quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 126

O VAPOR INGLÊS "CARTERSIDE" DESEMBARCA NO RIO DOURO OS NÁUFRAGOS DO LUGRE VIANENSE "NOSSA SENHORA DA LAPA"


A 06/10/1933, pelas 17h00, entrou a barra do Douro o vapor Inglês CARTERSIDE, piloto Mário Francisco da Madalena, que navegando ao largo da costa do Algarve recolheu sete homens, que compunham a tripulação do lugre Português NOSSA SENHORA DA LAPA, da praça de Viana do Castelo, que se afundara por alturas de Faro devido a incêndio, que devorou o lugre carregado de pranchas e toros de pinho no porão e parte no convés, quando navegando à vela rumava aos portos de Almeria e Dénia, na costa do sul de Espanha.

O CARTERSIDE que procedia do porto de Cadiz e destinava-se ao porto de Londres, encontrava-se ao serviço da Anglo Portuguese Line, representada na cidade do Porto pela firma J. T. Pinto de Vasconcelos & Cia Lda., foi amarrar no lugar das Escadas da Alfândega, onde foram desembarcados os náufragos, que eram capitaneados pelo Comandante Fernando Oliveira da Velha e pelo seu piloto Manuel Gordinho, ambos de Ílhavo.

NOSSA SENHORA DA LAPA - Data-Base não encontrada.

CARTERSIDE – 64m/ 824tb/ 10 nós/ máquina à ré/ duplo fundo; 04/1917 entregue por Bartram & Sons, Ltd., Sunderland, como ENNISTOWN a Harrison Sons & Co.; Cardiff; 1922 SUNNYCROFT, Triumph Steamship Co., UK; 1923 CARTERSIDE, Side Shipping Co. Ltd., gestores Comnnel & Grace, Newcastle; 1936 YEWKYLE, j. Stewart & Co., Glasgow; 19/01/1945 afundado devido a colisão com o vapor Inglês SYLVIA BEALE, 69m/1.848tb, em rota do Blyth para Portslmouth, ao largo da costa de Suffolk.

Existe imagem do ENNISTOWN na página do estaleiro Bartram & Sons, Ltd. ©

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Bartram & Sons, Ltd.

(continua)

Rui Amaro

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 125

O PAQUETE CORREIO INGLÊS “HIGHLAND PATRIOT” EM LEIXÕES



HIGHLAND PATRIOT / postal da Royal Mail Lines /


A 06/10/1933, pelas 17h00, demandou o porto de Leixões, pela primeira vez, fundeando ao sul a dois ferros, o paquete Inglês HIGHLAND PATRIOT da Royal Mail Lines, Ltd. (Mala Real Inglesa), 166m /14.157tb/ 16 nós, em viagem dos portos de Londres, Cherbourg e Vigo para os portos de Pernambuco, Rio de Janeiro, Santos, Montevideu e Buenos Aires com escala pelos portos de Lisboa e Las Palmas. Aquele paquete correio, que escalou o porto de Leixões para desembarque e embarque de passageiros, foi pilotado de entrada pelo piloto Manuel Pinto da Costa e saiu passadas quatro horas, dirigido pelo piloto Carlos de Sousa Lopes. O seu agente na cidade do Porto era a firma Tait & Co. Ltd.

O HIGHLAND PATRIOT era de características idênticas aos seus gémeos HIGHLAND BRIGADE, HIGHLAND CHIEFTAIN, HIGHLAND HOPE, HIGHLAND MONARCH e HIGHLAND PRINCESS, tendo sido lançado à água a 10/12/1931 e entregue a 14/05/1932 pelo estaleiro Harland & Wolff, Belfast, para Nelson Line, a fim de substituir o HIGHLAND HOPE, que em 19/11/1930 se perdeu por encalhe nos Farilhões, Ilhas Berlengas, com a perda de uma vida. Em 1932, juntamente com os seus gémeos, foi transferido para a Royal Mail Lines, Ltd.


HIGHLAND HOPE encalhado nos Farilhões - Ilhas Berlengas / colecção F. Cabral - Porto /


A 29/12/1939, navegando sem escolta, o HIGHLAND PATRIOT foi atacado por engano pelo submarino Francês FRESNEL ao largo das Ilhas Canárias, que julgava ter um navio de pavilhão Germanico no alvo, felismente não resultou danos físicos nem materiais.

Logo após o início da guerra foi requisitado pelo Ministério da Guerra e Transportes (M.O.W.T) e a 01/10/1940 era torpedeado e afundado pelo submarino Alemão U-38, Kptl. Heinrich Liebe, quando a 500 milhas para oeste de Bishops Rock, sem escolta, se dirigia ao Clyde. Das 171 vidas a bordo, 3 foram consideradas desaparecidas. Os sobreviventes foram recolhidos pelo HMS WELLINGTON (L65), Cdr.R.E. Hyde Smith, RN, sendo desembarcados em Greenock.

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; U-Boat Net, Royal Mail Lines.

(continua)

Rui Amaro

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 124

O “NRP VOUGA” NOVAMENTE NO RIO DOURO

A 21/09/1933, pelas 10h00, entrou no porto de Leixões o NRP “VOUGA”, contratorpedeiro, vindo do rio Douro e fundeando ao norte a dois ferros. O cabo-piloto António da Silva Pereira foi o prático responsável pela condução daquele vaso de guerra em ambos os portos.
Fonte: José Fernandes Amaro Junior

(continua)

Rui Amaro

domingo, 5 de dezembro de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 123

O PETROLEIRO “BRITISH HOPE” DESEMBARCOU EM LEIXÕES A TRIPULAÇÃO DO VAPOR “MAGYAR” QUE HAVIA NAUFRAGADO AO LARGO DE AVEIRO


BRITISH HOPE


A 18/09/1933, pelas 18h00, arribou ao porto de Leixões, tendo ancorado a meio da bacia a dois ferros o petroleiro Inglês BRITISH HOPE, piloto José Fernandes Amaro Júnior, a fim de desembarcar a tripulação do vapor Húngaro MAGYAR, que se afundara ao largo da costa de Aveiro, Aquele petroleiro, que procedia do Golfo Pérsico, deixou o porto de Leixões às 21h30, piloto Manuel Pinto da Costa, de rumo ao porto de Londres.

BRITISH HOPE – 140m/ 6.951tb/ 10 nós/ 03/1928 entregue por Caledobn Shipbuilding & Engineering Co., Ltd., Dundee, à British Tanker Oil Co., Ltd., Glasgow; 11/10/ 1957 arrived Milford Haven for breaking up.

MAGYAR – 101m/ 2.808tb/ 10 nós; 12/1907 entregue por Stephenson, Hebburn-on-Tyne, como STELLA A Navigazione Libera Triestina SA, Trieste; 1915 INGUL, Russia Navy; 1918 STELLA; 1930 MAGYAR, Pannonia Hungarian; Budapeste; 17/09/1933 colidiu com o petroleiro BRITISH HOPE e acabou por se afundar.

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Miramar Ship Index

Imagem: Photoship Co., Uk – autor desconhecido.

(continua)

Rui Amaro

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 122

O PAQUETE “ROMEU”ARRIBOU A LEIXÕES PARA DESEMBARCAR OS SOBREVIVENTES DO VAPOR “ECHANO” QUE O ABALROARA E SE AFUNDOU


http://www.andimar.spanishspotters.com/ver_foto.php?fid=5906


A 10/09/1933, pelas 02h30, navegava a 35 milhas a sudoeste do porto de Leixões, o paquete Espanhol ROMEU da praça de Valência e propriedade da Cia. Transmediterranea, que de Vigo rumava ao porto de Cadiz, sendo a sua tripulação composta de 40 homens capitaneados pelo Cmte Juan Arriatiaga e transportava além de carga diversa, também 70 passageiros. Em sentido contrário navegava o vapor Espanhol ECHANO da praça de Bilbau, procedente do porto Mediterrânico de San Pedro del Pinatar e rumava ao porto de Vigo com um carregamento de sal. Faziam parte da sua tripulação 19 homens, além do seu capitão, Cmte. Fernando Alarsa e um cão mascote de bordo.

Naquela fatídica madrugada, o nevoeiro era muito cerrado, apesar da ondulação conservar-se bastante calma, pelo que ambas as embarcações não se cansavam de assinalar a sua marcha, através de toques da sirene de nevoeiro e as suas tripulações muito atentas a qualquer surpresa.

A dado momento, de bordo do ROMEU distingue-se, já demasiado próximo, por entre a bruma as luzes dos faróis de um vapor, que navegava com alguma velocidade, sendo então de bordo daquele paquete renovados com mais insistência os toques de sirene avisadores, os quais nada valeram, pois os dois vapores chocaram-se com grande violência, tendo o paquete colidido pela amura de estibordo do ECHANO e logo de seguida as caldeiras deste explodiram, ao mesmo tempo que as águas o inundavam rapidamente.

Ao dar-se aquela violentíssima colisão, os passageiros e tripulantes do ROMEU acorreram espavoridos ao convés na ânsia de salvamento, pelo que o momento era de pavor e angústia. De bordo do ECHANO já meio submerso e não tendo havido tempo dos seus 19 tripulantes utilizarem os coletes salva-vidas e muito menos arriarem as baleeiras, dada a rapidez com que se afundou, pois não levou mais de quinze minutos, que desaparecesse na imensidão do oceano.

De bordo do ROMEU foram arriadas para o mar as suas baleeiras, que conseguiram recolher seis tripulantes e o cão de bordo, incluindo o capitão, que perdeu dois sobrinhos, os quais passaram a fazer parte dos treze membros da tripulação desaparecidos no naufrágio. Aos sobreviventes foi prodigalizado um acolhimento afectivo por parte da tripulação e passageiros do paquete ROMEU, fornecendo-lhes roupas para se mudarem e alguns receberam tratamento aos ferimentos sofridos.

Entretanto, o oficial radiotelegrafista do ROMEU já havia lançado pedidos de socorro urgente, os quais foram captados pelo transatlântico Inglês LLANDOVERY CASTLE, da companhia Union Castle Line e por outros vapores, entre os quais, o Espanhol CABO SACRATIF, da Ybarra, e o Alemão FULDA, da OPDR, que pressurosos acorreram ao local do sinistro.

O ROMEU, que foi comboiado pelo LLANDOVERY CASTLE até junto da costa, demandou o porto de Leixões, conduzido pelo piloto Alfredo Pereira Franco e fundeou a dois ferros na bacia, junto da praia da Sardinha, tendo saído passados três dias, dirigido pelo piloto Manuel Pinto da Costa, com destino ao porto de Cadiz, após o seu capitão e o seu colega do ECHANO terem ratificado os respectivos “protestos de mar” na capitania do porto de Leixões.

Aquele paquete com capacidade para 120 passageiros repartidos por três classes, fora construído no ano de 1931 pela Soc. Española de Construcción Naval, Cartagena, juntamente com o seu gémeo ESCOLANO para a carreira de Nova Iorque, cabendo a este último a carreira da Argentina. Comprovada a sua incapacidade para ambos os tráfegos, foram os dois paquetes transferidos para a linha costeira nacional, entre o norte e o sul de Espanha.

http://www.trasmeships.es/126.html

http://www.trasmeships.es/159.html

ROMEU – 97,48m/ 3.070tb/ 14nós; 10/1918 entregue pela Soc. Española de Cobnstrución Navals, Cartagena, sob encomenda, ainda da Cia. Valenciana de Vapores Correos de Africa, Valencia, à Cia. Tramediterranea, Barcelona; 1971 ENRIQUE NVD, Gobierno Republica da Guinea Equatorial; 1975 desmantelado para sucata algures em Espanha.

http://www.andimar.spanishspotters.com/ver_foto.php?fid=4789

ECHANO – 72m/ 1.004tb/ 8,5nós; 12/1901 entregue por Schomer & Jenssen, Tonning, como ELISE PODEUS a Hans. Podeus, Wismar; 1911 HERBERT FISCHER, F. W. Fischer, Rostock; 1914 HERBERT FISCHER, detido pelos Britãnicos, The Admiralty, Londres; 1921 HERBERT FISCHER, L. Liano & Cia., Santander; 1922 LUISA, Antonio de Bereincua, Santander; 1925 LUISA, P. M. de Viguera, Santander; 1926 LUISA, V. & S. Castella, Casabalanca, Marroquino; 1927 MOGADOR, V. & S. Castella, Bilbau; 1930 MARI LUCI, L, Echevarrieta, Bilbau; 1931 ECHANO, Cia. Marítima Elanchove, Bilbau; 10/ 09/1933 naufragou por colisão com o paquete ROMEU.

Fonte: José Fernandes Amaro Junior; Miramar Ship Index; Trameships.es – Cia. Tramediterranea; Andimar ES - Barcos de ayer y hoy.

(continua)

Rui Amaro