segunda-feira, 5 de agosto de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 306

RECORDANDO O ENCALHE DO NAVIO-MOTOR “COLARES” NA BARRA DO DOURO

 O COLARES saindo a barra do Douro em 17/08/1965 /Rui Amaro/.

Várias imagens do COLARES encalhado na barra do Douro e do seu desencalhe em 04/02/1954  / Imprensa diária da cidade do Porto /. 

TRANSFRIO demandando o porto de Leixões em 1967 /Rui Amaro/.

Este meu relato do encalhe do navio-motor COLARES na barra do Douro é baseado no meu testemunho visual, assim como na consulta da minha colecção de recortes de notícias dos jornais diários, sobre acidentes marítimos.
O COLARES surgiu a duas milhas diante da Foz do Douro, cerca das 07h45 de 04/02/1954, manhã ameaçadora de chuva e vento bonançoso do quadrante sul. Em face da fraca ondulação e do pouco calado de água do navio não ser motivo impeditivo para a sua entrada, apesar da preia-mar já ter passado há cinquenta minutos, pois a corrente da vazante já levava alguma intensidade provocando alguma vaga de escarcéu, mas atendendo que aquela moderna unidade mercante era de boa marcha e excelente governo, além do seu agente ter necessidade que as operações de descarga se iniciassem pela manhã, o piloto-mor José Fernandes Tato ordenou, e muito bem, que o navio fosse pilotado e que a bandeira vermelha, sinal de barra franca, fosse içada nos mastros do cais do Marégrafo e do castelo da Foz, a fim do COLARES, conduzido pelo piloto da barra Jaime Martins da Silva e capitaneado pelo Cdte Eugénio Noé Rodrigues, dois experimentados veteranos nas andanças da barra, demandasse o rio Douro.
O COLARES, que se fez à barra pelo enfiamento da marca das Três Orelhas pelo farolim da Cantareira, com a máquina em meia força avante e os dois ferros descativados, ou seja prontos a largar, passa agora junto da bóia da Ponta do Dente, mas, devido à forte corrente, deriva para estibordo e o piloto da barra ordena ao comandante e ao timoneiro, leme a bombordo, para não ir embater ou mesmo encalhar na restinga do Cabedelo, e aproveita para se aproximar da margem norte, onde a corrente da vazante não é tão violenta.
Entretanto, por alturas da Forcada, o navio desgovernou para bombordo e em tal situação carregou-se leme a estibordo e mais força na máquina para suster a estocada e tentar levar o navio ao canal. Logo a seguir, volta a guinar, perigosamente para bombordo e de novo o timoneiro gira a roda do leme para estibordo e o oficial ao telégrafo dá sinal para toda força avante na máquina, a fim de o navio ganhar governabilidade e afastar-se das pedras, mas, devido a um segundo estoque de água e escarcéu, o navio continua, teimosamente a seguir para bombordo e, num derradeiro recurso, o piloto da barra manda largar o ferro de estibordo e máquina a toda força à ré, para tentar retomar o curso normal.
Infelizmente aquele recurso não resultou. Às 08h15, o Colares embatia de proa, estrondosamente no enrocamento do cais Velho, a pouco mais de 50 metros para jusante da pedra do Touro, e ficou encalhado de proa com a máquina a trabalhar à ré no máximo da sua potência, na vã tentativa de se safar, mas a proa encontrava-se bem assente nas pedras, parecendo querer galgar o cais. Certamente que as ordens e procedimentos de manobra na ponte de comando do navio foram assim.
O piloto da barra Jaime Martins da Silva executou a manobra de acesso ao rio em condições adversas, que entretanto, se foram deteriorando, mas com grande experiência e muita perícia, lamentavelmente não foi bem sucedido.
Dado o alarme, compareceram de imediato no local o piloto-mor José Fernandes Tato, que desde logo tomou as previdências que o caso requeria, com o auxílio das lanchas dos pilotos e do rebocador VANDOMA, da APDL, entretanto vindo do porto de Leixões, que estabeleceu a amarreta ao COLARES, procurando safá-lo. Essa tentativa não resultou e, como a maré continuava a baixar, é decidido tentar o desencalhe na preia-mar das 18h00, depois de aliviar a carga dos porões de vante para o de ré e para barcaças do armador trazidas do ancoradouro do lugar do cais do Monchique, pelo rebocador fluvial MERCÚRIO 2º.
Entretanto, avisados do sinistro, compareceram no local as corporações dos Bombeiros Voluntários Portuenses, do Porto, de Leixões e de Matosinhos-Leça, e ainda o salva-vidas a remos VISCONDE DE LANÇADA, do lugar da Cantareira, com material apropriado, que não chegou, felizmente, a ser utilizado por não existir qualquer situação de perigo. Os Bombeiros Portuenses ainda chegaram a montar um posto de socorros e, mais tarde, encostaram um lanço de escadas para estabelecer ligação de terra para bordo.
Ao embater com a proa nas pedras o navio sofreu um rombo no tanque da proa, no porão nº 1, por onde começou a entrar água. Embora o rombo não chegasse a causar apreensões de perigo, certo é que as bombas estanques de bordo trabalhavam continuamente, expelindo dezenas de toneladas de água para o rio. As sondagens eram feitas de momento a momento, pelo imediato do barco José Maximiano, não atingindo a água mais de seis polegadas.
As autoridades marítimo-portuárias acompanhavam de perto todas as manobras relativas ao salvamento do COLARES, conservando-se no local do acidente o chefe do departamento marítimo cdte João Pais, o seu adjunto capitão de fragata Coutinho Lanhoso, o partrão-mor primeiro-tenente António Costa, e, da APDL os engenheiros Cuman e Leão.
Para facilitar o desencalhe do navio, foram ordenadas medidas tendentes a aliviar s carga dos porões 1 e 2, situados a vante. Com a baixa-mar, o navio que demandava a barra em 13 pés de calado, após o encalhe ficou com a proa a 7 pés. Foi pois necessário retirar carga dos porões.
Uma ganga de estivadores entrou a bordo e, às 13h00, iniciava-se a descarga. Um grupo de barcaças rebocadas pelo MERCÚRIO 2º consegue atracar a estibordo e, do lado de terra, uma grua móvel da APDL com deslocação de 10 toneladas, auxiliava essa descarga. De bordo e dos porões são retirados seis automóveis e algumas toneladas de ferro e caixas com chapa de folha de flandres, sendo parte retirada e depositada no areal da praia das Pastoras. Como o objectivo é aliviar a proa, são também deslocadas algumas toneladas dessa carga para o porão nº 3, à ré. Os trabalhos prosseguiam durante a tarde, com bom êxito, e o mar conservava-se calmo, pelo que tudo indicava, dada a posição favorável do navio, que o mesmo se safasse.
Com o aliviar da carga, trabalho que se prolongou até às 17h00, e o encher da maré, a proa do COLARES começava a ficar menos presa às pedras. As manobras do desencalhe eram dirigidas do lado do mar pelo piloto-mor José Fernandes Tato, que se encontrava a bordo da lancha P9. Em terra encontrava-se o sota-piloto-mor Mário Francisco da Madalena e a bordo o cabo-piloto Aires Pereira Franco, a fim de auxiliar o seu colega Jaime Martins da Silva, que dirigia a entrada do COLARES no rio Douro.
Os rebocadores VANDOMA e o MONTE GRANDE, da APDL, sob as ordens dos seus mestres, respectivamente Francisco Rosas e José Fernandes, começavam a empregar os seus esforços no desencalhe do navio. Aos primeiros esticões, rebentou uma das amarretas. O pequeno rebocador MERCÚRIO 2º, da firma A. J. Gonçalves de Moraes, Lda, dirigido pelo mestre Domingos, lançou um cabo à proa do COLARES, do lado de estibordo. Ao largo, pairavam os rebocadores MARIALVA e NEIVA, prontos a intervir em caso de necessidade.
As manobras prosseguiam num trabalho exaustivo e enervante. Todos os olhos se fixavam no navio sinistrado, que estava a trabalhar com a máquina em toda a força à ré e a virar o ferro para auxiliar os rebocadores, mas, às 17h40, os cabos dos rebocadores estavam retesados e uns esticões mais violentos obrigaram o navio a deslizar da sua cama.
O COLARES está salvo! É um grande alívio! São as exclamações, juntamente com uma grande salva de palmas por parte da multidão, que, sob chuva por vezes fustigante, não se retiravam do local. Aturado serviço de polícia não deixava os populares aproximarem-se da praia, assim como regulavam o intenso trânsito de viaturas.
O COLARES deveria ter ficado amarrado diante do lugar do cais do Monchique, ancoradouro reservado às barcaças do seu armador, mas, desta vez, foi amarrar no ancoradouro do lugar do cais do Cavaco, o qual era destinado a navios acidentados ou com mercadorias perigosas a bordo.
Neste ancoradouro, foi-se proceder à descarga para barcaças da restante mercadoria destinada ao porto do Douro e efectuar-se-ia pelas competentes autoridades as vistorias aos danos sofridos e às eventuais reparações provisórias, antes do navio seguir para Lisboa, possivelmente comboiado pelo potente salvádego PRAIA GRANDE, do mesmo armador, a fim de dar entrada na doca seca dos estaleiros da CUF, para as reparações finais.
Ao fim da tarde, vindos de Lisboa, chegavam ao Porto para se inteirarem, pessoalmente do encalhe e das consequentes avarias, D. José Manuel de Mello, administrador da empresa armadora e o Eng.º Rodrigues Santos, seu director técnico.
O piloto da barra Jaime Martins da Silva, durante a sua careira, foi protagonista de outros dois acidentes, sendo um deles com o lugre-motor Português MARIA ONDINA, que se perdeu por encalhe na restinga do Cabedelo, em 1946, devido a águas de ronhenta, quando demandava a barra do Douro, tendo sido salvo a muito custo, juntamente com a maior parte da tripulação, pela lancha dos pilotos P4, e o outro com o navio-motor Norueguês SILJA, que encalhou diante do lugar de Sobreiras em 1960, devido ao denso nevoeiro, que, entretanto, surgira quando deixava o rio Douro, tendo sido safo na maré da tarde.
Resta-nos acrescentar que o encalhe sofrido pelo COLARES foi um daqueles últimos acidentes de maior vulto, que se deram com navios em demanda da barra do Douro, motivado por situações de alguma agitação marítima mas sobretudo devido a águas de cheia, ronhentas, estoques de água, falha ou pouca força de máquina e também avaria ou fraco poder de leme, etc, que os faziam desgovernar e guinar à restinga do Cabedelo ou às pedras da ponta do Dente, cais Velho, dique da Meia-Laranja, praia de Baixo, etc. Até ao inicio da guerra de 1939/45 o quotidiano da barra do Douro era verem-se navios em dificuldade, fossem de entrada ou saída a largarem os ferros, a fim de evitarem as pedras ou os bancos de areia e muitos deles não o conseguindo lá se perderam.
O COLARES, imo 5076951, que escalava regularmente os portos do Douro e Leixões, procedia de Anvers, Bélgica, com carga geral e 22 tripulantes de equipagem, fazendo parte da série C, juntamente com os navios CARTAXO, COVILHÃ e CORUCHE, e era propriedade da Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, Sarl., Lisboa (Grupo CUF), deslocando 1.158,47tb, tinha 73,88m comprimrnto fora a fora, velocidade 13,4 nós, tendo sido construído no Canadá, pelos estaleiros navais St. Lawrence Metal & Marine Works Inc., Quebec, em 1948. Em 1966, foi entregue ao seu novo armador Transfrio, Sarl, Lisboa, tendo o seu nome sido alterado para TRANSFRIO, após ter sido alongado para 82,80m e passou a deslocar 1.270tb, além de ter sido transformado em navio frigorifico nos estaleiros de Vigo, a fim de transportar o pescado dos arrastões Portugueses a fainar nos mares de Angola, Namíbia e Africa do Sul; 1978 PORTO FRIO, Steel Voyage Shipping Co., Ltd, Panama; 1980 PORTO PYLOS, Olympia Maritime, Pireu; 1981 GULF FRIO, Olympia Maritime, Pireu; 1984 GULF FRIO, Crossbill Sa, Panama; 01/1984 GULF FRIO visto em Port Said; 1991 desmantelado.
Ref: - Imprensa diária (Diário do Norte, Jornal de Noticias, O Primeiro de Janeiro, O Comércio do Porto), Miramar Ship Index.

Publicado por mim na edição do mensário “O Progresso da Foz” de Setembro/Outubro 2001, e ainda na obra de minha autoria “A Barra da Morte – A Foz do Rio Douro” da editora O Progresso da Foz, Foz do Douro, em Abril de 2007.
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s) em NAVIOS Á VISTA, o que muito se agradece.
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sexta-feira, 26 de julho de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 305

CICLONE SOBRE A REGIÃO NORTE


O navio-motor Alemão FAUNA em operações comerciais no rio Douro, Oeste da Cábrea, década de 50 / autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto / .

Desde 20/11/1954 que prevalece uma invernia desenfreada, somente a 26/11, devido a um pequeno abrandamento do mau tempo, houve algum movimento na barra do Douro, com bastante dificuldade.
Entretanto, o mau tempo regressou, tendo nas capitanias do Douro e de Leixões sido içado o snal nº 5, anunciando um ciclone, pelo que às 09h00 seguiram para o rio alguns pilotos e respectivo material flutuante, a fim de tratarem de reforçar as amarrações dos navios surtos no porto comercial do Douro, que eram os seguintes: Inglês SEAMEW no lugar do Sandeman, Gaia; Inglês CARDRONA e o Alemão FAUNA no quadro da Alfandega; Portugueses SECIL, iates BATA NOVO e EDUARDO XISTO no lugar da Carbonifera, Gaia; Lugre CONDESTÁVEL por vante da Prancha do Frigorifico do Peixe, lugre ANA MARIA e AVIZ no quadro dos navios bacalhoeiros, Massarelos, navio-motor SENHORA DO MAR no lugar de Santo António do Vale da Piedade, Gaia, finalmente a vedeta NRP DOURADA no quadro dos vasos de Guerra, Bicalho, Massarelos.
Pelas 15h00 o ciclone desenvolveu-se com rajadas de vento de Sudoeste na ordem dos 115 km e muito mar. O tempo só melhorou a 01/12 mas a agitação marítima na barra não permitia qualquer movimento marítimo, o que só se realizou a 18/12.
Fontes: José Fernamdes Amaro Júnior.
(continua)
Rui Amaro  

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quinta-feira, 25 de julho de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 304

O NAVIO-MOTOR HOLANDÊS “MERES-N” SAIU A BARRA COM O ESCURO DA NOITE


O MERES-N sobe o rio Douro diante do centro piscatório da Afurada em 15/08/1965  /Rui Amaro/.

Transcrição verbal do piloto José Fernandes Amaro Júnior, relacionada com o serviço de pilotagem de saída do navio-motor holandês MERES-N.
19/11/1954 – Cerca da 17h00 embarquei na lancha P5 na lingueta dos Pilotos, a fim de ir dar saída ao navio-motor Holandês MERES-N, que se encontrava amarrado no lugar das Escadas da Alfândega, e segundo o telegrama recebido pelo piloto-mor José Fernandes Tato, indicava que o navio estaria pronto a largar às 17h30. Chegado à amarração, reparei que o navio ainda se encontrava em operações de carga, pelo que indaguei do caixeiro de mar Domingos Rodrigues Brandão e do mestre estivador José Soares, da firma Garland, Laidley & Co., Ltd., agência consignatária do navio, do motivo da demora, tendo sido informado que ainda faltavam duas barcas, as quais ainda estavam a carregar no lugar da Cruz, margem de Gaia, caixas e pipas de vinho.
Em face da situação, preveni-os que a noite estava a chegar, e às tantas já não procedia à largada, com o escuro da noite, não que fosse impossível dar saida, mas não era permitida a navegação comercial no rio.
Entretanto as duas barcas foram chegando, e o pessoal de estiva apressou-se a carregar e estivar o vinho, já sob o escuro da noite, Vim a terra telefonar para o piloto-mor, e ele disse-me que dado a ondulação na barra estar calma, e o calado de 15 pés não criava poblemas, e que eu decidisse à minha maneira.
O mestre estivador e o caixeiro de mar, este bom conhecedor da pilotagem, porque durante muitos anos foi tripulante das embarcões dos pilotos, disseram-me para levar o navio para o meio do rio e desandà-lo proa abaixo, para adiantar a largada, que iam carregando, mesmo assim.
Às 18h45 o navio ficou pronto, e o pessoal de terra desembarcou, frente a Massarelos, e o MERES-N lá veio rio abaixo, tendo eu desembarcado para a lancha P-9 cerca da 19h15, evidentemente já de noite.
Relacionado com o MERES-N, ns década de 60, como caixeiro de mar, da Garland, Laidley & Co., Ltd, da rua Infante D. Henrique, 131, Porto, o autor do blogue prestou assistência no Douro/Leixões ao MERES-N, que era um dos quatro navios Holandeses, que serviam a Portugal Lijn, de Roterdão, que semanalmente escalavam aqueles dois portos Nortenhos, servindo Roterdão, Lisboa, Douro, Leixões, Vigo, Anvers, Dover e Roterdão.     
MERES-N – imo 5232622/ 66,24m/ 499tb; 31/12/1952 entregue por Gusto Smulders, Schiedam, a Van Nievelt, Goudriaan & Co’s, Roterdão; 1955 sofreu uma avaria no veio da hélice e teve de ser rebocado pelo navio.motor CONCEPCION, 69,39m/500tb, do mesmo armador, desde Lagoa dos Patos, Rio Grande do Sul, Sul do Brasil, para Roterdão, a fim de receber reparações, tendo ambos os navios navegado uma distâmcia de 6.283mn em 54 dias a 4,77nós. Ambos os navios faziam a linha Roterdão/Assunción, Paraguay; 29/11/1966 LEBANESE STAR, Nav. Cot. D’Outremer, Beirute, Libano; 1975 ABADAN STAR, Habilullah & Co., Abadan, Irão, que lhe instalou um novo motor; 09/1980 ABADAN STAR, sofreu uma avaria grossa durante a Guerra Iraque/Irão, no Shatt-el-Arab; 1998 excluido do Lloyd’s Register of Shipping por dúvida de existência.
Visto subindo o rio Douro em 15/08/1965, diante do centro piscatório da Afurada, de onde eram alguns tripulantes.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior, VNG&Co’s, Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

quarta-feira, 24 de julho de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 303

As duas antigas estações de Pilotos da Barra do Douro - Cantareira - Foz do Douro  /Rui Amaro/.


COMISSÃO ADMINISTRATIVA DA CORPRAÇÃO DE PILOTOS PARA O ANO DE 1953

05/01/1953 – Sob a presença do piloto-mor José Fernandes Tato, sotas-piloto Joel da Cunha Monteiro e Mário Francisco da Madalena e demais subalternos, foi eleita a nova comissão administrativa da corporação, para o ano de 1953, que ficou composta pelos seguintes elementos: Pilotos José Fernandes Amaro Júnior, na função claviculário, Francisco Soares de Melo, Aristides Pereira Ramalheira e Eduardo Fernandes Melo, que substituiu a anterior comissão composta pelos seguintes elementos: Pilotos Francisco Soares de Melo, Jaime Martins; Cristiano Melo Machado e Eduardo Fernandes Melo.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior.
(continua)
Rui Amaro   

quarta-feira, 3 de julho de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 302

UM NAVIO DE SILHUETA MUITO ESQUISITA, NUNCA VISTO POR ESTAS BANDAS

A 08/03/1948, pela manhã, deu fundo por fora da barra do Douro, um navio de silhueta muito esquisita, nunca visto por estas bandas, pois era nada mais, nada menos do que um navio mercante convertido de uma barcaça de desembarque de tanques de grande porte da US NAVY.
BARBARA, assim se chamava, e à popa arvorava a bandeira de conveniência do Panamá, e se não estou em erro vinha carregado de carvão. Cerca das 14h00 fez-se à barra orientado pelo piloto Aristides Ramalheira, e foi amarrar a dois ferros, cabos estabelecidos para terra, e ancorote dos pilotos pela popa, no lugar de Oeste da Cábrea. A 10 deixava o rio Douro drigido pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior.
BARBARA – imo 6120902/ 100m/ 1.653tb/ 11,5nós; 06/02/1945 lançado à água pelo Chicago Bridge & Irons Co., Seneca, Ilinois; 17/02/1945 aumentado ao efectivo em Algiers, Louisiana; 14/08/1945 USS BRONTES (AGP17); 14/03/1946 abatido ao efectivo; 01/04/1946 MV GP-17??: 1948 BARBARA, 2.210tb, Pan American Steamship Co, Panama; 1948 DIANE, Mineral Transport Corp., Monrovia; 1956 XALAPA, Transportes  Maritimos Mexicanos, Mexico; 27/19/1949 naufragou em Manzanillo, Mexico, devido a um ciclone.

Já em 19/07/1947 demandou a barra do Douro uma barcaça de desembarque mercante de pequeno porte Portuguesa de nome POLVO, conduzida pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, e se não estou em erro numa visita à ria de Aveiro, vi-a atracada aos Estaleiros Navais de S. Jacinto para conversão. Data-base não encontrado, só me recordo que foi adquirida para qualquer actividade ligada às pescas.

Fontes: José Fernandes Amaro Junior, Navesource On-line, Miramar Ship Index
(continua)
Rui Amaro

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domingo, 30 de junho de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 301

INCIDENTE Á ENTRADA DA BARRA DO DOURO COM IATE-MOTOR “TEÓFILO” – O NAVIO DOS QUATRO AFUNDAMENTOS


O TEOFILO demandando o porto de Leixões em  16.12.1966 / Rui Amaro/.


 O ALENTEJO 1º semiafundado no rio Douro em 02-1936 / Imprensa diária/.



 Os iates-motor TEÓFILO e BATA NOVO antes se irem rio abaixo para o mar, já desalvorados, suportando a grade cheia de 1961-62 /imprensa diária /.


 Os lanchões-motores TEOFILO,  já  semisubmerso, e o PRIMOS pela popa em 18-03-1969 /Rui Amaro /.


21/05/1953, cerca das 15h00, com alguma ondulação, demandava a barra do Douro em lastro, vindo de Leixões, onde estivera a descarregar sal, conduzido pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, o iate-motor Português TEÓFILO, que quando estava junto da bóia da barra teve falha de máquina, e com a aragem de norte, começou a ir sobre o banco da barra, pelo que aquele piloto mandou içar a vela do traquete, e o sinal de bandeiras indicativo de avaria na máquina, e como o navio não se movia para dentro da barra, onde daria fundo à espera de rebocador ou da lancha de pilotos, aproveitando o vento que se fazia sentir, desandou para fora não impedindo que fosse sobre o banco, apesar da lancha P9 ter pegado à proa, felizmente a maré estava perto do preamar e o navio em lastro, e fez-se ao largo, pouco tempo depois apareceu o rebocador MERCÚRIO 2º, cujos serviços já não foram necessários, porque entretanto o motorista conseguiu por o motor a funcionar, e ferrando o pano lá entrou a barra sem mais percalços, indo dar fundo no lugar da Carbonífera  a fim de carregar carvão para a cimenteira de Alhandra.
TEÓFILO – iate-motor, 32,23m/ 116,91tb; 1919 entregue como iate mercantil ALENTEJO 1º por Sebastião Gonçalves Amaro, Figueira da Foz, a um armador que se ignora, que o empregou no tráfego de cabotagem; 02/1936 afundado no rio Douro, Ribeira, devido a cheia no rio; 1937 reconstruído; 193_ afundou-se no porto de Aveiro; 14/10/1951 TEÓFILO, António Carlos da Silva Reis, Porto; 01/1962, devido à forte corrente de cheia no rio, rebentaram-se as amarras, e abandonado pela tripulação e desalvorado foi rio abaixo, tendo sido resgatado fora da barra, e rebocado para o porto de Leixões. Passado um ano, foi-lhe retirado o mastro da mesena e o gurupés e convertido em lanchão-motor; 196_ afundado no rio Douro, Massarelos; 18/03/1969 afundado novamente no rio Douro, cais do Terreiro, devido a cheia do rio, e alguns dias mais tarde foi posto a flutuar. Após alguns anos em “laid up” parece ter sido vendido a interesses estrangeiros para posterior serviço.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Imprensa diária.
(continua)
Rui Amaro
  
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sexta-feira, 28 de junho de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 300

NAVIO-MOTOR ALEMÃO “MELILLA”


Navio-motor Alrmão MELILLA (3) / OPDR /.


A pouca distancia um dos outros mostram-se fundeados na margem de Gaia, junto à Avenida Diogo Leite, em 11/1953, da esquerda para a direita, os seguintes navios: Inglês DARINIAN, Inglês WOODLARK, Francês PONT AVEN e o Alemão MELILLA, e na Ribeira vê-se o rebocador MIRA da APDL. (gravura de O PRIMEIRO DE JANEIRO)

05/11/1953, cerca das 11h30, conduzido pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, demandou a barra do Douro em 17 pés de calado, pela primeira vez o navio-motor Alemão MELILLA, procedente de Hamburgo, seu porto de registo, com carga diversa, consignado aos agentes Burmester & Cª, Lda, da praça do Porto, indo dar fundo a dois ferros, cabos estabelecidos para terra e ancorote dos pilotos ao lançante pelo noroeste, no lugar do Sandeman. Nesse mesmo dia entrou o navio-motor Francês PONT AVEN, imo 5381843/ 83m/ 1.320tb, que por falta de ancoradouro foi prolongar-se com o MELILLA.
MELILLA - imo 5231642/ 93,9m/ 1.706tb/ 14nós/ 12 passageiros; 11/11/1952 entregue pelo estaleiroLubecker Maschinenbau Ges. Lubeck, à Stettiner Dampfschiffs. Ges. D. J. F. Braeunlich KG, Lubeck, gestores. Oldenburg Portugiesische Dampfschiffs Rhederei, OPDR, Hamburg; 1971 MELILLA, Hercules Shipping Co., Ltd., Monrovia; 1973 MELILLA, Greek Sea Rover Shipping Co., SA, Piraeus; 1977 GIANNIS K, Greek Sea Rover Shipping Co., SA, Piraeus; 1979 GEORGIOS A, Sea Rover Shipping Co., SA, Piraeus; 1980 GEORGIOS A, Good Luck 1 Shipping Co, SA, Piraeus; 1981 desmantelado na Grécia.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; OPDR.
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s) em NAVIOS Á VISTA, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on NAVIOS Á VISTA, which will be very much appreciated.