domingo, 28 de novembro de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 118


A TRAINEIRA “SÃO JULIÃO” ENCALHOU NA PRAIA DE LEÇA DA PALMEIRA


A 06/08/1933, pelas 08h00, encalhou na praia de banhos de Leça da Palmeira, a traineira SÃO JULIÃO da praça de Matosinhos, devido ao denso nevoeiro, que se fazia sentir na área do porto de Leixões.

Dado o alarme, a lancha dos pilotos P1 saiu em socorro da traineira encalhada, tratando de lhe passar uma espia, tendo sido safa às 09h00 com o auxílio daquela lancha. No local compareceram também as traineiras BOM DESPACHO, SÃO PEDRO do mesmo armador, SANTO ANTÓNIO DO MONTE, SANTA RITA, SÃO DAMIÃO e LUGO, além do salva-vidas PORTO da estação de Leixões e na praia compareceram os Bombeiros Voluntários de Matosinhos e Leça e os de Leixões com o seu material de socorros a náufragos, que não chegou a ser utilizado.

Fonte: José Fernandes Amaro Júnior

(continua)

Rui Amaro

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 117

OS VAPORES “CEUTA” e “RABAT” da OPDR DESCARREGAM EM LEIXÕES CARRIS PARA A COMPANHIA CARRIS DE FERRO DO PORTO



A 22/06/1933, pelas 05h00, entrou no porto de Leixões o vapor Alemão CEUTA, indo atracar de seguida ao cais acostável do molhe Sul, a fim de descarregar carris para a Companhia Carris de Ferro do Porto, que se destinavam à via férrea dos carros eléctricos da cidade do Porto. A entrada e a atracação foram orientadas pelo piloto Alfredo Pereira Franco e a largada foi dirigida pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, que o conduziu ao rio Douro.

A 01/07/1933, pelas 08h00, foi a vez do vapor Alemão RABAT, que também atracou ao cais acostável do molhe Sul pelas mãos do piloto Alfredo Pereira Franco, a fim de descarregar material idêntico ao descarregado do seu gémeo CEUTA e a largada e entrada no rio Douro foi da responsabilidade do piloto Bento da Costa.

Fonte: José Fernandes Amaro Júnior

(continua)

Rui Amaro

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 116

O “LANCASTRIA” DA CUNARD LINE ESCALOU LEIXÕES COM EXCURSIONISTAS



A 06/06/1933, pelas 06h00, demandou o porto de Leixões o paquete Inglês LANCASTRIA, 169m/ 16.243tb/ 2 hélices/ 16,5 nós, transportando 565 excursionistas, que se espalharam pela vilas de Matosinhos, Gaia e cidade do Porto, ficando fundeado a dois ferros a meio da bacia, cuja manobra foi conduzida pelo piloto Manuel Pinto da Costa.

Aquele paquete, pertencente à famosa companhia de navegação The Cunard Steamship Co., Ltd. - Cunard Line, Liverpool, armadora dos actuais transatlânticos QUEEN MARY 2, QUEEN VICTORIA e QUEEN ELISABETH, vinha em 26 pés de calado e fez-se ao mar pelas 19h00, orientado pelo piloto Hermínio Gonçalves dos Reis, rumando aos portos de Villagarcia, La Corunha, Le Havre e Southampton. Os rebocadores “MARS 2º” e “LUSITÂNIA” prestaram-lhe assistência, tanto de entrada como de saída, por ordem dos agentes Garland, Laidley & Co., Ltd., que eram os armadores daquele primeiro rebocador.

O LANCASTRIA foi lançado ao mar a 31/05/1920 pelos estaleiros William Beardmore & Co., Glasgow e entregue a 12/06/1922 somo TYRRHENIA. Em 1924 o nome foi alterado para LANCASTRIA, e chegou a ter o seu casco pintado de cor branca, enquanto utilizado como paquete de cruzeiros.

1934 LANCASTRIA, Cunard White Star Line, Liverpool

Em 1939 o LANCASTRIA foi requisitado pelo Almirantado Britânico, tendo sido adaptado a transporte de tropas. A 17 de Junho de 1940, ao largo das praias de St. Nazaire, foi bombardeado e afundado em vinte minutos pela Força Aérea Alemã, quando se encontrava a embarcar refugiados e tropas evacuadas de França. Das cerca de 5.000 pessoas a bordo, salvaram-se apenas 2.477.

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, Miramar Ship Index, Cunard Line.
Imagem: Cunard Line, Liverpool

(continua)

Rui Amaro

sábado, 27 de novembro de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 115

O RMSP “DESEADO” ESCALA LEIXÕES NO REGRESSO A LONDRES



A 31/05/1933, pelas 17h00, entrou no porto de Leixões o paquete inglês DESEADO, 157m/11,475tb, pertencente à The Royal Mail Steam Packet Company (Royal Mail Lines), mais identificada em Portugal e Brasil como Mala Real Inglesa, cujos navios, usualmente escalavam o porto de Leixões na sua viagem para sul, passaram-no agora fazer também de sul para norte, isto é na vinda dos portos da América do Sul em viagem para Londres.

O DESEADO, que possuía acomodações para 944 passageiros, na sua grande maioria emigrantes, desembarcou 38 passageiros e embarcou 30 destinados a Southampton. O piloto Alfredo Pereira Franco deu entrada e o seu colega Joaquim Matias Alves deu saída pelas 20h00. A firma Tait & Cia., Lda era o seu agente na cidade do Porto. Aquele paquete foi construído em 1911 pelo famoso estaleiro Harland & Wolf, Belfast, sobreviveu à guerra de 1914/18 afecto ao serviço comercial com o Rio da Prata, transportando carne da Argentina devido à sua enorme capacidade frigorífica.

A 19/01/1917, em plena baia da Biscaia, o DESEADO debaixo de muito mau tempo, foi perseguido e atacado à superfície por quatro “u-boots”, os quais foram incapazes de manejar as suas peças devido à forte agitação marítima, tendo aquele paquete conseguido escapar ao seu afundamento, o que certamente seria uma enorme tragédia. Em 24/10/1934 chegava a Osaka para demolição. Gémeos: DEMERARA, DESNA, DARRO, DRINA.

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Lloyd’s Register of Shipping; Royal Mail Lines.

Imagem: postal da Royal Mail Lines - minha colecção

(continua)

Rui Amaro

domingo, 21 de novembro de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 114

A BARCA DE RECREIO INGLESA “FANTOME II” VISITOU LEIXÕES



A 25/05/1933, pelas 07h30, entrou pela primeira vez no porto de Leixões o lorde* Inglês FANTOME II, 58m/534tb, que armava em barca de três mastros de motor auxiliar, e que procedia do porto de Lisboa, destinando-se ao porto de Santander em viagem de cruzeiro do seu proprietário, Lord A. E. Guiness. Piloto de entrada Alfredo Pereira Franco coadjuvado pelo seu colega José Fernandes Amaro Júnior e de saída Joaquim Matias Alves e Alfredo Pereira Franco.
A FANTOME II foi construída em 1896 pelos estaleiros Dubigeon, Nantes, sob encomenda do armador francês Denis Crouan et Fils, que a baptizou com o nome de BELEM em homenagem à cidade de Belém do Pará e durante dezoito anos arvorou pavilhão tricolor, estabelecendo o tráfego com a costa leste da América do Sul e Martinica. Em 1914 após servir vários armadores Franceses, foi adquirida pelo Duque de Westminster, passando a ostentar pavilhão Inglês, tendo sido adaptada a navio de recreio de luxo, passando a primeira guerra mundial nos estaleiros de Gosport, tendo sido equipada com dois motores auxiliares e de 1919 a 1921 visitou vários portos do Mediterrâneo em cruzeiros privados.
Em 1921 foi vendida ao Rei da Cerveja, Lord A. E. Guiness, que a rebaptizou de FANTOME II, tendo realizado algumas viagens à volta do mundo, contudo em 1939, devido ao inicio da segunda conflagração mundial, foi desarmada e encostada no porto de Cowes, Ilha de Wight. No entanto em 1951 foi adquirida pelo Conde Vittorio Cini, que a entregou à Fundazioni Cini de Veneza, tendo sido transformada em navio escola para órfãos de mar, realizando viagens de treino no Adriático e em 1965 amarrou por falta de financiamento. Comprada pela polícia italiana, Carabinieri, a fim de ser adaptada como escola fixa flutuante em San Giorgio, conquanto não tendo sucesso a iniciativa, foi anunciada a sua venda pelo Estaleiro Naval de Veneza.
Em 1979 foi adquirida, através de mecenato, pela Les Caísses d’Epargne com a colaboração da Marinha Nacional Francesa e adaptada a navio escola de treino de mar, retomou o seu primitivo nome de BELEM. Porém, em 1982 subiu o rio Sena e ficou amarrada junto da cidade de Paris até 1985, altura em que foi restaurada e de regresso ao mar realiza em 1986 uma viagem a Nova Iorque, a fim de representar a França no centenário de Estátua da Liberdade, além disso tem efectuado vários cruzeiros de treino de mar levando jovens estudantes, e tem representado a França nas grandes manifestações marítimas internacionais sob a gestão da La Fondation Belém, e já mais recentemente esteve em Leixões.
* Lorde – nome dado, ainda mesmo no passado recente, aos iates de recreio ou de desporto, que normalmente eram propriedade de grandes Senhores ou ricaços, e uma vez que naquele tempo não estavam equipados com os meios técnicos de navegação, nomeadamente GPS, como actualmente, essas embarcações demandavam os portos sob a orientação de piloto da barra embarcado.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Internet; Imprensa Diári
(continua)
Rui Amaro


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 113


“NRP GONÇALO VELHO”, NOVO VASO DE GUERRA DA ARMADA PORTUGUESA, DEMANDA A BARRA DO DOURO


O NRP GONÇALO VELHO vindo dos estaleiros chega à baía de Cascais em 31/03/1933 / postal da edição para a venda a favor dos marinheiros tuberculosos da Armada /


A 07/05/1933, pelas 11h00, sob o comando do CFR Francisco Luis Rebelo, entrou a barra do Douro, pela primeira vez o NRP GONÇALO VELHO, aviso de 2ª classe, em visita de apresentação à cidade do Porto. Aquela moderna unidade naval, que fazia parte do programa de novas construções para a Armada Portuguesa da autoria do ministro da marinha, Alm. Magalhães Corrêa, decretado em 1930 e iniciado em 1931, cuja manobra foi dirigida pelo cabo-piloto Alexandre Cardoso Meireles, como era da praxe, naqueles tempos, ser um piloto graduado a dirigir as manobras dos vasos de guerra, passou a barra sob alguma névoa e chuva de noroeste, tendo ido amarrar às bóias do quadro dos vasos de guerra no lugar do Bicalho, Massarelos.


O NRP GONÇALO VELHO em Massarelos, rio Douro, na sua primeira visita à cidade do Porto, 07/05/1933 / (c) colecção F. Cabral, Porto /.


Ao seu encontro saíram a barra os rebocadores TRITÃO, MARS 2º, AGUILA, DEODATO, CRESTUMA 2º e MARIAZINHA, além das lanchas dos pilotos P1, P2, P3, P5 e P6 e outras embarcações privadas. A 13, com vento leste, deixou a barra do Douro com destino ao porto de Viana do Castelo, cuja manobra de largada foi da responsabilidade do cabo-piloto António da Silva Pereira.


O NRP GONÇALO VELHO em Massarelos, rio Douro, na sua primeira visita à cidade do Porto, 07/05/1933 /(c) colecção F. Cabral, Porto /.


NRP GONÇALO VELHO – Cff 81,55m/ 1.435,61dt/ Boca 10,85m/ Pontal 5,18m/ Raio de acção 9.550 milhas à velocidade de 10 nós/ Duas caldeiras aquitubulares/ Potencia das máquinas 2.000 cavalos/ 2 hélices/ Armamento: 3 canhões de 120mm, 4 de 20mm aa, 4 morteiros e 2 lança bombas de profundidade/ Capacidade para combustível (nafta) 335tons/ Velocidade máxima 17,89 nós/ Guarnição: 10 oficiais e 137 sargentos e praças.

O NRP GONÇALO VELHO, juntamente com o seu gémeo NRP GONÇALVES ZARCO, fazia parte da classe dada pelo seu nome, de avisos de 2ª classe ao serviço da Marinha de Guerra Portuguesa

Os dois navios foram construídos nos estaleiros Hawthorne Leslie & Co., de Newcastle-on-Tyne, e encomendados ao abrigo do Programa Naval Português, cuja execução fora decretada em 1930 e iniciada em 1931 da responsabilidade do ministro da marinha, Almirante Magalhães Corrêa. Como avisos coloniais, os navios foram projectados com o objectivo de manter a capacidade de presença naval nos vários territórios do Império Colonial Português, assegurando aí, a soberania de Portugal.

Depois da Segunda Guerra Mundial os navios foram equiparados a fragatas, recebendo o prefixo F nos seus números de amura, respectivamente F-475 e F-476. Em 1959 foram substancialmente modernizados, sendo equipados com armamento e sensores para a guerra anti-submarina, e ainda radar de navegação e ASDIC.


O NRP GONÇALVES ZARCO vindo dos estaleiros à sua chegada ao Tejo / postal da edição para a venda a favor dos marinheiros tuberculosos da Armada /.


Os dois navios foram baptizados com os nomes de dois dos navegadores Portugueses envolvidos na descoberta das ilhas do Atlântico: Gonçalo Velho e João Gonçalves Zarco.

Ambos os navios deixaram de ser empregues como unidades combatentes em 1961. O Gonçalo Velho foi, imediatamente, abatido ao serviço, mas o Gonçalves Zarco foi transformado em navio hidrográfico ostentando o número de amura A-5200 (1961), mantendo-se em serviço até 1964.

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Marinha de Guerra Portuguesa 1955; Wikipédia.

(continua)

Rui Amaro