sexta-feira, 20 de julho de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 243

O NOVO ARRASTÃO “ILHA DO PICO” (1) CONSTRUIDO PELOS ESTALEIROS DA AFURADA FAZ-SE AO LARGO PARA EXPERIÊNCIAS DE MÁQUINA

Bota-abaixo dos arrastões ILHA DAS FLORES e ILHA DO CORVO / O Comércio do Porto /.

A 10/09/1943, pelas 11h00, o piloto José Fernandes Amaro Júnior foi embarcar no novo arrastão ILHA DO PICO, da SNAPA – Sociedade Nacional dos Armadores da Pesca do Arrasto, Lisboa, acabado de construir nos estaleiros da Afurada, o qual se encontrava prolongado com os seus dois gémeos ILHA DAS FLORES e ILHA DO CORVO, naquela localidade piscatória ribeirinha do estuário do Douro, e que iria largar para experiências de máquina.
Às 14h00 desamarrou e foi atracar à prancha da Shell, junto da encosta da Arrábida, a fim de se abastecer de gasóleo e mais tarde foi meter água à ponte-cais do Entreposto de Peixe de Massarelos, rumando de seguida para a barra, com destino ao porto de Leixões, onde entrou e pouco depois saiu. Após várias evoluções ao largo da costa, regressou à barra do Douro e às 18h00 foi-se prolongar novamente com os seus dois gémeos, junto dos estaleiros da Afurada, onde também tinham sido contruidos. A 29/10/1943 o mesmo piloto foi pegar no ILHA DAS FLORES para procedimento idêntico ao seu serviço com o ILHA DO PICO.

O ILHA GRACIOSA navegando no estuário do Tejo na década de 40 / SNAPA /.

O ILHA DO PICO, ILHA DAS FLORES, ILHA DO CORVO, 210tb, e mais três gémeos também contruidos em madeira pelos Mónicas, da Gafanha da Nazaré, e ainda mais quatro em aço de maior porte, dos quais se destacavam o ILHA GRACIOSA e o ILHA DO FAIAL construídos pela CUF, de Lisboa, além do PORTAFERRY e o PORTISHAM, lançados à água pelo Arsenal do Alfeite, e que em 1946 foram adquiridos por armadores Portugueses, tomando os nomes respectivamete de POLO NORTE e ARRABIDA, faziam parte de uma encomenda de armadores Britânicos a estaleiros Portugueses para serem usados como unidades da Royal Navy, e lançados á àgua entre 1941 e 1943.
O autor recorda-se de muitas vezes ter visto aqueles três arrastões demandarem a barra do Douro, vindos de fainar na costa, e eram do melhor que havia para a época.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior
(continua)
Rui Amaro

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quinta-feira, 19 de julho de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 242

O “NRP GIL EANNES” DEMANDA A BARRA DO DOURO PROCEDENTE DOS BANCOS DA TERRA NOVA E GROENLANDIA


O GIL EANNES (1)  com as cores neutrais durante o período da 2ª guerra mundial  / foto de autor desconhecido /.

A 23/10/1941, pelas 11h00, cruzou a barra do Douro o NRP GIL EANNES, vapor da Marinha de Guerra em serviço de apoio e assistência à frota bacalhoeira a operar nos Grandes Bancos da Terra Nova e Groenlândia de onde procedia. Aquela unidade naval, que era comandada pelo oficial de marinha, Cmdt. Zolá da Silva foi conduzida de entrada pelo piloto Eurico Pereira Franco, que a foi amarrar na lingueta do Bicalho, Massarelos, a fim de descarregar o seu carregamento de “stock fish”, embarcado em vários portos daqueles dois territórios do noroeste Atlântico e destinados aos armazéns da C.R.C.B – Comissão Reguladora do Comércio de Bacalhau, situados junto do local da descarga. A bordo também vieram alguns pescadores da frota, que tiveram de ser assistidos por motivo de doenças súbitas ou ferimentos graves, os quais após as formalidades legais desembarcaram e seguiram para as suas terras de origem, tão distantes como Vila Praia de Ancora ou Fuzeta. A 31/10, pelas 15h00, o NRP GIL EANNES, conduzido pelo piloto Aristides Pereira Ramalheira largou do rio Douro com destino ao porto de Lisboa, onde a 01/11 completou a sua oitava campanha.


O NRP GIL EANNES durante as manobras de amarração na lingueta do Bicalho, Massarelos / foto de autor desconhecido enviada por Nuno Bartolomeu, Almada /.

NRP GIL EANNES – imo 5803759, navio apoio/hospital da frota bacalhoeira Portuguesa, 90m/1.775tb, entregue em 05/1914 pelo estaleiro G. Seebeck, Geestmunde, como LAHNECK à DDG Hansa, Bremen, e devido à guerra refugiou-se no estuário do Tejo, juntamente com outros navios Alemães; 23/02/1916 motivado pela falta de transportes marítimos, Portugal requisitou à Alemanha os referidos navios, o que foi recusado, e como tal Portugal não teve outra alternativa senão confiscar todos os navios, incluindo o LAHNECK, que passou a denominar-se GIL EANNES, e em face do confisco a Alemanha declarou guerra a Portugal. O vapor foi fretado pela firma Raúl Santos, de Lisboa, e terminado o contrato ainda em 1916, foi transferido para a Marinha de Guerra. Na sua longa história serviu como unidade naval e mercante, foi cruzador, transporte de tropas, navio de treino, e esteve afecto ao serviço comercial (TME), e em 1924 foi integrado na frota da Marinha de Guerra, contudo a sua actividade mais importante foi como navio apoio/hospital à frota de pesca Portuguesa, sob gestão da Marinha de Guerra e SNAB, operando nos pesqueiros da Terra Nova e Groênlandia. Quando terminada a campanha regressava à Pátria com carregamentos de "stock fish" para Lisboa ou Porto/Leixões. O GIL EANNES (1) fez a sua última campanha em 1954, tendo sido substituído em 1955 pela moderna construção do ENVC, o GIL EANNES (2), o qual hoje se encontra preservado na antiga doca comercial do porto de Viana do Castelo, e em 1954 foi vendido para Itália, onde terminou os seus dias como TETIDE, Vulcania Sarl, Genova, tendo sido desmantelado para sucata em 1956 no porto de Vado Ligure.
Fintes: José Fernandes Amaro Júnior; Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro


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SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 241

A VENDA DO REBOCADOR DE PILOTOS “COMANDANTE AFONSO DE CARVALHO” PARA SETÚBAL



A 11/10/1941 procedeu-se ao acto da escritura da venda do rebocador de pilotos COMANDANTE AFONSO DE CARVALHO, estando presentes por parte da corporação de pilotos os seguintes elementos: Paulino Pereira da Silva Soares, piloto-mor; António da Silva Pereira e José Fernandes Tato, sotas-piloto-mor; Aristides Pereira Ramalheira e Luís Ventura, pilotos, além dos representantes do comprador, a empresa SAPEC, de Setúbal.
Aquelerebocador foi vendido pela quantia de 800.000$00 e dessa verba 60% foi para o pessoal incorporado, cabendo a cada piloto a quantia de 1.240$00. A 18 do mesmo mês deixou a barra do Douro, rumando ao porto de Lisboa e alguns anos mais tarde foi vendido para o Sul de França. A 12/03/1941, já tinha havido uma oferta de 500.000$00 da firma Reboques e Transportes, Lda. de Aveiro, que não satisfez.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior
Imagem: Arquivo Corporação de Pilotos
(continua)
Rui Amaro

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quarta-feira, 18 de julho de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTI-FICIAL DE LEIXÕES – Episódio 240

PILOTOS DA BARRA DO DOURO Á QUINZENA PARA O PORTO DE LEIXÕES

O n/m Sueco INLAND da Svenska Orient Linien (SOL), de Gotemburgo, demandando o porto de Leixões em 30/01/1951 conduzido pelo piloto da barra do Douro José Fernandes Amaro Júnior, de serviço de quinzena àquele porto. / cartão postal da SOL /.

A 14/08/1941 foi enviada uma exposição com o nº 328 ao chefe do Departamento Maritimo do Norte, relativa à importância da transferência de pilotos do Douro, por períodos quinzenais, de forma a minorar as dificuldades da falta de pilotos para o serviço da secção de Leixões. A 18 do mesmo mês o Cmg José Carlos Rodrigues Coelho, chefe daquele departamento, fez saber que o pedido relatado na dita exposição ficava deferido e que estava conforme o regulamento de pilotagem. Mais informava, que sabendo da existência de opiniões divergentes na corporação, dava o assunto por encerrado, pedindo para que fosse respeitada a dignidade da classe.
Estiveram em oposição ao deliberado, o piloto do Douro António Natalino Cordeiro e os pilotos de Leixões Elisio da Silva Pereira, Mário Francisco da Madalena, Bento da Costa, Francisco Luis Gonçaves e Francisco José Campos Evangelista.
Cumprindo-se o então regulamentado, foram indigitados para a primeira quinzena de serviço ao porto de Leixões, os pilotos Cristiano Melo Machado, António Gonçalves dos Reis, Pedro Reis da Luz, e Henrique Correia Hugo ou sejam dois pilotos da esquadra de fora, relacionada com as entradas, e da esquadra de dentro, confrontada com as saídas, mudanças e reforço de amarrações, etc.
Mais tarde, as quinzenas passaram a ser cumpridas apenas por dois pilotos, um de cada esquadra, que ficavam alojados nas instalações da Secção de Leça da Palmeira, à rua do Moinho de Vento.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior.
(continua)
Rui Amaro

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segunda-feira, 11 de junho de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 239


PILOTOS DA BARRA DO DOURO CONDECORADOS PELO INSTITUTO DE SOCORROS A NÁUFRAGOS

Trabalhos de extracção de areias para a construção civil no cabedelo da barra do Douro, 1949, vendo-se uma barca da areia do lugar da Cantareira, que se distingue ao fundo na margem direita, e no meio vê-se o navio-motor holandês APPINGEDAM, subindo o rio Douro  /Foto de autor desconhecido - Colecção de F. Cabral /.

A 06/04/1941 por proposta do Instituto de Socorros a Náufragos (I.S.N.), foram condecorados por ordem do Ministro da Marinha, com medalha de prata o sota-piloto-mor José Fernandes Tato e com medalha de cobre os pilotos Júlio Pinto de Carvalho, Joaquim Matias Alves, José Fernandes Amaro Júnior, Carlos de Sousa Lopes, Henrique Correia Hugo, Manuel Pereira da Silva e os motoristas Joaquim António da Fonseca e Eduardo Fernandes de Melo, porquanto no dia 23/09/1940, com o seu material flutuante e com risco da própria vida, esforçarem-se por salvar de morrer afogados três homens e quatro mulheres, que se encontravam a bordo duma barca da areia da Cantareira, a qual fora levada pela forte corrente da vazante, ficando em situação bastante crítica, já muito perto do cabeço da barra do Douro, e prestes a afundar-se.
As chamadas barcas da areia movidas a remos, serviam para o transporte de areia do cabedelo da barra do Douro para o depósito do concessionário no lugar da Cantareira, Foz do Douro, e as operações de descarga eram realizadas nas linguetas do meio e de leste.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior
(continua)
Rui Amaro

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SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 238


O PILOTO JOSÉ FERNANDES AMARO JÚNIOR ESTREOU-SE NA DOCA Nº 1 DO PORTO DE LEIXÕES COM A SAIDA DO NAVIO-MOTOR "TAGUS" E COM A ATRACAÇÃO DO VAPOR "KASSOS"
  

 O navio-motor TAGUS na doca nº 1 do porto de Leixões, década de 50 / foto de F. Cabral, Porto /.

A 02/04/1941, pelas 17h00, o piloto José Fernandes Amaro Júnior estreou-se na doca nº 1, conduzindo de saída o navio-motor português TAGUS, 68m/1.077tb, o qual de seguida demandou o rio Douro em 16 pés de calado de água, indo amarrar no quadro da Alfândega, a dois ferros com ancorote dos pilotos pela popa e cabos passados para terra, a fim de descarregar para barcaças a sua carga de algodão e açúcar, baldeada em Lisboa dos navios d CNN da carreira de Angola e a 06/06, aquele piloto estando de quinzena em serviço à estação de pilotos de Leça da Palmeira, conduz de entrada o vapor Grego KASSOS, 135,6m/5.215tb, calando 26 pés de água, sendo o seu primeiro serviço de atracação na doca nº 1.
Aquele vapor, que fora lançado ao mar em Julho de 1939, estava fretado pelo governo da Suíça desde 12/10/1939 até 12/1947, a fim de fazer face às dificuldades de abastecimento do país, devido à situação de guerra, tendo também servido alguns países neutros como Portugal, fazia parte da frota do mesmo armador do vapor HADIOTIS encalhado no porto de Leixões desde 15/02/1941.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior
(continua)
Rui Amaro

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terça-feira, 5 de junho de 2012

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 237



CICLONE SOBRE A REGIÃO DO PORTO, QUE ORIGINOU O ENCALHE DO PAQUETE "CUYABÁ" E DO VAPOR "HADIOTIS" NO PORTO DE LEIXÕES E INCIDENTES COM LUGRES BACALHOEIROS NO RIO DOURO


 
 
O HADIOTIS encalhado junto da praia do Pescado, Matosinhos / foto de autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto /.
 
A 15/02/1941, pelas 16h00, começaram a sentir-se ventos tempestuosos do quadrante noroeste com rajadas de 65kmH, as quais por vezes aumentavam de intensidade, formando forte maresia, que penetrava, perigosamente na bacia e na nova doca comercial do porto de Leixões, e das 18h00 às 21h30 passou à situação de ciclone com ventos soprando entre os 128 e 145kmH. Aquele ciclone devastava-tudo por onde passava, eram árvores, automóveis, telhados, casas velhas, embarcações, etc. Por precaução, o sota-piloto-mor António da Silva Pereira, já tinha mandado alguns pilotos para bordo dos vapores surtos no anteporto para resolver qualquer eventualidade, que entretanto surgisse e de facto a sua decisão não foi em vão. No pico do ciclone, o paquete Brasileiro CUYABÁ, 129m/6.672tb, piloto Tito dos Santos Marnoto, transportando passageiros e carga diversa, fundeado a dois ferros ao norte, partiram-se-lhe as duas amarras, situação provocada pela força da ressaca e do vento. Aquele paquete tendo a máquina a trabalhar no máximo, não se consegue deter devido à força eólica do ciclone, apesar das manobras orientadas por aquele piloto, vai de garra e acabando por encalhar junto da entrada da doca nº 1, que por pouco não ficou bloqueada, ficando um pouco adornado.
Também o vapor Grego HADIOTIS, 121m/4.386tb, piloto Francisco José de Campos Evangelista, em lastro, fundeado a dois ferros na Bacia, com a máquina a trabalhar no máximo da sua potência, apanha de lado a força do vento e vai de garra sobre o CUYABÁ, mas aquele piloto, com certa perícia, tenta conduzir o vapor de maneira a impedir o abalroamento com o paquete Brasileiro, que entretanto encalhara, não evitando, que também o HADIOTIS acabe por varar na praia, a sul da rampa do Pescado. Tudo isso depois de ter passado por cima dos escolhos de natureza granítica, que eriçavam o fundo daquela zona portuária, rebentando com eles e rasgando-se a si próprio. O vapor ficou de proa a sul, portanto paralelo à praia. Era impressionante ver um navio tão grande naquela posição e era voz corrente, que ele se não safaria das garras em que caíra, visto que excepcionalmente se formaria outra maré igual à do dia em que encalhara e que só outro ciclone poderia reproduzir. O argumento tinha peso mas não era convincente e muito menos decisivo. Assente sobre rochas rijas, mais salientes umas que outras, força essa, como de facto sucedeu, que algumas lhe amolgaram ou trespassaram o fundo, que todo se deformou mais ou menos.
No cais acostável do Molhe Sul, por ter garrado, foi amarrado o vapor Português PÁDUA, 60m/665tb. O capitão do porto de Leixões, por medida de precaução, mandou retirar para terra toda a tripulação do iate-motor Português JUDITH 1º, 29m/96tb Esta embarcação, que se destinava ao porto de Setúbal, arribara ao porto de Leixões, a fim de se abrigar do temporal desfeito, que se fazia sentir por toda a costa. O salva-vidas CARVALHO ARAÚJO e todo o pessoal da capitania e dos pilotos estavam de prevenção sob as ordens do Capitão do Porto, Conde de Vilas Boas. O barómetro da Capitania acusou a pressão mais baixa de que havia memória e desde há cinquenta anos, que não eram sentidos ventos tão fortes.
 
 
Lugres bacalhoeiros em Massarelos, rio Douro, vendo o PAÇOS DE BRANDÃO semi-submerso / fotos Imprensa diária /,

No rio Douro, os lugres bacalhoeiros Portugueses ANA MARIA, PAÇOS DE BRANDÃO, DELÃES e OLIVEIRENSE, que ultimavam os seus fabricos, a fim de rumarem aos Grandes Bancos, colidiram uns contra os outros, ficando muito danificados, devido ao caudal do rio e ao ciclone. O lugre à vela PAÇOS DE BRANDÃO foi o mais atingido, partindo-se o pau do gurupés, a borda falsa e a gaiúta da máquina do leme. Estes quatro lugres de três mastros, construídos em madeira, foram atirados sobre a margem de Massarelos, ficando o PAÇOS DE BRANDÃO semi-submerso com a proa debaixo de água, pelo que teve de ser posto a reflutuar e sofrer reparações dmoradas, pelo que na campanha de 1941, a sua largada para os pesqueiros da Terra Nova, foi demasiadamente tardia.
No Passeio Alegre o mar encapelado galgava os paredões da barra e inundava as margens com as suas águas agitadas. As pequenas embarcações, que não houvera tempo de as colocar a salvo em terra, baloiçavam ao sabor da forte ondulação. Na região do Porto e pelo resto do país os acidentes e prejuízos, causados pelo ciclone, eram incalculáveis.
Quando o temporal amainou e a maré-alta facilitou, o paquete CUYABÁ foi desencalhado das pedras com o auxílio dos rebocadores TRITÃO, NEIVA e o rebocador dos pilotos COMANDANTE AFONSO DE CARVALHO, coadjuvados pelo salva-vidas CARVALHO ARAÚJO. Tendo o CUYABÁ sido levado para a doca nº 1 – lado norte, a fim de ser vistoriado e reparado de avarias ligeiras.

O paquete CUYABÁ na doca nº 1 Norte, vendo.se ao fundo a draga ADOLFO LOUREIRO e o vapor KASSOS. No lado Sul vê-se o rebocador GUADIANA / Foto Imprensa diária /. 

Quanto ao vapor HADIOTIS, o seu salvamento, muito mais complexo e demorado, foi entregue à A.G.P.L. – Administração Geral do Porto de Lisboa, sob a orientação do Eng. Salvador de Sá Nogueira, reconhecido especialista e sua equipa técnica, que já tinham dado suficientes provas com os resgates das seguintes embarcações no Tejo: rebocador CABO SARDÃO, vapor SIVA (depois FOCA), draga ALCANTARA, e da nau PORTUGAL (depois batelão NAZARÉ).
Acertadas as condições e assinado o contrato de salvamento, sob a forma “no cure, no pay”, a 06/04/1941 foi feita uma minuciosa inspecção ao vapor, iniciando-se os trabalhos da sua recuperação e após várias tentativas, a 15/04/1941, às 04h45, os salvadegos da A.G.P.L. CABO ESPICHEL e o CABO RASO à proa e o CABO DA ROCA à popa começaram a puxar. Às 05h45 o HADIOTIS libertava-se da sua última prisão e flutuava, finalmente após se ter inundado o tanque de vante e parte do porão nº 1, a fim de se lhe modificar o caimento de modo conveniente, apesar de já de véspera se ter movido bastante. Colheu-se depois o ferro de bombordo, que veio para cima sem as unhas e foi fundear na covada, junto do molhe Sul. Às 16h00 suspendeu e recolheu à doca nº 1, levado para ali pelos salvadegos CABO RASO e CABO DA ROCA, onde foram efectuados os preparativos para a viagem até ao porto de Lisboa. A 24/04/1941, terminados os referidos trabalhos e cumpridas as formalidades legais deixou o porto de Leixões pelas 12h00, e a 25 às 11h00 entrava na doca de Alcântara, a cujo cais Sul ficou atracado, a aguardar acesso a doca seca, ali vizinha, para reparos.

 O HADIOTIS em doca seca da A.G.P.L. em reparação das avarias sofridas / foto de autor desconhecido /.

O vapor HADIOTIS, imo 4067142, que fora construído no ano de 1928 pelos estaleiros Northumberland Shipbuilding Co., Ltd., Howden-on-Tyne, para o armador grego Pnevmaticos et al, gestor Kassos Steam Navigation Co, Ltd, Syra, na ocasião do encalhe estava fretado ao governo da Suíça, a fim de fazer face ao abastecimento daquele país, devido à situação de guerra. A 15/09/1941 foi comprado pelo seu fretador, que lhe deu o novo nome de EIGER, e apesar de ter sido considerado como “constructive total loss”, foi completamente reparado pelos estaleiros da CUF, de Lisboa, tendo sido substituído todo o seu fundo.
A 10/01/1942, arvorando o pavilhão da Suíça e os distintivos de guerra, assinalando a sua nacionalidade neutral, deixou o porto de Lisboa rumando ao porto de Génova sob o comando do capitão Português João Quininha. A 10/04/1947 foi adquirido pelo armador Swiss Shipping Co, Ltd, Basileia, que lhe alterou o nome para o de CRISTALLINA; 07/01/1949 NICKY, Pappadakis A. G., Grécia; 1951 FUJIKAVA MARU, Kawasaki Kisen Kaisha, Japão; 1957 TENJHO MARU, Hakuyo Kisen Kaisha, Japão;
16/06/1963 chegava a Osaka para desmantelamento.
O paquete CUYABÁ, imo 5602658, foi lançado à água em 18/08/1906, com o nome de HOENSTAUFEN, pelos estaleiros Bremen Vulkan, Vegasack, para a importante companhia Hamburg Amerika Line (HAPAG), Hamburgo, que o colocou na linha do Brasil e Rio da Prata. Em 08/1914, devido à eclosão da segunda guerra mundial, refugiou-se no porto do Rio de Janeiro. A 01/06/1917 foi requisitado e confiscado pelo governo Brasileiro, sendo a partir dessa data gerido pelo Lloyd Brasileiro, que o adquiriu em 1927 para o seu serviço com a Europa, passando a escalar os portos de Lisboa e Leixões até meados da segunda guerra mundial, altura em que passou a servir o tráfego costeiro do Brasil. Em 07/1963 foi entregue aos estaleiros de Chaves e Furno, do Rio de Janeiro, para demolição.
O CUYABÁ, quando a 27/07/1937 navegava sob denso nevoeiro, vindo do norte da Europa de rumo à barra do Tejo, encalhou nas ilhas Berlengas, conseguindo mais tarde safar-se com a ajuda de várias embarcações, que acorrerem em seu auxilio, tendo seguido a reboque para o porto de Lisboa. Alguns anos mais tarde, 09/1942, sofreu um grave acidente, quando navegava em comboio naval durante a noite com as luzes apagadas, a fim de evitar os submarinos Alemães, juntamente com o paquete do mesmo armador SIQUEIRA CAMPOS, sob escolta naval brasileira, tendo ambos sofrido graves rombos e avarias. Os dois paquetes rumaram à costa Brasileira. O CUYABÁ arribou ao porto de Fortaleza, onde foi varado numa praia. O SIQUEIRA CAMPOS foi fundear num baixio, junto à praia, no entanto dado que as bombas de bordo não davam vazão à penetração das águas, acabou por ser abandonado, afundando-se no local onde ainda hoje parte da sua estrutura é visível. A 17/09/1942 os paquetes CUYABÁ e BAGÉ, ambos do mesmo armador, partiram do porto do Rio de Janeiro para o porto de Lisboa, transportando os embaixadores da Alemanha e da Itália, bem como demais funcionários diplomáticos e súbditos dos dois países, sem escolta, contudo nos seus costados levavam assinalados grandes dizeres que indicavam a sua missão diplomática.
Relacionado com o encalhe do CUYABÁ, a corporação de pilotos apresentou a 22/03/1941 ao Lloyd Brasileiro a factura do valor de esc:150.000$00 pelos serviços prestados pelo seu rebocador COMANDANTE AFONSO DE CARVALHO nas manobras de desencalhe daquele paquete em 16/02/1941. O armador apenas se prontificou a pagar esc:10.000$00, o que não teve aceitação dos pilotos, pelo que em face disso a corporação de pilotos passou a recorrer da decisão do tribunal, contudo a 13/10/1941 uma Comissão da Corporação de Pilotos composta pelos seguintes elementos: Sota-pilotos-mores António da Silva Pereira e José Fernandes Tato; pilotos José Fernandes Amaro Júnior, Aires Pereira Franco, Aristides Pereira Ramalheira, Luís dos Santos Ventura e Francisco Campos Evangelista, teve uma reunião com o director do Lloyd Brasileiro nos seus escritórios da cidade do Porto, a fim de solucionar o o assunto em litígio, tendo o mesmo ficado resolvido a contento de ambas as partes.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, Miramar Ship Index; Swiss Ships.
(continua)
Rui Amaro 

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