quinta-feira, 30 de setembro de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 96


O VAPOR HOLANDÊS “FAUNA” NA BARRA DO DOURO PELA PRIMEIRA VEZ



A 28/05/1932, pelas 08h40, procedente do porto de Amesterdão, demandou a barra do Douro o vapor Holandês FAUNA, pertencente ao armador KNSM daquele porto Holandês, cujo representante na cidade do Porto foi a firma Jervell & Knudsen Lda. A entrada foi conduzida pelo piloto Manuel de Oliveira Alegre, que o amarrou no lugar do Oeste da Cábrea e a saída, pelas 20h00 do mesmo dia, foi da responsabilidade do piloto Francisco Piedade.

FAUNA – 80m/ 1.254tb/ 9,5nós/ 4 passageiros; 07/12/2010 entregue pelo estaleiro NV Scheepswerf Rijkee Co’s, Roterdão, ao armador Koninklijke Nederlandsche Stoomboot Mij. – KNSM – Amesterdão, para o seu serviço da Península Ibérica e Mediterrâneo.

A 17/05/1942, em rota de New York para Turks Islands foi perseguido pelo submarino alemão U558, que acabou de o torpedear e afundá-lo no dia seguinte em Caicos Passage. Dos vinte e nove elementos da equipagem, dois foram dados como desaparecidos.

Fonte: José Fernandes Amaro Júnior, Kroonvaarders (KNSM).

(continua)

Rui Amaro

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 95-C

RECORDANDO A TRAGÉDIA NA BARRA DO DOURO QUE FICOU CONHECIDA COMO “O ENCALHE DO GAUSS” (Parte lll – As homenagens, condecorações e data-base)


Os sobreviventes das companhas dos dois salva-vidas naufragados ladeando José Rabumba - O Aveiro, patrão do CARVALHO ARAÚJO / imagem da imprensa diária /.


A 20/12, foi a tragédia, que ficou, então conhecida como “O encalhe do Gauss”, relembrada no salão nobre da Associação Comercial do Porto, ao edifício da Bolsa. À sessão solene presidiu António de Oliveira Calém, presidente daquela Associação, que tinha à sua direita W. H. Stuve, cônsul da Alemanha no Porto; Dr. Sousa Rosa, presidente da edilidade Portuense; Cte Almeida Teixeira, representante do chefe do Departamento Marítimo do Norte e à esquerda os representantes do comandante da Região Militar do Norte, Governo Civil do Porto e Associação dos Armadores Marítimos, respectivamente.

António de Oliveira Calém, abrindo a sessão, afirmou que era com satisfação, que assistia à distribuição dos prémios na sede da referida Associação e continuando proferiu. É que, por pouco que se soubesse acerca da história brilhantíssima da corporação a que presidia, o certo é que não se deveria ignorar dos esforços dispendidos pela Associação, no sentido de melhorar as condições da barra do Douro. Relembrou a tragédia do DEISTER, e as diligências então feitas pela Associação Comercial para que os portos dos Douro e Leixões fossem dotados de um salva-vidas moderno. E foi assim que, devido ao interesse do Presidente do I.S.N. Alm. Álvaro Ferreira, veio para o porto de Leixões o salva-vidas CARVALHO ARAÚJO, construído na Dinamarca e terminou o seu discurso, associando-se, pessoalmente e em nome da Associação a que presidia, ao reconhecimento do governo Alemão.

Falou de seguida o cônsul da Alemanha na cidade do Porto, tendo afirmado que a missão, que o seu governo lhe incumbiu, era altamente honrosa e profundamente grata, veio trazer ali, em nome da Alemanha, a expressão do seu mais vivo reconhecimento pelos humanitários serviços prestados aquando da tragédia do GAUSS. Seis tripulantes dos dois barcos salva-vidas sacrificaram as suas vidas quando procuravam salvar as dos outros. À memória daqueles heróis propôs dois minutos de silêncio.

Depois de se referir ao heroísmo dos tripulantes dos salva-vidas PORTO e CARVALHO ARAÚJO, o cônsul da Alemanha prestou justiça à benemérita corporação dos Bombeiros Voluntários do Porto, afirmando que eram bem conhecidos os seus actos humanitários.

Para todos, foi o reconhecimento do governo Alemão, que se traduziu na concessão de diplomas, assinados pelo presidente da República Alemã, marechal Hindenburgo e para as famílias enlutadas, o governo Alemão remeteu uma quantia em dinheiro, que foi entregue ao governo civil do Porto para posterior distribuição.

Seguiu-se então uma cerimónia simples e comovente. António de Oliveira Calem chamou pelos nomes de Francisco Rodrigues Brandão, piloto-mor; Alexandre Cardoso Meireles, cabo-piloto; Alfredo José Ribeiro, 2º comandante dos B. V. do Porto e mais onze elementos da corporação, entre os quais Admar Gustav Wilhelm M. Minnemann, figura bastante conhecida na Foz do Douro.

Depois foram chamados o patrão do salva-vidas PORTO, José Maria Caetano Nora e os tripulantes António de Oliveira, Gabriel Sousa Araújo, Herculano Moreira dos Santos, António Cunha Rolha, Luís da Silva Mendonça, António Rodrigues Crista e António da Silva Saragoça.

Seguidamente foi a vez do patrão do salva-vidas CARVALHO ARAÚJO, José Rabumba (O Aveiro) e os seus camaradas Manuel Rabumba, José Fernandes Caseira e Joaquim Rodrigues Crista.

Um a um, o cônsul da Alemanha foi distribuindo os respectivos diplomas. A enormíssima assistência ia premiando com salvas de palmas essa entrega. Quando o patrão José Rabumba (O Aveiro), com o peito constelado de medalhas e o colar da Torre de Espada se levantou para receber o seu diploma, a assistência fez-lhe uma ovação especial, que muito sensibilizou aquele simpático e destemido lobo-do-mar. E assim terminou a sessão solene, pela qual o governo Alemão, reconhecido e grato premiou a abnegação dos nossos homens do mar e dos Bombeiros Voluntários do Porto.


José Rabumba - O Aveiro


Como nota curiosa, o salva-vidas a remos PORTO foi em tempos o salva-vidas oficial da barra do Douro, tendo estado por muitos anos colocado na Cantareira, juntamente com o VISCONDE DE LANÇADA, e pertencia à estação de socorros a náufragos da Foz do Douro. Tendo sido mais tarde transferido para a estação de Leça da Palmeira.


O VISCONDE DE LANÇADA que tomou parte na tentativa de salvamento dos náufragos e auxiliou a primeiras operações de reflutuação do navio sinistrado / imagem de autor desconhecido /.


O GAUSS, 76m/1.236tb foi construído pelos estaleiros Deutsche Werke AG, Kiel, no ano de 1925, juntamente com os seus gémeos KEPLER e OLBERS, por encomenda dos armadores Dampfs. Ges. Neptun, Bremen, que os destinou à linha da Península Ibérica, nomeadamente para servir os portos do Douro/Leixões e Lisboa, que escalavam regularmente. Em Setembro de 1942, devido à situação de guerra, o navio-motor GAUSS encontrava-se ancorado no porto dinamarquês de Nakskov, tendo então sido requisitado pela “Kriegsmarine” para tarefas de escolta e bloqueio, passando por tal motivo a unidade naval, devidamente armada, tendo tomado o nome de SPERRBRECHER 178. A 12/12/1942, sob combate renhido, foi torpedeado e afundado ao largo de Dieppe pelo contratorpedeiro inglês HMS WHITSHED, tendo sido recolhidos apenas dez sobreviventes, que compunham a sua basta guarnição.

http://www.wrecksite.eu/imgBrowser.aspx?14519

http://www.wrecksite.eu/imgBrowser.aspx?14520

Dos três gémeos, o KEPLER, que também foi adaptado a navio de escolta e bloqueio da “Kriegsmarine” no porto Dinamarquês de Skarpsborg, recebendo o nome de SPERRBRECHER 177, a 09/01/1946, no porto Polaco de Swinemunde, foi entregue ao governo da USSR, que o integrou na sua frota naval com o nome de VENTA, nome este mais tarde alterado para KULOY sob cuja bandeira Soviética se julga tenha terminado os seus dias. Quanto ao OLBERS, após grandes transformações, no ano de 1950 retomou o tráfego para Portugal, tendo tido a particularidade de ter sido a primeira unidade mercante Alemã, ostentando a bandeira de chapa do controlo Aliado, a visitar o porto do Douro, no pós-guerra, que escalou com regularidade até ao ano de 1958, tendo então sido vendido para mais serviço a armadores da ilha Sardenha, Cagliari e no ano de 1971 foi desmantelado no porto Italiano de Vado/Ligure.

O salvadego oceânico SEEFALKE, 58,5m/509tb, tonelagem mais tarde alterada para 629tb, foi lançado à água em 1924 pelos estaleiros J. C. Tecklenburg AG, Geestemunde, por encomenda do armador Reederei W. W. Schuchmann, Bremerhaven. Possuía acomodações para dezanove tripulantes, máquinas diesel com uma potência de 3.000 HP, que lhe ofereciam uma velocidade de 15 milhas/h. O seu calado de água era de 13,4 pés e estava apetrechado para ataque a incêndios, equipamento de mergulho, soldagem subaquática, ferramentas de corte, pistolas lança-cabos e dois gatos de reboque por trás da casa da máquina, etc.

http://werften.fischtown.de/archiv/seefalke.html

Aquele rebocador de alto-mar, durante toda sua actividade marítima, foi responsável por inúmeros salvamentos de navios, quer encalhados ou em dificuldades em mar alto, sob péssimas condições de mar. Fazia estação em portos, tais como Dover, La Corunha, Las Palmas, Tanger, Casablanca, etc. Durante o decorrer da segunda guerra mundial esteve subordinado à “Kriegsmarine” até à primavera de 1945 e poucos dias antes da rendição da Alemanha foi vitima de um raid aéreo das forças Aliadas, afundando-se no porto de Kiel. Mais tarde foi resgatado e entregue ao estaleiro F. Schichau Seebeckwerft, Bremerhaven, que o repararam e modernizaram, substancialmente, tendo recebido nova estrutura da sua ponte de comando e como não podia deixar de ser, foi-lhe adaptada instalação de radar e modernos instrumentos de navegação. Novamente afundado e outra vez posto a flutuar, escapou mais uma vez à sua destruição e em 1950 regressou ao serviço oceânico activo por mais vinte anos, competindo com modernos e potentes salvadegos, que entretanto começaram a surgir, tendo mesmo nos finais da década de 50 vindo ao porto de Leixões rebocar o moderno navio-motor alemão ALCYONNE, do armador Argo Reederei Richard Adler & Sohne, Bremen, que por imposição dos seguradores, em virtude de não ter sido efectuada dentro do tempo limite, a obrigatória inspecção da máquina. A partir de 1970 passou a fazer parte do Deutsches Schiffahrtsmuseumem, Bremerhaven, em cuja doca se encontra amarrado, juntamente com outras embarcações e onde poderá ser admirado e visitado.

O salvadego oceânico Dinamarquês VALKYRIEN, 50m/343tb, foi construído pelos estaleiros Burmeister & Wain, Copenhaga, no ano de 1907 para o armador A/S Em. Svitzer’s Bjerg., Copenhaga, chegando a ser um dos mais famosos rebocadores de alto-mar da sua época. Aquele salvadego, que fazia do porto de Leixões, além dos portos de Gibraltar, Corunha e Lisboa, sua estação de assistência, foi adaptado a navio-motor mercante em 1948, tendo para tal recebido uma transformação total, apenas se aproveitando o seu casco com popa de rebocador, recebendo o nome de KNUDSHOVED, em 1954 INGELA e 01/08/1974 chegava a Masnedo, Dinamarca, para desmantelamento. Em 1923 participou nas tentativas de salvamento do vapor Português SANTA MARIA, 72m/1.104tb, que naufragara e se perdera perto do cabo Vilano, Noroeste da Galiza, quando em viagem do porto de Anvers para o rio Douro. Aquele vapor foi uma das primeiras unidades da Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos, Ponta Delgada.


VALKYRIEN /(c) Cortesia Danish Maritime Museum, Elsinore /.


KNUDSHOVED ex VALKYRIEN /(c) Cortesia Danish Maritime Museum, Elsinore /.


/(c) Cortesia Danish Maritime Museum, Elsinore /.


Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Imprensa diária; Miramar Ship Index.

(continua)

Rui Amaro

domingo, 26 de setembro de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 95-B

RECORDANDO A TRAGÉDIA NA BARRA DO DOURO QUE FICOU CONHECIDA COMO “O ENCALHE DO GAUSS” (Parte ll – As tentativas de flutuação e salvamento)


O GAUSS encalhado na restinga do Cabedelo, vendo-se uma multidão de curiosos no cais do Touro, sempre presente em ocasiões destas, assistindo às manobras do rebocador MARS 2º, que tentava a todo o custo safar aquele navio /(c) foto de autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto /.

A 13, pelas 07h00, entrou a barra o famoso salvadego Dinamarquês VALKYRIEN, que fez contrato com o armador do GAUSS para o desencalhar, O piloto Hermínio Gonçalves dos Reis, que conduziu aquele salvadego, foi amarrá-lo ao Sul, nas Serrazinas, junto do cais denominado José Pinto de Carvalho ou Andresen. Durante a sua estadia na barra do Douro permaneceu a bordo um piloto da barra, a fim de aceder a qualquer emergência de flutuação do navio sinistrado e nos dias seguintes, após várias tentativas do VALKYRIEN de safar o navio, a 19/05/1932, pelas 02h00, na altura da preia-mar o GAUSS deu o alarme com a sirene de bordo, avisando o salvadego, que estava a boiar, o qual respondeu, que estava pronto para passar o cabo de reboque para o puxar para fora. O piloto José Fernandes Amaro, de serviço à corporação, foi acordado pelos toques de sirene das duas embarcações e foi alertado pelo policia de giro e o guarda-fiscal, pelo que tratou de chamar o pessoal das lanchas, o piloto-mor e alguns pilotos e ainda avisar as corporações de bombeiros, que foram conduzidas para o areal do Cabedelo com o seu material. Entretanto, cerca das 05h00, o GAUSS acabou por sossegar no seu berço, regressando todo o material e os bombeiros aos seus quartéis. Nesse mesmo dia, pelas 15h00, o VALKYRIEN e o rebocador VOUGA 1º estabeleceram cabos de reboque, contudo acabaram por desistir, porque o GAUSS estava bastante pesado, com 1.250 toneladas de carga, além de se encontrar muito assente no mais grosso da areia. Devido à maresia, que entretanto se formou, o movimento de navegação na barra foi cancelado.

 
O GAUSS repousa encalhado na restinga do Cabedelo e os trabalhos preparatórios para a sua reflutuação / (c) foto de autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto /. 

Entretanto, também a 13, pelas 15h00, saiu a barra rebocado pela lancha P1 de rumo ao porto de Leixões o salva-vidas PORTO, que desde o dia da tragédia se encontrava abrigado na estação de socorros a náufragos da Afurada e a 28, pelas 09h30, o salva-vidas CARVALHO ARAÚJO, uma das embarcações sinistradas, foi resgatado do areal do Cabedelo pela lancha P4, que o rebocou para o lugar do Ouro, a fim de ser encalhado nos estaleiros de António Gomes. Passados alguns dias foi levado para o porto de Lisboa, a fim de ser completamente reparado das graves avarias sofridas, tendo a respectiva despesa sido suportada pelo armador do GAUSS. A 03/11/1933 regressou ao porto de Leixões pelos seus próprios meios.

O salvadego VALKYRIEN em manobras de amarração junto do lugar do cais de Santo António do Vale da Piedade, rio Douro, margem de Gaia, auxiliado por uma catraia da corporação de pilotos /(c) foto de autor desconhecido - colecção Reinaldo Delgado /.

Mais tarde, a firma Jervell & Knudsen, Lda, agentes do VALKYRIEN, veio através da imprensa diária, defender a acção do Cte. Wittrup, capitão daquele rebocador, repudiando as criticas, que lhe eram dirigidas pelos usuais “técnicos de ocasião”, relativamente à demora no desencalhe do GAUSS, afirmando ser aquele capitão um experimentado técnico em salvamentos marítimos, pelos seus vinte e cinco anos de provas dadas, sobretudo na costa Portuguesa e Galega, onde usualmente o VALKYRIEN fazia estação.
A 25, após várias tentativas de desencalhe, iniciou-se a descarga das mercadorias estivadas nos porões nos. 1, 2 e 3, a fim de aliviar o navio do seu peso, pelo que se podiam ver estivadores e descarregadores fluviais manuseando sacaria com adubos, barricas com soda cáustica e outras com queijo, etc. Ainda nesse mesmo dia o VALKYRIEN aproximou-se do navio encalhado, um pouco abaixo do lugar da Meia Laranja, sem que nada pudesse ter sido feito, pelo que suspendeu e regressou ao seu habitual ancoradouro no rio. Quanto à posição do GAUSS, com a preia-mar do dia anterior, notou-se uma pequena deslocação para Norte, segundo foi verificado por alguns entendidos, que para tal tinham feito as suas marcações em terra.
A 26, a situação do navio sinistrado permanecia na mesma e continuava-se a proceder à descarga para o areal, cujas mercadorias começaram a ser transferidas em barcaças para os armazéns da Alfandega do Porto. Na mesma data o VALKYRIEN suspendeu na preia-mar da tarde, depois de terminado o movimento marítimo na barra, já quando a maré principiava a vazar, foi puxar pelo navio sinistrado, estando este a trabalhar com a máquina e com o molinete a retesar os cabos de arame presos aos peorizes dos cais do Touro e da Meia Laranja, a fim de dar um importante auxilio ao salvadego. Porém todo aquele trabalho foi baldado, regressando o salvadego ao seu usual fundeadouro fluvial.


O GAUSS encalhado na restinga do Cadedelo, vendo-se ao largo o salvadego SEEFALKE preparando.se para as manobras de reflutuação daquele navio / imagem da imprensa diária /,

As espias presas àqueles cais, o que até certo ponto nada se justificava, estavam a causar alguns transtornos às embarcações, que pela barra precisavam de transitar, pois que, a maior parte das vezes tinham de esperar que, de bordo do GAUSS as folgassem para poderem passar. E, assim, no dia anterior o rebocador NEIVA que, pelas 07h30, vindo do porto de Leixões, conduzindo uma laita a reboque, para poder atravessar a barra, teve de aguardar, que lhe folgassem os referidos cabos, tendo, para isso, de fazer repetidos toques de sirene, e na contingência de já não poder vencer a corrente da vazante e ter de retroceder para o porto de Leixões ou aguardar pela próxima maré, devido à demora que tiveram em folgar, de bordo do GAUSS, as ditas espias.
A 29, os trabalhos limitaram-se apenas a algumas sondagens feitas, na parte Sul da restinga do Cabedelo, pelo pessoal do VALKYRIEN, e espiamento do GAUSS com ancorotes para Sudoeste, tendo sido retirada uma outra espia, que se achava desde há alguns dias, estabelecida da proa daquele navio para o areal do Cabedelo e a 31, pelas 06h00, o salvadego Alemão SEEFALKE apareceu à vista, rumando de Norte para Sul e foi fundear junto do VALKYRIEN. Ambos os salvadegos iniciaram de imediato os trabalhos de salvamento do navio encalhado. Entretanto, devido à deterioração da agitação marítima tiveram de suspender os trabalhos, regressando aos ancoradouros de segurança. Aqueles salvadegos estavam pilotados, respectivamente pelos pilotos Carlos de Sousa Lopes e Francisco Piedade coadjuvados pelo cabo-piloto Alexandre Cardoso Meireles, embarcado no rebocador Dinamarquês, cujo capitão dirigia as operações.
A 03/06, pelas 14h10, foi o GAUSS, finalmente desencalhado. Os trabalhos foram recomeçados pelas 13h15. Hora essa em que o SEEFALKE, piloto Eurico Pereira Franco, pegou de uma bóia o cabo de reboque, que se encontrava preso à proa do navio encalhado e começou a puxar, sendo auxiliado pelo VALKYRIEN, piloto Aires Pereira Franco, que por sua vez tinha um outro cabo de reboque passado à proa do SEEFALKE. Quando aqueles rebocadores de alto-mar começaram a puxar pelo GAUSS, este para auxiliar os trabalhos do seu resgate principiou a trabalhar com a sua máquina, favorecendo bastante aqueles trabalhos e tanto assim, que após alguns minutos de esforços, viu-se deslizar, lentamente e entrar no oceano. Estava salvo o navio-motor GAUSS! Nos cais da Foz e no areal do Cabedelo via-se uma enorme multidão de curiosos, que assistiam com geral satisfação às operações do desencalhe daquela excelente unidade da marinha mercante Germânica, os quais na ocasião da libertação deram vivas sem fim, juntamente com uma grande salva de palmas de satisfação.
O contentamento da tripulação foi de tal ordem, que o navio começou a silvar durante algum tempo até se fazer ao largo da barra do Douro, ainda auxiliado pelos dois salvadegos, que momentos depois, largaram as amarretas, seguindo o GAUSS, piloto -?- , pelos seus próprios meios para o porto de Leixões, onde entrou pelas 14h45, fundeando junto da praia da Sardinha a dois ferros, tendo ficado à espera de ordens do seu armador, se rumaria ao porto de Bremen directamente ou se iria para o rio Douro. Também os dois rebocadores de alto-mar rumaram ao porto de Leixões, ficando fundeados na bacia, a fim de aguardarem instruções das respectivas companhias.


O GAUSS depois de libertado, já fundeado no porto de Leixões aguardando instruções dos armadores / imagem da imprensa diária /.

Também a 3, a imprensa noticiosa publicava uma nota oficiosa relativa ao inquérito levado a cabo pela Inspecção de Socorros a Náufragos, relativo ao acidente com as duas lanchas salva-vidas, que constava do seguinte teor: 1º - Que o salva-vidas CARVALHO ARAÚJO possuía as melhores qualidades náuticas, o que foi verificado nas provas de recepção e nas sucessivas experiências a que foi submetido. 2º - Que tanto o seu patrão, o cabo de mar da capitania do porto de Leixões, José Rabumba, como o patrão do salva-vidas PORTO José Maria Caetano Nora afirmaram ter a maior confiança no CARVALHO ARAÚJO. 3º - Que a perda das duas embarcações e a consequente e deplorável morte de alguns dos seus tripulantes, foi devida, principalmente ao desrespeito dos preceitos mandados observar pela Inspecção de Socorros a Náufragos, recomendados pela arte de marinharia e ainda ao excessivo desprendimento pela vida e temeridade dos que a dirigiam e tripulavam. 4º - Que as injustas criticas que fizeram à guarnição do salva-vidas PORTO, aquando do naufrágio do vapor DEISTER na barra do Douro, teriam influído no ânimo do José Rabumba levando-o a tentar a salvação dos seus camaradas do outro barco, ocasionando a perda do CARVALHO ARAÚJO.
José Rabumba, cabo de mar de Leixões, é um marinheiro arrojadíssimo, tendo já feito vários salvamentos heróicos, pelo que ao seu peito ostenta várias medalhas, entre elas duas da Torre de Espada pelos notáveis socorros prestados com desprezo absoluto da própria vida, segundo informa o contra-almirante Vieira da Fonseca, inspector dos socorros a náufragos.
A 04/06/1932, pelas 13h00, o SEEFALKE acabara de captar um rádio de bordo de um vapor Italiano, que se encontrava à deriva a cerca de oitenta milhas da costa Portuguesa por se lhe ter soltado o hélice. Correspondendo ao rádio, aquele salvadego deixou o porto de Leixões e dirigiu-se para o local a toda a força da sua máquina, a fim de lhe prestar assistência e rebocá-lo para o porto a indicar pelo capitão do vapor em dificuldades.
Também a 4, pelas 21h00, realizou-se no cinema local CINE FOZ, uma sessão cinematográfica a favor das famílias dos desditosos náufragos, que sucumbiram na tragédia das lanchas salva-vidas CARVALHO ARAÚJO e PORTO, a qual foi promovida pelo Grupo Desportivo da Foz e pela Banda Marcial da Foz do Douro. Também, a 12 do mesmo mês, teve lugar um bando precatório em beneficio das mesmas famílias, tendo sido organizado pela mesma banda de música e com a colaboração de algumas colectividades da Foz, Porto, Matosinhos e Leça da Palmeira, além de várias corporações de bombeiros. O referido bando precatório rendeu a verba de 3.100$00, que foi entregue à Casa dos Pescadores de Matosinhos, a fim de distribuir pelos órfãos e viúvas das vítimas do naufrágio.
O I.S.N. resolveu suportar a importância de 6.098$20, relativo às despesas com os funerais. Pagou também as roupas perdidas pelos tripulantes sobreviventes, no valor de 1.700$00 e concedeu à viúva do patrão José de Pinho Brandão a pensão vitalícia de 1.200$00 e às viúvas dos tripulantes Serafim Pereira da Silva e Matias Baptista da Silva a pensão de 720$00 cada uma. Concedeu mais os subsídios eventuais aos pais de Inocêncio Baptista da Silva, António Martins Vinagre e Mário da Silva Rebelo.
A 6, pelas 20h00, o GAUSS deixou o porto de Leixões de rumo ao porto de Bremen. Aquele navio, que seguiu viagem rebocado pelo SEEFALKE, por imposição da companhia seguradora, antes de rumar a Norte veio junto da barra do Douro saudar terra com vários toques da sirene de bordo.
A 11/07, a titulo meramente voluntário, a firma W. Stuve & Ca. Lda gratificou os pilotos da barra e o seu pessoal assalariado, que colaboraram nas várias operações de salvamento do navio de que era consignatário, cabendo a cada elemento a quantia de 20$00.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Imprensa diária; Miramar Ship Index.
(continua)
Rui Amaro

sábado, 25 de setembro de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 95-A



RECORDANDO A TRAGÉDIA NA BARRA DO DOURO QUE FICOU CONHECIDA COMO “O ENCALHE DO GAUSS” (Parte l - O encalhe e a tragédia)


O rebocador MARS 2º auxiliado por uma das lanchas salva-vidas da barra do Douro tenta estabelecer o cabo de reboque para iniciar as operações de flutuação do navio-motor GAUSS /(c) foto de autor desconhecido /.


A 11/05/1932, os vapores Portugueses ALFERRAREDE, SAN MIGUEL e SANTA IRENE; Dinamarquês TOMSK; Norueguês TEJO e o Inglês PALMELLA preparavam-se para largar dos seus ancoradouros no porto comercial do Douro e aproados à barra, ferros a prumo, encontravam-se os vapores Português CONGO, Belga RIP e o navio-motor Alemão GAUSS, que pilotados aguardavam sinal de bandeiras em terra para se fazerem à barra.

Pelas 17h30, o piloto-mor Francisco Rodrigues Brandão fez hastear nos mastros do cais do Marégrafo e do castelo da Foz o grupo de bandeiras indicativo do calado de água de 16,5 pés, pelo que o GAUSS, cuja manobra era orientada pelo piloto António Duarte, faz o enfiamento à barra, marca nova do Mato (Três Orelhas) pelo Anjo, vindo embalado sob vaga alta, correndo ora a estibordo ora a bombordo. Quando alcança a bóia da barra foi apanhado por uma volta de mar mais alterosa, que o fez desgovernar demasiado a estibordo, isto é a Sul do canal de navegação, indo sobre a restinga do Cabedelo, apesar das manobras imediatas executadas para o evitar, acabando por se deter encalhado de proa ao mar.

Dada a situação critica daquele navio-motor, saiu da Cantareira para o local do sinistro a lancha de pilotar P4, levando a bordo, além da sua equipagem, os pilotos António Gonçalves dos Reis, Joaquim Matias Alves, José Fernandes Amaro Júnior, Hermínio Gonçalves dos Reis, Francisco Soares de Melo, Bento da Costa e Aires Pereira Franco. Os salva-vidas VISCONDE DE LANÇADA, da Foz e o GONÇALO DIAS. da Afurada também se apressaram a ir para a barra. Também compareceram, como era o usual naquelas situações, os rebocadores MARS 2º, LUSITÂNIA, NEIVA e DOURO PRIMEIRO. Além disso, acorreram à Foz do Douro as seguintes corporações de bombeiros, com o seu material de socorros a náufragos: Voluntários do Porto, Portuenses, Leixões, Matosinhos e Leça, que começaram a actuar, juntamente com o pessoal da estação de socorros a náufragos da Foz do Douro, que tinha à sua frente o destacado e conhecido cabo-piloto Alexandre Cardoso Meireles, responsável daquela estação e especialista no lançamento de foguetões para estabelecimento do cabo de vaivém. Aquele cabo-piloto orientava as operações de lançamento dos foguetões, a fim de se tentar resgatar os náufragos de bordo do GAUSS, apesar da situação a bordo não ser muito critica, contudo havendo necessidade de retirar os passageiros e alguma tripulação, que pudesse ser dispensada. Logo de início, já com alguma dificuldade, a lancha P4 consegue acostar ao navio, e subiram para bordo os pilotos Joaquim Matias Alves e Bento da Costa, a fim de auxiliarem o seu colega António Duarte nas manobras da tentativa de desencalhe do navio.


O CARVALHO ARAÚJO, década de 50 em operações de adestramento de pessoal do ISN, que foi uma das lanchas salva-vidas tragicamente acidentadas /(c) Foto Mar - Leixões /.


Entretanto, vindo do porto de Leixões cruzou a barra, aproveitando um ligeiro liso de mar, o salva-vidas a motor CARVALHO ARAÚJO trazendo a reboque o salva-vidas a remos PORTO, que ruma ao local do encalhe. Porém a maresia, que se mostrava um tanto agitada, nomeadamente na restinga, caiu sobre as duas lanchas salva-vidas, originando ter-se partido o cabo de reboque. O salva-vidas PORTO, à força de remos, aos baldões provocados pelo mar em fúria, tenta aproximar-se e abordar o GAUSS. Milhares de pessoas nas margens, principalmente no cais do Touro e na Meia Laranja, assistem ansiosas e emocionadas às evoluções daquela embarcação, que as consecutivas voltas de mar fazem com que desapareça, por instantes, no seu vão e ameaçam fazê-la submergir a qualquer momento e de facto o salva-vidas PORTO é envolvido por enorme andaço de mar e volta-se lançando nas águas revoltas os seus ocupantes. Um grito geral de angústia e de aflição sai das bocas de muitas pobres mulheres, que se encontravam ao longo do areal do Cabedelo e dos cais da Foz do Douro, muitas das quais eram familiares dos tripulantes dos dois salva-vidas. Os náufragos envolvidos, pela maresia, nadam numa luta desesperada para atingir a praia, Uns conseguem-no e outros perdendo as forças desaparecem nas profundezas daquelas malditas águas revoltas.


José Rabumba (O Aveiro) heróico patrão da lancha salva-vidas CARVALHO ARAÚJO


O salva-vidas CARVALHO ARAÚJO, sem olhar a riscos, acorre pressuroso, investindo contra as perigosas voltas de mar, para o local do sinistro na vã tentativa de socorrer os náufragos. Contudo a maresia cada vez mais perigosa preparou-lhe o mesmo e trágico desfecho do seu companheiro. Num esforço supremo José Rabumba, “O Aveiro”, patrão daquele eficiente salva-vidas, vendo a aproximação de uma volta de mar descomunal, agarrou-se ao mastro da sua embarcação no intuito de a equilibrar. Infelizmente não foi bem sucedido. As águas revoltas, em breve, dão-lhe destino idêntico ao do salva-vidas PORTO, voltando-o e lançando os seus tripulantes borda fora, sendo levado aos trambolhões até se deter no areal do Cabedelo sem qualquer elemento da sua companha a bordo, os quais se juntaram aos seus camaradas do salva-vidas PORTO, debatendo-se a nado sobre as ondas, tentando alcançar o areal e novo momento de pavor e uma emoção formidável se passa com as centenas de pessoas, ouvindo-se de novo gritos lancinantes de desespero. Dezassete vidas debatem-se em pleno mar enfurecido sobre a restinga da barra, sem que de terra, das embarcações próximas ou mesmo de bordo do GAUSS lhes pudessem valer.

No Cabedelo inúmeros e abnegados pescadores da Afurada, que assistiam ao desenrolar do sinistro, lançaram-se ao mar no desejo de socorrerem aqueles náufragos, que ainda se debatiam com os enormes vagalhões. Gesto heróico o desses bravos lobos-do-mar ao enfrentar o perigo na ambição humana e nobre de salvarem os seus irmãos. Pereceram seis tripulantes, salvando-se os restantes onze, que esforçadamente nadaram para o areal do Cabedelo, quando na tentativa precipitada de resgatarem os seus camaradas de profissão, que se encontravam a bordo do GAUSS, o qual apesar de encalhado, não lhes fazia correr qualquer perigo de vida, dada a sua localização.


O PORTO, década de 50 em operações de adestramento da sua companha, que foi uma das lanchas salva-vidas dos Douro/Leixões, tragicamente acidentadas /(c) Foto Mar - Leixões /.


Às 19h00 começou a ser desembarcado o pessoal a bordo do GAUSS, através do cabo de vaivém, que fora estabelecido a partir do areal do Cabedelo. Os primeiros elementos a pisar terra foram dois passageiros e até à meia-noite haviam desembarcado dez tripulantes e os três pilotos da barra, tendo permanecido a bordo os seguintes elementos: capitão, imediato, chefe de máquinas, cozinheiro e o despenseiro, a fim de estarem de prevenção para qualquer eventualidade.

O primeiro foguetão a estabelecer contacto com o navio sinistrado foi o da estação de socorros a náufragos da Foz do Douro, lançado da praia das Pastoras pelo cabo-piloto Alexandre Cardoso Meireles, auxiliado por alguns pilotos da barra, contudo acabou por ser desmontado devido à distancia a percorrer, entre o navio e a margem Norte, ser excessiva. Em face dessa contrariedade, foi o material transferido para a ponta do Cabedelo, local onde também compareceram as várias corporações de bombeiros, pessoal da Capitania, rádio naval de Lavadores, guarda fiscal e na margem Norte os policias da esquadra da Foz e as viaturas e ambulâncias dos Bombeiros e da Cruz Vermelha. Toda a noite e pela madrugada, um projector do exército operado por militares e outro do rebocador LUSITÂNIA, fundeado a meio do rio, alumiavam a área das operações de salvamento.

Os vapores, que no rio se encontravam prontos para sair, foram impedidos de o fazer assim como aqueles, que pilotados aguardavam entrada na barra, tiveram de permanecer fundeados ao largo da costa esperando por melhor oportunidade.

Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Imprensa diária; Miramar Ship Index.

(continua)
Rui Amaro

terça-feira, 21 de setembro de 2010

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DA CORPORAÇÃO DE PILOTOS DA BARRA DO DOURO E PORTO ARTIFICIAL DE LEIXÕES – Episódio 94

OS VAPORES INGLESES “BUSIRIS” e “ARGO” DEMANDARAM PELA PRIMEIRA VEZ A BARRA DO DOURO



A 06/04/1932, pelas 08h00, entrou a barra do Douro pela, primeira vez, o vapor Inglês BUSIRIS, que veio servir a carreira entre o porto de Glasgow e os portos de Cádis, Lisboa e Douro/Leixões, vindo consignado à firma Wall & Westray Co. Ltd. Aquele vapor, que vem substituir o PROCRIS do mesmo armador, foi conduzido pelo piloto João António da Fonseca, que o amarrou no lugar do Jones, na margem de Gaia..

A 19/04/1932, pelas 13h50, demandou a barra do Douro o vapor Inglês ARGO, que veio substituir, provisoriamente o ESTRELLANO na linha Hull, Lisboa e Douro/Leixões. Entrou em 18 pés de calado e a manobra de entrada foi dirigida pelo piloto Júlio Pinto de Almeida, que o foi amarrar no lugar dos Vanzelleres, também na margem de Gaia. A firma Wall & Westray Co. Ltd era o seu agente consignatário.

BUSIRIS – 71m/ 943tb/ 11 nós; 09/1929 entregue pelo estaleiro Ailsa Shipbuilding Co.. Ltd., Troon, ao armador J. & P. Hutchinson Co., Ltd., Glasgow; 1948 KYLEGLEN, Monroe Bros, Cardiff; 22/05/1958 arrived Dublin for breaking up.

ARGO – 72m/ 1.102tb/ 10,5 nós; 1898 entregue pelo estaleiro Caledon Shipbuilding & Eng. Co., Ltd., Dundee,á Wilson Line, Hull, para o seu serviço de carga e passageiros com os portos Bálticos, para que acomodava 176 passageiros; 28/12/1932 chegava a Grimsby para ser demolido pelos sucateiros Gt. Grimsby Marine Scrap., Ltd.

Fonte: José Fernandes Amaro Júnior; Miramar Ship Index; Photoship Co., Uk. (imagem de autor desconhecido).
(continua)

Rui Amaro