terça-feira, 22 de março de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 166

O VAPOR "SAN MIGUEL" SOFRE UM INCIDENTE À ENTRADA DA BARRA
  

O SAN MIGUEL em manobras de acostagem no porto de Leixões em 1954 / foto de Rui Amaro /.


A 02/01/1935, pelas 10h00, entrava a barra do Douro o vapor Português SAN MIGUEL, piloto Francisco Piedade, o qual quando passava diante da pedra do Touro desgovernou a bombordo, tendo de imediato largado o ferro de estibordo e logo de seguida deixou correr também o de bombordo, a fim de aguentar a estocada e meteu máquina de marcha à ré. Essa manobra não foi suficiente para que aquele vapor não deixasse de ir sobre o enrocamento, ficando preso de proa por alguns momentos. Continuou com a máquina a trabalhar de marcha à ré e passado algum tempo safou-se das pedras sem ficar arrombado. Suspendeu os dois ferros e seguiu para o seu ancoradouro, no lugar das escadas da Alfândega, onde ficou fundeado a dois ferros com cabos estabelecidos para terra e o usual ancorote dos pilotos pela popa ao lançantpara sudoeste.
SAN MIGUEL – 92,65m/ 2.177tb/ 12nós/ 12 passageiros; 07/03/1931 entregue por Swan, Hunter & Wigham Richardson, Sunderland, à Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos, Ponta Delgada; 06/1968 chegava a ao Ferrol para desmantelamento em sucata.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior; Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 165

MOVIMENTO MARÍTIMO NO RIO DOURO COM INCIDENTES

A 17/12/1974 a maresia na barra do Douro amainou e a força da água de cheia abrandou, assim o piloto-mor Francisco Rodrigues Brandão, após ter conhecimento do resultado das sondagens no canal de navegabilidade, abriu a barra à navegação e como tal houve movimento de entradas e saidas de navios.
O primeiro a transpor a barra foi o vapor Norueguês FAGERSTRAND, 75,5m/1.171tb, procedente de Reikjavik com um carregamento de bacalhau seco. Aquele vapor ao passar diante do lugar da Forcada, meio do cais Velho, guinou a bombordo em direcção às pedras, pelo que o piloto João Pinto de Carvalho, sem perda de tempo, mandou lançar o ferro de estibordo para aguentar a estocada e máquina toda força à ré para não encalhar mas não consegue evitar, que a proa roce ligeiramente nas pedras, ainda que sem sofrer qualquer rombo. Logo que o vapor endireitou ao canal, o ferro encontrava-se pegado no fundo do rio e há que desmanilhar a amarra e largá-la por mão, seguindo aquele vapor rio acima. No entanto, ao passar no lugar das Dezoito Braças (onde hoje se situa a ponte da Arrábida), mais uma vez, desgovernou para bombordo em direcção às pedras e endireitando de imediato para o meio do rio, sem necessidade de lançar ferro, seguiu sem mais novidade, até ao cais do Cavaco, onde ficou amarrado com o único ferro utilizável, o de bombordo à proa e um ancorote dos pilotos pela popa, com cabos passados para os proizes em terra.
A 20/12/1934, entraram a barra do Douro vários vapores que ao largo aguardavam há dias melhor maré, dentre os quais os vapores Ingleses AELSE, piloto Hermínio Gonçalves dos Reis e o OTTINGE, piloto Francisco Piedade. O AELSE quando passava junto da Forcada, guinou às pedras e o piloto mandou largar o ferro de estibordo e máquina toda força à ré, a fim de evitar o embate ou mesmo o encalhe no enrocamento do cais Velho, logo que endireitou, suspendeu a amarra e seguiu rio acima até fundear no lugar dos Vanzelleres. Quanto ao OTTINGE guinou à pedra da Gamela, lançou os dois ferros, leme a estibordo e máquina à ré, não evitando que encostasse à dita pedra. De seguida foi ao meio do rio e conseguindo recolher os ferros seguiu para montante até dar fundo no lugar do Ramos Pinto, sem mais percalços.


  OTTINGE / desenho Rui Amaro /.


FAGERSTRAND – 75,5m/ 1.171tb/ 8,5nós; 03/1903 entregue por Hasseldalens Jernskibsbyggens, Grimstad, a Anders Jacobsen, Oslo; 1907 HIRD, Anders Jacobsen & Gorrinssen, Oslo; 1910 HIRD, Anders Jacobsen, Oslo; 1918 HIRD, D/S Hird's Rederi, Kristiansund; 1921 FAGERSTRAND, A/S Vjctor Ebbesen, Skien; 1935 FAGERSTRAND, Ebeesen Rederi A/S, Oslo; 1937 MOTTO, Skibs A/S Motto, Oslo; 1939 MOTTO, OY Viasveden Hobry ABm Bjorneborg, Finland; 01/1955 arrived Helsinki for breaking up.
AELSE – detalhes e história não encontrados.
OTTINGE - 84m/ 1.744tb/ 10 nós; 03/1918 entregue por Wood Skinner & Co., Bill Quay, como  LORD RHONDDA a Rellands Shipping Co. Ltd. (gestores H.O. King), Londres; 1928 OTTINGE, Constants France (South Wales) Ltd, Cardiff; 1937 TINGE, Soedeco; 1938 RONWYN, Stockwood Rees & Co., Swansea; 1943 capturado pelos Alemães e rebaptizado de HOCHHEIMER, governo Alemão; 21/05/1944 torpedeado e afundado pelo submarino HMS SCEPTRE (P-215), Lt. I.S. McIntosh, DSC/MBE/RN. No mesmo ataque os torpedos falharam atingir os patrulhas da “Kriegsmarine” V-402 e V-405, que comboiavam o HOCHHEIMER, ao largo de Bilbau, posição 43-24N/03-30W.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior; WW2 HMS subnarines; Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

domingo, 20 de março de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 164

DOIS VAPORES DEMANDAM A BARRA SOB MAR DE ANDAÇO E UM OUTRO CRUZA-A DE SAÍDA SEM PERMISSÃO, SUJEITO A SOFRER QUALQUER ACIDENTE, PELO QUE O PILOTO ABANDONA A PONTE DE COMANDO


PERO DE ALENQUER / Foto de autor desconhecido - colecção FSC /

A 08/12/1934, cerca das 16h00, depois de receberem os respectivos pilotos através da lancha P1 do porto de Leixões, fizeram-se à barra do Douro o pescador Português BOA ESPERANÇA 2º e o vapor Português PERO DE ALENQUER, já com o mar a vir perigosamente para cima e alguma corrente de água anunciando possibilidade de cheia no rio. O BOA ESPERANÇA 2º, cerca 40m/ 250tb, piloto Francisco Luis Gonçalves, começou a correr na vaga a ambos os bordos com algum risco, parecendo por vezes submergir, contudo, felizmente, em pouco tempo alcançou águas calmas, subindo o rio sem mais dificuldades até amarrar à prancha do Pescadores, no lugar de Massarelos, já o PERO DE ALENQUER, piloto Manuel de Oliveira Alegre, que além de boa máquina e leme, era com os seus 104,63m/ 2.592,83tb, um dos navios de maior porte a escalar regularmente o rio Douro, foi apanhado por mar de andaço pelo que começou a riscar na vaga, e desgovernando a estibordo, permaneceu um pouco de través à ondulação por algum tempo e a descair para cima do banco de areia da barra, porém aquele prático consegue manobrar com certa perícia, levando-o a entrar no canal, lá seguindo rio acima até ao ancoradouro das escadas da Alfândega, sem mais percalços, se bem que em terra e sobretudo a bordo tenha havido algum alvoroço.
Em face da situação, o piloto-mor Francisco Rodrigues Brandão reúne de emergência os seus subalternos para consulta e é decidido encerrar a barra à navegação, devido à forte maresia, entretanto desencadeada. Nessa conformidade, os dois vapores, que se seguiam: Alemão KRONOS, piloto José Fernandes Tato e o Norueguês MARS, piloto Delfim Duarte, que pairavam aproados à barra aguardando a sua vez de entrada, desandam para o largo e rumam a sudoeste, de maneira a regressarem e darem fundo frente à barra na manhã seguinte pelo alvor. Era, nesses tempos, um procedimento usual dos pilotos da barra, que ficavam a bordo em dias de maresia e por vezes vários dias seguidos, evitarem permanecer com os navios ancorados ao largo da costa, durante a noite, evitando assim qualquer acidente.
De saída, rumando à barra, estavam os seguintes vapores: Francês SAINT RAPHAEL, piloto Francisco Soares de Melo; Italiano PADENNA, piloto Júlio Pinto de Carvalho e o Inglês MADJE LLEWELLYN, piloto António Duarte. Da ponte de comando deste último vapor, que já estava a alcançar as bóias da Cantareira, o sinal negativo, bandeira da letra “N”, xadrez nas cores brancas e azul, no mastro do cais do Marégrafo, é reconhecido pelo piloto e entre bóias lança o ferro de bombordo e com alguma dificuldade desanda proa a leste e segue rio acima para regressar ao ancoradouro.
Os dois primeiros vapores, que já vinham rio abaixo, entre o cais das Pedras e o Ouro, ao aperceberem-se da manobra do vapor Inglês, desandam e dirigem-se também aos seus primitivos ancoradouros. Entretanto, o MADJE LLEWELLYN, 75m/1.451tb, ao chegar ao lugar da Ínsua desandou a proa para jusante e apitando a chamar a lancha para recolher o piloto, teimosamente segue em direcção à barra, sob a orientação do seu capitão, sujeito a encalhar ou mesmo naufragar. Nessas circunstâncias o piloto António Duarte abandonou o comando e desceu para o convés, todavia devido à forte corrente e o seguimento toda força avante, que o vapor levava, foi-lhe impossível saltar para a lancha. O piloto vendo, que o capitão estava a dirigir a saída de maneira errada, decidiu retomar o comando. O vapor ia muito anortado na direcção das pedras da Gamela e do Touro, sujeito a encalhar e só, assim, não sucedeu visto o capitão ter passado a obedecer às ordens do piloto. Em face disso, o piloto ordenou leme um pouco a bombordo mas logo a seguir aliviou a estibordo para não ir bater de popa nas pedras do cais Velho. Toda essa manobra foi executada, a fim do vapor não ir sobre as pedras da ponta do Dente e passar safo da bóia da barra, mas devido às águas de cima o vapor descaiu ao sul, e já muito próximo do banco da barra, fez-se ao largo envolvido em forte maresia e enfrentou três enormes voltas de mar, que fizeram perigar a sua navegação, empurrando-o demasiadamente para sul do canal e fazendo saltar pela borda fora alguma carga de toros de pinho, estivada no convés.
O MADJE LLEWELLYN entrou pelas18h00 no porto de Leixões, a fim de desembarcar o piloto e saiu de imediato com destino ao porto carbonífero Galês de Barry Dock. O piloto António Duarte, chegado à estação de pilotos da Foz do Douro, apressou-se a participar o sucedido ao piloto-mor e ao capitão do porto do Douro, a fim de tomarem as medidas usuais previstas na lei, contra o capitão, quando da próxima visita daquele vapor ao Douro ou Leixões.
Após o dia 08/12/1934 a cheia no rio recrudesceu de intensidade, assim como a maresia na barra, por tal motivo a barra do Douro esteve encerrada à navegação até ao dia l7 daquele mês, tendo os pilotos e o seu pessoal assalariado andado a reforçar as amarrações ou a cambar alguns navios para ancoradouros mais seguros, sobretudo aqueles, que estavam amarrados nos lugsres das Ribeiras do Porto e Gaia
A navegação, que ficou retida no rio foi a seguinte: Vapores Ingleses DARINO e GALA; Portugueses PERO DE ALENQUER e SECIL; Italianos PADENNA e NEREIDE; Dinamarquês LILLEBORG; Francês SAINT RAPHAEL; iate-motor Português JOÃO JOSÉ 1º; lugres Portugueses ANTONINHO, JOÃO MIGUEL e HORIZONTE; lugre Dinamarquês BERTA e o Inglês da praça de S. João da Terra Nova DAZZEL, e ainda os vapores de pesca Portugueses SANTA TERESINHA e BOA ESPERANÇA 2º.
Alguns navios, que aguardavam entrada na barra do Douro, no dia seguinte começaram a arribar ao porto de Leixões, fugindo do mau tempo e eram os seguintes: Alemão KRONOS; Noruegueses MARS e FAGERSTRAND: Francês MONCOUSSU; Ingleses FENDRIS, FILTRE e OTTINGE; Estoniano MINA; Letão MARIEVALDIS; Portugueses CORTE REAL, GONÇALO VELHO, PÁDUA e o vapor de pesca FAFE. Outros já seguiram para o porto de Lisboa ou seus portos de escala, para descarregarem as cargas daqueles portos e talvez "abandonar" aquela destinada ao Douro.
A 09/12/1934, pelas 04h00, desencadeou-se um temporal descomunal com ventos e chuva vindos de sudoeste, fazendo crescer de intensidade a maresia, que já de véspera batia forte na costa. No rio Douro garraram algumas embarcações, tendo os pilotos e o seu pessoal sido chamados, a fim de tratarem de reforçar as suas amarrações. Na bacia do porto de Leixões, apenas se encontravam fundeados a dois ferros, o vapor Estoniano KAI, um ou outro rebocador e as traineiras do armamento de Matosinhos. Não tendo havido qualquer incidente de maior. Na Cantareira foram recolhidas todas as pequenas embarcações locais mas também a cruz da capela da Nossa Senhora da Lapa não resistiu à forte ventania, tendo sido derrubada, e da casa do José do Conde caiu o beiral do telhado.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior.
(continua)

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on this Blog, which will be very much appreciated.

sexta-feira, 18 de março de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 163

A ESCALA DO PAQUETE ITALIANO "URANIA" EM LEIXÕES


HUNGARIA / colecção Cantieri Riuniti dell'Adriatico /


A 08/12/1934, pelas 19h40, escalou o porto de Leixões pela primeira vez, fundeando a dois ferros ao sul, o paquete Italiano URANIA ao serviço da Cosulich Line, Trieste, agenciado na cidade do Porto pela firma Kendall, Pinto Basto & Cia., Lda., o qual estava a realizar a inauguração em regime experimental da nova linha de navegação, entre o porto de Trieste e os portos do norte do Brasil, mais propriamente do Amazonas, com escala pelos portos de Lisboa e Leixões. Após a entrada foi dada a bordo uma recepção às entidades oficiais, mercantis e à imprensa local. A entrada daquela unidade da Marinha Mercante Italiana, que veio a Leixões para receber emigrantes, foi orientada pelo piloto Júlio Pinto de Almeida e a saída a 9, pelas 14h00, foi dirigida pelo piloto Francisco Luis Gonçalves.


URANIA – 125,33m/ 7.077tb/ 14nós/ 399 passageiros; 2 chaminés sendo mais tarde retirada a segunda, que era cosmética; 15/03/1915 entregue por San Rocco Cantieri SA., San Rocco, Trieste, como HUNGARIA ao Lloyd Austriaco, Trieste, Império Austro Hungaro; 1923 GENOVA, Lloyd Sabaudo, Trieste; 1924     GENOVA, recebe uma nova máquina de combustão a óleos; 1930 GENOVA, transporte militar; 1933 URANIA, Lloyd Triestino, Trieste; 1934 URANIA, fretado à COSULICH LINE, Trieste; 1940 imobilisado em Massawa, Eritreia; 10/04/1941 sabotado e afundado perto de Dahlac Islands, Mar Vermelho; Actualmente é motivo de exploração de mergulhadores desportivos. Gémeo INNSBRUCK.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, Cantieri Riuniti dell'Adriatico, Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on this Blog, which will be very much appreciated.

terça-feira, 15 de março de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 162

O VAPOR PORTUGUÊS "SANTO ANTÓNIO" / "PÁDUA" CRUZA A BARRA DO DOURO PELA PRIMEIRA VEZ.


O vapor PÁDUA atracado no porto de Lisboa, no inicio do conflito, exibindo as marcas da sua neutralidade /foto de autor desconhecido - col. F. Cabral, Porto/.

 A 06/11/1934, pelas 10h00, procedente do porto de Cardiff com um carregamento completo de carvão, demandou a barra do Douro o vapor Português SANTO ANTÓNIO, ex Inglês TEECO, vapor este que escalava o rio Douro com regularidade, e foi adquirido para operar na carreira do norte da Europa.
A 17 do mesmo mês saiu a barra ostentando o novo nome de PÁDUA, rumando aos portos de Hamburgo e Anvers. De entrada foi conduzido pelo piloto João Pinto de Carvalho e de saída pelo piloto Francisco Luís Gonçalves.
SANTO ANTÓNIO/PÁDUA – 56,23m/ 664,96tb, 9,5nós, possuía um só mastro, cujos paus de carga serviam dois porões, tinha as superstruturas situadas à ré e fora entregue em 08/1925 pelo estaleiro Norddeutsche Union Werke A.G., Tonning, Alemanha, ao armador Sir Walter Steamship Co., Ltd. (Turner, Edwards & Co., Ltd. - gestores), Bristol, que o baptizou com o nome de TEECO e era um frequentador assíduo dos principais portos Portugueses. Em 11/1934 foi adquirido pela Empresa Marítima do Norte., Lda., Porto, na qual a Companhia Colonial de Navegação, Lisboa, possuía interesses, tendo sido colocado na linha do norte da Europa. Aqui no Douro/Leixões, o PÁDUA era mais identificado de "Corcunda", por ter o casario à ré. A cor da chaminé era preta com uma larga lista verde.
A 27/10/1943, o vapor PÁDUA navegava em pleno Mediterrâneo, na sua 19ª viagem com destino a Marselha, fazendo a aproximação àquele porto, quando a 22 milhas, sem que nada o previsse, subitamente foi sentida uma enorme explosão à popa, que se supôs ter sido devida ao choque com alguma mina à deriva, dando origem ao seu afundamento.
De uma equipagem de 21 homens, seis homens pereceram no naufrágio, tendo os 17 sobreviventes sido salvos nas duas baleeiras do próprio vapor, os quais remaram na direcção do porto de Marselha, e mais tarde foram auxiliados pelo barco de pesca Francês LES QUATRE FRÉRES, cujo mestre os fez chegar ao pequeno porto pesqueiro de Sausset-les-Pins da “Cote d’Azur”, onde a população lhes prodigalizou toda a assistência. Os tripulantes foram depois conduzidos a Marselha, que distava 36km daquele centro piscatório, onde algum tempo mais tarde embarcaram no vapor Português LOBITO da Companhia Colonial de Navegação, que os trouxe para Lisboa.
Aquele vapor encontrava-se ao serviço da Cruz Vermelha Internacional no transporte de socorros, encomendas e correspondência para as vitimas e prisioneiros de guerra, juntamente com os vapores Portugueses AMBRIZ, COSTEIRO, TAGUS e ZÉ MANÉL. O primeiro realizara em Setembro de 1942, sem ter sofrido qualquer percalço, a sua 100ª viagem através do Mediterrâneo ao serviço daquela benemérita associação.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Crónica dos Navios da Marinha Portuguesa, (Anais do Club militar Naval), Cdt. Carlos Amorim; Lloyd´s Register of Shipping.
(continua)
Rui Amaro
ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on this Blog, which will be very much appreciated.

LINGUA E ORTOGRAFIA PÁTRIA PORTUGUESA



 Este blogue vai continuar a ser redigido de acordo com a ortografia da língua pátria Portuguesa, que foi aquela que me foi ensinada por meus pais, meus mestres-escola e professores, e que é aquela que se fala e escreve em Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Timor-Leste, e também por muitos naturais de Goa, Damão, Diu e Macau e ainda por muitos núcleos de Portugueses espalhados por esse mundo fora, incluindo muitos emigrantes em terras de Vera Cruz.
Continuarei a escrever fato em vez de terno e paletó; facto em vez de fato; paquete ou rapaz de escritório em vez de office-boy; Pai Natal em vez de Papa Noel; intelectual em vez de inteletual; baptismo em vez de batismo; Polaco em vez de Polonês; espingarda em vez de fuzil; fábrica em vez de usina; contentores em vez de conteiners; rapariga, o feminino de rapaz, palavra natural Portuguesa, que não tem absolutamente nada de ofensiva ou escandalosa, etc.

Acordo Ortográfico ... em «direito comparado»
Vejam alguns exemplos:
Em Latim
Em Francês
Em Espanhol
Em Inglês
Até em Alemão, reparem:
Velho Português (o que desleixámos)
O novo Português (o importado do Brasil)
Actor
Acteur
Actor
Actor
Akteur
Actor
Ator
Factor
Facteur
Factor
Factor
Faktor
Factor
Fator

Tact
Tacto
Tact
Takt
Tacto
Tato
Reactor
Réacteur
Reactor
Reactor
Reaktor
Reactor
Reator
Sector
Secteur
Sector
Sector
Sektor
Sector
Setor
Protector
Protecteur
Protector
Protector
Protektor
Protector
Protetor
Selection
Seléction
Seleccion
Selection

Selecção
Seleção

Exacte
Exacta
Exact

Exacto
Exato



Except

Excepto
Exceto
Baptismus
Baptême

Baptism

Baptismo
Batismo

Exception
Excepción
Exception

Excepção
Exceção



Optimum

Óptimo
Ótimo














Rui Amaro

segunda-feira, 14 de março de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 161

O ENCALHE E PERDA DO PAQUETE BRASILEIRO "RUY BARBOSA" A NORTE DO PORTO DE LEIXÕES


RUY BARBOSA / autor desconhecido - Colecção F. Cabral, Porto /.


A 30/07/1934, pelas 17h00, navegava de rumo ao porto de Leixões, com mar estanhado, o paquete Brasileiro RUY BARBOSA, o qual inesperadamente ficou envolvido por forte cerração, que embora persistisse por pouco tempo não deixava distinguir absolutamente nada, se bem que tenha sido o suficiente para causar o desvio da sua rota, originando o encalhe sobre umas rochas denominadas de Grifas, situadas um pouco a norte da praia da Arenosa e a sueste da Ínsua Velha, junto da localidade de Pampelido, freguesia de Mindelo, 7 mn a norte do porto de Leixões. Metade do casco até à proa ficou assente em fundo de areia e o restante do casco ficou preso nos referidos escolhos.
Verificado o encalhe, a sirene de bordo começou a silvar, estrondosamente pedindo auxílio imediato. Esses silvos foram escutados por dois habitantes locais, Ofélio e Victor Martins, que se encontravam na praia e correram a alertar as autoridades marítimas e ainda por dois pescadores, que nos seus respectivos botes, que por perto se dedicavam à faina da pesca, sendo um da barra de Vila do Conde e outro da praia de Pampelido. À força de remos aproximaram-se do paquete, procurando saber do que se passava e a pedido do comandante subiu a bordo o António Francisco Ribeiro de 22 anos de idade, natural da dita praia, diante da qual o RUY BARBOSA se detivera encalhado, a quem o comandante dissera não se encontrar em perigo iminente, pois todos os passageiros e tripulantes a bordo encontravam-se bem, além de não haver indícios de água aberta no paquete, o que justificava não ter sofrido qualquer rombo e que ficaria a aguardar a chegada de rebocadores, a fim de tentar safar o seu vapor. A altura entre o cabeço da rocha, na qual o paquete assentava e o fundo do mar, era de quatro braças.
Após o encalhe o paquete ficou posicionado, conforme navegava para sul, de proa ao porto de Leixões, afastado cerca de duzentos metros da praia, não sendo na ocasião muito critica a sua situação, visto se encontrar bastante nivelado, salvo na altura da vazante, se notar o adornamento a um dos bordos.
Logo que o sinistro foi conhecido pelas autoridades marítimas, de imediato saíram do porto de Leixões rumo ao paquete sinistrado, os rebocadores TRITÃO, LUSITANIA, NEIVA, AQUILA e o MARS 2º, este levando a bordo o sota-piloto-mor António Joaquim de Matos e o gerente da sucursal do Lloyd Brasileiro na cidade do Porto, Elias Pinto. Além daqueles rebocadores, saíram também a lancha dos pilotos P1 e o salva-vidas motor CARVALHO ARAÚJO, e ainda compareceu o salva-vidas da praia de Angeiras, a fim de prestarem o socorro e auxilio, que fossem necessários. Ao mesmo tempo compareciam por terra as corporações de bombeiros de Matosinhos e Leça, Leixões, Portuenses, Porto e de S. Mamede de Infesta transportando o seu material de socorros a náufragos.


 O RUY BARBOSA encalhado junto da localidade de Pampelido / Imprensa diária /.


O RUY BARBOSA, que pertencia ao armador Lloyd Brasileiro, Rio de Janeiro, procedia dos portos de Hamburgo e Anvers, onde embarcara carga diversa e cerca de 100 passageiros, na sua maioria judeus, fugidos à perseguição do governo nazi da Alemanha, que seguiam para o Brasil, a fim de refazerem a sua vida. A sua lotação estava capacitada para cerca de 650 pessoas, das quais faziam parte 115 tripulantes. Todos os passageiros e tripulantes, felizmente foram salvos sem atropelos, porquanto o mar se achava calmo. Tempos mais tarde os salvadegos Português CABO RASO, Dinamarquês GEIER e o Alemão SEEFALKE compareceram na zona do sinistro, a fim de tentarem o desencalhe, contudo desistiram e regressarem aos seus portos por considerarem inviável o salvamento do paquete, que alguns dias mais tarde acabou por alquebrar e foi considerado perda total, tendo sido desfeito pela acção demolidora do mar. Hoje, segundo relato de amadores de mergulho, pode-se encontrar algumas chapas, as caldeiras, uma amarra e o respectivo ferro, a uma profundidade que varia entre os 5 e os 12 metros.


Postal ilustrado de Matosinhos, mostrando o RUY BARBOSA a demandar o porto de Leixões, entre molhes.


RUY BARBOSA – 154m/ 9.791tb/ 12,5nós; 29/04/1913 lançado à água pelo estaleiro Bremer Vulkan, Vegesack com o nome de BAHIA LAURA e a 21/06/1913 entregue ao armador Hamburg Sudamerikanische Dampfs. Ges. KG., Hamburgo; 11/07/1913 largou para a sua viagem inaugural à América do Sul; 08/1914 refugiou-se no porto Brasileiro de Pernambuco, devido à situação de guerra; 01/06/1917 foi confiscado pelo governo do Brasil, tendo sido rebaptizado de CAXIAS e a sua gestão foi entregue ao armador Lloyd Brasileiro. No ano de 1923 foi-lhe dado o novo nome de RUY BARBOSA e em 1927 foi adquirido por aquele armador Brasileiro, que o empregou no tráfego de carga e passageiros Hamburgo/Brasil/Rio da Prata via os portos de Leixões e Lisboa. Gémeos: BAHIA CASTILLO, BAHIA BLANCA.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Imprensa diária; Lloyd's Register of Shipping,
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on this Blog, which will be very much appreciated.