quinta-feira, 2 de maio de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 289


RADARES PARA AS LANCHAS “P9” E “P10”



A lancha P10 saindo o porto de Leixões / Revista A FLAMA /.

A 24/02/1956, a fim de tratarem da aquisição dos radares para as lanchas P9 e P10, deslocaram-se a Lisboa o piloto-mor José Fernandes Tato e o piloto João dos Santos Redondo e a 02/03 seguiram o sota-piloto-mor Mário Francisco da Madalena, cabos-pilotos Aires Pereira Franco e Francisco Campos Evangelista e o piloto José Fernandes Amaro Júnior. No dia 04/03, a convite dos seus colegas do porto de Lisboa, assistiram no Estádio da Luz ao encontro de futebol entre o S.L.Benfica e F.C.Porto, cujo resultado final foi de 2-1 a favor da equipa da casa.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior
(continua)
Rui Amaro


ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s) em NAVIOS Á VISTA, o que muito se agradece.
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quarta-feira, 1 de maio de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 288


QUATRO NOVOS PILOTOS DA BARRA


A NRP DOURADA na doca nº 1 do porto de Leixões /F. Cabral, Porto/


Dois dos novos pilotos da barra, da esquerda para a direita, entre outros pilotos veteranos: O primeiro Manuel Garção Ferraz e o quinto José Teixeira Lencastre / foto do piloto António Natalino Cordeiro /.

A 07 e 08/03/1955, a bordo do NRP DOURADA, lancha da fiscalização das pescas, apresentaram-se 14 candidatos a piloto da barra do Douro e Leixões, sendo o júri presidido pelo Cte. João Pais, chefe do Departamento Marítimo do Norte; Cte. Coutinho Lanhoso, adjunto do chefe do Departamento; 2Ten Ferreira, patrão-mor; José Fernandes Tato, piloto-mor e Joel da Cunha Monteiro, sota-piloto-mor. Daqueles candidatos, foram classificados os seguintes: Alberto Feliciano Pereira Encarnação e Manuel Garção Ferraz, ambos de Lisboa, Jorge Salgueiro, da Lourinhã e José Teixeira Lencastre, da Foz do Douro, os quais foram nomeados pilotos provisórios pelo Diário do Governo de 26/04/1955.
Fonte; José Fernandes Amaro Júnior.
(continua)
Rui Amaro


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domingo, 21 de abril de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 287


O PETROLEIRO “PENTEOLA” SOFRE INCIDENTE INSÓLITO NA BARRA DO DOURO

O PENTEOLA conduzido para Banática, Tejo, pelo rebocador NAUTICUS da CCN, após um incidente, finais da década de 40 /Imprensa diária/

Por volta do ano de 1948, numa tarde de névoa cerrada, cerca das 15h00, ao sul da barra do Douro, aí pelo lugar da Madalena, escutava-se uma sirene bastante conhecida, que era do pequeno petroleiro Português PENTEOLA, que navegava muito fechado com a costa, o que não era normal, que vindo do porto de Lisboa com gasolina, era esperado na barra Douro.
Em dado momento, já junto das pedras denominadas do Cão, já na povoação de Lavadores, muito perto do areal do Cabedelo da barra, nota-se que o navio começa a rumar para Oeste, pudera! Devem ter escutado o sino do farolim de Felgueiras, e há que manobrar para fora para não encalhar no areal ou no banco da barra, e pelo que mais tarde constou, bateu mesmo, por estibordo nas ditas pedras e sofreu um pequeno rombo, que não alterou a sua estabilidade.
Já antes, a lancha de pilotos, no meio da bruma, saíra a barra ao encontro do PENTEOLA para o desviar do perigo de encalhar, e para bordo salta o piloto Afonso Moreira, que orienta o navio para a barra, onde nesse local já havia visibilidade suficiente, que não impedisse uma boa navegação, e até porque a maré estava a chegar à preiamar, águas quase paradas, e o mar bastante calmo.
Eu, que me encontrava no cais Velho, junto da pedra do Touro, noto que o PENTEOLA guina bruscamente, sem motivo para isso, a bombordo sobre a pedra denominada da Gamela, a meia distancia entre o cais Velho e o dique da Meia Laranja, e apesar da minha tenra idade, tive a percepção que devido à carga que o navio transportava, poderia dar origem a uma explosão, e afastei-me do local, sem que antes visse o navio largar o ferro de estibordo, e manobrar de máquina toda força á ré, tendo o navio acabado por entrar no canal, não deixando no entanto de embater levemente na dita pedra, e quando o petroleiro segue para montante para acostar à prancha da Shell, junto da encosta da Arrábida, já fora de perigo, escuta-se uma grande algazarra na ponte de comando, que deveria ser entre o piloto, comandante e o timoneiro. Pois parece que houve ali um pouco de sofisma entre aqueles dois elementos da tripulação, para se provar que o rombo fora ocasionado na barra, só que o rombo estava localizado no bordo oposto. Certamente o piloto Afonso Moreira participou ao piloto-mor José Fernandes Tato, este por sua vez ao chefe do Departamento Marítimo  e o comandante do PENTEOLA deve ter apresentado o respectivo “protesto de mar” na capitania do porto do Douro.
Questionando o meu pai sobre o incidente, ele apenas me disse que o comandante e o timoneiro, devem ter ficado em “muito maus lençóis” não só perante a autoridade marítima  mas sobretudo perante o seu armador, e então com a companhia Shell?!
PENTEOLA  – imo 5100312/ 55,6m/ 554tb/ 10 nós; 03/1936 entregue por Van der Giessen & Zonen, Krimpen, a/d Ijssel, ao grupo Shell, ficando afecto à Shell Company of Portugal, Lisboa, no transporte de combustíveis ao longo dos portos da costa Portuguesa; 1951 FARO SHELL, Dansk Shell; 1956 PETER, Dansk Shell; 1957 ELA, G. Schlese; 1964 CARLOTTA, August Priolo; 1967 AGIA LAVRA, N. Thanapoulos; 1968 RODOS, P.C. Crissochoidos; 1970 chegava a Perama para demolição..
Fontes: Rui Amaro; Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

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sexta-feira, 19 de abril de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 286


OS VAPORES “SILVA GOUVEIA” E “MINIMO” – ex “MIRA TERRA” FORAM DESMANTELADOS PARA SUCATA NO RIO DOURO

O MINIMO ex MIRA TERRA já varado e o SILVA GOUVEIA a aguardar a sua vez. à direita vê-se a fragata DELMINDA da firma A. J. Gonçalves de Moraes, do Porto /F. Cabra, Porto/. 



O SILVA GOUVEIA já em fase de desmantelamento / F. Cabral, Porto /.


A 05/1954 demandava a barra do Douro a reboque, dois antigos vapores da Sociedade Geral de Comércio, Industria e Transportes, Lda, de Lisboa, ou sejam o SILVA GOUVEIA e o MIRA TERRA, este já com o nome de MINIMO, para aqui se proceder aos seus desmantelamentos, ao fim de 35 anos de intensa actividade, em particular ao serviço daquele importante armador, cujas cores mantiveram durante cerca de 26 anos.
O SILVA GOUVEIA foi retirado do serviço activo em 03/05/1954 e vendido para demolição, e o MIRA TERRA tinha sido abatido em 1952 e adquirido por J. Vasconcelos, Lda., de Lisboa, que lhe alterou o nome para MINIMO, tendo realizado apenas uma viagem, acabando por ficar encostado no porto de Lisboa.
Ambos os vapores vieram para o Porto comprados pela firma de sucatas Rocha Mota & Soares, Lda, sediada na Avenida Diogo Leite, 92/96, V. N. de Gaia, a qual tinha como uma das suas principais actividades a exportação de sucata para as aciarias do norte de Espanha, pois traziam ao rio Douro muitos navios espanhóis, que saiam atolhados, sobretudo de sucata de ferro, e chegaram a ter um grande espaço no cais de Gaia, onde armazenavam a sua sucata. Pois até, com o aparecimento dos fogões de cozinha eléctricos, o fogão a lenha e carvão de minha casa, também foi metido no porão de um desses navios.
Acontece que no porto comercial do Douro, ali para os lados da zona histórica ribeirinha Gaiense, onde se situavam os armazéns daqueles sucateiros, não existiam lugares apropriados para varar navios para desmanche, e o sócio gerente Paulo Soares foi tirar impressões sobre o assunto com o piloto-mor José Fernandes Tato, a fim de lhe indicar um local mais próximo dos armazéns, onde os dois navios pudessem ser varados.
Então, aconselhou-o a ir tirar pareceres com o seu inquilino e vizinho, o piloto José Fernandes Amaro Júnior, e de facto na vinda para sua casa, veio falar com o seu caseiro, que de imediato, lhe disse que o melhor lugar e mais próximo dos armazéns era o banco de areia de Santo António do Vale da Piedade, margem de Gaia, diante da igreja de Massarelos.
Chegados os dois velhos vapores, que foram habituais frequentadores do porto comercial do Douro, foram amarrados no local indicado pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, e pouco tempo depois, foi o MINIMO varado naquele banco e ai desmantelado, e de seguida o SILVA GOUVEIA.
O autor da narrativa, que se lembre apenas três outras unidades de algum porte foram desmanteladas para sucata e outros fins e isso depois da 2ª guerra mundial, ou sejam eles: rebocador AQUILA, estaleiro do Ouro; um caça-minas Inglês, caneiro da Ínsua do Ouro; um submarino Inglês, banco de Massarelos.
SILVA GOUVEIA - imo 5605879/ 72m/ 958tb/ 10nós; 10/1922 entregue por Schiffswerft & Maschinenfabriek ex Jansen & Schmillinsky, Geestmunde, como TAUNUS a Ubersee Reederei GmbH, Hamburgo; 1924 MAX WEIDTMAN, Henry Stahl & Co GmbH, Hamburgo; 1927 MAX WEIDTMAN, Weidtman Linie, GmbH, Hamburgo; 1928 SILVA GOUVEIA, Sociedade Geral de Comercio, Industria e Transportes, Lda, Lisboa; 05/1954 chegava ao Douro para desmantelamento em sucta.
MINIMO – imo 1144392/ 53m/ 510tb/ 9,5nós; 03/1919 entregue por Booy de Hoop, Leiderdorp, NLD, como POELDIEP a NV Hollandsche Vrachtvaart Mij, Roterdão; 1920 POELDIEP, Eclipse Shipping & Trading Co., Ltd, Londres; 1925 WESTMINSTER BRIDGE, Onslow Steamship Co., Ltd, Londres; 1926 PORTO, Sociedade Geral de Comercio, Industria e Transportes, Lda, Lisboa; 1926 MIRA TERRA, Sociedade Geral de Comercio, Industria e Transportes, Lda, Lisboa; 1952 MINIMO, J. Vasconcelos Lda, Lisboa; 05/1954 chegava ao Porto para desmantelamento em sucata.
Fontes: José Fernandes Amaro; Lloyds Shipping Register.
(continua)
Rui Amaro

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quarta-feira, 17 de abril de 2013


D I V U L G A Ç Ã O




domingo, 14 de abril de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 285

RECORDANDO A VINDA AO PORTO DO DOURO DO “NRP BARTOLOMEU DIAS” E DO “NRP TEJO” EM 1952



O NRP BARTOLOMEU DIAS amarrado no lugar do Sandeman, Gaia, rio Douro em 24/05/1952 /(c) Foto Mar, Leixões/.



O NRP BARTOLOMEU DIAS amarrado no lugar do Sandeman, Gaia, rio Douro em 25/05/1952, vislumbrando-se pela sua popa a proa do NRP TEJO /F. Cabral, Porto/.



O NRP BARTOLOMEU DIAS desce o rio Douro de rumo à barra em 02/06/1952 /F. Cabral, Porto/.




O NRP TEJO amarrado à bóia no porto de Lisboa, década de 50 /F. Cabral, Porto/.



A 24/05/1952, e a fim de prestar honras militares ao chefe de estado General Craveiro Lopes, de visita à região do Porto, onde veio presidir à inauguração de várias estruturas públicas e privadas, entre as quais o estádio das Antas, pavilhão dos Desportos, túnel da Ribeira, bairro dos pescadores da Afurada, mercados do Bom Sucesso e de Matosinhos, etc. deslocaram-se ao porto do Douro o NRP BARTOLOMEU DIAS, aviso de 1ª classe, 103,20m/2.478td e o NRP TEJO, contratorpedeiro, 98,15m/1.588td.
Dada a importância daquelas unidades navais, o piloto-mór José Fernandes Tato, reuniu todos os seus subalternos e decidiu, talvez por ser o mais antigo, que o piloto José Fernandes Amaro Júnior ficaria responsável pela pilotagem de entrada e saída do NRP BARTOLOMEU DIAS. No que respeita ao NRP TEJO pediu um voluntário. Ninguém se disponibilizou para tal! Então, o piloto Aristides Pereira Ramalheira toma a seu cargo esse serviço, que para ambos os pilotos seria efectuado fora da escala de serviço.
O NRP BARTOLOMEU DIAS, que chegara pela manhã de 24, dia de bom tempo, demanda a barra em 14 pés de calado cerca das 16h00, não antes do seu comandante ter chamado à atenção do piloto da barra para a responsabilidade daquele serviço. O piloto fez-lhe ver, que tudo iria correr bem, pois já dirigira manobras de navios de maior porte e calado sob péssimas condições de tempo e mar e nos muitos anos, que tinha de piloto da barra, jamais tivera qualquer acidente de vulto, pelo que não estivesse receoso. O imediato do navio, que era do Porto e conhecia bem a barra e o rio, também tranquilizou o seu comandante. Aquela unidade naval foi subindo o rio Douro até dar fundo a dois ferros, ancorote dos pilotos pela popa ao lançante para noroeste, e cabos estabelecidos para margem, no lugar do Sandeman, Gaia, tendo tido apenas a assistência das lanchas do rio P2 e P6. O NRP TEJO não tendo chegado a tempo da maré, demandou a barra no dia seguinte, indo amarrar pela ré do navio-chefe.
O NRP BARTOLOMEU DIAS, que foi a única vez que estivera no rio Douro, era gémeo do NRP AFONSO DE ALBUQUERQUE, perdido em combate no porto de Mormugão, contra uma potencial força naval e aérea da União Indiana, aquando da tomada dos territórios Portugueses da Índia a 18/12/1961, todavia sem arriar as bandeiras de combate de Portugal e fazer subir no mastro o pano branco de rendição, bateu-se até à última munição, apesar de uma única baixa e alguns feridos da equipagem, entre os quais o seu próprio comandante e dos danos sofridos, que originaram a sua perda, provocou avarias graves e várias baixas humanas à elevada força naval inimiga.
Aqueles vasos de guerra deixaram o rio Douro a 02/06/1952, tendo os dois pilotos da barra recebido um louvor pela eficiente condução das manobras de entrada e saída daqueles dois navios. Note-se, que não houve intervenção de qualquer rebocador, quer na entrada ou na largada daqueles vasos de guerra, que para o porto do Douro eram considerados de grande porte.
O NRP TEJO, assim como os seus gémeos DOURO, LIMA, VOUGA e DÃO, já por várias vezes visitaram o rio Douro e numa dessas visitas ficaram os cinco amarrados de braço dado, no quadro dos navios de guerra em Massarelos. Antes da guerra de 1939/45 eram os cabos-pilotos, que se encarregavam das manobras de entrada e saída das unidades navais, tanto no rio Douro como em Leixões.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, Lista das unidades navais, Imprensa diária.
(continua)
Rui Amaro



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quinta-feira, 11 de abril de 2013

SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E POR-TO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 284


O RAPAZIO DA CANTAREIRA E AS IDAS FORA DA BARRA NAS LANCHAS DE PILOTAR



As lanchas de pilotar P9 e P12, esta acabada de inaugurar, amarradas à bóia no ancoradouro da Cantareira, Foz do Douro, em 1962, e pela ré da P12 vê-se uma caíque dos Pilotos / foto de autor desconhecido - colecção F. Cabral /.

Era um costume antigo os cabos-piloto ou o mestre da lancha de pilotagem levar o rapazio até fora da barra, o que ainda hoje é recordado por muitos desses rapazes, das idas nas lanchas P1, P4 (1), P5 (1) e P9. O autor, na sua infância, muitas vezes tomou o leme da lancha P9 e sob orientação do cabo-piloto Aires Pereira Franco, do piloto José Fernandes Amaro Júnior, seu pai ou do mestre daquela lancha Eusébio Fernandes Amaro, seu tio, realizava a manobra de abordagem aos pequenos navios, a fim de embarcar ou recolher os respectivos pilotos, e consequentemente o regresso ao cais do Marégrafo. O mais complicado era chegar a mão ao manípulo do telégrafo. Além disso durante o percurso davam-lhe a conhecer os nomes das pedras e dos baixios, enfiamentos da barra e suas marcas em terra, etc.
Também, quando se apanhava a caíque dos pilotos fora de serviço, o rapazio saltava para dentro, e à ginga, ou seja manejando um só remo à ré, dava-se umas voltas pelas amarras do ancoradouro da Cantareira, ou de paneiro ao alto servindo de vela, lá se ia aproveitando o vento fresco da barra, mas o pior é quando se regressava à lingueta dos pilotos, as mãos estavam cheias de bolhas. E, que me recorde, jamais houve qualquer acidente.
Nesses tempos Portugal andava virado para o mar, mas agora, com tanta exigência e fiscalização, nem pensar a aproximação às embarcações!
(continua)
Rui Amaro


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