sexta-feira, 18 de março de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 163

A ESCALA DO PAQUETE ITALIANO "URANIA" EM LEIXÕES


HUNGARIA / colecção Cantieri Riuniti dell'Adriatico /


A 08/12/1934, pelas 19h40, escalou o porto de Leixões pela primeira vez, fundeando a dois ferros ao sul, o paquete Italiano URANIA ao serviço da Cosulich Line, Trieste, agenciado na cidade do Porto pela firma Kendall, Pinto Basto & Cia., Lda., o qual estava a realizar a inauguração em regime experimental da nova linha de navegação, entre o porto de Trieste e os portos do norte do Brasil, mais propriamente do Amazonas, com escala pelos portos de Lisboa e Leixões. Após a entrada foi dada a bordo uma recepção às entidades oficiais, mercantis e à imprensa local. A entrada daquela unidade da Marinha Mercante Italiana, que veio a Leixões para receber emigrantes, foi orientada pelo piloto Júlio Pinto de Almeida e a saída a 9, pelas 14h00, foi dirigida pelo piloto Francisco Luis Gonçalves.


URANIA – 125,33m/ 7.077tb/ 14nós/ 399 passageiros; 2 chaminés sendo mais tarde retirada a segunda, que era cosmética; 15/03/1915 entregue por San Rocco Cantieri SA., San Rocco, Trieste, como HUNGARIA ao Lloyd Austriaco, Trieste, Império Austro Hungaro; 1923 GENOVA, Lloyd Sabaudo, Trieste; 1924     GENOVA, recebe uma nova máquina de combustão a óleos; 1930 GENOVA, transporte militar; 1933 URANIA, Lloyd Triestino, Trieste; 1934 URANIA, fretado à COSULICH LINE, Trieste; 1940 imobilisado em Massawa, Eritreia; 10/04/1941 sabotado e afundado perto de Dahlac Islands, Mar Vermelho; Actualmente é motivo de exploração de mergulhadores desportivos. Gémeo INNSBRUCK.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, Cantieri Riuniti dell'Adriatico, Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
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terça-feira, 15 de março de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 162

O VAPOR PORTUGUÊS "SANTO ANTÓNIO" / "PÁDUA" CRUZA A BARRA DO DOURO PELA PRIMEIRA VEZ.


O vapor PÁDUA atracado no porto de Lisboa, no inicio do conflito, exibindo as marcas da sua neutralidade /foto de autor desconhecido - col. F. Cabral, Porto/.

 A 06/11/1934, pelas 10h00, procedente do porto de Cardiff com um carregamento completo de carvão, demandou a barra do Douro o vapor Português SANTO ANTÓNIO, ex Inglês TEECO, vapor este que escalava o rio Douro com regularidade, e foi adquirido para operar na carreira do norte da Europa.
A 17 do mesmo mês saiu a barra ostentando o novo nome de PÁDUA, rumando aos portos de Hamburgo e Anvers. De entrada foi conduzido pelo piloto João Pinto de Carvalho e de saída pelo piloto Francisco Luís Gonçalves.
SANTO ANTÓNIO/PÁDUA – 56,23m/ 664,96tb, 9,5nós, possuía um só mastro, cujos paus de carga serviam dois porões, tinha as superstruturas situadas à ré e fora entregue em 08/1925 pelo estaleiro Norddeutsche Union Werke A.G., Tonning, Alemanha, ao armador Sir Walter Steamship Co., Ltd. (Turner, Edwards & Co., Ltd. - gestores), Bristol, que o baptizou com o nome de TEECO e era um frequentador assíduo dos principais portos Portugueses. Em 11/1934 foi adquirido pela Empresa Marítima do Norte., Lda., Porto, na qual a Companhia Colonial de Navegação, Lisboa, possuía interesses, tendo sido colocado na linha do norte da Europa. Aqui no Douro/Leixões, o PÁDUA era mais identificado de "Corcunda", por ter o casario à ré. A cor da chaminé era preta com uma larga lista verde.
A 27/10/1943, o vapor PÁDUA navegava em pleno Mediterrâneo, na sua 19ª viagem com destino a Marselha, fazendo a aproximação àquele porto, quando a 22 milhas, sem que nada o previsse, subitamente foi sentida uma enorme explosão à popa, que se supôs ter sido devida ao choque com alguma mina à deriva, dando origem ao seu afundamento.
De uma equipagem de 21 homens, seis homens pereceram no naufrágio, tendo os 17 sobreviventes sido salvos nas duas baleeiras do próprio vapor, os quais remaram na direcção do porto de Marselha, e mais tarde foram auxiliados pelo barco de pesca Francês LES QUATRE FRÉRES, cujo mestre os fez chegar ao pequeno porto pesqueiro de Sausset-les-Pins da “Cote d’Azur”, onde a população lhes prodigalizou toda a assistência. Os tripulantes foram depois conduzidos a Marselha, que distava 36km daquele centro piscatório, onde algum tempo mais tarde embarcaram no vapor Português LOBITO da Companhia Colonial de Navegação, que os trouxe para Lisboa.
Aquele vapor encontrava-se ao serviço da Cruz Vermelha Internacional no transporte de socorros, encomendas e correspondência para as vitimas e prisioneiros de guerra, juntamente com os vapores Portugueses AMBRIZ, COSTEIRO, TAGUS e ZÉ MANÉL. O primeiro realizara em Setembro de 1942, sem ter sofrido qualquer percalço, a sua 100ª viagem através do Mediterrâneo ao serviço daquela benemérita associação.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Crónica dos Navios da Marinha Portuguesa, (Anais do Club militar Naval), Cdt. Carlos Amorim; Lloyd´s Register of Shipping.
(continua)
Rui Amaro
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LINGUA E ORTOGRAFIA PÁTRIA PORTUGUESA



 Este blogue vai continuar a ser redigido de acordo com a ortografia da língua pátria Portuguesa, que foi aquela que me foi ensinada por meus pais, meus mestres-escola e professores, e que é aquela que se fala e escreve em Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Timor-Leste, e também por muitos naturais de Goa, Damão, Diu e Macau e ainda por muitos núcleos de Portugueses espalhados por esse mundo fora, incluindo muitos emigrantes em terras de Vera Cruz.
Continuarei a escrever fato em vez de terno e paletó; facto em vez de fato; paquete ou rapaz de escritório em vez de office-boy; Pai Natal em vez de Papa Noel; intelectual em vez de inteletual; baptismo em vez de batismo; Polaco em vez de Polonês; espingarda em vez de fuzil; fábrica em vez de usina; contentores em vez de conteiners; rapariga, o feminino de rapaz, palavra natural Portuguesa, que não tem absolutamente nada de ofensiva ou escandalosa, etc.

Acordo Ortográfico ... em «direito comparado»
Vejam alguns exemplos:
Em Latim
Em Francês
Em Espanhol
Em Inglês
Até em Alemão, reparem:
Velho Português (o que desleixámos)
O novo Português (o importado do Brasil)
Actor
Acteur
Actor
Actor
Akteur
Actor
Ator
Factor
Facteur
Factor
Factor
Faktor
Factor
Fator

Tact
Tacto
Tact
Takt
Tacto
Tato
Reactor
Réacteur
Reactor
Reactor
Reaktor
Reactor
Reator
Sector
Secteur
Sector
Sector
Sektor
Sector
Setor
Protector
Protecteur
Protector
Protector
Protektor
Protector
Protetor
Selection
Seléction
Seleccion
Selection

Selecção
Seleção

Exacte
Exacta
Exact

Exacto
Exato



Except

Excepto
Exceto
Baptismus
Baptême

Baptism

Baptismo
Batismo

Exception
Excepción
Exception

Excepção
Exceção



Optimum

Óptimo
Ótimo














Rui Amaro

segunda-feira, 14 de março de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 161

O ENCALHE E PERDA DO PAQUETE BRASILEIRO "RUY BARBOSA" A NORTE DO PORTO DE LEIXÕES


RUY BARBOSA / autor desconhecido - Colecção F. Cabral, Porto /.


A 30/07/1934, pelas 17h00, navegava de rumo ao porto de Leixões, com mar estanhado, o paquete Brasileiro RUY BARBOSA, o qual inesperadamente ficou envolvido por forte cerração, que embora persistisse por pouco tempo não deixava distinguir absolutamente nada, se bem que tenha sido o suficiente para causar o desvio da sua rota, originando o encalhe sobre umas rochas denominadas de Grifas, situadas um pouco a norte da praia da Arenosa e a sueste da Ínsua Velha, junto da localidade de Pampelido, freguesia de Mindelo, 7 mn a norte do porto de Leixões. Metade do casco até à proa ficou assente em fundo de areia e o restante do casco ficou preso nos referidos escolhos.
Verificado o encalhe, a sirene de bordo começou a silvar, estrondosamente pedindo auxílio imediato. Esses silvos foram escutados por dois habitantes locais, Ofélio e Victor Martins, que se encontravam na praia e correram a alertar as autoridades marítimas e ainda por dois pescadores, que nos seus respectivos botes, que por perto se dedicavam à faina da pesca, sendo um da barra de Vila do Conde e outro da praia de Pampelido. À força de remos aproximaram-se do paquete, procurando saber do que se passava e a pedido do comandante subiu a bordo o António Francisco Ribeiro de 22 anos de idade, natural da dita praia, diante da qual o RUY BARBOSA se detivera encalhado, a quem o comandante dissera não se encontrar em perigo iminente, pois todos os passageiros e tripulantes a bordo encontravam-se bem, além de não haver indícios de água aberta no paquete, o que justificava não ter sofrido qualquer rombo e que ficaria a aguardar a chegada de rebocadores, a fim de tentar safar o seu vapor. A altura entre o cabeço da rocha, na qual o paquete assentava e o fundo do mar, era de quatro braças.
Após o encalhe o paquete ficou posicionado, conforme navegava para sul, de proa ao porto de Leixões, afastado cerca de duzentos metros da praia, não sendo na ocasião muito critica a sua situação, visto se encontrar bastante nivelado, salvo na altura da vazante, se notar o adornamento a um dos bordos.
Logo que o sinistro foi conhecido pelas autoridades marítimas, de imediato saíram do porto de Leixões rumo ao paquete sinistrado, os rebocadores TRITÃO, LUSITANIA, NEIVA, AQUILA e o MARS 2º, este levando a bordo o sota-piloto-mor António Joaquim de Matos e o gerente da sucursal do Lloyd Brasileiro na cidade do Porto, Elias Pinto. Além daqueles rebocadores, saíram também a lancha dos pilotos P1 e o salva-vidas motor CARVALHO ARAÚJO, e ainda compareceu o salva-vidas da praia de Angeiras, a fim de prestarem o socorro e auxilio, que fossem necessários. Ao mesmo tempo compareciam por terra as corporações de bombeiros de Matosinhos e Leça, Leixões, Portuenses, Porto e de S. Mamede de Infesta transportando o seu material de socorros a náufragos.


 O RUY BARBOSA encalhado junto da localidade de Pampelido / Imprensa diária /.


O RUY BARBOSA, que pertencia ao armador Lloyd Brasileiro, Rio de Janeiro, procedia dos portos de Hamburgo e Anvers, onde embarcara carga diversa e cerca de 100 passageiros, na sua maioria judeus, fugidos à perseguição do governo nazi da Alemanha, que seguiam para o Brasil, a fim de refazerem a sua vida. A sua lotação estava capacitada para cerca de 650 pessoas, das quais faziam parte 115 tripulantes. Todos os passageiros e tripulantes, felizmente foram salvos sem atropelos, porquanto o mar se achava calmo. Tempos mais tarde os salvadegos Português CABO RASO, Dinamarquês GEIER e o Alemão SEEFALKE compareceram na zona do sinistro, a fim de tentarem o desencalhe, contudo desistiram e regressarem aos seus portos por considerarem inviável o salvamento do paquete, que alguns dias mais tarde acabou por alquebrar e foi considerado perda total, tendo sido desfeito pela acção demolidora do mar. Hoje, segundo relato de amadores de mergulho, pode-se encontrar algumas chapas, as caldeiras, uma amarra e o respectivo ferro, a uma profundidade que varia entre os 5 e os 12 metros.


Postal ilustrado de Matosinhos, mostrando o RUY BARBOSA a demandar o porto de Leixões, entre molhes.


RUY BARBOSA – 154m/ 9.791tb/ 12,5nós; 29/04/1913 lançado à água pelo estaleiro Bremer Vulkan, Vegesack com o nome de BAHIA LAURA e a 21/06/1913 entregue ao armador Hamburg Sudamerikanische Dampfs. Ges. KG., Hamburgo; 11/07/1913 largou para a sua viagem inaugural à América do Sul; 08/1914 refugiou-se no porto Brasileiro de Pernambuco, devido à situação de guerra; 01/06/1917 foi confiscado pelo governo do Brasil, tendo sido rebaptizado de CAXIAS e a sua gestão foi entregue ao armador Lloyd Brasileiro. No ano de 1923 foi-lhe dado o novo nome de RUY BARBOSA e em 1927 foi adquirido por aquele armador Brasileiro, que o empregou no tráfego de carga e passageiros Hamburgo/Brasil/Rio da Prata via os portos de Leixões e Lisboa. Gémeos: BAHIA CASTILLO, BAHIA BLANCA.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Imprensa diária; Lloyd's Register of Shipping,
(continua)
Rui Amaro

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quarta-feira, 9 de março de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 160

O VAPOR PORTUGUÊS "IBO" SOFRE ACIDENTE A LARGADA DO PORTO DE LEIXÕES


A 18/07/1934, pelas 18h00, quando o vapor Português IBO, piloto Francisco Soares de Melo, manobrava para desatracar do cais acostável do Molhe Sul do porto de Leixões e rumar à barra do Douro, ao suspender o ferro de estibordo, quebrou-se a respectiva amarra, tendo sido impelido pelo vento, que soprava do quadrante norte, indo abalroar com a popa do vapor Belga RIP, que ali estava atracado. Do acidente resultaram algumas amolgadelas no costado e na popa do RIP. O rebocador NEIVA, que estava por perto, pegou à proa do IBO e retirando-o da crítica situação, levou-o até dar fundo ao norte da bacia, onde foi tentar emanilhar o ferro de substituição, a fim de se fazer ao rio Douro,
IBO – 65m/853tb, lançado em 11/1907 por Sir Raylton Dixon & Co. Ltd., Middlesborough, para a Empreza Nacional de Navegação, Lisboa, desde 1918 Companhia Nacional de Navegação Sarl, para o seu serviço de carga e passageiros da costa de Moçambique. Regressado a Lisboa em 1922 foi colocado no tráfego costeiro nacional; 1940 ALPHA, Empresa Luso-Marroquina, Lda., Lisboa; 15/07/1940 em viagem Lisboa/Liverpool com um carregamento de bananas, foi atacado com bombas e balas de metralhadora por oito aviões Germânicos, perto de Brest, apesar dos seus evidentes sinais de navio neutro, acabando por se afundar. A sua tripulação foi recolhida por uma embarcação de pesca Francesa e só regressou a Portugal, passado bastante tempo, devido à situação de guerra. Navio-gémeo: AMBRIZ.
RIP – 74m/ 1.195tb/ 8,5nós; 08/1903 entregue por S. P. Austin & Son, Wear Dick, as ST. AGNUS a Stephenson Clarke & Co., Londres; 1925 RIP, Marcel Goossens, Anvers; 1936 Arrived Newport for breaking up by John Cashmore, Ltd.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior; Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 159

BARCO FANEQUEIRO DO CENTRO PISCATÓRIO DA AFURADA EM DIFICULDADES AO LARGO DA POVOAÇÃO DE LAVADORES


A 13/07/1934, pelas 14h00, quando um barco da Afurada, utilizado na pesca da faneca, tripulado por quatro homens e após ter fainado ao largo da costa de Espinho, velejando à bolina regressava à barra do Douro, a sul da povoação de Lavadores ficou com o mastro da vela partido e não podendo aproximar-se de terra devido à forte nortada, motivo porque pediu auxilio, através de pendão ao alto.
Em face da situação, a lancha dos pilotos P4 conduzida pelo cabo-piloto Alexandre Cardoso Meireles e tendo a bordo os tripulantes João Piedade, Manuel Pinto Saramago e o motorista António Boteirinho, saiu em socorro do barco sinistrado, tendo-o rebocado para a Afurada a salvamento.
Pendão ao alto: uma peça de pano, normalmente vestuário, colocado no topo de um mastro, vara ou remo ao alto, chamando a atenção para dificuldades que surgiram na embarcação e necessitando de socorro urgente.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior
(continua)
Rui Amaro

domingo, 6 de março de 2011

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 158

O VAPOR FRANCÊS "PENERF" ENCALHA NO RIO DOURO


La Nantaise


A 03/07/1934, pelas 19h30, o vapor Francês PENERF, piloto José Fernandes Tato, vindo rio abaixo sob nevoeiro cerrado, ao chegar diante da penedia das Lobeiras de Sobreiras, guinou a estibordo indo encalhar por leste do seco do Casco, e como manobrando de máquina à ré não conseguisse safar-se, começou a silvar pedindo auxilio. De imediato, largou da Cantareira algum material flutuante dos pilotos com ancorotes, a fim de espiar cabos de arame, que não chegou a ser utilizado. Passado algum tempo o vapor sinistrado acabou por desencalhar pelos seus próprios meios, passando a barra sem mais novidade, seguindo rumo aos portos de Nantes e Bordéus.
PENERF – 90m/ 2.151tb/ 10nós; 08/1930 entregue pelo estaleiro Napier & Miller Co., Ltd., Clydebank, à Compagnie Nantaise de Navigation à Vapeur, (La Nantaise). Nantes, tendo sido fretaado pela Compagnie Gènèrale Transantlantique, Paris, para o tráfego França Atlântica com o Norte de Àfrica; 1937 PENERF, Compagnie Générale Transantlantique, Paris; 1939 PENERF, Compagnie Générale d' Armements Maritimes, Paris; 14/04/1943 PENERF, torpedeado e afundado pelo submarino Inglês HMS ULTON (P53), Lt C. E. Hunt (DSC, RN), ao largo do cabo de Antibes, costa Francesa do Mediterraneo, quando em viagem de Nice para Port Vendres, sob controlo da França ocupada, governo de Vichy, tendo desaparecido 20 tripulantes de um lotamento de 31, e ainda 3 guardas italianos de uma guarnição de 7.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Lloyd's Register of Shipping; Transat.
(continua)
Rui Amaro


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