terça-feira, 15 de janeiro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 272


UM PILOTO DO DOURO DE QUINZENA Á ESTAÇÃO DE LEÇA DA PALMEIRA EMBARCA NO N/M HOLANDÊS “ALCYONE” PARA QUE AQUELE NAVIO NÃO PERCA A MARÉ, E ENTRA JÁ COM VAZANTE FORTE.


O ALCYONE cruzando de saída a barra do Douro em 09/11/1949 / F. Cabral, Porto /


A 07/11/1949, pelas 10h30, subitamente avista-se navegando de rumo à barra do Douro, envolvido em fortes aguaceiros, por fora do farol do Esporão de Leixões, o navio-motor Holandês ALCYONE, 42m/359tb, procedente de Roterdão e Anvers com carga diversa.
A lancha P9 não pode sair a barra devido a alguma rebentação e à maré, que com bastante escarcéu, já vai com cerca de uma hora de vazante. Dado que já não há tempo para a ida e embarque do piloto de escala da estação da Cantareira com recurso à lancha P1, do porto de Leixões, o piloto-mor José Fernandes Tato ordena ao piloto do Douro José Fernandes Amaro Júnior, cumprindo a prestação de um dos seus períodos de quinzenas à secção de Leça da Palmeira, onde se encontrava, que embarque naquele navio e se faça à barra do Douro sem demora.
Aquele piloto salta para o ALCYONE, e de imediato ruma ao Douro, e através de toques de sirene assinala o seu calado de água de 10 pés. De imediato, avista içada no mastro do castelo da Foz, a bandeira vermelha, sinal de barra franca e com a máquina em toda a força avante faz o enfiamento à barra, envolvido em alguns pampeiros de chuva, bastante vento, vaga de noroeste e escarcéu próprio da corrente da vazante, que obrigam o navio a desviar-se do canal mas sem causar preocupações de maior, visto ser de boa máquina e leme. No entanto, quando o navio alcança a Meia Laranja ou seja a zona da barra mais esganada, devido ao Cabedelo estar demasiado a norte, encontra alguma dificuldade em avançar, apesar da máquina estar a trabalhar no máximo da sua potência mas manobrando a bombordo ou a estibordo, procurando as revessas, lá vai avançando.
Aquela situação faz lembrar, àquele prático da barra, o que velhos mareantes e pilotos da Foz lhe contavam na sua infância, que em casos semelhantes eram estabelecidos cabos aos peorizes nos cais e de bordo eram virados com a ajuda do molinete, fazendo com que os vapores lá conseguissem vencer a corrente e atingir o pontal da Cantareira. Este procedimento tinha a colaboração voluntária dos curiosos em terra, que auxiliavam o pessoal dos pilotos na amarração dos cabos. Vicissitudes idênticas passavam-se com embarcações de pesca e até mesmo com traineiras, que só ultrapassavam a forte corrente, se puxadas à sirga com a prestimosa ajuda de populares.
Após, ter alcançado as bóias dos Arribadouros, o ALCYONE, apenas abranda a marcha junto do lugar do Ouro, a fim de receber a visita da Sanidade Marítima e retomando a marcha segue rio acima até dar fundo a dois ferros, com ancorote a sudoeste pela popa e cabos passados para terra, diante da lingueta da Cábrea, terminando o serviço cerca das 12h30.
O ALCYONE, que se encontrava fretado a longo prazo à companhia Van Nievelt, Goudriaan & Co’s. Rotterdam, e consignado na cidade do Porto à casa de navegação Garland, Laidley & Co., Ltd., foi construído em 1938 pelo estaleiro Holandês van Gebr. Muller, Foxhol para o armador D. Schorthorst, Holanda e a partir de 1951 foi vendido e passou ao serviço de vários armadores: Van Dijk & Kruidhof, Holanda, 1955, CITO, Paap & van Wijk, Holanda; 1960 PATRICIA, 1961 PROCYON, 1970 HOAN, 1973 YVONNE, todos estes últimos quatro de armadores dinamarqueses; 1974 RYAD, 1976 MOHAMED, 1978 SHEREEN, os três nomes pertencentes a armadores libaneses, A partir de 1994 deixou de aparecer qualquer registo. Em 1944, incluído na operação Neptuno organizada pelas forças militares aliadas, tomou parte na invasão da Normandia.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior, Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 272


TRÊS LUGRES BACALHOEIROS NÃO TENDO ÁGUA SUFICIENTE NA BARRA DE AVEIRO APRESSARAM-SE A VIR PARA O RIO DOURO

ANTÓNIO RIBAU / autor desconhecido /.

MARIA FREDERICO / Foto Mar, Leixões /

RIO CAIMA / autor desconhecido /

A 09/10/1949, vento sul fresco com alguma bruma, a meio da tarde, já no final da preia-mar, a lancha de pilotar P9 sai a barra, levando a bordo alguns pilotos, e estranhamente ruma a sul sobre o banco da barra, o que não era muito usual.
Algum tempo depois começa-se a vislumbrar por entre a bruma um lugre de três mastros, de traquete desfraldado e o rebocador VOUGA 1º, pegando à proa. Esse lugre era o ANTÓNIO RIBAU, e pouco depois descortina-se outros dois lugres, que eram o MARIA FREDERICO e o RIO CAIMA, também ambos, com algum pano içado, para dar mais alguma marcha, a fim de conseguirem entrar com a preia-mar, o que já não lhes foi possível.
Essses lugres que tinham estado à barra de Aveiro, e não conseguindo àgua, mesmo em ocasião de maré grande, não perderam tempo e rumaram ao rio Douro a toda a força dos seus motores, a fim de desembarcarem as respectivas companhas e ficarem a aguardar melhores águas na barra do seu porto de armamento.
O ANTÓNIO RIBAU, sempre assistido pelo VOUGA 1º, faz-se á barra por sudueste, junto ao banco, e já entra com vazante, logo a seguir, e pelo mesmo enfiamento, entra a MARIA FREDERICO, auxiliado pelo MERCURIO 2º, que saíra a barra ao seu encontro, e por último um pouco atrasado vem o RIO CAIMA, em 15 pés de água, conduzido pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, que não conseguindo rebocador, e já com bastante vazante, passa junto ao cabeço do banco, e lá vai singrando para montante pelos seus próprios meios, com certa dificuldade, aguenta a bombordo, aguenta a estibordo, mas lá ultrapassa a zona critica. Os três lugres foram amarrar no lugar do Cais do Cavaco, frente a Massarelos, a dois ferros, ancorotes dos pilotos para noroeste e cabos estabelecidos para terra, junto a outros navios bacalhoeiros do Douro, da Figueira da Foz e de Aveiro, já anteriormente chegados.
Em terra, ali junto ao cais do Touro e da Meia Laranja, era um ver se te avias, com tantos familiares e amigos das companhas e tripulantes, que logo que souberan na barra de Aveiro, que os lugres não tinham entrada e vinham para o Douro, num abrir e fechar de olhos, prantaram-se na Foz do Douro, até parecia que estávamos na romaria ao São Bartolomeu, que se celebra na freguesia no mês de Agosto.
Fontes: o autor do blogue
(continua)
Rui Amaro


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domingo, 6 de janeiro de 2013

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 271


RECORDANDO A HOMENAGEM AO SOTA-PILOTO-MOR MANUEL DE OLIVEIRA ALEGRE E O RELATO DE TRÊS ACIDENTES DE QUE FOI PROTAGONISTA
VAPORES ALEMÃES "HERSILIA", "WALTER LEONHARDT" E A BARCA "BELA VISTA"

Manuel de Oliveira Alegre / Colecção Manuel Alegre . neto /.

Jantar de homenagem no restaurante Freitas, da baixa do Porto / Colecção Manuel Alegre . neto /.

Jantar de reunião das comissões de pilotos do Douro/Leixões e Lisboa e seus chefes hierárquicos, dos quais se destaca o sota-piloto-mor Manuel de Oliveira Alegre, segundo à esquerda sentado./ Colecção Manuel Alegre . neto /.

Telegrama enviado pelo Cmte João Pais, Chefe do Departamento Marítimo do Norte / Colecção Manuel Alegre . neto /.


O HERSILIA atravessado ao canal de navegação da barra do Douro / Colecção F. Cabral, Porto /.

O HERSILIA encalhado na restinga do Cabedelo acompanhado dos salvadegos NEWA e FINISTERRE /
colecção F. Cabral, Porto /.

 O HERSILIA encalhado na restinga do Cabedelo, vendo-se populares colhendo carvão alijado ao mar / Colecção F. Cabral, Porto /.

 Barca BELA VISTA / Colecção Seixas - MM /. 


A 21/04/1949, o sota-piloto-mor Manuel de Oliveira Alegre completou 52 anos ao serviço da corporação de pilotos do Douro e Leixões, alcançando o limite de idade. Por tal motivo e para lhe testemunharem simpatia e admiração pelas suas qualidades de trabalho, os seus colegas prestaram-lhe significativa homenagem, oferecendo-lhe um jantar de despedida, que teve lugar no restaurante Freitas, sito na rua do Bonjardim, na baixa do Porto.
Na mesa de honra, tomaram lugar, além do homenageado; José Fernandes Tato, piloto-mor; Joel Monteiro da Cunha, sota-piloto-mor; Mário Francisco da Madalena e Aires Pereira Franco, cabos-piloto. Noutros lugares sentaram-se os pilotos Hermínio Gonçalves dos Reis, Francisco Soares de Melo, Bento da Costa, Manuel Pereira Franco, Francisco José Campos Evangelista, Tito dos Santos Marnoto, Luís Ventura, Henrique Correia Hugo, Francisco Cardoso de Matos, Afonso Moreira, Alberto da Costa, Eduardo Fernandes Melo, Vasco Armando Morais, João Cardoso Meireles e os escriturários Secundino Reina e Álvaro Leite. Foram lidos muitos telegramas de saudação ao homenageado, dentre os quais, o de David Leite, José Rebelo Prata de Lima, Joaquim Moreira, José Rabumba, Manuel Aveiro, Carlos Leite, Francisco Rosa. Foi, também lida uma mensagem do piloto Jaime Martins da Silva e do vigia Eurico Franco, ambos de serviço nocturno à estação de pilotos da Cantareira e também uma comunicação do Cte. João Pais, chefe do Departamento Marítimo do Norte, em que este se associava à homenagem, afirmando que a briosa corporação dos pilotos, muito devia ao homenageado.
Após os discursos e brindes, aquele sota-piloto-mor agradeceu a homenagem, que lhe fora prestada e no final em memória dos pilotos falecidos no mar, vítimas do cumprimento do dever, foram guardados dois minutos de silêncio.
Manuel de Oliveira Alegre, natural da Foz do Douro, onde nascera em 1882, ingressou em 1897 na corporação de pilotos, se bem que, anteriormente já tivesse colaborado como elemento eventual nas catraias de apoio à navegação no rio. Foi admitido a piloto praticante em 1909 e a piloto efectivo em 1911 e foi nomeado cabo-piloto em 1937 e sota-piloto-mor em 1946, tendo sofrido alguns percalços no rio e barra do Douro, entre os quais o acidente por encalhe com o vapor Alemão HERSILIA, da barca de três mastros Portuguesa BELA VISTA e do vapor Alemão WALTER LEONHARDT, estes dois que vieram rio abaixo devido a cheia no rio, e se quedaram frente a Massarelos, tendo nos três acidentes vindo para terra pelo cabo de vaivém. Aposentou-se em 1949 com 40 anos de serviço e 67 anos de idade. Faleceu em 16/05/1969 e encontra-se sepultado em jazigo de familia no cemitério da Foz do Douro.
O HERSILIA, 94m/2.028tb, fora construído em 1901 pelo estaleiro Akt. Ges. Neptun, Rostock, para o armador Dampschiffs Rhederei Horn Akt. Ges., Horn Linie, Lubeck, que o colocou no tráfego carvoeiro, vindo consignado aos agentes J. W. Burmester & Ca., Lda. e saíra do porto de Emden a 01/11/1911, transportando 3.250 toneladas de carvão destinados à CP – Companhia dos Caminhos-de-Ferro Portugueses. Porém devido ao seu excessivo calado de 19 pés, foi impedido de entrar no rio Douro, pelo que no dia 10 demandou a bacia do porto de Leixões, a fim de ser aliviado para laitas, de 900 toneladas de carvão, visto a barra do Douro, naquela ocasião, só permitir calados no máximo de 16 pés.
Na manhã do dia 15, pelas 08h30, o vapor HERSILIA deixou o porto de Leixões rumando ao rio Douro mas atendendo a alguma vaga e até porque a barra estava muito apertada e com águas de cima, além de algum escarcéu, o rebocador MINHO, propriedade dos agentes do vapor, pegou à proa, a fim de auxiliar a manobra de entrada até às bóias dos Arribadouros/Cantareira.
Cerca das 09h00, quando já ultrapassada a bóia da barra, o vapor guinou, perigosamente para estibordo, e, apesar de todos os esforços do rebocador, foi o mesmo incapaz de levar o vapor para o canal, pelo que o piloto Manuel de Oliveira Alegre, vendo o risco do navio ir sobre a restinga do Cabedelo mandou largar o ferro de bombordo e máquina toda força à ré, a fim de aguentar a estocada, o que de nada lhe valera, indo o vapor atravessado encalhar, profundamente nas areias daquela malfadada restinga, e com falha de máquina, devido ao esforço feito para entrar no canal de navegabilidade.
Da Cantareira, seguiu para o local do encalhe um dos dois salva-vidas da Foz, sob as ordens do piloto Amaro António da Fonseca e do patrão Manuel Ferreira Nunes, tendo com bastante dificuldade estabelecido cabos para o rebocador ÁGUIA, entretanto chegado em socorro do vapor sinistrado e, apesar das várias tentativas de desencalhe realizadas até à preia-mar, acabaram por infrutíferas, pelo que os bombeiros montaram e estabeleceram às 11h45 um cabo de vaivém, no qual foram resgatados o piloto da barra e os 19 tripulantes, incluindo o comandante Bellmann. Todos eles trouxeram para terra as suas roupas e objectos de uso pessoal, tais como binóculos, sextantes, livros, fotografias, etc. tendo o seu comandante tido o cuidado de deixar o vapor com as caldeiras apagadas e não se notavam indícios de estar arrombado, visto não ter embatido nas pedras, pelo que em ocasiões de maresia seria muito possível, que viesse a flutuar e assim aconteceu, porque mudou de posição por várias vezes, tendo em algumas ocasiões impedido o normal movimento de navegação na barra, posicionando-se atravessado ao canal, pelo que segundo consta, foi necessário utilizar explosivos para o retirar daquela incómoda posição.
Entretanto, como hoje em dia sucede, o Departamento Maritimo do Norte reuniu com os agentes consignatários do vapor sinistrado, a firma J. W. Burmester & Cia, Lda, e com os representantes dos dois salvadegos a seguir mencionados, a firma Jervell & Knudsen, Lda.
Várias tentativas, que se tornaram infrutíferas, de pôr o HERSILA a flutuar foram realizadas por dois salvadegos, entretanto chamados, o Alemão NEWA e o Espanhol FINISTERRE, que acabaram por desistir do salvamento, por o mesmo se vir a tornar inviável.
O vapor acabou por ser vandalizado e julgamos, que mais tarde foi destruído pela acção demolidora da forte maresia, e dizia-se, que um certo dia a sirene do vapor, que fora furtada por intrusos, ouvia-se a apitar numa fábrica para os lados da Afurada.
A 23/12/1916 estava fundeada em frente a Massarelos a barca Portuguesa BELA VISTA em lastro, construída em 1896 com 550tb, do armador J. E. Milhomens, registada na capitania do porto de Lisboa, devido à força da corrente de cheia que o rio Douro apresentava, a barca garrou e abalroou uma traineira causando-lhe grandes avarias, partindo-lhe o mastro e destruindo-lhe a chaminé. No entanto, o dano para a BELA VISTA foi insignificante.
Dado o pedido de socorro, o rebocador ASSUMPÇÃO rebocou uma catraia onde seguiram 11 homens para bordo da BELA VISTA para auxiliar as manobras de reforço das amarrações, com eles seguiu também para bordo o piloto Manuel de Oliveira Alegre. Às 19h00, já de noite, rebentaram novamente as amarras e o navio ficou apenas fundeado por um ferro.
Na iminência de um desastre, compareceram em Massarelos os Bombeiros Voluntários do Porto e os Bombeiros Municipais com o equipamento de socorro a náufragos.
Foi montado um cabo de vaivém entre a BELA VISTA e o cais de Massarelos pelos Bombeiros Voluntários do Porto, sendo retirados de bordo para terra (segundo o jornal O Comércio do Porto):
Vitorino Domingos Carvalho, 40 anos, casado
António Pimpão, 19 anos
Joaquim Vieira, 28 anos, casado, residentes em Miragaia
Joaquim da Silva, 36 anos, residente em S. Martinho
José da Costa, 34 anos, casado, morador no muro dos Bacalhoeiros
António Mendes, 40 anos, solteiro
Miguel Assumpção Bomba, 26 anos, solteiro, de Lisboa
Joaquim Silva Serrão, de 43 anos
António Cruz Branco, 31 anos, casado
António Vaz, 26 anos, solteiro
João Braz da Fonseca, 38 anos, casado
E, por último, às 21h30, o piloto Manuel de Oliveira Alegre, de 32 anos, solteiro, residente na Foz do Douro.
A delegação da Cruz Vermelha montou um posto de socorros numa das dependências da fábrica da Fundição de Massarelos, sendo esse serviço organizado pelo comandante-chefe Albertino Barreto
A direcção dos serviços clínicos esteve confiada ao Dr. Mário de Castro, filho, auxiliado pelo quintanista de medicina Afonso Malheiro
No posto foram socorridos:
José da Costa, casado, 34 anos
António Pimpão, 19 anos, solteiro
António Vieira, 28 anos, casado
António Mendes, 40 anos, solteiro 
Miguel Assumpção Bomba, 26 anos, solteiro, de Lisboa
Joaquim da Silva Távi, 36 anos, casado
António Cruz Branco, 31 anos, casado
António Vaz, 26 anos, solteiro
Estes quatro últimos seguiram em automóvel para a delegação da Cruz Vermelha onde ficaram hospitalizados na sua enfermaria.
Não houve feridos de importância mas apresentavam-se todos molhados, em estado de hipotermia, sendo necessário reanimá-los.
No Hospital da Mesiricórdia foi socorrido pelo Dr. Ângelo das Neves o comandante dos Bombeiros Voluntários Armindo Barros ferido numa vista por uma a faúlha de um archote
Devido à situação precária do navio, manteve-se durante a noite em Massarelos o carro de socorros a náufragos dos Bombeiros Voluntários do Porto com um piquete de bombeiros.
Pela acção desenvolvida, o proprietário da BELA VISTA, J. E. Milhomens, gratificou a título voluntário Manuel de Oliveira Alegre com a quantia de 10.000 reis (10.000 reais = 10 escudos)
A 19/02/1936, devido ao crescimento das águas de cheia do rio Douro, que iam com uma forte corrente descontrolada, os cabos que sustinham o vapor Alemão WALTER LEONHARDT, fortemente amarrado no lugar do cais das Pedras, rebentaram e aquele vapor foi parar ao meio do rio, diante de Massarelos, onde se deteve. Ao cabo de algum tempo começou a descair para o lado sul e a sua tripulação orientada pelo piloto Manuel de Oliveira Alegre, fê-lo encostar um pouco mais próximo da margem esquerda e amarrá-lo no lugar da Arrozeira, onde permaneceu a salvo, e julga-se que alguma tripulação e o piloto da barra tivessem vindo para terra pelo cabo de vaivém estabelecido pelos bombeiros.
Contava aquele piloto prático da barra, tio-avô do autor, entre muitos episódios, um que vale a pena destacar e de que foi protagonista alguns anos após ter sido admitido a piloto efectivo. Coubera-lhe de saída um vapor carvoeiro de nacionalidade Alemã, de cerca de 100m/2.500tb, amarrado no lugar dos Vanzelleres, local onde se encontra o actual cais de Gaia, o qual iria sair em lastro ou seja com os porões completamente vazios. Chegado a bordo e observando as dimensões do vapor, avisou o capitão, que necessitava de um rebocador, a fim de realizar a manobra de rotação mas aquele recusou, peremptoriamente a utilização do rebocador. Note-se que nas manobras de navios no rio Douro não era obrigatório s utilização de rebocadores.
O piloto Manuel de Oliveira Alegre insistiu com o capitão, expondo as razões da necessidade do rebocador mas não o demoveu e embora contrariado mas como pessoa bastante calma, pouco dada a conflitos e na verdade assim o era, pois na ocasião da sua chegada ao areal na bóia-calção do cabo de vaivém, quando do encalhe do HERSILIA, chegou a terra de calças arregaçadas, casaco da farda no braço, boné e sapatos na mão, contudo apresentando-se com a maior das calmas, como se nada lhe tivesse acontecido. Em face da teimosia do capitão em recusar o rebocador, aquele experimentado prático da barra arriscou-se a desandar o vapor numa manobra bastante original, que na sua opinião pareceu-lhe ser a de mais fácil execução. Mandou largar os cabos de terra e aguardou no meio do rio a vinda da corrente da vazante. Passado uma hora, viu aproximar-se o respectivo corso junto da ponte D.Luis I e então já com os cabos de terra recolhidos a bordo, mandou virar o ancorote dos pilotos à popa e suspender os ferros à proa e como o calado de água do vapor era bastante leve, fez com que ele fosse de ré sobre o banco de areia dos Banhos, junto da lingueta do mesmo nome, ficando ligeiramente encalhado, atravessado ao rio. Entretanto, a força da corrente de cima, começou a impelir a proa para jusante e com a hélice em marcha à ré, foi esgaivando a areia para não permanecer demasiado encalhado de popa, quando tem o vapor em posição de seguir para vante e livre dos piões das barcas, meteu leme a estibordo e máquina toda força avante, a fim de governar e lá se foi rio abaixo em direcção à barra, sem mais contrariedades.
Fonte: José Fernandes Amaro Junior, Imprensa diária, Manuel Alegre (neto), Miramar Ship Index
(continua)
Rui Amaro


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domingo, 30 de dezembro de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 270


O VAPOR DINAMARQUÊS “HALFDAN” E AS ÁGUAS DE INFESTO NA BARRA DO DOURO

O HALFDAN a demandar o porto de Leixões em 1951 /(c) Foto Mar, Leixões/. 

A 05/03/1949, pelas 14h00, o vapor Dinamarquês HALFDAN, 76m/1.448tb, piloto José Fernandes Amaro Júnior, vindo do ancoradouro de Oeste da Cábrea, onde carregou carga diversa, nomeadamente vinho do Porto em pipas e cortiça em fardos, esta na sua maior parte carregada como rebarba, ou seja estivada no convés ao nível da ponte de comando, ia de saída.
O HALFDAN em 14 pés de calado de água, ao alcançar a área mais esganada da barra, já depois de ultrapassado o cais do Marégrafo, devido à sua fraca marcha não consegue vencer a impetuosidade do infesto, próprio de marés grandes. Em face da situação, aquele piloto manda parar a máquina e deixa o vapor arriar para montante ao sabor da corrente até dar fundo a um ferro, entre as bóias da Cantareira/Arribadouros, a fim de aguardar pelo abrandamento das águas.

O HALFDAN a dar fundo junto do lugar de Oeste da Cábrea em 19/02/1951 / F. Cabral, Porto /.

Às 15h30, pouco antes da estofa da preia-mar, a força da corrente diminuiu. O piloto manda virar o ferro e aquele vapor do armador DFDS, Copenhaga, com máquina a toda força avante sai a barra e após desembarcar o piloto, ruma aos portos de Anvers e Copenhaga, sem mais novidade.
Os vapores daquele armador, que escalavam, regularmente o porto do Douro eram os seguintes: FLORA, AGGA, ALGARVE, TULA, TOMSK, MINSK e SKJOLD, EGHOLM, ainda hoje recordados, nas zonas ribeirinhas do Porto e Gaia, pela designação de “vapores das pipas”, pela muita cascaria de vinho do Porto que carregavam no rio Douro, os quais vinham agênciados à firma Kendall, Pinto Basto & Cia. Lda.


O TULA subindo o rio Douro diante da escarpa da Arrábida em 1951 / F. Cabral, Porto /.

HALFDAN – imo 5604687/ 76m/ 1,448tb/ 9nós; 15/01/1919 entregue por Kochums Mekaniska Verkstad A/B, Malmo, a A/S D/S Gorm, gestor A. O. Anderson, Copenhaga; 1920 HALFDAN, Det Forenede Dampskibs Selskab (DFDS), Copenhagen; 1954 TIO, Mar Rojo Cia. Naviera, Puerto Limon, Costa Rica; 1955 THIO, Mar Rojo Cia. Naviera, Massawa, Etiópia, gestores A. Chalkoussis, Grécia; 15/09/1956 em rota de Mormugão para Rijeka encalhou e submergiu até ao nível da ponte de comando em Ras Fartak, perto de Aden; 13/10/1956 foi abandonado pela tripulação e declarado “perda total constructiva”.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, DFDS, Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro                                                                                                             

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sábado, 29 de dezembro de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 269


DOIS NAVIOS ACABADOS DE CHEGAR, FAZEM-SE À BARRA MAS NÃO VENCENDO A CORRENTE DA VAZANTE DE MARÉS GRANDES, DEIXAM-SE IR PARA FORA DA BARRA

 HELLE DANICA / (c) courtesy Danish Maritime Museum - Elsinore /


SIMULTANEITY ex NELLY / autor desconhecido - Photoship Co. Uk /

Um dia de Outubro de 1949, pelas 09h00, tempo bom, já com a corrente da vazante a crescer, vindos do norte da Europa, acabam de aparecer à vista dois navios-motores gémeos de cerca de 50m/500tb, recentemente entregues por estaleiros Holandeses, embora de bandeiras diferentes, denominados HELLE DANICA e NELLY. Visto aqueles navios serem de pouco calado. boa marcha e governo, o piloto-mor José Fernandes Tato ordenou para que fossem pilotados e se fizessem à barra sem atrasos.
Chegados a bordo, os respectivos pilotos assinalaram, através de toques de sirene, o calado de água dos seus navios, que não ultrapassavam os 13 pés.
O primeiro a fazer-se à barra foi o Dinamarquês HELLE DANICA consignado à Agência Marítima Lusitana Americana, piloto Eduardo Fernandes Melo, que conseguiu alcançar o lugar da pedra da Gamela, situada entre o cais do Touro e o dique da Meia Laranja, e aí tenta a toda força da sua máquina vencer a vazante, por mais manobras que o piloto arriscasse. As lanchas dos pilotos P9 e P5 aproximam-se e são estabelecidos cabos de reboque para auxiliar o navio, todavia esse auxílio não surte efeito, pelo que o HELLE DANICA largou as lanchas, dando três toques curtos de sirene, sinal indicativo de que ia fazer marcha à ré, e como tal arriou para fora da barra. O Holandês NELLY agênciado pela casa Garland, Laidley & Co. Ltd., piloto José Fernandes Amaro Júnior, que estava na expectativa junto da pedra da Forcada, já dentro da barra, corresponde ao sinal do seu predecessor e ao sabor da corrente, deixa-se ir para fora da barra.
Ambos os navios deram fundo a uns cem metros por fora do farolim de Felgueiras, e acabaram por entrar na maré do fim da tarde, indo o HELLE DANICA amarrar no lugar do Guindaste Eléctrico e o NELLY a oeste da Cábrea. No dia seguinte, o NELLY foi atracar à lingueta da Cábrea, a fim de descarregar volumes pesados, cuja operação, bastante lenta e delicada, teve de ser muito bem calculada, visto o navio não poder permanecer atracado demasiado tempo, porque estaria sujeito a ficar, perigosamente encalhado na penedia submersa. Naquela lingueta já acostaram navios de cerca de 100 metros de comprimento, dependendo do calado de água, e jamais houve qualquer incidente.
HELLE DANICA – imo 5277414/ 51,5m/ 499tb/ 10nós; 02/1949 entregue pr Van Dieppe scheepswerf, Waterhuizen, for H. H. Andersen & Co. Copenhagen; 1953 PHONG CHAU, Viet Hai Vietnam Transport Maritime et Fluviaux, Saigon, FRA; 1954 PHONG CHAU, Viet Hai Vietnam Transport Maritime et Fluviaux, Saigão, VNS; 1959 PHONG CHAU, Dong A. Hai Van Cong Ty, Saigão, VNS: 07/06/1969 Atacado e afundado por missile em Da Nang, tendo mais tarde sido posto a flutuar e entregue a sucateiros.
NELLY – imo 5328173/ 51,3m/ 499tb/ 10nós; 07/1949 entregue por Suurmeijer Werf, Foxhol, a NV Rederij Nelly, Hoogezand; 1954 NELLY, nv Rederij Mij. Wenda, Hoogezand; 1954 SIMULTANEITY, F. T. Everard & Co., Ltd, Londres; 1965 GLEN URQUHART, Glen Scheepvaart Mij NV, Rotterdam; 1968 AGHIOS FANOURIOS, Dimitris Ventouris, Piraeus; 1981 AGHIOS FANOURIOS, Coronation Shipping Co., Ltd. Piraeus; 1984 AGHIOS FANOURIOS, Christos Paraschis, Piraeus; 09/1985 arrived Eleusis for breaking up.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 268


 O VAPOR “COSTEIRO SEGUNDO” SOFRE UM INCIDENTE NO RIO DOURO

O COSTEIRO SEGUNDO demanda o porto de Leixões 

A 31/10/1948, pelas 09h00, o vapor Português COSTEIRO SEGUNDO, sob a orientação do piloto José Fernandes Amaro Júnior, tendo a seu lado o piloto praticante João Cardoso Meireles, inicia a manobra de largada do ancoradouro do lugar do Monchique, pela popa do navio-motor Belga MARCEL. Atracadas a este último navio estavam duas barcaças recebendo carga e ainda o barco utilizado no transporte dos estivadores. O COSTEIRO SEGUNDO ao virar os ferros da proa e como estes tinham seio, o vapor portou pelos ferros descaindo para ré, pelo que aquele piloto mandou andar toda força avante para não colidir com as referidas embarcações mas não foi possível evitá-lo. As duas barcaças ficaram arrombadas a meter água e de imediato a lancha dos pilotos P6 rebocou-as, ficando varadas na margem esquerda, a fim de não se afundarem. Aquele vapor acabou por virar proa abaixo e sair a barra com rumo a Lisboa, sem mais novidade.
COSTEIRO SEGUNDO – imo 5607607/ 52m/ 486tb/ 10nós; 11/1933 entregue pelo estaleiro da Companhia União Fabril, Barreiro, à Soc. Geral de Comércio, Industria e Transportes, Lisboa; 12/09/1952 naufragou ao largo do Cabo de Sines, por abalroamento com o vapor Francês PENTHIEVRE, em viagem do Pomarão para o Barreiro. Toda a tripulação foi salva.
O COSTEIRO SEGUNDO, que era um visitante regular do porto do Douro com carregamentos completos de enxofre para as fábricas da CUF, de Vila Nova de Gaia, carregados em cais fluviais do rio Guadiana, era mais identificado devido ao seu formato por “Bola” no rio Douro, em cuja barra estivera encalhado na década de 40, sem consequências de maior.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, Miramar Ship Index
(continua)
Rui Amaro

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SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 267


O CERCO “MASCATO” LARGA DO RIO DOURO COM PILOTO EMBARCADO

A 01/09/1948 foi recebido na corporação de pilotos um telegrama requisitando piloto para às 23h00 dar saída ao cerco a gasoil MASCATO, que se encontrava ancorado junto do estaleiro do seu armador Manuel Pereira Júnior, localizado perto do lugar da Alumiara, Canidelo, onde estivera a sofrer fabricos.
Cerca das 22h00 o piloto José Fernandes Amaro Júnior embarcou no caíque da passagem, que fazia a ligação entre a lingueta da calçada da Arrábida, lugar do Ouro e a capela de S. Pedro da Afurada. Depois foi caminhar até ao referido estaleiro, distancia ainda considerável. Chegado ao local perto das 23h00, foi aquele piloto conduzido para bordo na chalandra, que já o esperava na margem, todavia o mestre comunicou àquele piloto, que só depois das 23h30 é que estaria em condições de manobrar porque ainda faltavam ultimar ligeiros preparativos no motor. Dado que os fundos ali eram bastante traiçoeiros, até convinha aguardar mais algum tempo, aproveitando a maré de enchente. Às 23h40 suspendeu-se o ferro, e de meia força avante meteu-se leme a nordeste e depois de alcançar o meio do rio, diante da Ínsua do Ouro, rumou-se à barra, que se cruzou às 24h00. Após aquele piloto ter desembarcado para a lancha P9, o MASCATO seguiu viagem até ao Algarve.
O MASCATO meteu piloto devido ao seu mestre não ter prática dos portos nortenhos e compreende-se porque a sua actividade era, exclusivamente na costa algarvia, além da largada ser realizada de noite. Aquele cerco ou galeão algarvio de cerca de 25m/40tb, que fora construído, como traineira, no referido estaleiro e que se dedicava às artes de rede de cerco na pesca da sardinha, carapau, biqueirão, etc., anteriormente trabalhou na costa norte, a partir do porto de Leixões, como traineira clássica.
A firma Manuel Pereira Júnior armava uma grande frota de pesca, constituída por cercos, traineiras e buques, que fainavam não só no Algarve mas também na costa nortenha, Matosinhos, e possuía várias fabricas de conserva no Algarve e julgo uma outra, cujo edifício há poucos anos foi demolido, no lugar de  S. Paio, Canidelo. No local existiu também um outro estaleiro pertencente à Parceria Maritima do Douro, Casa Gouveia. Estaleiro esse mais vocacionado para a construção naval em madeira, além da reparação de navios de longo curso e da pesca do bacalhau. Nesse estaleiro, entre outros, foi construído o navio-motor VILAS BOAS, que mais tarde foi adaptado a navio-motor bacalhoeiro com o nome de COVA DA IRIA.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior
(continua)
Rui Amaro