terça-feira, 26 de março de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 281


A 5ª FLOTILHA DE CONTRATORPEDEIROS DA “ROYAL NAVY” VISITOU O PORTO DE
LEIXÕES A 15/10/1950


Os contratorpedeiros HMS ST. KITTS e HMS SOLEBAY na doca nº 1 do porto de Leixões em 15/10/1950 / O Comércio do Porto /.

WELCOME THE BRITISH NAVY!





The city of Oporto is being distinguished with the visit of His British Majesty’s sailors. Some of the powerful Royal Navy´s units today are due at the port of Leixões, being a small taken of the enormous sea-power held by a nation, ruled by the inborn and steadfast sentiments of freedom and mutual respect, also by the comprehensive realization of a patriotism having successfully stood the ordeal of the centuries whilst writing some of England’s most brilliant pages of history.
The warships, calling at the port of Leixões, gave come over on a courteous and friendly visit to England’s oldest ally. This is a proof real affection and sympathy, soundly echoed by the hearts of all Oporto citizens, as it forges yet another strong unbreakable, link in the solid ties binding both peoples.
The warm welcome, to be given to the British sailors, the legitimate representatives of countless other marines  who fought, suffered and lost their lives in the sea the world over, during the tremendous armed conflict of all timeswill give evidence, not only of our sincere affection, but also of our high admiration for all those who have known how to fight in the protection of those principles on which Humanity depends for its dignity. This is the time for us to give them all the proof of our deep appreciation, esteem, consideration and respect. The city’s authorities, fully alive to these sentiments, mapped out on adequate reception programme, unreservedly seconded by the town’s citizens, who will give a warm and enthusiastic welcome to the gallant sailors of England, received not as mere visitors but, indeed, real friends, and honoured guests, held in the highest regard.
“O COMERCIO DO PORTO”, associated to the several firms, all of them forming the pivot to intense trade between Portugal and Great Britain, warmly greets England’s gallant marines, and says; WELCOME THE BRITISH NAVY!
(In o jornal “O COMERCIO DO PORTO” de 15/10/1950)


O HMS SOLEBAY demanda o porto de Leixões em 15/10/1950 / F. Cabral, Porto /.


A 15/10/1950, pelas 09h00, demandava o porto Leixões em visita de cortesia a 5ª flotilha de contratorpedeiros da “Royal Navy”, constituída pelas seguintes unidades HMS SOLEBAY (D70), navio chefe, HMS ST. KITTS (D18), HMS GRAVELINES (D24) e HMS CADIZ (D79), que foram atracar à doca nº 1 – lado Sul – topo Oeste, permanecendo cerca de três dias, aproveitando a visita, após manobras navais, para descanso da guarnição de cerca de 1.500 homens, que desembarcados, espalharam-se por Matosinhos/Leça, Gaia e cidade do Porto, dando um certo colorido com os seus uniformes, e alguns “drinks”. Vários eventos foram organizados pelas autoridades locais em honra das guarnições dos quatro “destroyers”, os quais foram conduzidas, respectivamente pelos pilotos Elísio da Silva Pereira, José Fernandes Amaro Júnior, Manuel Pereira e Luis Ventura.
Aquelas unidades da “Home Fleet” com base em Portsmouth, passados os três dias de estadia, deixaram o porto de Leixões de rumo ao porto de Setúbal, onde desgraçadamente quatro elementos da guarnição perderam a vida, quando o automóvel em que se faziam conduzir despenhou-se nas águas do Sado, junto à proa das suas unidades.
O HMS SOLEBAY e o HMS GRAVELINES voltaram a Leixões, em visita de cortesia, a 19/03/1953.
Este tipo de “destroyers”, em minha opinião, foram dos mais belos, que alguma vez vi.
HMS SOLEBAY (D70)
HMS ST. KITTS (D18)
HMS GRAVELINES (D24) -
HMS CADIZ (D79) –
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior, Wikipedia, Imprensa diária
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s) em NAVIOS Á VISTA, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on NAVIOS Á VISTA, which will be very much appreciated.

terça-feira, 19 de março de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 280


O “HEERENGRACHT” LEVA O PILOTO DO DOURO PARA LISBOA

A 29/11/1946, dia de mau tempo de Noroeste e mar na barra, ainda que com alguns lisos, coube de saída ao piloto José Fernandes Amaro Júnior o navio-motor Holandês HEERENGRACHT, que estava consignado aos agentes Garland, Laidley & Co., Ltd., amarrado no lugar do cais do Monchique, margem direita do rio Douro, e que vinha fretado ao armador Holandês, N.V. Hammerstein’s Scheepsreederij, de Roterdão, e destinava-se ao porto de Lisboa.
Cerca das 16h00 recebeu ordem do piloto-mor para largar, e iniciou a manobra de rotação, e começou a rumar para jusante. Quando atingiu o lugar do estaleiro do Ouro, viu que embora fizesse muito mar na barra, também havia grandes lisos, e como o galhardete de saída, estava içado no mastro do Marégrafo, lá foi indo avante força para conseguir passar no liso que vislumbrava ao longe, infelizmente quando já junto do cais do Touro, a maresia recrudesceu, e já não houve outra hipótese de abrandar, senão seguir enfrente, e quando passava junto da boia da barra, o mar de andaço caiu em cima do HEERENGRACHT, que o capitão de tão assustado, já nem quis ir desembarcar o piloto junto do Farol de Esporão de Leixões, pelo que rumou de imediato a Sul, indo aquele piloto desembarcar no  porto de Lisboa, mais propriamente no cais de Santos.
Depois de passar pela casa Garland, Laidley, de Lisboa, regressou ao Porto por caminho de ferro.
HEERENGRACHT – imo 5136062/ dois mastros/ dois porões/ 52,2m/ 493gt/ 9,5kn; 11/1942 entregue por van Diepen, Waterhuizen, como URSULA HEINEMEIER a H. F. Bertling, Lubeca, embora lançado à água como ANSYMA; 1942 ANSYMA, NV Ansyma, Amesterdão; 1946 HEERENGRACHT, NV Ansyma, Amesterdão; 1959 GRETE SOLHEIM, Magnus Solheim, Trondheim; 1963 GRETE SOLHEIM, Siraco A/S, Oslo; 1964 ROSITA K, K. Karmiris Sons & E. Hadjigeorgiou, Pireu; 1972 ROSITA K, K. K. Karmiris Bros Cp., Ltd., Pireu; 27/05/1973 naufragou 5,5mn ao largo de Zuvra, quando em viagem do Pireu para Bengasi com semente de algodão.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior; Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

segunda-feira, 4 de março de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 279


UMA LARGADA INVULGAR DO VAPOR “SOFALA” DA DOCA Nº 1 DO PORTO DE LEIXÕES

O vapor SOFALA em manobras de atracação no porto de Leixões, década de 60

Havia pilotos da barra mais afoitos e arrojados, a quem os chefes lhes confiavam tarefas de responsabilidade, como o relatado neste episódio, e de que foi protagonista o piloto José Fernandes Amaro Júnior.
O vapor Português SOFALA, 161m/7.956tb, atracado no topo leste da doca nº 1 – lado norte, lugar do Conde de Leça, estava pronto para sair pela tarde de 06/02/1947, todavia os dois rebocadores da A.P.D.L., TRITÃO e MIRA, obrigatoriamente necessários para a manobra, encontravam-se inactivos por avaria nas respectivas máquinas, contudo nessa tarde conseguira-se que um deles ficasse operacional, que julgo tivesse sido o MIRA. Naquele dia não havia qualquer rebocador privado, ou mesmo arrastões de pesca da costa, dentro do porto, suficientemente capazes para auxiliar a manobra de desatracação, e o armador a fim de cumprir escalas tinha toda a necessidade, que o SOFALA saísse nessa tarde, pelo que já tinha um rebocador pronto a largar do porto de Lisboa, caso a manobra não viesse a ter o sucesso desejado. Em face da situação, o sota-piloto-mor Joel da Cunha Monteiro confia ao piloto José Fernandes Amaro Júnior, fora da escala de serviço, para tentar dirigir a manobra de desatracação e saída daquele vapor, que naquela época era a maior unidade da marinha mercante nacional e um dos cerca de cem navios de carga acima dos 150m de comprimento, a nível mundial, certamente após anuência das autoridades marítimo-portuárias.
Aquele piloto da barra, que já tinha dirigido a manobra de entrada e atracação do mesmo há cerca de oito dias, resolveu a situação como normalmente se procedia na doca comercial do porto de Viana do Castelo, com o recurso a espias ou cabos passados ao cais oposto, visto naquele porto, raramente se encontrar um rebocador. Chegada a hora de manobrar, e de acordo com o comandante, estabeleceu cabos aos peorizes da doca Sul e foram-se virando de bordo, ajudando a desviar a popa da muralha, com o rebocador puxando à proa até colocar o navio no enfiamento da saída da doca nº 1. Entretanto, foi seguindo em marcha avante devagar e logo que teve a popa liberta do cais, os cabos safos do hélice e colhidos a bordo, largou o rebocador e deu-lhe toda força avante, só se detendo por fora do farol do Esporão, a fim de efectuar o seu desembarque para a lancha P1.
Por perto estava o pequeno rebocador fluvial MERCÚRIO SEGUNDO, que tinha levado para a doca uma laita vinda do rio Douro para receber de baldeação cereal para a Moagem do Freixo, todavia aquele piloto não solicitou os seus préstimos, dado que o rebocador não possuía força de máquina suficiente para um vapor com o porte do SOFALA e poderia surgir algum incidente, até para o próprio rebocador, apesar do mestre Domingos lhe fazer sinais para o chamar e afirmou-me, caso um dos rebocadores da A.P.D.L. não tivesse ficado pronto, procedia a manobra de largada pelo mesmo sistema. A assistir à manobra encontravam-se no cais o sota-piloto-mor Joel da Cunha Monteiro e o piloto Francisco José de Campos Evangelista.

O paquete QUANZA saindo do porto de Leixões, 30/03/1968

Passados quatro dias surge à vista o paquete QUANZA, 134m/6.403tb, que vai demandar o porto de Leixões ao sinal, fortemente envolvido na ondulação, e na bacia encontram-se alguns navios fundeados. Mais uma vez o sota-piloto-mor Joel da Cunha Monteiro encarrega o piloto José Fernandes Amaro Júnior, fora da escala de serviço, para dar entrada e proceder à atracação desse paquete. Aquele prático ficou deveras surpreendido, visto o paquete ser de muito menor porte do que o SOFALA mas a razão colocava-se na ondulação, que se fazia sentir na bacia e na doca. Saltou para o navio à entrada dos molhes e foi atracar o QUANZA na doca nº 1 – lado Norte auxiliado por um rebocador da A.P.D.L à proa e como desta vez havia um rebocador privado, pegou à popa o rebocador AGUILA da firma Lobo & Freitas da praça do Porto.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior
Imagens de Rui Amaro
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on this Blog, which will be very much appreciated. 

domingo, 3 de março de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 278


A CORVETA “HMS NIGELLA” (K-19) DEMANDA O PORTO DE LEIXÕES

A corveta HMS NIGELLA (K-19) / autor desconhecido - Photoship Co. UK /. 

A 04/03/1946, pela manhã, demandou o porto de Leixões a corveta HMS NIGELLA (K-19), conduzida pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, que a foi atracar na Doca nº 1.
Aquela unidade da “Royal Navy” que procedia do teatro de guerra do Extremo-Oriente com escala pela base naval Britânica de Gibraltar, e acabada a sua comissão de serviço regressava a casa, arribou ao porto de Leixões para abastecimento de bancas e descanso da guarnição.
A 25/01/1944, quando em serviço de patrulha resgatou 56 sobreviventes do vapor Inglês FORT LA MAURIE, que havia sido torpedado e afundado pelo submarino Germânico U-188 a lés-nordeste da ilha de Socrata, no oceano Indico, perto do Yemen.
HMS NIGELLA (K-19) – imo 6112163/ classe “Flower”/ 62,6m/ 940td/ 16nós; 25/02/1941 entregue pelo estaleiro George Philip & Sons, Ltd, Dartmouth, para a Marinha Real Britânica; 1947 foi comprada por Wheelock, Marden & Co., Ltd., Londres, que a fez reconstruir como navio de carga; 10/03/1955 naufragou em viagem de Fuochow para Xangai.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on this Blog, which will be very much appreciated. 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 277




SAÍDA NEGADA AO VAPOR ALEMÃO “PHOEBUS” DEVIDO AO MUITO MAR NA BARRA DO DOURO

O PHOEBUS amarrado no lugar do cais do Monchique, rio Douro, vislumbrando-se ao fundo o iate-motor SANTA LUZIA, da praça de Viana do Castelo, 1952 / F. Cabral, Porto /.

A 22/01/1950, pelas 16h00, vindo do ancoradouro do lugar do cais do Monchique, onde estivera amarrado em operações comerciais, o vapor Alemão PHOEBUS, em 14 pés de calado, sob orientação do piloto José Fernandes Amaro Júnior, a fim de cruzar a barra de saída, quando passava diante da insua do Ouro, deparou com muito mar na barra, e no mastro do cais do Maregrafo, fora-lhe içado, por ordem do piloto-mor, o galhardete da letra “N” do CIS, indicativo de barra negada devido à perigosa agitação marítima, que entretanto se desenvolvera, pois quando aquele piloto embarcara na lancha do rio, na lingueta dos Pilotos, já fazia alguma ondulação na barra, mas não era coisa de impedir a saída.
Em face da situação, aquele piloto disse ao capitão, que teria de retrodecer e ir amarrar no mesmo ancoradouro, e ter de aguardar para a maré do dia seguinte, e disse também, que iria desandar junto da bóia da Cantareira, com a ajuda do ferro de bombordo.
Chegado à referida bóia, a meio do canal, mandou largar o ferro de bombordo e de máquina avante e leme àquele bordo, e por vezes em marcha à ré, e leme a estibordo, o PHOEBUS aproou a leste, e depois de suspender o ferro, lá seguiu para montante até dar fundo no mesmo ancoradouro.
O PHOEBUS, conduzido por outro piloto de escala, acabou por sair no dia seguinte com mar chão, de rumo à doca nº 1 do porto de Leixões, a fim de completar o seu carregamento com as mercadorias de Leixões, sobretudo constituídas por conservas de peixe.   
PHOEBUS – imo 5608063/ 60m/ 657gt/ 8kn; 21/04/1910 entregue por AG Weser, Bremen, à DG Neptun, Bremen; 1923 PHOEBUS, gestores Deutsch Niederlandschen Finanzabkommen GmbH in Berlin, Bremen; 1930 DG Neptun, Bremen; 05/1945, rendição da Alemanha Nazi, encontrava-se em Aalborg em reparações e foi uma das treze unidades que se consevaram ao serviço do seu armador; 07/03/1954 chegava a Hamburgo para desmantelamento.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; DG Neptun, Bremen.
(continua)
Rui Amaro

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 276


 A CHEIA DO RIO DOURO DE 03/1951

Os navios DARINIAN e WOODCOCK, fortemente amarrados, respectivamente nos lugares doSandeman e dos Vanzelleres suportam as caudalosas águas da cheia do rio Douro / O Comércio do Porto /.

A 16/03/1951, durante a manhã, o Departamento Marítimo do Norte fora avisado, oficialmente, que o rio Douro no posto hidrométrico da Régua, atingira a altura de 8,74m na respectiva escala, pelo que na Ribeira do Porto e na Av. Diogo Leite, de Gaia, e nos ancoradouros das embarcações surtas no porto comercial do Douro o aumento do volume das águas fazia-se sentir, sobremaneira, notando-se que as águas principiavam a invadir as margens, ameaçando transbordar sobre os cais.
Algumas pranchas de cargas e descargas acabaram por ficar submersas até uma altura assustadora, caso da prancha-cais do Frigorífico do Peixe de Massarelos e a do Frigorifico do Bacalhau no lugar do Bicalho.
O navio-motor português SECIL acostado ao cais do Terreiro, e o lanchão-motor da mesma nacionalidade GAVIÃO DOS MARES amarrado no lugar das escadas das Padeiras, correram sério risco de rebentarem as amarras e serem levados rio abaixo pelas águas caudalosas, pelo que o chefe daquele departamento marítimo, Cte. João Pais, ordenou que fossem dali retiradas e conduzidas para ancoradouros mais seguros. A manobra de cambar os dois navios foi difícil dada a impetuosidade da corrente, que apresentava a velocidade de nove milhas horárias.
Com o auxílio do rebocador MERCURIO 2º, tendo a seu leme o mestre Domingos, experimentado profissional destas lides, o piloto de escala Francisco de Matos auxiliado pelo seu colega José Fernandes Amaro Júnior a bordo do GAVIÃO DOS MARES, e o piloto de escala Vasco Armando de Moraes coadjuvado pelo seu colega Bento da Costa na ponte do SECIL, esforçadamente manobraram com êxito, levando aquelas duas embarcações para o lugar do Cavaco, onde ficaram amarradas em segurança, com dois ferros à proa, cabos reforçados estabelecidos para terra e ancorote dos pilotos ao lançante, direccionado a noroeste. Aqueles trabalhos, como sempre, foram presenciados por inúmeros populares, assistindo também, além do patrão-mor da capitania Ten. António Costa, o piloto-mor José Fernandes Tato acompanhado pelo sota-piloto-mor Mário Francisco da Madalena.
A barra do Douro graças às águas de cheia, também identificada pela população ribeirinha por “engenheiro da Régua”, continuava a abrir junto do paredão da Meia Laranja, que já ia para lá dos 250 metros de largura e com tendência para alargar mais. Embora o mar estivesse um pouco agitado não impedia um bom escoamento das águas de cheia, que arrastavam para o largo as areias do movediço Cabedelo.
À noite, conquanto o tempo aliviasse, apresentando-se por vezes o céu limpo e vento do quadrante noroeste, no mastro da capitania o sinal indicativo de temporal de sudoeste continuava içado e no rio Douro vários navios encontravam-se ancorados com as amarras reforçadas, entre os quais os navios-motor Ingleses DARINIAN e WOODCOCK, no lugar dos Vanzelleres e o Alemão HERCULES, no lugar das escadas da Alfândega. Já a 13, por ter garrado, o navio-motor Português JOÃO JOSÉ 1º havia sido mudado do lugar da Carbonífera para o lugar da Arrozeira, sob a orientação do piloto José Fernandes Amaro Júnior.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on this Blog, which will be very much appreciated. 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 275


O VAPOR “SOFALA” IMPEDIDO DE ENTRAR NO PORTO DE LEIXÕES DEVIDO AO SEU EXCESSIVO CALADO DE ÁGUA


O vapor SOFALA prepara-se para acostar à doca nº 1 do porto de Leixões , década de 60  / Rui Amaro /.

A 06/03/1951, o vapor Português SOFALA, acabado de chegar dos portos de Moçambique e Angola, completamente carregado, foi impedido de demandar o porto de Leixões, devido ao seu excessivo calado de água de 29 pés.
Nunca aquele vapor da Companhia Nacional de Navegação, de Lisboa, se apresentara em Leixões com tal calado. Dentro da bacia havia água suficiente para o manobrar, no entanto entre molhes o assoreamento era grande, devido à construção incompleta do quebra-mar do Esporão e às areias trazidas pela maresia e correntes marítimas, que ali ficavam depositadas. Assim, o SOFALA, uma das maiores embarcações que à  época escalavam o porto de Leixões, para atracar na doca nº 1, teve de aguardar por melhor maré e no pico da mesma. Em face da situação o SOFALA permneceu fundeado ao largo da costa, até o sota-piloto-mor Joel da Cunha Monteiro, após sondagens diárias, permitisse a entrada, o que ocorreu passado alguns dias.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on this Blog, which will be very much appreciated.