram a montar um posto de socorros e, mais tarde, encostaram um lanço de escadas para estabelecer ligação de terra para bordo.
Ao embater com a proa nas pedras o navio sofreu um rombo no tanque da proa, no porão nº 1, por onde começou a entrar água. Embora o rombo não chegasse a causar apreensões de perigo, certo é que as bombas estanques de bordo trabalhavam continuamente, expelindo dezenas de toneladas de água para o rio. As sondagens eram feitas de momento a momento, pelo imediato do barco José Maximiano, não atingindo a água mais de seis polegadas.
As autoridades marítimo-portuárias acompanhavam de perto todas as manobras relativas ao salvamento do COLARES, conservando-se no local do acidente o chefe do departamento marítimo cdte João Pais, o seu adjunto capitão de fragata Coutinho Lanhoso, o partrão-mor primeiro-tenente António Costa, e, da APDL os engenheiros Cuman e Leão.
Para facilitar o desencalhe do navio, foram ordenadas medidas tendentes a aliviar s carga dos porões 1 e 2, situados a vante. Com a baixa-mar, o navio que demandava a barra em 13 pés de calado, após o encalhe ficou com a proa a 7 pés. Foi pois necessário retirar carga dos porões.
Uma ganga de estivadores entrou a bordo e, às 13h00, iniciava-se a descarga. Um grupo de barcaças rebocadas pelo MERCÚRIO 2º consegue atracar a estibordo e, do lado de terra, uma grua móvel da APDL com deslocação de 10 toneladas, auxiliava essa descarga. De bordo e dos porões são retirados seis automóveis e algumas toneladas de ferro e caixas com chapa de folha de flandres, sendo parte retirada e depositada no areal da praia das Pastoras. Como o objectivo é aliviar a proa, são também deslocadas algumas toneladas dessa carga para o porão nº 3, à ré. Os trabalhos prosseguiam durante a tarde, com bom êxito, e o mar conservava-se calmo, pelo que tudo indicava, dada a posição favorável do navio, que o mesmo se safasse.
Com o aliviar da carga, trabalho que se prolongou até às 17h00, e o encher da maré, a proa do COLARES começava a ficar menos presa às pedras. As manobras do desencalhe eram dirigidas do lado do mar pelo piloto-mor José Fernandes Tato, que se encontrava a bordo da lancha P9. Em terra encontrava-se o sota-piloto-mor Mário Francisco da Madalena e a bordo o cabo-piloto Aires Pereira Franco, a fim de auxiliar o seu colega Jaime Martins da Silva, que dirigia a entrada do COLARES no rio Douro.
Os rebocadores VANDOMA e o MONTE GRANDE, da APDL, sob as ordens dos seus mestres, respectivamente Francisco Rosas e José Fernandes, começavam a empregar os seus esforços no desencalhe do navio. Aos primeiros esticões, rebentou uma das amarretas. O pequeno rebocador MERCÚRIO 2º, da firma A. J. Gonçalves de Moraes, Lda, dirigido pelo mestre Domingos, lançou um cabo à proa do COLARES, do lado de estibordo. Ao largo, pairavam os rebocadores MARIALVA e NEIVA, prontos a intervir em caso de necessidade.
As manobras prosseguiam num trabalho exaustivo e enervante. Todos os olhos se fixavam no navio sinistrado, que estava a trabalhar com a máquina em toda a força à ré e a virar o ferro para auxiliar os rebocadores, mas, às 17h40, os cabos dos rebocadores estavam retesados e uns esticões mais violentos obrigaram o navio a deslizar da sua cama.
O COLARES está salvo! É um grande alívio! São as exclamações, juntamente com uma grande salva de palmas por parte da multidão, que, sob chuva por vezes fustigante, não se retiravam do local. Aturado serviço de polícia não deixava os populares aproximarem-se da praia, assim como regulavam o intenso trânsito de viaturas.
O COLARES deveria ter ficado amarrado diante do lugar do cais do Monchique, ancoradouro reservado às barcaças do seu armador, mas, desta vez, foi amarrar no ancoradouro do lugar do cais do Cavaco, o qual era destinado a navios acidentados ou com mercadorias perigosas a bordo.
Neste ancoradouro, foi-se proceder à descarga para barcaças da restante mercadoria destinada ao porto do Douro e efectuar-se-ia pelas competentes autoridades as vistorias aos danos sofridos e às eventuais reparações provisórias, antes do navio seguir para Lisboa, possivelmente comboiado pelo potente salvádego PRAIA GRANDE, do mesmo armador, a fim de dar entrada na doca seca dos estaleiros da CUF, para as reparações finais.
Ao fim da tarde, vindos de Lisboa, chegavam ao Porto para se inteirarem, pessoalmente do encalhe e das consequentes avarias, D. José Manuel de Mello, administrador da empresa armadora e o Eng.º Rodrigues Santos, seu director técnico.
O piloto da barra Jaime Martins da Silva, durante a sua careira, foi protagonista de outros dois acidentes, sendo um deles com o lugre-motor Português MARIA ONDINA, que se perdeu por encalhe na restinga do Cabedelo, em 1946, devido a águas de ronhenta, quando demandava a barra do Douro, tendo sido salvo a muito custo, juntamente com a maior parte da tripulação, pela lancha dos pilotos P4, e o outro com o navio-motor Norueguês SILJA, que encalhou diante do lugar de Sobreiras em 1960, devido ao denso nevoeiro, que, entretanto, surgira quando deixava o rio Douro, tendo sido safo na maré da tarde.
Resta-nos acrescentar que o encalhe sofrido pelo COLARES foi um daqueles últimos acidentes de maior vulto, que se deram com navios em demanda da barra do Douro, motivado por situações de alguma agitação marítima mas sobretudo devido a águas de cheia, ronhentas, estoques de água, falha ou pouca força de máquina e também avaria ou fraco poder de leme, etc, que os faziam desgovernar e guinar à restinga do Cabedelo ou às pedras da ponta do Dente, cais Velho, dique da Meia-Laranja, praia de Baixo, etc. Até ao inicio da guerra de 1939/45 o quotidiano da barra do Douro era verem-se navios em dificuldade, fossem de entrada ou saída a largarem os ferros, a fim de evitarem as pedras ou os bancos de areia e muitos deles não o conseguindo lá se perderam.
O COLARES, imo 5076951, que escalava regularmente os portos do Douro e Leixões, procedia de Anvers, Bélgica, com carga geral e 22 tripulantes de equipagem, fazendo parte da série C, juntamente com os navios CARTAXO, COVILHÃ e CORUCHE, e era propriedade da Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, Sarl., Lisboa (Grupo CUF), deslocando 1.158,47tb, tinha 73,88m comprimrnto fora a fora, velocidade 13,4 nós, tendo sido construído no Canadá, pelos estaleiros navais St. Lawrence Metal & Marine Works Inc., Quebec, em 1948. Em 1966, foi entregue ao seu novo armador Transfrio, Sarl, Lisboa, tendo o seu nome sido alterado para TRANSFRIO, após ter sido alongado para 82,80m e passou a deslocar 1.270tb, além de ter sido transformado em navio frigorifico nos estaleiros de Vigo, a fim de transportar o pescado dos arrastões Portugueses a fainar nos mares de Angola, Namíbia e Africa do Sul; 1978 PORTO FRIO, Steel Voyage Shipping Co., Ltd, Panama; 1980 PORTO PYLOS, Olympia Maritime, Pireu; 1981 GULF FRIO, Olympia Maritime, Pireu; 1984 GULF FRIO, Crossbill Sa, Panama; 01/1984 GULF FRIO visto em Port Said; 1991 desmantelado.
Ref: - Imprensa diária (Diário do Norte, Jornal de Noticias, O Primeiro de Janeiro, O Comércio do Porto), Miramar Ship Index.

Publicado por mim na edição do mensário “O Progresso da Foz” de Setembro/Outubro 2001, e ainda na obra de minha autoria “A Barra da Morte – A Foz do Rio Douro” da editora O Progresso da Foz, Foz do Douro, em Abril de 2007.
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s) em NAVIOS Á VISTA, o que muito se agradece.
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sexta-feira, 26 de julho de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 305

CICLONE SOBRE A REGIÃO NORTE


O navio-motor Alemão FAUNA em operações comerciais no rio Douro, Oeste da Cábrea, década de 50 / autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto / .

Desde 20/11/1954 que prevalece uma invernia desenfreada, somente a 26/11, devido a um pequeno abrandamento do mau tempo, houve algum movimento na barra do Douro, com bastante dificuldade.
Entretanto, o mau tempo regressou, tendo nas capitanias do Douro e de Leixões sido içado o snal nº 5, anunciando um ciclone, pelo que às 09h00 seguiram para o rio alguns pilotos e respectivo material flutuante, a fim de tratarem de reforçar as amarrações dos navios surtos no porto comercial do Douro, que eram os seguintes: Inglês SEAMEW no lugar do Sandeman, Gaia; Inglês CARDRONA e o Alemão FAUNA no quadro da Alfandega; Portugueses SECIL, iates BATA NOVO e EDUARDO XISTO no lugar da Carbonifera, Gaia; Lugre CONDESTÁVEL por vante da Prancha do Frigorifico do Peixe, lugre ANA MARIA e AVIZ no quadro dos navios bacalhoeiros, Massarelos, navio-motor SENHORA DO MAR no lugar de Santo António do Vale da Piedade, Gaia, finalmente a vedeta NRP DOURADA no quadro dos vasos de Guerra, Bicalho, Massarelos.
Pelas 15h00 o ciclone desenvolveu-se com rajadas de vento de Sudoeste na ordem dos 115 km e muito mar. O tempo só melhorou a 01/12 mas a agitação marítima na barra não permitia qualquer movimento marítimo, o que só se realizou a 18/12.
Fontes: José Fernamdes Amaro Júnior.
(continua)
Rui Amaro  

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