MOVIMENTO MARITIMO NO RIO DOURO E A DERRADEIRA LARGADA DO VAPOR INGLÊS PENGAN
Vapor Alemão APOLLO, DG Neptune, Bremen, 1927/1945; 90m/2,297tb; 1945 EMPIRE TAFT; 1947 ALHAMA, 1954 desnantelado em Faslane.Em 1947 como ALHAMA veio oa Douro carregar cortiça para Inglaterra, ostentando as cores da Mossgiel Steamship Co. Ltd, , Glasgow.
A 12.12.1929, saíram a barra as seguintes embarcações: vapores alemães STAHLECK, piloto Joel da Cunha Monteiro; LEANDER, piloto Francisco Piedade; TANGER, piloto José Fernandes Amaro Júnior; holandês NEREUS, piloto Júlio Pinto de Carvalho; norueguês OTTO SINDING, piloto Pedro Reis da Luz; inglês DARINO, piloto António Gonçalves dos Reis e o palhabote inglês da praça de S. João da Terra Nova NELLY F. WALTERS, piloto João Piedade e entraram os vapores alemães APOLLO, piloto Hermínio Gonçalves dos Reis; ATLAS, piloto Carlos de Sousa Lopes; ingleses CRESSADO, piloto José Fernandes Tato; PROCRIS, piloto João António da Fonseca e o palhabote português MAREANTE, piloto Manuel de Oliveira Alegre. Um pequeno incidente sucedeu ao DARINO, que quando descia o rio de rumo à barra, ao passar perto do cais das Pedras, foi de guinada sobre o APOLLO, ali fundeado, quase o abalroando. Regressado ao canal seguiu para a barra sem mais novidade.
A 13.12.1929, pelas 12h40, o piloto José Fernandes Amaro Júnior deu saída ao vapor inglês PENGAN, o qual após o seu desembarque para a lancha P4, fez-se de rumo ao porto carbonífero de Cardiff, levando um carregamento completo de toros de pinho, destinado a escorar as minas de carvão. Uma grande parte daquele carregamento ia estivada no convés, o que usualmente se designa de “barda”. Alguns dias passados, aquele vapor deixou de comunicar com os seus armadores, pelo que não tendo sido encontrados vestígios do mesmo e da sua tripulação até 11.01.1930, apesar das buscas, as autoridades marítimas britânicas consideraram-no como perda total.
Fonte: José Fernandes Amaro Júnior e Imprensa diária.
O PAQUETE “NYASSA” E A SUA PRIMEIRA ESCALA NO PORTO DE LEIXÕES
Paquete NYASSA / postal do armador /.
A 03.12.1929, manhã cedo, entrou no porto de Leixões ao sinal da lancha de pilotos, pela primeira vez, debaixo de grande agitação marítima, o paquete Português NYASSA da Companhia Nacional de Navegação, Lisboa, que procedia do porto de Lisboa e veio ao Norte carregar carga diversa e embarcar 460 passageiros para os portos do Rio de Janeiro, Santos, Montevideu e Buenos Aires. O piloto Alfredo Pereira Franco subiu a bordo entre molhes e orientou as manobras, ancorando o paquete a dois ferros na covada do molhe Sul. A saída, ao fim do dia, foi conduzida pelo piloto Júlio Pinto de Almeida, que não podendo desembarcar devido à maresia, seguiu a bordo para o porto de Lisboa, tendo regressado a Leça da Palmeira por caminho-de-ferro.
O NYASSA, 145,75m/8.980tb, 14 nós, 800 passageiros e 166 tripulantes, foi construído em 1906 pelo estaleiro J. C. Tecklenburg A.G., Geestmunde, para a Nordeutscher Lloyd Bremen, Bremen, com o nome de BULOW, tendo sido colocado na linha do Extremo Oriente, Austrália e Nova Iorque. A 23.07.1914 saiu de Bremen para o Extremo Oriente, tendo sido surpreendido pelo inicio da guerra de 1914/18, quando navegava em pleno Atlântico Norte, pelo que se refugiou no porto de Lisboa, então porto neutro, como o fizeram um grande número de unidades mercantes Alemãs. Requisitado e apossado pelo governo de Portugal no ano de 1916, a fim de fazer face à falta de transportes marítimos devido à situação de guerra, foi rebaptizado de TRÁZ-OS-MONTES, passando a fazer parte da frota da então formada empresa Transportes Marítimos do Estado (TME) e por falta de tripulações para equipar o enorme número de vapores apresados foi gerido pelos armador Inglês Furness, Withy & Co. Ltd., até ao final da guerra. Além disso, fez algumas viagens ao porto de Nova Iorque, fretado à Cunard Line, tendo também servido como transporte militar durante o conflito.
Paquete BULOW / postal do armador /.
Em 1922 ficou inactivo no rio Tejo até ao ano de 1924, altura em que foi adquirido pela Companhia Nacional de Navegação, que o colocou na linha de Moçambique e alguns anos mais tarde na linha da América do Sul com viagens alternadas aos territórios Portugueses de África.
Em 24.04.1931, armado em cruzador auxiliar, o NYASSA larga do Tejo, juntamente com outras unidades navais e mercantes, a fim de desembarcar tropas na Madeira para combater o levantamento militar, que ficou conhecido pela Revolução da Madeira, e que foi derrotado pelas forças governamentais. Em Novembro de 1940 fez várias viagens entre Lisboa e os E.U.A, assim como aos portos do Brasil e Rio da Prata, transportando sobretudo refugiados de guerra e por razões de segurança acabou por amarrar no rio Tejo.
A 11.02.1942, pelas 16h30, largava do porto de Leixões com carga diversa e passageiros, e devido à forte maresia que se fazia sentir, devido à aproximação de ciclone, o piloto da barra Francisco Luís Gonçalves seguiu a bordo para o Rio de Janeiro e Santos, depois de goradas todas as diligencias do rebocador TRITÃO, da APDL, para o tentar recolher, tendo regressado a Portugal no próprio NYASSA. Na chegada ao Rio de Janeiro, foi manchete da imprensa Brasileira, tendo sido muito acarinhado pela colónia Portuguesa local, particularmente pelo seu amigo e conterrâneo Júlio Baptista, imigrante naquela cidade e tio do autor do Blogue.
Em 1946, o NYASSA regressa à rota de Moçambique e em 1949, depois de ter realizado uma viagem em Julho de 1949, de Lisboa a Macau com escala em vários portos intermediários, fundeou no porto de Lisboa, após a entrada ao serviço dos novos paquetes do seu armador. Em 07.11.1951 chegava a reboque ao Blyth, Escócia, para desmantelamento pelos sucateiros Hughes Bolkow.
Paquete TRÁZ-OS-MONTES / postal do armador /.
Fevereiro de 1913, ainda como BULOW, sofreu um encalhe na costa de Blacknor Point, Portland, Dorset, tendo sido resgatado, após ter aliviado alguma carga, por rebocadores locais.
IMPREVISTOS NO MOVIMENTO MARITIMO DA BARRA DO DOURO E ALGUNS INCIDENTES
A 01.12.1929, pelas 14h10, tendo o vapor Inglês DARINO entrado a barra do Douro riscando na forte ondulação, e já muito depois de ter ultrapassado a rebentação, guinou demasiado a bombordo, devido à corrente de águas de cima. O piloto Joaquim Matias Alves mandou de imediato lançar o ferro de estibordo e máquina de marcha à ré, a fim de enfrentar a estocada e evitar o encalhe na pedra do Touro. Após entrar no canal de navegação, virou o ferro e seguiu rio acima sem mais percalços, indo amarrar no lugar do Jones, prolongado com outro vapor.
Entretanto, a maresia começou a crescer, pelo que o piloto-mor negou a entrada a outros vapores, que já se preparavam para demandar a barra. Quanto àqueles que vindos de largada, já desciam o rio, não tiveram outra alternativa, se não terem de manobrar pelos seus próprios meios, junto das bóias da Cantareira, alguns de grande porte, e retroceder para ancoradouros a montante, ficando aí a aguardar melhor maré para cruzarem a barra.
DARINO / Autor desconhecido - Copyright Photoship Co. UK /.
A 02 encontravam-se fundeados na bacia do porto e Leixões e ao largo da costa, alguns vapores, dos quais dezassete aguardavam entrada na barra do Douro e dado que a maresia, que se fazia sentir desde há vários dias, amainara, embora o vento do quadrante sul prevalecesse, o piloto-mor Francisco Rodrigues Brandão decidiu-se por dar movimento à barra, pelo que às 12h40 começaram a ser içados nos mastros do cais do Relógio e do castelo da Foz, os grupos de bandeiras indicativo do calado de água dos respectivos vapores.
Assim demandaram a barra os seguintes vapores: Alemães GAUSS, piloto Manuel Fernandes Vieira; ARION, piloto Joel da Cunha Monteiro; LEANDER, piloto José Fernandes Tato; TANGER, piloto Júlio Pinto de Carvalho (Guerra); STAHLECK, piloto Pedro Reis da Luz; Noruegueses SUSANE, piloto António da Silva Pereira (Carola); FRAKOLL, piloto Eurico Pereira Franco; TEJO, piloto João Pinto de Carvalho (Guerra); OTTO SINDING, piloto João António da Fonseca; Ingleses ESTRELLANO, piloto Joaquim Matias Alves; KENRHOS, piloto Manuel de Oliveira Alegre (Marage); PENGAN, piloto António Gonçalves dos Reis; Holandês NEREUS, piloto José Fernandes Amaro Júnior; Italiano DORIDE, piloto Hermínio Gonçalves dos Reis e o Espanhol NARANCO, piloto Carlos de Sousa Lopes. O vapor Norueguês BA, por não haver água suficiente para o seu calado, permaneceu fundeado ao largo aguardando por maré propícia.
A 03 o mau tempo regressou, pelo que a barra foi de novo encerrada e assim permaneceu até ao dia 11, e neste dia passaram a barra de saída os seguintes vapores: Alemães GAUSS, piloto Francisco Piedade e SEVILLA, piloto Hermínio Gonçalves dos Reis; Noruegueses TEJO, piloto Joaquim Matias Alves; Inglês KENRHOS, piloto António Gonçalves dos Reis; Holandês NEREUS, piloto Júlio Pinto de Carvalho (Guerra); Italiano DORIDE, piloto Joel da Cunha Monteiro e de entrada cruzaram a barra os vapores Portugueses SILVA GOUVEIA, piloto Eurico Pereira Franco; VILLA FRANCA, piloto Manuel de Oliveira Alegre (Marage); LOBITO, piloto José Fernandes Amaro Júnior; petroleiros SHELL 15, piloto Pedro Reis da Luz e o SUNFLOWER, piloto Francisco Luis Gonçalves; vapores Alemães SIRIUS, piloto Manuel Fernandes Vieira; BILBAO, piloto Joel da Cunha Monteiro; Ingleses DRAKE, piloto Delfim Duarte e CLEISTHO, piloto João Pinto de Carvalho (Guerra); Noruegueses BRAIAMAR, piloto José Fernandes Tato; AVANCE, piloto Francisco Piedade e o BA, piloto José Jeremias dos Santos e ainda os lugres Dinamarqueses ASTREA, piloto António da Silva Pereira (Carola) e FREM, piloto António Gonçalves dos Reis, assim como o lugre Inglês de S. João da Terra Nova BASTIAN, piloto Pedro Reis da Luz.
O vapor SILVA GOUVEIA demanda o porto de Leixões, década de 50 / (c) Foto Mar - Leixões /.
Todas aquelas embarcações demandaram a barra sem qualquer percalço, excepto o BA, que cerca das 10h00, já perto do lugar da Forcada, guinou às pedras do Cais Velho, devido a um forte estoque de água provocado pelas águas de cima, pelo que o piloto da barra mandou largar o ferro de estibordo e máquina toda força à ré, a fim de evitar o encalhe. Logo que o vapor foi ao canal de navegação, virou a amarra e seguiu rio acima até dar fundo a dois ferros, cabos estabelecidos para terra e pela popa ferro dos pilotos ao lançante pelo Sudoeste no lugar do cais do Ouro, a fim de descarregar carvão destinado à fábrica do Gás, sedeada junto daquele cais.
Um outro acidente ocorreu, pelas 09h00, quando o SEVILLA, que manobrava de largada, diante do lugar do quadro da Alfândega, foi abalroado pelo SILVA GOUVEIA, sem consequências de maior, o qual se preparava para amarrar ao pião das barcas do seu armador, junto do lugar da prancha do Monchique.
Navio hospital Dinamarquês JUTLANDIA, algures no teatro de guerra da Corea /(c) Museu Maritimo da Dinamarca - Elsinore /.
AGRADECENDO O INTERESSE MANIFESTADO PELA RÁPIDA RECUPERAÇÃO DA MINHA SAÚDE, É COM IMENSA ALEGRIA QUE LHES COMUNICO O MEU DESEMBARQUE DO NAVIO HOSPITAL “SANTO ANTÓNIO DO PORTO” NO QUAL FUI MUITO BEM TRATADO E ACARINHADO PELO PESSOAL MÉDICO, ENFERMAGEM, ETC. QUE DESDE AQUI SAÚDO, E QUE RECLASSIFICADO ME SINTO EM MELHORES CONDIÇÕES PARA CRUZAR AS SEMPRE TEMIVEIS E PERIGOSAS ÁGUAS E MARES DAS BARRAS, A FIM DE POSTAR NOVOS RELATOS E EPISÓDIOS.
Reformado da agência de navegação GARLAND, LAIDLEY / VESSELMAR (Administrativo e Caixeiro de mar) - PORTO.
Autor do livro "A BARRA DA MORTE - A FOZ DO RIO DOURO", cujo lançamento teve lugar a 14/04/2007 no estaleiro norte das obras da nova barra do rio Douro, à Foz do Douro - Porto