segunda-feira, 26 de novembro de 2012

DESEMBARQUE DE DOIS INTERNAMENTOS HOSPITALARES DO AUTOR DO BLOGUE


O navio-hospital Português GIL EANNES demandando o porto de Leixões em 1959 vindo dos Grandes Bancos da Terra Nova e Gronelândia onde prestou assistência aos navios bacalhoeiros.. 


AGRADECENDO O INTERESSE MANIFESTADO PELA RÁPIDA RECUPERAÇÃO DA MINHA SAÚDE, É COM IMENSA ALEGRIA QUE LHES COMUNICO O MEU DESEMBARQUE DAS NAVES HOSPITALARES “SANTO ANTÓNIO DO PORTO” E “IPO DO PORTO” NO QUAL FUI MUITO BEM TRATADO E ACARINHADO PELO PESSOAL MÉDICO, RESPECTIVAMENTE DE CIRURGIA 1 E UROLOGIA E RESPECTIVA ENFERMAGEM, ETC., QUE DESDE AQUI SAÚDO.
O MESMO NÃO POSSO AFIRMAR DE ALGUNS UROLOGISTAS DO HGSA QUE COM A SUA “SABEDORIA” EM ACTIVAÇÃO/DESACTIVAÇÃO DE ESFINCTER URINÁRIO ARTIFICIAL, POIS TUDO LEVA CRER QUE O DANIFICARAM DADO QUE FUI INTERNADO COM O ESFINCTER EM BOM FUNCIONAMENTO E ACABEI POR FICAR NUM ESTADO LASTIMOSO, TENDO RECORRIDO AO IPO ONDE FELIZMENTE CONSEGUI SOBREVIVER.
AGORA UM POUCO MAIS RECLASSIFICADO SINTO-ME EM MELHORES CONDIÇÕES PARA CRUZAR AS SEMPRE TEMIVEIS E PERIGOSAS ÁGUAS E MARES DAS BARRAS, A FIM DE POSTAR NOVOS RELATOS E EPISÓDIOS.
UM MUITO OBRIGADO A TODOS
SAUDAÇÕES MARITIMO-ENTUSIÁSTICAS
RUI AMARO

sábado, 27 de outubro de 2012


ESTE MEU BLOGUE VAI SOFRER UM INTERREGNO POR ALGUM TEMPO, DEVIDO AO MEU EMBARQUE NO NAVIO HOSPITAL “IPO DO PORTO”, QUE ESPERO VENHA A SER DE RECUPERAÇÃO BREVE, A FIM DE COM MELHOR SAÚDE REINICIAR NOVAS E INTERESSANTES POSTAGENS.
SAUDAÇÕES MARITIMO-ENTUSIÁSTICAS
RUI AMARO

THIS BLOG WILL BE STOPPED FOR SOME TIME DUE TO MY HOSPITAL INTERNATION, WHICH I HOPE MAY BE OF A QUICK RECOVERY, IN ORDER TO RESTART WITH NEW AND INTERESTING POSTS.
BEST REGARDS
RUI AMARO

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 253


O LUGRE-MOTOR “MARIA ONDINA” SOFRE INCIDENTE À SAÍDA DA BARRA DO DOURO


O lugre NAVEGADOR, a partir de 1943 lugre-motor MARIA ONDINA, mostra-se na foto de 1930 ?? saindo a barra do Douro a reboque para mais uma campanha aos Grandes Bancos da Terra Nova, e acostada ao lugre distingue-se a catraia de pilotar, mais identificada como catraia da pensão, e a pairar a catraia da assistência ou do piloto-mor / foto do armador /. 


A 20/05/1945, dia da romaria ao Senhor de Matosinhos, pelas 15h00, vento fresco do quadrante sul, de saída cruzava a barra o lugre-motor Português MARIA ONDINA, calando 16 pés, conduzido pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, e quando alcançou a bóia da barra começou a debater-se com vaga alterosa a desfazer-se na proa. Dado que o lugre era de pouca marcha, começou a descair para bombordo, ou seja para cima do perigoso banco da barra, e em dado momento, no baixar da vaga, sentiu-se uma forte pancada em fundo de areia. O piloto fez as suas marcações pelas referências em terra e apesar do navio ter corrido ao sul achou estranho o que estava a suceder, uma vez que naquele local haveria água suficiente para o navio passar sem qualquer incidente. A única explicação para o caso, teria sido qualquer banco de areia, que então se tivesse formado devido à agitação marítima e de que o rio e a barra do Douro eram férteis.
O MARIA ONDINA, embora com dificuldade, lá conseguiu ultrapassar a zona da rebentação e já ao largo verificou-se não haver entrada de água, tendo o capitão do navio entregue uma declaração desse facto, pelo que após o piloto saltar para a lancha P1, de Leixões, aquele lugre aproou a sul rumando ao rio Tejo, a fim de ir descarregar uma remessa de carvão em pó nas instalações dos Cimentos Tejo, de Alhandra. Chegado à estação da Cantareira, o piloto José Fernandes Amaro Júnior deu conhecimento do incidente ao piloto-mor Paulino de Sousa Soares, a fim de este tomar as medidas necessárias, ou seja dar conhecimento à capitania e à APDL. A 16/04/1946 o MARIA ONDINA perdia-se por encalhe na restinga do cabedelo da barra do Douro, ali junto onde se dera o incidente acima relatado.
MARIA ONDINA – 47m/ 305tb; 1923 entregue por J. Linhares, Fão, como SEGUNDO ESPERANÇA, à Empresa Maritima do Douro, Porto, que o empregou na pesca do bacalhau; 1930 NAVEGADOR, Parceria Marítima do Douro, gestor J. J. Gouveia, Porto; 1935 foi-lhe instalado motor auxiliar; 1943 MARIA ONDINA, Augusto Fernandes Bagão e Outros, Aveiro, que o colocou no tráfego comercial; 16/04/1946, como acima se relatou naufragou na barra do Douro, salvando-se toda a tripulação e um cão de bordo, pela lancha P4, que esteve prestes a soçobrar, e pelo salva-vidas da Afurada. .
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior.
(continua)

Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on this Blog, which will be very much appreciated.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 252

TRÊS PILOTOS SEGUIRAM NOS RESPECTIVOS VAPORES PARA OUTROS PORTOS DEVIDO À FORTE AGITAÇÃO MARÍTIMA Á SAÍDA DO PORTO DE LEIXÕES.



O vapor VILA FRANCA no porto de Ponta Delgada / colecção F. Cabral, Porto /.


O vapor PRINCESA / autor desconhecido . Photoship Co., UK /.

A 17/12/1945 desenrolou-se sobre o porto de Leixões um temporal desabrido com ventos ciclónicos de sudoeste, que rodavam por vezes para o quadrante oeste com grandes rajadas que a 18 atingiam os 148km/h, e a 19 andavam pelos 135km/h, sendo chamados pilotos para bordo de vapores fundeados na bacia e na doca nº1 para qualquer manobra de emergência  e a 20 saíram do porto de Leixões sob agitação marítima intensa e forte ventania, os seguintes vapores: Português VILA FRANCA, 1906/ 85m/ 2.045tb/ Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos, Ponta Delgada, cujo destino era Ponta Delgada, levando o piloto da barra Manuel Pereira Franco, seguindo-se o Inglês PRINCESA, 1918/ 136m/ 8.731tb/ Furness-Houlder Argentine Lines, Liverpool, com destino ao Rio da Prata com escala por Lisboa, conduzindo o piloto Aristides Pereira Rmalheira para aquele porto, e mais tarde foi a vez do Inglês BEGONIA, 1929/ 117m/ 4.323tb/ J. Robinson & Sons, North Shields, de rumo a Samos e Palestina, levando a bordo o piloto Carlos Sousa Lopes, e cujo capitão, olhando ao longínquo destino, decidiu desviar a rota para a baía de Cascais, onde aquele prático foi recolhido no dia seguinte pelo vapor dos pilotos do porto de Lisboa, Os três pilotos não conseguiram desembarcar à saída do porto de Leixões, devido à forte agitação marítima, que impossibilitava a abordagem da lancha P1, mesmo entre molhes.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior; Miramar Ship Index; Photoship Co., Uk
(continua)
Rui Amaro

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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 251

O FALECIMENTO DO PILOTO-MOR JOSÉ PINTO DE ALMEIDA - PANTALEÃO



A 26/07/1944 faleceu na sua residência à Foz do Douro, com oitenta anos de idade, devido a doença prolongada,o piloto-mor José Pinto de Almeida, mais conhecido por “O Piloto-Mor Pantaleão”, que se encontrava na situação de reformado, tendo ficado sepultado no cemitério local, onde ainda hoje jáz em jazigo de família.
No dealbar do século XIX para o século XX foram admitidos a pilotos práticos das barras do Douro e Leixões, dois candidatos de nome José Pinto de Almeida e António Pinto de Almeida, ambos irmãos, também eles conhecidos pela alcunha de “Pantaleão”. O José foi empossado no cargo de piloto-mor a 16/11/1925, tendo sido um chefe carismático, que defendia os seus subalternos, quando por qualquer motivo eram chamados à presença do capitão do Porto, por quem era muito admirado e respeitado.
Foi um piloto-mor que começou a dar um certo dinamismo à corporação, de que se destaca a sua deslocação à Alemanha, a fim de adquirir a primeira lancha-motor, a P1, e timha também a particularidade de ter sido um verdadeiro lobo-do-mar no salvamento de inúmeros náufragos, além de ser muito capacitado no lançamento de foguetões para estabelecer o cabo de vaivém para resgate das tripulações das embarcações em perigo na barra ou na costa, e assim foi aquando do encalhe do paquete Inglês VERONESE, da Lamport & Holt Line, de Liverpool, ocorrido junto do lugar da Boa Nova, Leça da Palmeira, em 16/01/1913, e em que a sua participação foi muito activa e meritória no resgate de muitos náufragos.

naufrágio do VERONESE no lugar da Boa Nova, Leça da Palmeira. 

O meu pai, que foi seu subalterno, contava-me, que um certo dia, na capitania, quando um capitão do porto advertia aquele piloto-mor por um piloto da barra ter utilizado a sirene do vapor que conduzia de saída diante da capitania, aquele superior hierárquico proibira as embarcções de fazerem uso da sirene, o que obviamente era contra-producente, dado que nesse tempo o porto do Douro possuia um tráfego fluvial e maritimo intenso. Aquele piloto-mor isurgindo-se contra o capitão do porto, parece que o toque incomodva aquele oficial de marinha, e chamando-o à razão das consequências da sua ordem, frisou-lhe que a partir de então, os seus subordinados passariam a fazer uso da sirene, quando para tal o entendessem e ainda mais lhe disse “Menino, aqui (na capitania) mandais Vós, mas lá em baixo (na barra e no rio), quem sabe e manda sou eu!”, e indignado abandonou o gabinete do capitão do porto, sem mais nem menos, e desde então, a navegação no porto do Douro passou a apitar, sempre que necessário.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior.
Imagens: autor desconhecido
(continua)
Rui Amaro

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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 250

O NAVIO-MOTOR BACALHOEIRO “BISSAYA BARRETO” (1) DEMANDA A BARRA DO DOURO NA SUA PRIMEIRA CAMPANHA

BISSAYA BARRETO / autor desconhecido - MMI /.

A 26/09/1943, cerca das 15h00, na preia-mar, por vir bastante metido, demandava a barra do Douro no final da sua primeira campanha aos Grandes Bancos da Terra Nova e Gronelândia, o navio-motor de pesca à linha BISSAYA BARRETO, da praça da Figueira da Foz, uma inovação nas artes de pesca à linha, o qual veio para o porto da cidade Invicta, não pelo motivo de não ter água suficiente para se fazer à barra do Mondego, mas para vir hibernar e fazer fabricos no rio Douro, até à campanha seguinte por volta do mês de Maio. O piloto António Gonçalves dos Reis foi amarrar o BISSAYA BARRETO junto da lingueta do Lugan, margem de Gaia, a fim de descarregar bacalhau salgado, produto das suas capturas, a fim de o fazer seguir por terra para a Figueira da Foz ou baldear para batelões para o transportar para as secas da Murraceira. Um dos batelões que fazia esse frete era o MURRACEIRA.

BISSAYA BARRETO e COMANDANTE TENREIRO na carreira da Murraceira / Brochura dos Estaleiros Navais do Mondego /.

Como sempre ocorre em ocasiões da chegada de navios bacalhoeiros, a Foz encheu-se de familiares e amigos dos elementos da tripulação e dos pescadores do BISSAYA BARRETO, que à entrada acorreram à barra, a fim de os saudar e lhes dar as boas vindas.

O PARAÍSO na carreira da Gafanha da Nazaré / JN /. 

BISSAYA BARRETO (1) – imo 5615239/ um dos dois primeiros navios-motor em madeira do tipo CRCB-Renovação/ 51,50m/ 712,15tb/ cerca 10.500 quintais/ 2x Sulzer 500/550hp/ 10nós; 1943 entregue por Benjamim Bolais Mónica, carreira da Murraceira, Figueira da Foz, cuja continuidade foi empreendida em 09/1944 pelos Estaleiros Navais do Mondego Sarl. Na mesma data foi lançado à àgua o gémeo COMANDANTE TENREIRO (1), este naufragado nos Grandes Bancos a 20/06/1946, devido a colisão com um “icebergue”, os dois construidos para a Lusitânia – Companhia Portuguesa de Pesca, Lda, Figueira da Foz. Ambos os navios, embora registados naquele porto da foz do Mondego, descarregavam e hibernavam no rio Douro. A 21/10/1950 no seu ancoradouro de Sto. António do Vale da Piedade, quando se procedia a beneficiações, por qualquer descuido, foi pasto das chamas, que quase o destruíram por completo, particularmente nas estruturas da ré, e só não se afundou, porque foi rebocado para baixios, diante da povoação da Afurada. Na ocasião era comandado pelo capitão Carlos Fernandes Parracho.
Segundo consta, o BISSAYA BARRETO, semi-destruido, esteve para ser reconstruido num dos estaleiros da Figueira da Foz, mas a proposta apresentada por um ex-autarca de Ilhavo e capitão da marinha mercante, fora irrecusável, e consumada a venda a 27/11/1951, sob o nome de SÃO MAGAYO, a reboque, deixa o rio Douro e entra em Leixões, indo no mesmo dia para a Gafanha da Nazaré, onde fora adquirido por um armador interessado no seu aproveitamento. A 04/1955, após cuidada reconstrução foi lançado á àgua pelos estaleiros dos irmãos Mónicas, com o nome de PARAISO para a Empresa de Pesca de Portugal, Lda, e alguns dias depois seguiu para Lisboa, a fim de marcar presença na usual cerimónia religiosa da Benção dos Bacalhoeiros, rumando de seguida para os pesqueiros da Terra Nova e Gronelância; 1956 RIO ANTUÃ, e mais tarde foi convertido em navio de pesca com redes de emalhar; 02/09/1973 náufraga devido a incêndio nos Grandes Bancos da Terra Nova, tendo a companha que se abrigou nos botes, sido resgatada pelos navios-motores CONCEIÇÃO VILARINHO e SENHORA DA BOA VIAGEM, passado cerca de seis horas, devido à distancia que separava aqueles navios da área do sinistro. 
Fontes: José Fernandes Amaro Junior, Lloyd’s Register of Shipping, Reimar. Blog Marinheiro Jimmy, Museu Maritimo de Ilhavo (navios).
(continua)
Rui Amaro

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sábado, 25 de agosto de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 249

A FAMOSA BARCA PORTUGUESA “FOZ DO DOURO” DEMANDA PELA PRIMEIRA VEZ O PORTO DE LEIXÕES

A barca FOZ DO DOURO / autor não identificado - O Século Ilustrado /.

Rebocador BRAGANÇA em aprestamentos finais junto da carreira da Parceria Marítima do Douro / foto da PMD /.

A 11/09/1943, manhã cedo, a estação semafórica do Monte da Luz comunicava que a barca à vela, de quatro mastros, FOZ DO DOURO, procedente de Lisboa, estava à vista, a sudoeste, e sendo assim, o rebocador BRAGANÇA, ex LUSITÂNIA, apressou-se a ir ao seu encontro, a fim de a pegar à proa para a conduzir ao porto de Leixões. Às 09h30, ambas as embarcações demandaram o porto de Leixões, indo de imediato atracar ao cais acostável do Molhe Sul. A 18, após ter carregado carga geral, cruzou os molhes assistida pelo mesmo rebocador, o qual largou a amarreta a cerca de três milhas da costa e de pano todo largo, aproveitando o vento de feição de nordeste, que se fazia sentir, tomou o rumo de sudoeste, com destino aos portos Brasileiros de Rio de Janeiro e Santos. A FOZ DO DOURO escalou o porto de Leixões por várias vezes, quer como barca ou já como navio-motor, e eu ainda me recordo de numa segunda escala, atracada na doca nº 1- norte, ter estado a bordo dela, pela mão de meu pai, que fora visitar o contra-mestre, seu camarada dos tempos de tropa, no quartel de Minas e Torpedos Fixos de Paço de Arcos.

A barca FOZ DO DOURO ostentando a pintura própria da sua nacionalidade neutral durante a guerra / autor não identificado - colecção F. Cabral, Porto /.

FOZ DO DOURO – imo 2096496, foi uma das últimas unidades mercantes matriculadas na praça do Porto, adquirida em 1942, pelo armador Portuense Júlio Ribeiro Campos, que era natural e residente da freguesia da Foz do Douro.
Era um puro navio de velas, cujo aparelho armava em barca de quatro mastros, com 88,2m/2.345tb, construído em aço e lançado à água pelo estaleiro C. Connel & Co., Glasgow, em 02/1892, com o nome de HAWAIAN ISLES, e foi utilizado pelo seu primeiro armador Hawaian Construction  Co., Honolulu, no transporte de açúcar entre as ilhas do Hawai e a costa oeste da América Latina.
Entre 1893 e 1926, a barca esteve ao serviço de vários armadores, entre os quais a Alaska Packer’s Association, San Francisco, Califórnia, que lhe deu o nome de STAR OF GREENLAND, tendo sido desactivada em 1926 em Alameda, Califórnia, mas em 1929 foi adquirida pela fundação Stiftelsen Abraham Rydberg, Estocolmo, passando a servir como navio-escola da marinha mercante Sueca, com o nome de ABRAHAM  RYDBERG (III), transportando carga e treinando futuros marinheiros e pilotos náuticos, e, em 1930, navegou de São Francisco para Inglaterra com um carregamento completo de cereal a granel, levando 124 dias de viagem.

A barca escola ABRAHAM RYDBERG (III) correndo ao tempo / autor não identificado /.

A 10/05/1936, teve uma colisão com o vapor Inglês KORANTON, 126m/6.695tb, do armador R. Chapman & Co., Newcastle, a 45 milhas a sul de Eddystone, na costa meridional Britânica, tendo ficado com várias chapas do costado de bombordo amolgadas e perdido o mastro do contra-traquete, pelo que foi levada para um estaleiro do Blyth, onde sofreu reparações. 
Quando rebentou a guerra de 1939/45 a ABRAHAM  RYDBERG (III), navegava da América do Sul para a Europa, e então avisada da situação ruma aos E.U.A. e até 03/1942 passou a operar no tráfego entre a América do Norte e a costa leste da América do Sul. Em 15/03/1942 encontrava-se em Baltimore e mais uma vez foi desactivada.
Em 05/1943, Júlio Ribeiro Campos, seu novo armador, trouxe a barca para Portugal, ficando registada na capitania do porto do Porto a 17/06/1943, sob o nome de FOZ DO DOURO, e então, ainda como navio de carga, retoma o tráfego comercial, realizando viagens ao Brasil e outros portos do globo, transportando carga geral, cereais, algodão ou açúcar.
Em 21/12/1943, inicia uma célebre viagem, que tem como passageiro convidado o distinto aeronauta e cientista, que foi o almirante Gago Coutinho, com partida de Santos e chegada Leixões em 31/03/1944, com 105 dias de viagem, 103 dos quais sem vislumbrar terra. Foi uma rota primitiva de características especiais, num largo S devido aos ventos dominantes do Atlântico Sul, navegando 8.740 milhas, mais do dobro da distância directa entre os dois portos, só se tendo avistado apenas três vapores e foi sobrevoada por alguns aviões de patrulha devido à situação de guerra mundial.
A FOZ DO DOURO era comandada pelo velho homem do mar, que foi João Fernando Agualusa, com quase tantos anos de travessia do Atlântico como os que a barca contava de existência, e tinha como oficiais subalternos os capitães Domingos Magano e Fernando Macias. Utilizando o velho astrolábio dos navegadores do século XV, Gago Coutinho fazia todos os dias as medições astronómicas ao lado dos pilotos do navio, que se serviam dos modernos aparelhos, como o sextante e o cronómetro, podendo assim apreciar bem o valor prático do velho instrumento de marear.
A barca viria a sofrer, em 1944 e 1945, novas e profundas alterações no estaleiro de Kensington, Filadélfia, que terão contribuído para um melhor aproveitamento, mas que prejudicou o seu atraente aspecto externo. Nem sempre é fácil juntar o útil ao agradável. Efectivamente, a FOZ DO DOURO foi equipada com dois motores diesel Fairbanks de 650 bhp, o que implicou a instalação de uma chaminé bastante larga, pintada de cor amarela, e por desnecessárias foram retiradas as vergas e pau do gurupés, transformando a antiga barca numa embarcação estranha com pouco ar de navio de velas mas também com poucas semelhanças ao navio-motor de carga tradicional, apesar da sua configuração a um lugre de quatro mastros, ostentando apenas duas vergas sem qualquer funcionalidade, e assim terminou sua gloriosa carreira como navio à vela.

O navio-motor FOZ DO DOURO ao demandar o porto de Leixões, década de 50 / Foto Mar - Leixões /.

Continuou a navegar como navio-motor, tendo sido transferida em 11/03/1952 para o seu novo armador, a Sociedade Industrial Ultramarina, contudo registada na capitania de Bissau, e mais uma vez em 15/11/1955, passa para o seu décimo primeiro armador a firma Silva & Dias, Lda. Em 1956 é de novo desactivada, ficando amarrada na doca de Pedrouços, Lisboa, tendo o seu registo sido cancelado em 04/05/1957, como resultado da sua venda à Sté Anonyme Bonita, Tanger, que fez rumar aquele navio-motor a La Spezia, Itália, onde foi desmantelado para sucata, 65 anos após o seu lançamento ao mar.
Resta acrescentar, que a única passagem da FOZ DO DOURO pelo rio Douro, julga-se ter sido em 09/1949, apesar de matriculada, por bastantes anos, na praça da cidade do Porto, e da sua tripulação fizeram parte vários elementos das zonas ribeirinhas do Porto e Matosinhos, entre os quais José Teixeira Lencastre, natural e residente na terra, que deu o nome àquele famoso navio, que foi seu oficial, e em 1955 candidatou-se e foi admitido como piloto da barra dos portos do Douro e Leixões.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, Lloyd’s Register of Shipping, Lars Bruzelius, Matson Lines, Imprensa diária.
(continua)
Rui Amaro

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