quarta-feira, 10 de novembro de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 108

SERVIÇO DE PILOTAGEM NO PORTO DE LEIXÕES A BORDO DO “NRP VASCO DA GAMA” SOB TEMPORAL DESABRIDO



A 16/01/1933, pelas 18h00, começou a formar-se forte ventania de Sudoeste e maresia, que originava bastante ondulação na bacia do porto de Leixões. Às 03h00 do dia 17, como o temporal recrudescesse de intensidade, o piloto José Fernandes Amaro Júnior foi para bordo do NRP VASCO DA GAMA, um cruzador de cerca de 100m/2.400tb, que fora construído em 1875 e demolido para sucata em 1935. Às 08h00 o vento cambou, passando a ciclone de Noroeste e aquele cruzador garrava com frequência, estando por vezes prestes a encalhar, tendo por tal motivo efectuado várias mudanças de ancoradouro. O seu comandante esteve na iminência de abandonar o porto e fazer-se ao largo da costa mas a maresia não o aconselhava. Entretanto, às 20h00 a força do vento abrandou e algum tempo depois tornou-se calmo. O NRP MANDOVY, canhoneira em serviço de fiscalização na costa Norte; o lugre Português VENCEDOR 2º e o vapor Estoniano KLINTS, também passaram pelas mesmas dificuldades.

Em face disso, a 25/01/1933, o piloto da barra José Fernandes Amaro Júnior foi louvado pelo comandante do NRP VASCO DA GAMA, Cte. Castro e Silva e seu imediato Cte Silva Monteiro pelos bons serviços prestados, durante a sua permanência a bordo sob temporal e ciclone desabrido, evitando o encalhe e possível perda daquele cruzador na bacia do porto de Leixões. Na mesma ocasião também foi louvado o piloto Alfredo Pereira Franco por motivos idênticos, que se relacionavam com o seu serviço a bordo do NRP “MANDOVY”.

NRP VASCO DA GAMA – 65,8m/ 2.479d/ 13nós/ guarnição 259; 01/12/1875 lançado à água como corveta-couraçada auto propulsora e velame pelo estaleiro Thames Iron Works, Blackwall, para a Marinha Real de Portugal; 1903 reconstruída e alongada em Italia para 70,9m/ 3.020d/ 15,5nós, passando a classificar-se como cruzador-couraçado; 14/10/1936 chegava ao Clyde para desmantelamento.

http://areamilitar.org/DIRECTORIO/nav.aspx?nn=6

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Página Marinha Portuguesa/Área Militar

(continua)

Rui Amaro

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 107

O VAPOR PORTUGUÊS “CONGO” SOFRE UM PERCALÇO Á ENTRADA DA BARRA


CONGO /(c) desenho e cortesia de Luís Filipe Silva /.


A 03/01/1933, pelas 18h00, demandou a barra do Douro o vapor Português CONGO da Companhia Nacional de Navegação, Lisboa, piloto Mário Francisco da Madalena, chegando diante do cais do Touro foi atingido por um forte estoque de água e desgovernou a bombordo, pelo que foi forçado a inverter a marcha à ré e largar de imediato o ferro de estibordo, a fim de se evitar o encalhe. Após algumas manobras endireitou ao canal e abandonou o ferro por mão, seguindo, sem mais percalços, para o seu ancoradouro no lugar do cais do Cavaco, tendo ficado amarrado ao seu único ferro disponível com cabos reforçados para terra e ancorote dos pilotos pela popa a Noroeste.

CONGO – 95,77/ 3.090,88tb, 08/1905 entregue por Flensburger Schiffsbau GmbH & Co. KG como CLARA MENZELL a Chinesische Kustenfahrt, Hamburg; 1907 INGRABAN, Hamburger Bremer Afrika Linie, Hamburgo; 06/03/1916 INGRABAN, encontrava-se internado no porto de Luanda, quando foi requisitado pelo governo Português e, consequentemente apoderado pelas forças navais portuguesas, tendo passado a fazer parte com o nome de CONGO da frota da então recém-formada empresa estatal Transportes Marítimos do Estado, Lisboa; 1925 CONGO, Companhia Nacional de Navegação, Lisboa; 1950, após ter servido várias linhas, em especial a do norte da Europa e dos territórios Portugueses de África, foi vendido para sucata;

1950 BISCO 6, British Iron & Steel Corp., Londres; 08/1950 chegava a Preston, Reino Unido, para demolição.

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Miramar Ship Index.

(continua)

Rui Amaro

terça-feira, 9 de novembro de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 106

MOVIMENTO MARÍTIMO NA BARRA DO DOURO


Vapor de saída ruma à barra do Douro / postal ilustrado da cidade do Porto /.


A 14/12/1932, pelas 13h00, começaram a demandar a barra os vapores Ingleses PALMELLA e CRESSADO; Alemães ACHILLES e OLBERS; Noruegueses HAVMOY e LILLEMOR; lugre-motor Português FAYAL e o NRP MANDOVY, canhoneira da fiscalização das pescas. Fora da barra ficaram fundeados aguardando entrada para o dia seguinte, devido ao seu elevado calado de água, os Ingleses OTTINGE e CLERMINSTER, assim como o Espanhol MANUEL.

A 15/12/1932, pelas 13h00, entraram a barra do Douro o vapores Ingleses BUSIRIS, CLERMINSTER e OTTINGE; Alemão STAHLECK; Português ZÉ MANÉL; Estoniano GROXAALE; Espanhol MANUEL; Dinamarquês RITA MAERSK e o palhabote-motor de S.João da Terra Nova ROBERT ESDALE. Vindo do porto de Leixões, onde esteve a aliviar parte da sua carga, a fim de ficar com calado de água suficiente para passar a barra do Douro. Entrou também o vapor Português PERO DE ALENQUER. Saíram o vapor Norueguês HAVMOY e o lugre Português JOÃO MIGUEL.

A 16/12/1932, pelas 09h00, a maresia à entrada da barra do Douro, sem que ninguém o previsse, começou a crescer de intensidade, pelo que estando uma grande enxofria de mar, o piloto-mor Francisco Rodrigues Brandão mandou içar no topo dos mastros do cais do Marégrafo e do castelo da Foz o balão cilíndrico de cor negra, o qual assinalava barra encerrada a toda e qualquer navegação e como assim não houve movimento marítimo naquela barra.

O petroleiro Português SHELL 15, que ao largo aguardava entrada, rumou ao porto de Leixões, onde entrou às 14h00, fundeando ao Sul a dois ferros. Entretanto, o vapor Belga FLORE e o Inglês DARINO, que se dirigiam para a barra, viram-se obrigados a desandar diante do lugar de Sobreiras, a fim de regressarem aos seus respectivos ancoradouros. Aquelas três embarcações mercantes ficaram a aguardar melhores condições de mar para o dia seguinte, a fim de cruzar a barra em segurança.

Fontes; José Fernandes Amaro Júnior;

(continua)

Rui Amaro

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 105

A PRIMEIRA ESCALA EM LEIXÕES DO PAQUETE “COLONIAL”


COLONIAL / foto de autor desconhecido /.

A 13/12/1932, pelas 09h00, entrou pela primeira vez no porto de Leixões, a fim de embarcar passageiros e meter carga, o então recém-adquirido paquete Português COLONIAL da Companhia Colonial de Navegação, Lisboa, destinado às carreiras com os territórios Portugueses de África, tendo fundeado ao Norte a dois ferros. As manobras foram conduzidas pelo piloto Alfredo Pereira Franco.

O COLONIAL, 140m/ 8.142tb, 2 hélices, 13 nós, foi construído para o armador Hamburg Amerika Linie, Hamburg, pelo estaleiro Germâniawerft (Krupp), Kiel, em Maio de 1908, com o nome de YPIRANGA, tendo saído do porto de Hamburgo na sua viagem inaugural ao Brasil a 14/10/1908. Nos três anos seguintes serviu a linha do México e a da costa Leste da América do Sul. Por último realizou uma viagem ao porto de Filadélfia. Após ter passado os anos da guerra de 1914/18 amarrado no porto de Hamburgo, foi entregue ao Reino Unido como reparação de guerra. Em Abril de 1919 foi colocado sob gestão da companhia White Star Line, Liverpool, que o passou a utilizar no repatriamento de tropas e como unidade auxiliar no seu serviço com a Austrália.


YPIRANGA / HAPAG arte galeria /.


Após ter estado amarrado no porto de Hull até 1920, o YPIRANGA foi vendido à companhia Anchor Line, Glasgow, que alterou o nome para ASSYRIA. Realizou a sua primeira viagem ao serviço do seu novo armador em Janeiro de 1921, de Liverpool para Bombaim, rota para a qual foi adquirido. Em Junho daquele ano foi colocado na carreira de Glasgow para Nova Iorque, onde permaneceu até Agosto de 1925, altura em que regressou à rota da Índia, alternando com a realização de cruzeiros.



O ASSYRIA foi vendido em 1929, à Companhia Colonial de Navegação, Lisboa, que o matriculou na capitania do porto de Luanda com o nome de COLONIAL, tendo-o colocado no seu serviço Portugal/Angola/ Moçambique, juntamente com o seu gémeo MOUZINHO ex CORCOVADO ex MARIA CHRISTINA. Em 1950, com a vinda dos novos paquetes e após uma vida útil, foi vendido à British Iron and Steel Co., para desmantelamento em sucata, tendo sido denominado de BISCO 9 pelos seus novos proprietários. Em viagem do porto de Lisboa para o Blyth, partira-se-lhe o cabo de reboque e naufragou na costa de Campbeltown, Escócia, em Setembro daquele ano, tendo sido desmantelado no local do sinistro.

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Hamburg Amerikanische Paketfahrt AG (HAPAG); Lloyds Register of Shipping.

(continua)

Rui Amaro