KEPLER /Galeria de Arte de autor desconhecido - Calendário de DG Neptun, Bremen/.
A 12/01/1931 o candidato António Duarte foi nomeado praticante a piloto da barra dos portos do Douro e Leixões e a 23 apresentou-se fardado, tendo às 17h40 dirigido a largada do navio-motor Alemão KEPLER, amarrado no quadro da Alfandega, sob a orientação do piloto efectivo de escala João António da Fonseca.
Naquele dia, além do KEPLER, saíram também os seguintes vapores: Alemão LAHNECK, piloto Mário Francisco da Madalena; Inglês DARINO, piloto João Pinto de Carvalho; Estoniano LINDA, piloto Bento da Costa e entraram o Alemão APOLLO, piloto Francisco Soares de Melo e o Francês LA GARONNE, 100m/2.611tb, unidade da frota do armador Compagnie Nantaise de Navigation à Vapeur, Nantes, o qual com os seus companheiros PENTHIEVRE, PENCHATEAU, PENHIR, PENERF, VAUCLUSE e ARZIK, passou a escalar com assiduidade os portos do Douro e Leixões, nas suas viagens para os principais portos de Marrocos ou para os portos de Nantes e Bordéus. Aquele vapor foi construído em 1906 e demolido em 1934 e fora transferido para a frota do armador Compagnie Generale Transatantique, Paris, tendo ido amarrar no lugar dos Vanzelleres a dois ferros, cabos passados para terra e ancorote dos pilotos pela popa, conduzido pelo piloto Eurico Pereira Franco.
KEPLER, 76m/1.236tb/10 nós; 08/1925 entregue pelo estaleiro Deutsche Werke AG, Kiel, ao armador Dampfs. Ges. Neptun, Bremen; 1942 em Skarpsborg; 1943 SPERRBRECHER 177 – navio destruidor de minas, Kriegsmarine; 1945 em Wilhemshaven; 1946 em Swinemunde entregue à USSR; 1946 VENTA, Armada Soviética; 1947 KULOY, Armada Soviética; 1958 PKZ-146, pontão, Armada Soviética; 1965 desmantelado para sucata. Navios gémeos: GAUSS e OLBERS.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Die Schiffe der DG Neptun – H.J. Abert
PILOTOS DE PREVENÇÃO A BORDO DE VAPORES ANCORADOS NA BACIA DO PORTO DE LEIXÕES DEVIDO AO MAU TEMPO
SIGNE carregando carvão em qualquer porto de Gales / Copyright - cortesia Danish Maritim Museum, Elsinore /.
A 02/01/1931, pelas 16h00, estando a soprar bastante vento de Sudoeste e grande maresia, foram requisitados para o porto de Leixões nove pilotos da estação da barra do Douro, Cantareira, a fim de irem ficar de prevenção a bordo dos seguintes vapores ancorados na Bacia: Ingleses CRESSADO, piloto Joel da Cunha Monteiro e OTTINGE, piloto Francisco Piedade; Dinamarqueses SIGNE, piloto Hermínio Gonçalves dos Reis e J. N. OLHSAM, piloto Júlio Pinto de Carvalho; Portugueses SHELL 15, piloto Aires Pereira Franco; SANTA IRENE, piloto Francisco Soares de Melo e o vapor pescador ALBERTOS, piloto José Fernandes Amaro Júnior; Norueguês SANTA CRUZ, piloto Eurico Pereira Franco e o Espanhol MARQUÊS DEL TURIA, piloto António Gonçalves dos Reis.
Os pilotos agregados à estação de Leça da Palmeira foram para bordo dos seguintes vapores, também ancorados na Bacia: Português MARIA AMÉLIA, piloto Júlio Pinto de Almeida; BENGUELA, piloto José Pinto Ribeiro; MALANGE, piloto Manuel Pinto da Costa; Inglês RUCKINGE, piloto Alfredo Pereira Franco. O Inglês PROCRIS e o Norueguês TEJO permaneceram na Bacia sem piloto embarcado.
Ao largo da costa avistavam-se os vapores Alemães ARION e TENERIFE, tendo chegado mais tarde o Alemão VESTA e o Norueguês BLANES. Os Alemães HERMES e OLDENBURG suspenderam e seguiram rumo do Sul para o porto de Lisboa, por instruções recebidas dos seus armadores. Dezanove daqueles vapores aguardavam melhoria de mar para entrarem na barra do Douro.
SIGNE – 76m/1.191tb/9nós; 05/1919 entregue por KJOBNJAVNS Flydedok, Copenhaga, para A/S D/S Torm (Torm Lines), Copenhaga; 1939 VOLTA, Merluzzo Italiano SA, Genova; 22/03/1943 Atacado e bombardeado por aeronave Aliada em Palermo, Sicilia.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior; Miramar Ship Index
A TRAINEIRA ESPANHOLA “CONCEPCION” EM APUROS NA BARRA DO DOURO
A 13/12/1930, pelas 00h30, o piloto José Fernandes Amaro Júnior, que se encontrava de serviço, vinte e quatro horas, à estação de pilotos da Cantareira, quando já estava deitado, foi despertado pelos silvos aflitivos da sirene de qualquer embarcação em apuros, para os lados do cais do Relógio (Pilotos). De imediato, dirigiu-se para o local e deparou com uma traineira encalhada sobre a penedia da Eira, que tentava a todo custo safar-se.
Juntamente, com o contramestre da Corporação de Pilotos, João Piedade, meteu-se na caíque dos pilotos e à ginga dirigiram-se para a traineira, que era a Espanhola CONCEPCIÓN da praça de Vigo e fora apresada há alguns dias pela canhoneira NRP ZAIRE, quando fainava em águas territoriais portuguesas.
O mestre exibiu àquele piloto o documento relativo ao desembaraço da traineira, além do documento comprovativo do pagamento da multa aplicada pelo tribunal marítimo. De qualquer maneira, a Capitania foi desde logo alertada sobre a ocorrência.
Segundo o mestre informou, o encalhe deu-se devido a confusão com a bóia dos Arribadouros. Entretanto, parte da companha desembarcou. Às 05h30 a traineira desencalhou pelos seus próprios meios, recolheu os elementos da companha, que tinham vindo para terra e como estava dispensada de meter prático seguiu barra do Douro abaixo conduzida pelo seu mestre, rumando ao seu porto de armamento.
O PAQUETE ALEMÃO “BADEN” FOI BOMBARDEADO POR FORÇAS REVOLUCIONÁRIAS Á SAIDA DO PORTO DO RIO DE JANEIRO
A 30/11/930, pelas 08h00, entrou no porto de Leixões, fundeando ao Sul a dois ferros, o paquete Alemão BADEN da Hamburg Amerika Linie (HAPAG), Hamburg, procedente do Rio de Janeiro e Santos com carga diversa e passageiros. Ao fim da tarde deixou o porto de Leixões de rumo a Hamburgo, seu porto de registo, via portos da Galiza. José Fernandes Amaro Júnior foi o piloto, que conduziu aquele paquete de entrada e de saída coube ao piloto Júlio Pinto de Almeida.
Este episódio não teria grande importância, se não fosse o caso de a 24/10/1930 o BADEN não tivesse sido bombardeado à saída da barra daquele porto carioca, quando tentava forçar o bloqueio portuário imposto pelas forças revolucionárias, a fim de rumar a Santos e Buenos Aires, resultando desse episódio haver feridos e quinze vítimas mortais, dentre a tripulação e passageiros, os quais foram atingidos pelo queda do mastro da popa ou seja o quarto, que fora quebrado pelos projécteis lançados de terra. Aquele paquete acabou por retroceder, a fim de desembarcar os feridos e as vítimas mortais.
O governo Alemão, embora compreendesse o motivo daquela acção militar, protestou energicamente perante o governo do Brasil, baseando-se no facto de que os militares apenas deveriam ter lançado alguns tiros de advertência, de maneira a não atingir o navio. O cmdt. Jolin, capitão daquele paquete, foi julgado na Alemanha, no entanto apelando à circunstancia dos sinais de bandeiras içados em terra pelas forças militares, não terem sido entendidos a bordo por não corresponderem ao convencionado pelo C.I.S - Código Internacional de Sinais. foi ilibado de qualquer culpabilidade. Ao BADEN e ao seu capitão jamais foi permitida a entrada em portos Brasileiros.
BADEN (2) – 150m/8.803tb/12 nós; 16/05/1922 entregue por Bremer Vulkan AG, Vegesack, à Hamburg Amerika Linie, HAPAG, Hamburg, para a sua carreira do Brasil e Rio da Prata; 1935 reconstruído como vapor de carga, 8.204tb, tendo sido colocado na linha América do Norte/Extremo Oriente, 8.204tb; 26/12/1940 BADEN, servindo a “Kriegsmarine” como abastecedor de esquadra (carvoeiro) foi sabotado pela própria tripulação e afundado pelos navios de guerra HMS BERWICK e HMS BONAVENTURE ao largo de Tenerife. Navios gémeos: BAYERN, WURTTEMBERG, HESSEN, SACHSEN e PREUSSEN.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Miramar Ship Index; Imprensa diária
O VAPOR ALEMÃO “LIPARI” ENTROU PELA PRIMEIRA VEZ NO PORTO DE LEIXÕES
O vapor Holandês ORION /(c) KNSM /.
A 24/11/1930, pelas 16h35, entrou pela primeira vez no porto de Leixões o novo vapor Alemão LIPARI, pertencente à frota do armador Robert Sloman Jr., Hamburgo, representado na cidade do Porto pela firma consignatária W. Stuve & Cia., o qual procedia do porto de Hamburgo e veio receber uma partida de carga diversa para vários portos do Mediterrâneo. A manobra de entrada foi conduzida pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, que o fez fundear ao Sul a dois ferros e a manobra de saída foi da responsabilidade do piloto José Fernandes Tato, acompanhado do piloto-praticante António Melo.
A 11/11/1958, de madrugada, o vapor LIPARI então já como Holandês ORION foi protagonista do salvamento do vapor Espanhol CASTILLO BUTRON, que navegava do porto de Safi para o de Gijon com um carregamento completo de fosfatos, o qual com água aberta fora abandonado pela sua tripulação, devido ao receio de explosão das caldeiras, tendo aquela sido recolhida pelo vapor Holandês, que tomando de reboque o vapor abandonado, o conduziu ao porto de Leixões, tendo ambos fundeado nas imediações cerca das 06h00, aguardando prático e autorização de entrada das autoridades marítimo-portuárias.
Pelas 09h00 os dois vapores demandaram aquele porto, tendo o ORION, pelos seus próprios meios, fundeado na Bacia ao Sul, e o CASTILLO BUTRON trazendo alguma tripulação Holandesa, e assistido pelo rebocador VANDOMA, foi fundear ao Norte da Bacia, junto do cais das Gruas na eventualidade de ser necessário vará-lo num pequeno areal, ali próximo, o que não se concretizou, porque com auxilio de moto-bombas, a água depositada a bordo foi escoada e a avaria consolidada.
O ORION que ficou de posse do vapor sinistrado, como salvado de alto-mar, por abandono da respectiva tripulação, cuja regulação viria a ser mais tarde realizada pelo Lloyd’s, saiu ao fim do dia para o porto de Amesterdão, e no que respeita ao CASTILLO BUTRON deixou o porto de Leixões passados três dias de rumo ao porto de Gijon. Resta acrescentar que os capitães de ambos os vapores apresentaram os respectivos protestos de mar na autoridade marítima local.
O CATILLO BUTRON fundeado na bacia do porto de Leixões depois de esgotada a água /Jornal de Noticias/.
ORION – 95,65m/1958tb/10 nós/2 passageiros/32 tripulantes; 08/11/1930 entregue pelo estaleiro Flensburger Schiffsbau GmbH, Flensburg, como LIPARI ao armador Rob. Sloman Jnr, Hamburgo; 1940 Internado em Malaga, Espanha, devido à eclosão da guerra; 24/07/1945 entregue à Grã-Bretanha como reparação de guerra; 24/07/1946 EMPIRE GARSTON, MoWT- Ministry of Transport, London (gestores Moss Hutchinson Line, Ltd.); 04/08/1946, cedido à Holanda como reparação de guerra; 30/08/1946 ARNHEM, governo Holandês, Den Hague; 05/06/1947 ORION, KNSM-Koniklijke Nederlandsche Stoomboot Mij., Amesterdão; 1948 propulsão convertida para óleos pesados; 08/03/1960 entrava em Antuérpia para desmantelamento.
O ORION escalava o porto de Leixões esporadicamente no seu regresso do Mediterrâneo a Amesterdão.
CASTILLO BUTRON – 84m/1.743tb/9nós; 12/1899 entregue pelo estaleiro A. Rodger & Co., Port Glasgow, como CITRINE A William Robertson (Shipowners), Glasgow; 1915 AVONTOWN, Harrison Sons; 1925 COPEMAN, G. A. Harrison et al; 1931 POMARON, I. W.B. Hitchin, (Strubin & Co., London, registo Estoniano; 1938 POMARON, foi apresado durante a guerra civil de Espanha por transportar contrabando bélico, passando a arvorar a bandeira nacional Espanhola e o nome alterado para BILBAO, governo nacionalista Espanhol;
1939 CASTILLO BUTRON, ENE- Empresa Nacional Elcano de la Marina Mercante, SA., Madrid; 1955 CASTILLO BUTRON, Vasco Cantábrica de Nav., Bilbao; 1959 RIO JILOCA, Vasco Cantábrica de Nav., Bilbao; 09/1963 entrava em Estaca de Bares, costa Cantábrica da Galiza, para desmantelamento em sucata.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior, Miramar Ship Index, Kroonvaarders, Jornal de Noticias.
Reformado da agência de navegação GARLAND, LAIDLEY / VESSELMAR (Administrativo e Caixeiro de mar) - PORTO.
Autor do livro "A BARRA DA MORTE - A FOZ DO RIO DOURO", cujo lançamento teve lugar a 14/04/2007 no estaleiro norte das obras da nova barra do rio Douro, à Foz do Douro - Porto