terça-feira, 27 de novembro de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 256


O IATE-MOTOR “OLHANENSE” QUANDO SE PREPARAVA PARA DEMANDAR A BARRA SOFRE UMA AVARIA NO MOTOR

A 07/05/1946, pelas 14h00, o piloto José Fernandes Amaro Júnior embarcara fora da barra no iate-motor português OLHANENSE, 26m/87tb da praça de Olhão, que desde manhã cedo, ancorado ao largo de Carreiros, aguardava piloto e maré para demandar a barra do Douro.
Aquele navio, que procedia de Setúbal com um carregamento de sal, quando acabara de suspender o ferro e se preparava para se aproximar da barra, avariou-se-lhe o motor ficando impedido de navegar pelos seus próprios meios. Em face da situação, dado que o OLHANENSE não estava equipado com radiotelefone, foi içado num dos seus mastros, o grupo de bandeiras correspondente a “Peço rebocador urgente”. Sinalização essa, que deveria ter sido reconhecida pela estação semafórica do Monte da Luz, todavia não tendo havido o sucesso desejado, foram feitos toques consecutivos da sirene de bordo, também sem sucesso.
O piloto José Fernandes Amaro Júnior, visto a maré estar a aproximar-se, não esperou mais. Foi lançado ao mar um escaler e à força de remos veio varar à praia do Molhe de Carreiros e então aquele piloto telefonou para a estação de pilotos da Cantareira, para tratarem do envio urgente de um rebocador, ficando o seu colega de serviço à estação, muito surpreendido por aquele piloto estar a ligar de terra, quando o fazia estar a bordo. Nem o sinaleiro dos pilotos no castelo da Foz, assim como o telegrafista no Monte da Luz, deram pelo aviso de bandeiras nem pelo toque insistente da sirene de bordo. Chegado o rebocador MERCÚRIO 2º, foi o OLHANENSE rebocado, passando a barra às 17h00, já com água de vazante, indo atracar ao cais do Terreiro, sem mais novidade.
OLHANENSE – Data-base não encontrada.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 255


RECORDANDO O NAUFRÁGIO DO LUGRE-MOTOR “MARIA ONDINA” NO CABEDELO DA BARRA DO DOURO

O MARIA ONDINA encalhado na restinga do Cabedelo

A 16/04/1946, a meio da tarde, a notícia correu pela cidade do Porto com a rapidez com que sempre se propagam as más novas. A passagem do material de socorros a náufragos dos bombeiros – Sapadores e Voluntários – que se dirigiam para os lados do mar, maior volume deu ao alarmante boato de que na Foz do Douro, à entrada da barra, se registara novo e grave acidente.
E, uma vez mais, a já velha e revelha questão do mau estado da barra do Douro – tantas e tantas vezes debatidas nas colunas de “O Comercio do Porto”, se avivou na memória de toda a gente e se produziram os mais acres comentários pelo incompreensível abandono a que a sua solução tem sido votada.
Desta vez, felizmente, não houveram vitimas a lamentar, mas mesmo, assim, as centenas de pessoas que presenciaram o acidente viveram momentos de angústia, dentre as quais o autor do blogue, ainda com nove anos de idade, vendo a dois passos da morte uma dúzia de homens que só a muito custo se salvaram.
O desastre que a seguir se relata nos seus lances principais, não se devia, nem poderia ser atribuído a outra coisa, que não seja à difícil passagem que a barra do Douro oferecia. As últimas cheias do rio e a velocidade da corrente arrastaram grande quantidade de areia deixando o estreito canal um pouco mais livre, mas isto não basta. Segundo testemunho dos práticos, a barra não oferecendo espaço suficiente para a mais pequena manobra, só não é perigosa desde que um “estoque de água” não desvie do seu caminho – do caminho indicado pelos pilotos, que como práticos o conhecem bem – o navio que sai ou entra no rio Douro. Então a passagem é fácil, para qualquer navio.
Um pouco depois do acidente, o vapor Holandês ODYSSEUS, de maior porte foi de saída, sem sofrer qualquer incidente e o enxame de bateiras com os seus tresmalhos da pesca do sável na água, rodeavam o lugre em perigo, como se nada de anormal estivesse a ocorrer.
O sinistro verificou-se pelas 15h00, sem que nada o fizesse prever. O mar, embora ligeiramente picado, não oferecia perigo. E o vento Nordeste, não soprava tão rijo, que impusesse a adopção de providências especiais.
O MARIA ONDINA, um lugre de motor auxiliar, de boa construção, bem posto à prova em longas viagens de alto mar, mesmo nos mares gelados do Noroeste do Atlântico, chegara pelas duas horas da madrugada e fundeara ao largo, a fim de aguardar maré e piloto. Procedia de Setúbal e trazia um carregamento de cerca de seiscentas toneladas de adubos, e vinha consignado aos agentes M. Almeida & Santos, Sucrs, da praça do Porto.
A entrada a bordo do piloto feita à hora em que a maré oferecia melhores probabilidades para demandar a barra, verificou-se pouco antes das 15h00. O MARIA ONDINA com o motor auxiliar no máximo da sua força aproxima-se da bóia da barra, sob as indicações do experimentado piloto Jaime da Silva Martins, e iniciou a travessia do canal. A sua marcha era razoável, e a operaçãp em tudo decorria com absoluta normalidade.
Num momento, porém, tudo se transformou, tomando aspectos de tragédia iminente, com todo o seu cortejo de dúvidas angustiosas, de terriveis ansiedades.
Já dentro da barra, no local denominado Ponta do Dente, o lugre começou a diminuir progressivamente de andamento, e a agitar-se de estranhas sacudidelas, ora guinando para bombordo e logo de seguida para estibordo, e começando a descair para cima da temerosa restinga do Cabedelo, cemitério de navios, fora apanhado pelas assustadoras “águas de ronhenta” ou fortes “estoques de água” muito caracteriscos na barra do Douro, após cheias.
O piloto num esforço supremo para evitar o desastre iminente multiplicou as suas rápidas e ágeis manobras, que a sua experiencia e saber lhe aconselharam, mandou içar a vela do traquete, a fim de auxiliar a marcha, e tudo tentou para impedir de o navio se aproximar da restinga, ali mesmo a estibordo, onde acabou por se deter encalhado, rodeado de bastante agitação marítima, muito usual naquele ponto da barra.
Nada mais havia a fazer, senão tratar de procurar salvar a tripulação. A sorte do MARIA ONDINA estava decidida. De terra, já muitos corações o haviam pressentido, e, por isso, quando o pessoal da lancha de pilotar P4, sob o comando de mestre Eusébio, se fez à abordagem, em área de pouco fundo e cheia de bancos de areia, indiferente a todos os riscos
O salvamento de nove tripulantes e do piloto Jaime da Silva Martins teve lances emocionantes, A lancha-motor P4, que acompanhara as manobras para a entrada do lugre, tinha como mestre Eusébio Fernandes Amaro, motorista Joaquim Jeremias e como marinheiro Alexandre Duarte, Estes três homens, logo que se aperceberam da iminência do perigo que os tripulantes do MARIA ONDINA corriam, esqueceram a sua própria segurança para salvá-los. Mantendo tão próximo quanto lhes era possível, a lancha do costado navio desgovernado, foram-no acompanhando até recolherem a bordo nove dos homens da tripulação e o piloto Jaime da Silva Martins, por diferentes vezes uma ou outra vaga mais alterosa elevou na sua crista de espuma a frágil lancha, ameaçando ora voltá-la, ora projectá-la contra o costado do navio naufragado, mas sempre acabando por afastá-la, e outras tantas vezes se viu a pequena gasolina tentar nova abordagem, recolhendo sempre mais um homem, salvando mais uma vida.
De terra, a multidão, emocionada, gritava e pedia o salvamento dos restantes homens que se viam no convés do navio perdido. Mas a partir de determinada altura, a lancha não podia continuar a arriscada aventura. O MARIA ONDINA descaindo cada vez mais para o sul, tocou na primeira restinga, onde se deteve uns escassos minutos com estremecimentos que se propagavam desde a quilha aos mastaréus. Depois libertado por uma volta de mar maior, soergeu-se num esforço de ser vivo ferido de morte que quer lutar ainda para viver.
Mais adiante novo encalhamento. Caíu sobre a sua língua de areia, que prolonga a restinga pelo mar dentro, o fatídico banco da barra. O seu estremecimento – notaram-no todos - foi maior, mais duradouro, e mais lento. Denunciava o cansaço e o desalento de moribundo que vê toda segurança perdida. O mar ergeu-o, uma segunda vez – e foi depô-lo, agora definitivamente sobre o banco de areia, onde o deixou, finalmente à sua inteira mercê.
Entretanto, dois homens que haviam ficado a bordo, que os bravos homens da lancha de pilotos não tinham podido salvar, o capitão e o seu imediato, agitavam os braços num apelo angustioso para que alguém os socorresse. Mas o mar, naquele local, não permitia que qualquer embarcação se aproximasse.

Dois náufragos no cais do Marégrafo da Cantareira, no meio da foto distingue-se o piloto Aristides Pereira Ramalheira. 

Os movimentos que, então, viveram quantos assistiram ao pavoroso quadro não se descrevem. Como se cada pessoa tivesse naqueles dois homens lá longe entregues ao seu destino, um parente querido, um pai, um irmão, todos chamavam e imploravam que alguém os fosse buscar, e os livrasse da morte certa inevitável.
O barco salva-vidas da estação da Afurada, que saiu para o mar, logo após o alarme, tentou, então, a ousada empresa. À força de remos, correndo a todo momento o risco de ir esmagar-se contra o MARIA ONDINA, procurou, a sua equipagem, aproximar-se o mais possível, resultando vãos todos seus esforços. Foi uma luta titânica, emocionante, que ninguém deixou de acompanhar angustiado ante a iminência do perigo e empolgando perante a grandeza de alma daqueles quinze homens simples e corajosos.
O salva-vidas da estação da Foz do Douro, foi o primeiro a fazer-se ao naufrágio, capitaneado pelo seu patrão Zé Bilé e como sota, o piloto José Fernandes Amaro Júnior, mas teve de regressar à Cantareira por indisposição de dois remadores. A ideia daqueles dois homens era saírem a barra e contornar o MARIA ONDINA pelo lado sul, onde a ondulação era menor, e tentar a abordagem ou aguadar que os dois oficiais se lançassem à água, e recolhê-los. Operação essa realizada com êxito, um pouco mais tarde pelo salva-vidas do centro piscatório da Afurada.
Os bombeiros, tanto os Sapadores do Porto, como os Voluntários do Porto e os Portuenses, como os Voluntários de Matosinhos-Leça e os de Leixões, que compareceram com material adequado para socorros a náufragos, prestaram também serviços dignos de todo o louvor.
A Lancha dos Pilotos P4 trouxe para terra os nove homens da tripulação do MARIA ONDINA, e estes, não podendo acreditar na possibilidade do seu capitão e imediato perecerem, juntaram ao das outras pessoas o seu apelo para que esses dois homens fossem salvos.
Muitas embarcações dos pilotos e particulares transportavam os bombeiros e seu material desde a Cantareira para o areal do Cabedelo.
A única possibilidade que então, se apresentava, era a do salvamento ser tentado por meio de um cabo de vai-vem a estabelecer entre terra firme e o navio encalhado. Era esta, a tarefa que se encarregaram sem perda de tempo, os Voluntários de Matosinhos-Leça, sob as ordens do seu segundo-comandante António Neves.
Valiosamente coadjuvados pelos pilotos e por bombeiros do Batalhão de Sapadores Bombeiros, foram lançados, para bordo três foguetões. O primeiro não alcançou o barco; o segundo, por a espia haver partido não teve sucesso. Finalmente, o terceiro atingiu um dos mastros, ao qual a espia ficou presa. E um grito de alívio saiu da boca dos circunstantes.
O perigo para os dois homens que estavam a bordo aumentava de momento a momento, grandes vagas, caindo sobre o convés, varriam-no e tornavam arriscadíssima a manobra para o estabelecimento do cabo de salvação. Então os dois homens, após um sinal feito aos tripulantes do salva-vidas da Afurada, que continuavam a esforçar-se para não se afastarem do local, resolveram lançar-se á água.
Novos e indiscritíveis momentos se viveram. Poderia ser aquele, o último acto da tragédia.
Graças. Porém, à dedicação dos bravos pescadores da Afurada, do patrão Maximino Ferreira, que capitaneava aquela equipa de obscuros heróis, a sanha do mar foi vencida ainda uma vez mais. E os dois homens puderam ser retirados da água. Poupados ao mar que estivera para ser seu epulcro.
A lancha dos pilotos foi ao encontro do salva-vidas, e o trouxe a reboque para as escadas dos Pilotos, no cais do Marégrafo.
E centenas de populares saudaram os náufragos e os seus valentes salvadores: Os dois homens retirados da água, exaustos e encharcados, foram tratados pelos tripulantes do salva-vidas com extremoso carinho. Os pescadores da Afurada despojaram-se das suas roupas para que eles se vestissem e se agasalhassem. Mas isso não chegou a que chegassem a terra em estado de algidez trespassados pela frialdade da água.
Os Voluntários do Porto transportaram-nos logo ao Hospital Geral de Santo António numa auto-ambulancia. E, naquela casa hospitalar, os médicos de serviço drs. Manuel de Araújo e Lemos Ferreira, auxiliados pelos enfermeiros Seixas e Isaías, prodigalisaram-lhes todos os cuidados. Foram-lhes fornecidos café bem quente e “cognac”.
Depois de restabelecidos, foram levados aos escritórios da firma consignatária do lugre, M. Almeida & Santos Sucrs., da Rua Nova da Alfandega, 36, onde se reuniram os outros membros da tripulação: Jerónimo Luis Fernandes, António Soares Vilhão, Amadeu Teixeira, Horácio Sarmento Fernandes, Manuel Domingos Pata, Manuel de Jesus Rocha, Manuel Bitata, Manuel Gomes Soares e Jerónimo Mesquita Fernandes. Com excepção do Amadeu Teixeira, que é de Celorico de Basto, do Jerónimo Fernandes, que é de Viana do Castelo, e do Manuel Gomes Soares, que é de Vila Nova de Gaia, todos os outros são de Ilhavo, de onde são também, o capitão Belarmino de Oliveira, e o imediato Marçal Santos Saltão.
José da Silva Mendonça, gerente da firma consignatária do MARIA ONDINA, prestou aos náufragos toda a assistência de que eles careciam. Além de lhes oferecer bom vinho velho do Porto, forneceu-lhes vestuário, calçado e tabaco, facultando-lhes ainda, o telefone para comunicarem às suas famílias o feliz desfecho da sua aventura.

O salva-vidas VISCONDE DE LANÇADA, da estação da Foz do Douro. 

A bordo do MARIA ONDINA, que o mar deve agora desfazer mais ou menos lentamente, se não ocorrer alguma tempestade que abrevie o seu fim, ficou um pobre cão. A tripulação antes de abandonar o barco, tentou trazê-lo consigo, mas não o conseguiu.
Nos escritórios da firma M. Almeida & Santos Sucrs, enquanto aos náufragos era prestada toda a assistência pelo seu gerente, o capitão do MARIA ONDINA falou à imprensa sobre a história da sua aventura: Belarmino de Oliveira, de 50 anos de idade, natural de Ilhavo, residente na Rua Visconde da Granja, Aveiro, disse aos jornalistas:
- Chegamos à barra à duas horas da madrugada. Levantámos ferro de Setúbal, com um carregamento de 550 toneladas de adubos ensacados. A viagem, embora com pouco mar, fez-se normalmente. Há hora da maré, metemos piloto e entramos a barra. O imediato Marçal dos Santos Saltão, de 46 anos, residente em Lisboa, na rua São João da Maia, acrescentou:
- Os “estoques de água” eram grandes. O açoreamento do colo da barra, devido á “ronheta”, fez encalhar o barco. Eu e o capitão ficamos a bordo. O nosso receio era a de que o barco se se atravessasse e, com o mar que fazia eramos arrastados. Assim, atiramo-nos ao mar e nadamos.
O capitão, com timbre, falou do MARIA ONDINA:
- Meu rico barco disse ele, há cinco anos que andava embarcado, e portou-se sempre bem. A força da água, os “estoques da água” e insuficiência da barra, fê-lo guinar para o sul, e perdeu-se.
O rebocador fluvial MERCURIO 2º ainda chegou a vir à barra, mas já era tarde demais.
O piloto Jaime da Silva Martins, durante a sua vida de prático da barra, foi protagonista de dois outros encalhes: 1954 navio-motor Português COLARES encalhado no cais do Touro, quando demandava a barra já com uma hora de vazante, e na década de 60 foi a vez do navio-motor Norueguês SILJA, frente a Sobreiras, devido ao denso nevoeiro, quando ia de largada.
MARIA ONDINA – data base, ver episódio no. 253
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, jornal O Comercio do Porto.
Imagens: Jornal O Comércio do Porto.

(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on this Blog, which will be very much appreciated.

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E POR-TO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 254

O PRIMEIRO NAVIO DE BANDEIRA INGLESA A DEMANDAR O RIO DOURO NO PÓS GUERRA 1939/45 FOI O “SPRINGWOOD”



A 27/03/1946, pelas 10h00, demandou a barra do Douro pela primeira vez, o navio-motor Inglês SPRINGWOOD procedente de Midlesborough com carga diversa, ao serviço do armador Joseph Constantine Steamship Line Co., Ltd., Midlesborough, agenciado na praça do Porto pela firma E.A.Moreira & Ca. Lda. O piloto José Fernandes Amaro Júnior, que conduziu a manobra, foi amarrar aquele navio, que vinha em 16 pés de calado, no lugar do Oeste da Cábrea a dois ferros, cabos estabelecidos para terra e ancorote dos pilotos pelo sudoeste.

Nada de importante mereceria qualquer referência, se o SPRINGWOOD não tivesse sido o primeiro navio de nacionalidade Inglesa a escalar o rio Douro, após o conflito mundial, o que foi motivo de grande regozijo para as populações ribeirinhas do Porto e Gaia, muito especialmente para a classe marítimo-portuária. Seguiram-se-lhe o SPRINGSHAVEN e alguns meses mais tarde os seguintes: ANDONI, COXWOLD, e um duo de maior porte, acabados de construir AVONWOOD e EDENWOOD. Os navios-motores holandeses SAN ANTONIO e ALGARVE foram as primeiras unidades mercantes estrangeiras a entrar no rio Douro no pós-guerra, alguns meses antes.



SPRINGWOOD – imo 1164679/ 72m/ 1.177tb/ 8 nós; 07/1936 entregue por Short Bros, Ltd., Sunderland, a Springwell Shipping, Ltd., Londres; 1937 HIGHWOOD, Springwell Shipping, Ltd., Londres; 19__ SPRINGWOOD, Springwell Shipping, Ltd., Londres; 1954 SPANKER, Witherington Everett, Newcastle-on-Tyne; 07/08/1954 naufragou e foi atirado sobre o molhe norte de Hook of Holland em viagem de Roterdão para Londres, e considerado perda total, foi desmantelado no local. A sua tripulação foi resgatada na totalidade.

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, Miramar Ship Index, Ships Nostalgia.

(continua)

Rui Amaro


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DESEMBARQUE DE DOIS INTERNAMENTOS HOSPITALARES DO AUTOR DO BLOGUE


O navio-hospital Português GIL EANNES demandando o porto de Leixões em 1959 vindo dos Grandes Bancos da Terra Nova e Gronelândia onde prestou assistência aos navios bacalhoeiros.. 


AGRADECENDO O INTERESSE MANIFESTADO PELA RÁPIDA RECUPERAÇÃO DA MINHA SAÚDE, É COM IMENSA ALEGRIA QUE LHES COMUNICO O MEU DESEMBARQUE DAS NAVES HOSPITALARES “SANTO ANTÓNIO DO PORTO” E “IPO DO PORTO” NO QUAL FUI MUITO BEM TRATADO E ACARINHADO PELO PESSOAL MÉDICO, RESPECTIVAMENTE DE CIRURGIA 1 E UROLOGIA E RESPECTIVA ENFERMAGEM, ETC., QUE DESDE AQUI SAÚDO.
O MESMO NÃO POSSO AFIRMAR DE ALGUNS UROLOGISTAS DO HGSA QUE COM A SUA “SABEDORIA” EM ACTIVAÇÃO/DESACTIVAÇÃO DE ESFINCTER URINÁRIO ARTIFICIAL, POIS TUDO LEVA CRER QUE O DANIFICARAM DADO QUE FUI INTERNADO COM O ESFINCTER EM BOM FUNCIONAMENTO E ACABEI POR FICAR NUM ESTADO LASTIMOSO, TENDO RECORRIDO AO IPO ONDE FELIZMENTE CONSEGUI SOBREVIVER.
AGORA UM POUCO MAIS RECLASSIFICADO SINTO-ME EM MELHORES CONDIÇÕES PARA CRUZAR AS SEMPRE TEMIVEIS E PERIGOSAS ÁGUAS E MARES DAS BARRAS, A FIM DE POSTAR NOVOS RELATOS E EPISÓDIOS.
UM MUITO OBRIGADO A TODOS
SAUDAÇÕES MARITIMO-ENTUSIÁSTICAS
RUI AMARO

sábado, 27 de outubro de 2012


ESTE MEU BLOGUE VAI SOFRER UM INTERREGNO POR ALGUM TEMPO, DEVIDO AO MEU EMBARQUE NO NAVIO HOSPITAL “IPO DO PORTO”, QUE ESPERO VENHA A SER DE RECUPERAÇÃO BREVE, A FIM DE COM MELHOR SAÚDE REINICIAR NOVAS E INTERESSANTES POSTAGENS.
SAUDAÇÕES MARITIMO-ENTUSIÁSTICAS
RUI AMARO

THIS BLOG WILL BE STOPPED FOR SOME TIME DUE TO MY HOSPITAL INTERNATION, WHICH I HOPE MAY BE OF A QUICK RECOVERY, IN ORDER TO RESTART WITH NEW AND INTERESTING POSTS.
BEST REGARDS
RUI AMARO

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 253


O LUGRE-MOTOR “MARIA ONDINA” SOFRE INCIDENTE À SAÍDA DA BARRA DO DOURO


O lugre NAVEGADOR, a partir de 1943 lugre-motor MARIA ONDINA, mostra-se na foto de 1930 ?? saindo a barra do Douro a reboque para mais uma campanha aos Grandes Bancos da Terra Nova, e acostada ao lugre distingue-se a catraia de pilotar, mais identificada como catraia da pensão, e a pairar a catraia da assistência ou do piloto-mor / foto do armador /. 


A 20/05/1945, dia da romaria ao Senhor de Matosinhos, pelas 15h00, vento fresco do quadrante sul, de saída cruzava a barra o lugre-motor Português MARIA ONDINA, calando 16 pés, conduzido pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, e quando alcançou a bóia da barra começou a debater-se com vaga alterosa a desfazer-se na proa. Dado que o lugre era de pouca marcha, começou a descair para bombordo, ou seja para cima do perigoso banco da barra, e em dado momento, no baixar da vaga, sentiu-se uma forte pancada em fundo de areia. O piloto fez as suas marcações pelas referências em terra e apesar do navio ter corrido ao sul achou estranho o que estava a suceder, uma vez que naquele local haveria água suficiente para o navio passar sem qualquer incidente. A única explicação para o caso, teria sido qualquer banco de areia, que então se tivesse formado devido à agitação marítima e de que o rio e a barra do Douro eram férteis.
O MARIA ONDINA, embora com dificuldade, lá conseguiu ultrapassar a zona da rebentação e já ao largo verificou-se não haver entrada de água, tendo o capitão do navio entregue uma declaração desse facto, pelo que após o piloto saltar para a lancha P1, de Leixões, aquele lugre aproou a sul rumando ao rio Tejo, a fim de ir descarregar uma remessa de carvão em pó nas instalações dos Cimentos Tejo, de Alhandra. Chegado à estação da Cantareira, o piloto José Fernandes Amaro Júnior deu conhecimento do incidente ao piloto-mor Paulino de Sousa Soares, a fim de este tomar as medidas necessárias, ou seja dar conhecimento à capitania e à APDL. A 16/04/1946 o MARIA ONDINA perdia-se por encalhe na restinga do cabedelo da barra do Douro, ali junto onde se dera o incidente acima relatado.
MARIA ONDINA – 47m/ 305tb; 1923 entregue por J. Linhares, Fão, como SEGUNDO ESPERANÇA, à Empresa Maritima do Douro, Porto, que o empregou na pesca do bacalhau; 1930 NAVEGADOR, Parceria Marítima do Douro, gestor J. J. Gouveia, Porto; 1935 foi-lhe instalado motor auxiliar; 1943 MARIA ONDINA, Augusto Fernandes Bagão e Outros, Aveiro, que o colocou no tráfego comercial; 16/04/1946, como acima se relatou naufragou na barra do Douro, salvando-se toda a tripulação e um cão de bordo, pela lancha P4, que esteve prestes a soçobrar, e pelo salva-vidas da Afurada. .
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior.
(continua)

Rui Amaro

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terça-feira, 16 de outubro de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 252

TRÊS PILOTOS SEGUIRAM NOS RESPECTIVOS VAPORES PARA OUTROS PORTOS DEVIDO À FORTE AGITAÇÃO MARÍTIMA Á SAÍDA DO PORTO DE LEIXÕES.



O vapor VILA FRANCA no porto de Ponta Delgada / colecção F. Cabral, Porto /.


O vapor PRINCESA / autor desconhecido . Photoship Co., UK /.

A 17/12/1945 desenrolou-se sobre o porto de Leixões um temporal desabrido com ventos ciclónicos de sudoeste, que rodavam por vezes para o quadrante oeste com grandes rajadas que a 18 atingiam os 148km/h, e a 19 andavam pelos 135km/h, sendo chamados pilotos para bordo de vapores fundeados na bacia e na doca nº1 para qualquer manobra de emergência  e a 20 saíram do porto de Leixões sob agitação marítima intensa e forte ventania, os seguintes vapores: Português VILA FRANCA, 1906/ 85m/ 2.045tb/ Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos, Ponta Delgada, cujo destino era Ponta Delgada, levando o piloto da barra Manuel Pereira Franco, seguindo-se o Inglês PRINCESA, 1918/ 136m/ 8.731tb/ Furness-Houlder Argentine Lines, Liverpool, com destino ao Rio da Prata com escala por Lisboa, conduzindo o piloto Aristides Pereira Rmalheira para aquele porto, e mais tarde foi a vez do Inglês BEGONIA, 1929/ 117m/ 4.323tb/ J. Robinson & Sons, North Shields, de rumo a Samos e Palestina, levando a bordo o piloto Carlos Sousa Lopes, e cujo capitão, olhando ao longínquo destino, decidiu desviar a rota para a baía de Cascais, onde aquele prático foi recolhido no dia seguinte pelo vapor dos pilotos do porto de Lisboa, Os três pilotos não conseguiram desembarcar à saída do porto de Leixões, devido à forte agitação marítima, que impossibilitava a abordagem da lancha P1, mesmo entre molhes.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior; Miramar Ship Index; Photoship Co., Uk
(continua)
Rui Amaro

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