quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

ÃSUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 119

O PETROLEIRO NORUEGUÊS “SKOTAAS” ARRIBOU AO PORTO DE LEIXÕES


Foto de autor desconhecido - Lillesand Sjomannsforening, Norway


A 17/08/1933, pelas 17h15, arribou ao porto de Leixões, fundeando a um ferro a meio da bacia, o petroleiro Norueguês SKOTAAS, que veio desembarcar o corpo dum jovem tripulante de nome Anderson, 21 anos de idade, natural da cidade de Oslo. O acidente deu-se pelas 14h30, quando aquele marinheiro se ocupava na pintura de um ventilador, perdendo o equilíbrio, precipitou-se no convés, ficando então, gravemente ferido, acabando por falecer passado uma hora. Dado que o porto acessível mais próximo era o de Leixões, o seu comandante emitiu um rádio para o seu agente e rumou àquele porto, para uma rápida escala.

O corpo do desventurado marinheiro foi desembarcado e transportado para o cemitério de Leça da Palmeira, onde foi sepultado no dia seguinte, após as formalidades legais. Compareceram a bordo além das autoridades competentes o cônsul da Noruega, Luis Jervell e o empregado António Júlio da agência consignatária Jervell & Knudsen, Lda.

O SKOTAAS procedia do porto petrolífero de Constanza, Roménia, tendo abandonado o porto pouco depois, rumando ao porto de Hamburgo, transportando um carregamento de gasolina nos seus tanques. O piloto Hermínio Gonçalves dos Reis, orientou as manobras de entrada e saída.

SKOTAAS – 142m/ 8.190tb/ 11 nós; primitivamente encomendado por AB Alse, Malmo, a AB Gotaverken, Gotemburgo, e vendido a A/S Nanset, gestores Iver Bugge, Larvik, que assumiu o contrato. O casco foi lançado à água por Caledon Shipbuilding & Engineering Co., Ltd., Dundee, em 18/11/1930. Rebocado para Gotemburgo para acabamentos finais pelo estaleiro A/B Gotaverken, Gotemburgo, que o entregou a 30/03/1931 ao armador Norueguês; 1956 vendido a NV Schrepvaart Mij “Mineral”, gestores Wm. Muller & Co. NV, Roterdão; 1956 LOUIS LANTZ, Wm. H. Muller & Co. NV, Roterdão que o converteu em graneleiro/mineraleiro pelo estaleiro Howldtswerke, Hamburgo, tonelagem aumentada para 8.293tb; 01/04/1960 docado em Amesterdão para fabricos, contudo verificou-se que os mesmos eram dispendiosos, e tendo em conta a sua antiguidade foi encostado naquele porto; 22/10/1960 chegava a Bruges para demolição.

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Lilllesand Sjomannsforening - Norway .

(continua)

Rui Amaro

domingo, 28 de novembro de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 118


A TRAINEIRA “SÃO JULIÃO” ENCALHOU NA PRAIA DE LEÇA DA PALMEIRA


A 06/08/1933, pelas 08h00, encalhou na praia de banhos de Leça da Palmeira, a traineira SÃO JULIÃO da praça de Matosinhos, devido ao denso nevoeiro, que se fazia sentir na área do porto de Leixões.

Dado o alarme, a lancha dos pilotos P1 saiu em socorro da traineira encalhada, tratando de lhe passar uma espia, tendo sido safa às 09h00 com o auxílio daquela lancha. No local compareceram também as traineiras BOM DESPACHO, SÃO PEDRO do mesmo armador, SANTO ANTÓNIO DO MONTE, SANTA RITA, SÃO DAMIÃO e LUGO, além do salva-vidas PORTO da estação de Leixões e na praia compareceram os Bombeiros Voluntários de Matosinhos e Leça e os de Leixões com o seu material de socorros a náufragos, que não chegou a ser utilizado.

Fonte: José Fernandes Amaro Júnior

(continua)

Rui Amaro

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 117

OS VAPORES “CEUTA” e “RABAT” da OPDR DESCARREGAM EM LEIXÕES CARRIS PARA A COMPANHIA CARRIS DE FERRO DO PORTO



A 22/06/1933, pelas 05h00, entrou no porto de Leixões o vapor Alemão CEUTA, indo atracar de seguida ao cais acostável do molhe Sul, a fim de descarregar carris para a Companhia Carris de Ferro do Porto, que se destinavam à via férrea dos carros eléctricos da cidade do Porto. A entrada e a atracação foram orientadas pelo piloto Alfredo Pereira Franco e a largada foi dirigida pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, que o conduziu ao rio Douro.

A 01/07/1933, pelas 08h00, foi a vez do vapor Alemão RABAT, que também atracou ao cais acostável do molhe Sul pelas mãos do piloto Alfredo Pereira Franco, a fim de descarregar material idêntico ao descarregado do seu gémeo CEUTA e a largada e entrada no rio Douro foi da responsabilidade do piloto Bento da Costa.

Fonte: José Fernandes Amaro Júnior

(continua)

Rui Amaro

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 116

O “LANCASTRIA” DA CUNARD LINE ESCALOU LEIXÕES COM EXCURSIONISTAS



A 06/06/1933, pelas 06h00, demandou o porto de Leixões o paquete Inglês LANCASTRIA, 169m/ 16.243tb/ 2 hélices/ 16,5 nós, transportando 565 excursionistas, que se espalharam pela vilas de Matosinhos, Gaia e cidade do Porto, ficando fundeado a dois ferros a meio da bacia, cuja manobra foi conduzida pelo piloto Manuel Pinto da Costa.

Aquele paquete, pertencente à famosa companhia de navegação The Cunard Steamship Co., Ltd. - Cunard Line, Liverpool, armadora dos actuais transatlânticos QUEEN MARY 2, QUEEN VICTORIA e QUEEN ELISABETH, vinha em 26 pés de calado e fez-se ao mar pelas 19h00, orientado pelo piloto Hermínio Gonçalves dos Reis, rumando aos portos de Villagarcia, La Corunha, Le Havre e Southampton. Os rebocadores “MARS 2º” e “LUSITÂNIA” prestaram-lhe assistência, tanto de entrada como de saída, por ordem dos agentes Garland, Laidley & Co., Ltd., que eram os armadores daquele primeiro rebocador.

O LANCASTRIA foi lançado ao mar a 31/05/1920 pelos estaleiros William Beardmore & Co., Glasgow e entregue a 12/06/1922 somo TYRRHENIA. Em 1924 o nome foi alterado para LANCASTRIA, e chegou a ter o seu casco pintado de cor branca, enquanto utilizado como paquete de cruzeiros.

1934 LANCASTRIA, Cunard White Star Line, Liverpool

Em 1939 o LANCASTRIA foi requisitado pelo Almirantado Britânico, tendo sido adaptado a transporte de tropas. A 17 de Junho de 1940, ao largo das praias de St. Nazaire, foi bombardeado e afundado em vinte minutos pela Força Aérea Alemã, quando se encontrava a embarcar refugiados e tropas evacuadas de França. Das cerca de 5.000 pessoas a bordo, salvaram-se apenas 2.477.

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, Miramar Ship Index, Cunard Line.
Imagem: Cunard Line, Liverpool

(continua)

Rui Amaro

sábado, 27 de novembro de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 115

O RMSP “DESEADO” ESCALA LEIXÕES NO REGRESSO A LONDRES



A 31/05/1933, pelas 17h00, entrou no porto de Leixões o paquete inglês DESEADO, 157m/11,475tb, pertencente à The Royal Mail Steam Packet Company (Royal Mail Lines), mais identificada em Portugal e Brasil como Mala Real Inglesa, cujos navios, usualmente escalavam o porto de Leixões na sua viagem para sul, passaram-no agora fazer também de sul para norte, isto é na vinda dos portos da América do Sul em viagem para Londres.

O DESEADO, que possuía acomodações para 944 passageiros, na sua grande maioria emigrantes, desembarcou 38 passageiros e embarcou 30 destinados a Southampton. O piloto Alfredo Pereira Franco deu entrada e o seu colega Joaquim Matias Alves deu saída pelas 20h00. A firma Tait & Cia., Lda era o seu agente na cidade do Porto. Aquele paquete foi construído em 1911 pelo famoso estaleiro Harland & Wolf, Belfast, sobreviveu à guerra de 1914/18 afecto ao serviço comercial com o Rio da Prata, transportando carne da Argentina devido à sua enorme capacidade frigorífica.

A 19/01/1917, em plena baia da Biscaia, o DESEADO debaixo de muito mau tempo, foi perseguido e atacado à superfície por quatro “u-boots”, os quais foram incapazes de manejar as suas peças devido à forte agitação marítima, tendo aquele paquete conseguido escapar ao seu afundamento, o que certamente seria uma enorme tragédia. Em 24/10/1934 chegava a Osaka para demolição. Gémeos: DEMERARA, DESNA, DARRO, DRINA.

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Lloyd’s Register of Shipping; Royal Mail Lines.

Imagem: postal da Royal Mail Lines - minha colecção

(continua)

Rui Amaro