sexta-feira, 26 de julho de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 305

CICLONE SOBRE A REGIÃO NORTE


O navio-motor Alemão FAUNA em operações comerciais no rio Douro, Oeste da Cábrea, década de 50 / autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto / .

Desde 20/11/1954 que prevalece uma invernia desenfreada, somente a 26/11, devido a um pequeno abrandamento do mau tempo, houve algum movimento na barra do Douro, com bastante dificuldade.
Entretanto, o mau tempo regressou, tendo nas capitanias do Douro e de Leixões sido içado o snal nº 5, anunciando um ciclone, pelo que às 09h00 seguiram para o rio alguns pilotos e respectivo material flutuante, a fim de tratarem de reforçar as amarrações dos navios surtos no porto comercial do Douro, que eram os seguintes: Inglês SEAMEW no lugar do Sandeman, Gaia; Inglês CARDRONA e o Alemão FAUNA no quadro da Alfandega; Portugueses SECIL, iates BATA NOVO e EDUARDO XISTO no lugar da Carbonifera, Gaia; Lugre CONDESTÁVEL por vante da Prancha do Frigorifico do Peixe, lugre ANA MARIA e AVIZ no quadro dos navios bacalhoeiros, Massarelos, navio-motor SENHORA DO MAR no lugar de Santo António do Vale da Piedade, Gaia, finalmente a vedeta NRP DOURADA no quadro dos vasos de Guerra, Bicalho, Massarelos.
Pelas 15h00 o ciclone desenvolveu-se com rajadas de vento de Sudoeste na ordem dos 115 km e muito mar. O tempo só melhorou a 01/12 mas a agitação marítima na barra não permitia qualquer movimento marítimo, o que só se realizou a 18/12.
Fontes: José Fernamdes Amaro Júnior.
(continua)
Rui Amaro  

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s) em NAVIOS Á VISTA, o que muito se agradece.
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quinta-feira, 25 de julho de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 304

O NAVIO-MOTOR HOLANDÊS “MERES-N” SAIU A BARRA COM O ESCURO DA NOITE


O MERES-N sobe o rio Douro diante do centro piscatório da Afurada em 15/08/1965  /Rui Amaro/.

Transcrição verbal do piloto José Fernandes Amaro Júnior, relacionada com o serviço de pilotagem de saída do navio-motor holandês MERES-N.
19/11/1954 – Cerca da 17h00 embarquei na lancha P5 na lingueta dos Pilotos, a fim de ir dar saída ao navio-motor Holandês MERES-N, que se encontrava amarrado no lugar das Escadas da Alfândega, e segundo o telegrama recebido pelo piloto-mor José Fernandes Tato, indicava que o navio estaria pronto a largar às 17h30. Chegado à amarração, reparei que o navio ainda se encontrava em operações de carga, pelo que indaguei do caixeiro de mar Domingos Rodrigues Brandão e do mestre estivador José Soares, da firma Garland, Laidley & Co., Ltd., agência consignatária do navio, do motivo da demora, tendo sido informado que ainda faltavam duas barcas, as quais ainda estavam a carregar no lugar da Cruz, margem de Gaia, caixas e pipas de vinho.
Em face da situação, preveni-os que a noite estava a chegar, e às tantas já não procedia à largada, com o escuro da noite, não que fosse impossível dar saida, mas não era permitida a navegação comercial no rio.
Entretanto as duas barcas foram chegando, e o pessoal de estiva apressou-se a carregar e estivar o vinho, já sob o escuro da noite, Vim a terra telefonar para o piloto-mor, e ele disse-me que dado a ondulação na barra estar calma, e o calado de 15 pés não criava poblemas, e que eu decidisse à minha maneira.
O mestre estivador e o caixeiro de mar, este bom conhecedor da pilotagem, porque durante muitos anos foi tripulante das embarcões dos pilotos, disseram-me para levar o navio para o meio do rio e desandà-lo proa abaixo, para adiantar a largada, que iam carregando, mesmo assim.
Às 18h45 o navio ficou pronto, e o pessoal de terra desembarcou, frente a Massarelos, e o MERES-N lá veio rio abaixo, tendo eu desembarcado para a lancha P-9 cerca da 19h15, evidentemente já de noite.
Relacionado com o MERES-N, ns década de 60, como caixeiro de mar, da Garland, Laidley & Co., Ltd, da rua Infante D. Henrique, 131, Porto, o autor do blogue prestou assistência no Douro/Leixões ao MERES-N, que era um dos quatro navios Holandeses, que serviam a Portugal Lijn, de Roterdão, que semanalmente escalavam aqueles dois portos Nortenhos, servindo Roterdão, Lisboa, Douro, Leixões, Vigo, Anvers, Dover e Roterdão.     
MERES-N – imo 5232622/ 66,24m/ 499tb; 31/12/1952 entregue por Gusto Smulders, Schiedam, a Van Nievelt, Goudriaan & Co’s, Roterdão; 1955 sofreu uma avaria no veio da hélice e teve de ser rebocado pelo navio.motor CONCEPCION, 69,39m/500tb, do mesmo armador, desde Lagoa dos Patos, Rio Grande do Sul, Sul do Brasil, para Roterdão, a fim de receber reparações, tendo ambos os navios navegado uma distâmcia de 6.283mn em 54 dias a 4,77nós. Ambos os navios faziam a linha Roterdão/Assunción, Paraguay; 29/11/1966 LEBANESE STAR, Nav. Cot. D’Outremer, Beirute, Libano; 1975 ABADAN STAR, Habilullah & Co., Abadan, Irão, que lhe instalou um novo motor; 09/1980 ABADAN STAR, sofreu uma avaria grossa durante a Guerra Iraque/Irão, no Shatt-el-Arab; 1998 excluido do Lloyd’s Register of Shipping por dúvida de existência.
Visto subindo o rio Douro em 15/08/1965, diante do centro piscatório da Afurada, de onde eram alguns tripulantes.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior, VNG&Co’s, Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

quarta-feira, 24 de julho de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 303

As duas antigas estações de Pilotos da Barra do Douro - Cantareira - Foz do Douro  /Rui Amaro/.


COMISSÃO ADMINISTRATIVA DA CORPRAÇÃO DE PILOTOS PARA O ANO DE 1953

05/01/1953 – Sob a presença do piloto-mor José Fernandes Tato, sotas-piloto Joel da Cunha Monteiro e Mário Francisco da Madalena e demais subalternos, foi eleita a nova comissão administrativa da corporação, para o ano de 1953, que ficou composta pelos seguintes elementos: Pilotos José Fernandes Amaro Júnior, na função claviculário, Francisco Soares de Melo, Aristides Pereira Ramalheira e Eduardo Fernandes Melo, que substituiu a anterior comissão composta pelos seguintes elementos: Pilotos Francisco Soares de Melo, Jaime Martins; Cristiano Melo Machado e Eduardo Fernandes Melo.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior.
(continua)
Rui Amaro   

quarta-feira, 3 de julho de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 302

UM NAVIO DE SILHUETA MUITO ESQUISITA, NUNCA VISTO POR ESTAS BANDAS

A 08/03/1948, pela manhã, deu fundo por fora da barra do Douro, um navio de silhueta muito esquisita, nunca visto por estas bandas, pois era nada mais, nada menos do que um navio mercante convertido de uma barcaça de desembarque de tanques de grande porte da US NAVY.
BARBARA, assim se chamava, e à popa arvorava a bandeira de conveniência do Panamá, e se não estou em erro vinha carregado de carvão. Cerca das 14h00 fez-se à barra orientado pelo piloto Aristides Ramalheira, e foi amarrar a dois ferros, cabos estabelecidos para terra, e ancorote dos pilotos pela popa, no lugar de Oeste da Cábrea. A 10 deixava o rio Douro drigido pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior.
BARBARA – imo 6120902/ 100m/ 1.653tb/ 11,5nós; 06/02/1945 lançado à água pelo Chicago Bridge & Irons Co., Seneca, Ilinois; 17/02/1945 aumentado ao efectivo em Algiers, Louisiana; 14/08/1945 USS BRONTES (AGP17); 14/03/1946 abatido ao efectivo; 01/04/1946 MV GP-17??: 1948 BARBARA, 2.210tb, Pan American Steamship Co, Panama; 1948 DIANE, Mineral Transport Corp., Monrovia; 1956 XALAPA, Transportes  Maritimos Mexicanos, Mexico; 27/19/1949 naufragou em Manzanillo, Mexico, devido a um ciclone.

Já em 19/07/1947 demandou a barra do Douro uma barcaça de desembarque mercante de pequeno porte Portuguesa de nome POLVO, conduzida pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, e se não estou em erro numa visita à ria de Aveiro, vi-a atracada aos Estaleiros Navais de S. Jacinto para conversão. Data-base não encontrado, só me recordo que foi adquirida para qualquer actividade ligada às pescas.

Fontes: José Fernandes Amaro Junior, Navesource On-line, Miramar Ship Index
(continua)
Rui Amaro

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domingo, 30 de junho de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 301

INCIDENTE Á ENTRADA DA BARRA DO DOURO COM IATE-MOTOR “TEÓFILO” – O NAVIO DOS QUATRO AFUNDAMENTOS


O TEOFILO demandando o porto de Leixões em  16.12.1966 / Rui Amaro/.


 O ALENTEJO 1º semiafundado no rio Douro em 02-1936 / Imprensa diária/.



 Os iates-motor TEÓFILO e BATA NOVO antes se irem rio abaixo para o mar, já desalvorados, suportando a grade cheia de 1961-62 /imprensa diária /.


 Os lanchões-motores TEOFILO,  já  semisubmerso, e o PRIMOS pela popa em 18-03-1969 /Rui Amaro /.


21/05/1953, cerca das 15h00, com alguma ondulação, demandava a barra do Douro em lastro, vindo de Leixões, onde estivera a descarregar sal, conduzido pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, o iate-motor Português TEÓFILO, que quando estava junto da bóia da barra teve falha de máquina, e com a aragem de norte, começou a ir sobre o banco da barra, pelo que aquele piloto mandou içar a vela do traquete, e o sinal de bandeiras indicativo de avaria na máquina, e como o navio não se movia para dentro da barra, onde daria fundo à espera de rebocador ou da lancha de pilotos, aproveitando o vento que se fazia sentir, desandou para fora não impedindo que fosse sobre o banco, apesar da lancha P9 ter pegado à proa, felizmente a maré estava perto do preamar e o navio em lastro, e fez-se ao largo, pouco tempo depois apareceu o rebocador MERCÚRIO 2º, cujos serviços já não foram necessários, porque entretanto o motorista conseguiu por o motor a funcionar, e ferrando o pano lá entrou a barra sem mais percalços, indo dar fundo no lugar da Carbonífera  a fim de carregar carvão para a cimenteira de Alhandra.
TEÓFILO – iate-motor, 32,23m/ 116,91tb; 1919 entregue como iate mercantil ALENTEJO 1º por Sebastião Gonçalves Amaro, Figueira da Foz, a um armador que se ignora, que o empregou no tráfego de cabotagem; 02/1936 afundado no rio Douro, Ribeira, devido a cheia no rio; 1937 reconstruído; 193_ afundou-se no porto de Aveiro; 14/10/1951 TEÓFILO, António Carlos da Silva Reis, Porto; 01/1962, devido à forte corrente de cheia no rio, rebentaram-se as amarras, e abandonado pela tripulação e desalvorado foi rio abaixo, tendo sido resgatado fora da barra, e rebocado para o porto de Leixões. Passado um ano, foi-lhe retirado o mastro da mesena e o gurupés e convertido em lanchão-motor; 196_ afundado no rio Douro, Massarelos; 18/03/1969 afundado novamente no rio Douro, cais do Terreiro, devido a cheia do rio, e alguns dias mais tarde foi posto a flutuar. Após alguns anos em “laid up” parece ter sido vendido a interesses estrangeiros para posterior serviço.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Imprensa diária.
(continua)
Rui Amaro
  
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sexta-feira, 28 de junho de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 300

NAVIO-MOTOR ALEMÃO “MELILLA”


Navio-motor Alrmão MELILLA (3) / OPDR /.


A pouca distancia um dos outros mostram-se fundeados na margem de Gaia, junto à Avenida Diogo Leite, em 11/1953, da esquerda para a direita, os seguintes navios: Inglês DARINIAN, Inglês WOODLARK, Francês PONT AVEN e o Alemão MELILLA, e na Ribeira vê-se o rebocador MIRA da APDL. (gravura de O PRIMEIRO DE JANEIRO)

05/11/1953, cerca das 11h30, conduzido pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, demandou a barra do Douro em 17 pés de calado, pela primeira vez o navio-motor Alemão MELILLA, procedente de Hamburgo, seu porto de registo, com carga diversa, consignado aos agentes Burmester & Cª, Lda, da praça do Porto, indo dar fundo a dois ferros, cabos estabelecidos para terra e ancorote dos pilotos ao lançante pelo noroeste, no lugar do Sandeman. Nesse mesmo dia entrou o navio-motor Francês PONT AVEN, imo 5381843/ 83m/ 1.320tb, que por falta de ancoradouro foi prolongar-se com o MELILLA.
MELILLA - imo 5231642/ 93,9m/ 1.706tb/ 14nós/ 12 passageiros; 11/11/1952 entregue pelo estaleiroLubecker Maschinenbau Ges. Lubeck, à Stettiner Dampfschiffs. Ges. D. J. F. Braeunlich KG, Lubeck, gestores. Oldenburg Portugiesische Dampfschiffs Rhederei, OPDR, Hamburg; 1971 MELILLA, Hercules Shipping Co., Ltd., Monrovia; 1973 MELILLA, Greek Sea Rover Shipping Co., SA, Piraeus; 1977 GIANNIS K, Greek Sea Rover Shipping Co., SA, Piraeus; 1979 GEORGIOS A, Sea Rover Shipping Co., SA, Piraeus; 1980 GEORGIOS A, Good Luck 1 Shipping Co, SA, Piraeus; 1981 desmantelado na Grécia.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; OPDR.
(continua)
Rui Amaro

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domingo, 9 de junho de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 299

A INAUGURAÇÃO DA NOVA LANCHA DE PILOTAGEM “P10”


A P10 ainda na Gafanha da Nazaré, preparado-se para encetar a viagem até à barra do Douro em 05/01/1953. Na foto que tem por fundo um típica bateira mercantel movendo-se à vara, parece-me distinguir o piloto Eduardo Melo e mais dois elementos da Corporação de Pilotos, que a conduziram na viagem até à Cantareira / autor desconhecido - colecçãp F. Cabral, Porto /. 


A P10, diante da Cantareira, com os convidados após o acto inaugural em 07/02/1953 / O Primeiro de Janeiro /.


A  P10 entre molhes do porto de Leixões / A Flama /.

A P10 saindo do porto de Leixões em dia de agitação marítima , 25/04/1955 / Pilotos /.


08/02/1953 - A Corporação de Pilotos da Barra do Douro e Porto Artificial de Leixões, com sede na Cantareira, Foz do Douro, inaugurou, ontem, uma nova lancha-motor destinada aos serviços de pilotagem construída nos estaleiros da Gafanha da Nazaré, tendo sido denominada de P10, e que foi ontem inaugurada.
A nova lancha de linhas elegantes e modernamente apetrechada para o fim a que se destina, oferece um mínimo de condições de navegabilidade, a fim de enfrentar a ondulação marítima, ficando a ser a mais moderna unidade em serviço no país, e a décima da Corporação.
A Corporação de Pilotos, querendo celebrar condignamente o acontecimento, que representa, incontestavelmente, um importante melhoramento dos serviços de pilotagem da barra do Douro e do porto de Leixões, convidou as autoridades marítimo-portuárias e a imprensa a assistirem ao acto inaugural que constituiu cerimónia singela, mas caracterizada por essa admirável camaradagem peculiar às festas de marinheiros.
Pelas 16 horas, no cais do Marégrafo, na Foz do Douro, embarcaram na nova lancha os srs. comandante Oscar de Carvalho, do conselho de Administração da APDL; capitão de fragata João Pais, chefe do Departamento Marítimo do Norte; capitão-tenente José Joaquim da Costa, comandante da Capitania do Porto de Leixões, e seu adjunto, 1º tenente Vieira Coelho; 1º tenente Sousa Pinto, comandante da vedeta NRP DOURADA; comandantes Moreira Pinto e Coutinho Lanhoso, adjuntos da Capitania do Douro; engenheiro naval João de Sousa Duarte; D. João Guilhomil, representante do fabricante do motor da nova lancha; Mário Francisco da Madalena e Joel da Cunha Monteiro, sotas-piloto do Douro e de Leixões, respectivamente, e outros funcionários das duas Capitanias e da Corporação de Pilotos, tomando o comando da nova lancha, o sr. José Fernandes Tato, piloto-mor, que com o seu espirito dinâmico e sempre dado à sua extrema dedicação e saber, tem sabido elevar o prestígio da Corporação de Pilotos, bem merecendo a consideração e a profunda estima que lhe dispensam os seus superiores hierárquicos, seus camaradas e os seus subordinados.
A nova lancha, seguiu rio abaixo, passou defronte da perigosa restinga do Cabedelo, que tantas e tão trágicas recordações evoca, e depois de breve incursão pelas águas revoltas do mar, apontou à barra do Douro, transpondo-a e subindo o rio até ao Ouro, regressando aos cais do Marégrafo.
Após o regresso foi servido um “Porto de Honra” numa das salas da Estação dos Pilotos, aos convidados acima mencionados, estando também presentes os membros das duas comissões administrativas da Corporação de Pilotos, que levaram a cabo a construção da nova lancha: srs. José Fernandes Tato, piloto-mor; Joel da Cunha Monteiro e Mário Francisco da Madalena, sotas-piloto; pilotos José Fernandes Amaro Júnior, Francisco Soares de Melo, Jaime Martins, Cristiano Melo Machado, Eduardo Melo, Aristides Ramalheira.
O sr. comandante João Pais manifestou a sua satisfação pelo progresso que a Corporação dos Pilotos vem demonstrando, dirigiu ao sr. piloto-mor palavras de louvor e saudou a imprensa.
Seguidamente falou o piloto-mor sr. José Fernandes Tato que agradeceu a comparência de todos os oficiais de marinha e convidados, brindando pela Marinha de Guerra.  
P10 – lancha de pilotagem, 14,75m/ boca 04,00m/ 22,94tb/ motor “Jastran” a óleos pesados, de 150hp/ 11nós: 26/12/1952 lançada à água nos estaleiros de Alberto Matos Mónica, Gafanha da Nazaré; 05/01/1953 entregue à Corporação de Pilotos. Na ampla e confortável casa do leme, dispõe ds mais moderna aparelhagem, incluindo sonda electrica auto-registadora e uma estação T.S.F. apta a manter permanente comunicação telefónica, não só com as duas estações de pilotos, e outras estações radionavais, como com quaisquer navios que pretendam, demandar a barra. Custou a nova piloteira, construída em madeira, a importância de oitocentos mil escudos; 1978 LONGAS, INPP – Instituto Nacional de Pilotagem de Portos; __/__/2___ LONGAS, APDL – Administração dos Portos do Douro e Leixões; 2011 ainda em serviço de reserva com o nome de LONGAS, e propriedade da APDL, autoridade portuária.
No Museu Marítimo de Ílhavo, julgo que ainda esteja em exposição um modelo fiel daquela lancha, executado pelo assalariado e pintor dos pilotos José Brandão, falecido o ano apassado, e que era um apaixonado por estas coisas, que também foi quem executou, a pedido do piloto-mor, o pré-desenho da mesma para a sua construção, e que juntamente com o carpinteiro dos pilotos José Ferreira, acompanharam a construção da P10 e se não estou em erro a escolha das madeiras, pois ambos, primitivamente foram experimentados profissionais da construção naval em madeira, o primeiro no Estaleiro da Parceria Marítima do Douro, Canidelo, V. N. de Gaia, e o segundo no estaleiro do Ouro, Lordelo do Ouro, Porto.
Segundo o José Brandão me disse um dia, a popa da lancha ficou um pouco estreitada, o que não correspondia ao seu pré-desenho, o que originava certa dificuldade de manobra.
Ainda tenho na memória a sua chegada ao Douro, ainda no dia da entrega, ao fim da tare, onde se soube que o gasóleo para o percurso entre a Gafanha da Nazaré e a Cantareira, acabou-se mesmo ao acostar às escadas do cais do Marégrafo, Pilotos, porque já perto de Lavadores, de bordo comunicaram desse facto ao piloto-mor, e ao seu encontro foi a lancha P9.
Fontes: jornais “O Comércio do Porto” e “O Primeiro de Janeiro”.
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Rui Amaro

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